Segredos de Sangue
4 O que não te Mata te faz mais Forte
Notas iniciais

"Senhorita Wong. Você pode me ouvir?" Alguém está lhe chamando.
"Senhorita Wong!" A voz desconhecida persiste.
"Borboleta, hora de acordar!" Então, outra voz invade sua mente.
Aos poucos os pequenos olhos vão se abrindo, ao contato com a luz eles ficam sensíveis. A jovem pisca várias vezes, tenta reconhecer o lugar. Há paredes brancas, uma porta num canto do quarto e um aparelho monitorando seus batimentos cardíacos. Ela olha para o homem loiro de vestes pretas e óculos escuros. Ele é familiar.
Um homem de jaleco branco se aproxima, ele tem cabelos grisalhos e olhos azuis.
Olhos Azuis iguais... Ela tenta se lembrar, entretanto, os seus pensamentos são interrompidos.
"Você pode me dizer qual seu nome?" Questiona o senhor de jaleco de olhos azuis.
"Eu... é... Meu nome... Ahhhh!" Sua garganta dói. Ela não consegue falar.
"Beba!" Sua garganta arde um pouco com a água.
"Agora, respire devagar. Isso. Olhe para mim! Qual é seu nome?" A pergunta ainda é difícil de responder, pois ainda se sente desorientada.
"A... Ada..." Ela diz hesitante. Seus olhos se fixam em Wesker que apenas a observa, fazendo-a se sentir desconfortável.
"Você se lembra de Raccoon City?"
Repentinamente, sua mente é tomada por flashbacks:
Ela sente o clima mórbido dos lugares. Vozes se transformam em gritos de medo, agonia e fúria. Sua pele é rasgada pelas garras de um monstro. Ela vê sangue, se sente tonta. Seu corpo treme de dor e frio, mas mãos quentes e gentis amenizam sua dor.
"Olha pra mim, eu não vou te soltar! Eu prometi que nós vamos sair daqui juntos. Então, não desista!" A voz dele é firme e cheia de esperança, mesmo assim, Ada sucumbi lhe dando um último olhar, antes de soltar suas mãos e cair para o abismo.
Sua última lembrança são olhos azuis. Olhos azuis iguais...
"Leon!" Ada deixa escapar de seus lábios.
"Borboleta, você lembrou!" Wesker tem um sorriso perturbador.
Ada ficou em coma por dois meses. Durante este período, Wesker a usou como cobaia, observando o desenvolvimento do G-vírus em seu organismo que já estava debilitado devido à perda de sangue e das graves lesões na coluna que, eventualmente, deixariam-na com sequelas para o resto da vida. O G-vírus apenas atuou como um vírus oportunista, tentando se fundir as células já danificadas.
Para surpresa de todos, suas células se mostraram fortes, resistentes à infecção. Como último recurso, Wesker injeta uma dose do T-vírus, o qual foi fundamental para regenerar as células.
"Você deveria ter se tornado um monstro tão destrutível quanto Birkin, pois quando infectado, o G-vírus causa mutação instantânea em qualquer célula. Seu DNA é resistente ao vírus. Isso é incrível!" Diz Wesker com toda prepotência.
"O tempo todo você me usou. Fui apenas uma cobaia?" Ada estava mortificada.
"Não, Borboleta! Você é a nossa grande descoberta. Ada Wong, você é um milagre da ciência."
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A água quente sobre sua pele é reconfortante, ela sente seus músculos relaxar. Após o banho demorado, Ada se olha no espelho, no abdômen só ficou uma pequena cicatriz. Seus olhos se fixam em suas costas nuas, onde meses atrás fora cravado o símbolo da Família como uma das punições por ter desafiado Derek. E ter aquela marca cruel cravada em seu corpo era algo que sempre seria doloroso e humilhante.
A questão é que agora não havia mais nenhuma cicatriz ali, possivelmente, graças ao T-Virus. E a sua capacidade regenerativa. Sem aquele símbolo horroroso encravado em sua pele, a conexão que ainda a mantinha presa aquela maldita Organização, por fim havia sido quebrada.
Agora a espiã podia se sentir renovada, forte e, acima de tudo, livre. Ada Wong hoje renasceu como uma fênix.
A Missão na Espanha
Foram seis anos sem se verem, até que numa missão na Espanha eles tiveram um reencontro inesperado e explosivo que até teve um momento para um beijo roubado. Uma missão onde ambos cumpriram com êxito, mesmo lutando em lados opostos. Mas enfim, eles sobreviveram mais uma vez e, então, cada um seguiu seu rumo.
