Notas iniciais
Brigadu gente por não ter desistido de mim. Bom, acho q já passou da hora da irmã má entrar em cena, então esse cap é basicamente o ponto de vista de Mei, mas infelizmente não temos AEON. As partes em itálico são flashbacks Espero q vcs curtam!!!


Elise Mei


Aquele dia nunca mais iria sair da sua mente. Ela ainda podia ouvir os gritos de agonia e desespero das mulheres, ou ouvir a fúria daqueles Homens Malvados, capaz de gelar até a sua alma. Todavia, o que mais lhe atormentava era as últimas lembranças que tinha de sua irmã. Ela se lembrava perfeitamente dos gritos de socorro de Li chamando por seu pai, se misturando com as vozes asquerosas e desconhecidas, junto as suplicas desesperadas de Phil.

Seu coração estava à mil, assustada e agoniada começou a chorar, silenciosamente, enquanto ouvia a voz de sua irmã se perder no ar, seguido por um estrondo forte e rápido.

Um tiro certeiro de misericórdia que deveria ter sido fatal para Phil.

Naquele momento se passara tantas coisas em sua mente, medo, incerteza, pânico misturado a uma sensação ruim e obscura. Eventualmente, ela foi obrigada a se deparar com a crueldade da morte e suas consequências. Tudo era muito confuso para ma mente de apenas 9 anos que nunca havia lidado com tantas perdas, ou com a dor da solidão e medo.

Naquele dia tudo em sua vida mudou, tragicamente. Mei perdera a mãe, a avó, as tias e sua outra metade... Sua irmã Li, aquela que sempre bancava a gêmea mais velha, forte e corajosa.

Mei e Li tinham uma ligação de sangue especial e inquebrável, mas como um furacão ELES vieram furiosos e cruéis e levaram tudo de mais precioso que essa Ligação tinha, deixando um rastro de destruição e dor. Entretanto, dentre todas essas perdas, ainda tinha sua infância corrompida e um pai; que sobreviveu milagrosamente, porém se tornou um pai ausente e dominado por um desejo indomável de vingança, capaz de fazê-lo esquecer de que ainda tinha uma pequenina coisa que necessitava tanto dele.


Os anos foram passando e sua vida foi se tornando mais difícil de suportar. Ela continuou vivendo uma vida simples ao lado do avô que sempre fora como a sua fortaleza. Sendo o pai que Phil já não podia ser, até que Mei teve que encarar mais uma perda.

Mei chorou por seu avô, aquele homem simples que apesar de suas perdas e sofrimento sempre foi um homem forte, honesto e humilde. Ele era a sua grande inspiração para nunca desistir de ser feliz. E foi naquele mesmo dia chuvoso e triste, que Phil havia retornado para buscá-la... Seu pai após quase 5 anos de negligenciar sua filha, havia voltado decidido a levá-la para a Europa estudar e conhecer sua família Ocidental.

É claro que fora um desafio para se adaptar a cultura ocidental e sua