Entretanto, mesmo seguindo caminhos distintos, isso não impediu Ada de continuar vigiando Leon à distância, sempre nas sombras. Ela sabia a hora de sua chegada e saída, seus costumes e manias e, constantemente, zelava por seu sono.
E a espiã realmente não tinha medo do perigo. Em seu período na América, Ada aproveitava para vigiar cada passo dele. Ela sabia dos riscos que corria se fosse pega pela Organização. Mas, a mulher era esperta e precavida.
Assistir a rotina de Leon era até um pouco terapêutico. Ele tem uma vida tranquila, apesar do trabalho na Casa Branca e das missões. Claro ele mudou, radicalmente, sua vida após Raccoon City. E isso a faz se lembrar daquela conversa entre eles enquanto ainda estavam no meio da Missão na Espanha:
“Sabe, depois do incidente em Raccoon City... o mundo mudou. Você salva uma pessoa e outras cem morrem... Acho que também mudei.” Leon desabafou, porém depois lhe fez uma pergunta. “E você, Ada... você também mudou?” Ao invés de lhe responder, a espiã só lhe deu um sorriso malicioso e depois fugiu como sempre fazia, mantendo aquele ar de mistério que irritava o agente e só enfatizava que ela não era uma pessoa confiável.
A verdade era que depois de sobreviver a Raccoon City Ada sentia que também havia mudado. A diferença entre eles era que Leon ainda tinha amigos e uma família linda para se apoiar e isto até a deixava com um pouco de inveja dele.
No fundo, a espiã se sente solitária. Quando está em missão, sente que a solidão é a sua única aliada e isto a torna destemida, focada e racional, assim não tem que se preocupar com ninguém, apenas consigo mesma. Entretanto, Ada também já sentiu o que é ter alguém por perto sendo seu apoio, ou seu ponto fraco. Aquela missão na Espanha foi a prova disso. Ela se lembrou das decisões súbitas que tomou por Leon, sobretudo, desobedecendo Wesker.
Seu comunicador toca.
"Sim. Está quase completa, falta apenas uma informação... Quanto a Wesker... Eu cuido dele." Ada desliga seu comunicador e retorna a vigiar a janela de Leon. As luzes do apartamento se apagam. É a sua hora perfeita.
Sem dificuldade a espiã entra no apartamento. Nas últimas semanas era sua rotina estar ali cuidando dele. Vivendo um conflito entre sua razão, dizendo que era uma tola e, seu coração que ao simples olhar dele, se perdia no tempo. Foi assim, em Pueblo. Óbvio, que tinha que manter a máscara de impenetrável.
Até anos atrás, isso não era problema. Aliás, Ada sempre acreditou que não tinha alma. Que era apenas, um objeto para a Organização. Graças ao jovem com olhos de safira, tudo mudou.
O ex-policial com jeito angelical se transformou em um homem forte e muito atraente. Ele está dormindo sem camisa, deixando expostos os seus músculos, bem como as suas cicatrizes. Aliás, havia uma cicatriz em especial que era da bala que levou ao salvar Ada.
Ada morde os lábios, suas mãos anseiam por tocá-lo, porém Leon novamente se mexe sobre a cama, está sonhando. Seus traços faciais ficam tensos, sua respiração é agitada. Ele murmura coisas desconexas, parece estar tendo um pesadelo.
A espiã hesita em tocá-lo, seu coração acelera. Ignorando o medo de ser pega, ela se ajoelha do lado da cama e acaricia seu cabelo e rosto.
O simples gesto lhe causa um arrepio.
"Ada!" Inesperadamente, Leon murmura seu nome, fazendo a recuar por um instante.
"Shhh! Eu estou aqui." Ao som da voz de Ada, suas feições se suavizam e ele continua dormir em paz.
Estar tão perto dele e, ao mesmo tempo, tão longe era doloroso.
"Bonitão, adoraria ficar, mas eu não posso." Dito isso, Ada vai embora com o desejo de voltar.
Complexo Clandestino de Vancouver
1:30 da manhã
Usando os dutos de ventilação, Ada consegue chegar à sala de arquivos do prédio. Tudo correu bem até agora. Os sistemas de segurança foram desativados, só faltava enviar os arquivos do computador para seu contato.
"Você conseguiu?" Pergunta uma voz desconhecida pelo comunicador.
"Sim, estou enviando. Pronto! Ah, temos um problema, está criptografado."
"Sem problemas. Bom trabalho, Wong. Estamos te esperando." Ada sai pelo corredor. Quando estava pronta para sair do local é surpreendida por um golpe forte que a joga contra parede. Suas costas doem e antes que pudesse revidar, Wesker a agarra pelo pescoço.
"Borboleta, você achou que podia me trair?!" Ele estava enfurecido. "Eu te salvei de Simmons. Eu te dei a cura. Sem o T-vírus, você estaria em estado vegetativo. Eu te dei a liberdade é assim que me paga? Ingrata!" Ele continua a sufocá-la. Ela sente seus batimentos cardíacos acelerarem e não consegue respirar.
"Eu tinha planos para você. Que decepção!" Wesker a joga no chão, então, Ada vai perdendo seus sentidos, até tudo ficar em completa escuridão.
Wesker é um homem sádico que gosta de jogar com a vida das pessoas. Tem um desejo insaciável pelo poder. Mas, ele não quer apenas o poder. Ele quer mais. Muito mais!
Albert Wesker quer a imortalidade. Ele quer ser um Deus.
Três Meses Depois...
"Ok, está tudo pronto. Os homens estão em posição. Quero o helicóptero preparado!" Fala um homem de vestes pretas pelo comunicador. Ele é Daryl da Shadows, o contato secreto de Ada e também parceiro de algumas missões.
Daryl tem a missão de resgatar Ada Wong, que segundo informações, estaria sendo mantida presa num laboratório subterrâneo em Seattle. Após, a missão em Vancouver, ela desapareceu. Por este motivo, ele invadiu o Complexo atrás dela, porém só encontrou um lugar abandonado. Foram três meses de busca até chegar a Seattle.
Com os homens em posição esperando seu sinal, Daryl se infiltra no lugar, para isso precisou fingir ser um dos soldados de Wesker. Levou algum tempo até conseguir chegar ao laboratório sem ser percebido. Havia uma grande circulação de pessoas ali, entre cientistas, soldados, Wesker e sua informante. É com o auxilio dela que ele consegue chegar a tal sala. Para destravar o sistema de segurança, usou um pequeno dispositivo.
A temperatura dentro da sala era muito baixa, Daryl sentiu os efeitos em seu corpo logo que adentrara o lugar, precisava sair o mais rápido possível dali. As paredes e o chão estão cobertas por gelo, uma luz fraca pisca no fundo da sala, era um botão. O agente da Shadows o aciona, há um estalo e, então, uma espécie de cápsula surge em sua frente.
"Merda! Eu a encontrei, estamos na ala leste. Trent, Wesker a transformou em uma de suas cobaias... " Daryl é interrompido pelo alarme. Wesker já está ali furioso. Os dois homens entram em confronto. Daryl não tem chance contra a força sobre-humana do bioterrorista.
Wesker estava prestes a matá-lo, quando a cápsula se abre. Seus olhos se cruzam com os pequenos carmesins de Ada Wong. Tomada pela fúria e adrenalina, ela o ataca. Subitamente o homem que queria ser um deus sente como se sua energia e força fossem drenadas de seu corpo. Seus olhos vermelhos ficam petrificados, sua respiração fica irregular. Ele cai de joelhos no chão diante da sua mais nova criação.
Ada sente seu corpo se sobreaquecer, como se passasse uma corrente elétrica fulminante. Seu sangue flui intensamente como se estivesse em chamas por todo o seu corpo. Nada pode pará-la, nem mesmo as habilidades sobre-humanas de Albert.
Quando percebe que está livre Ada corre, desenfreadamente, sem rumo. Enquanto isso, um alerta de intrusos retumba sem parar.
Num dos corredores, a espiã se cruza com um dos seguranças que atira nela, mas ela é rápida e consegue desviar, atingindo o homem na cabeça que cai no chão. Só faltava um pouco e ela estaria livre, mas vários soldados e suas metralhadoras bloqueiam a saída. Seu coração bate, freneticamente, mas a mulher é imparável. Cada movimento seu é veloz e preciso, ainda assim é capaz de sentir o impacto das balas sobre sua pele nua.
Inesperadamente, um helicóptero aparece para lhe dar cobertura. Com o caminho livre, a espiã foge. O problema é... Para onde ela foi e no que ela se transformou?
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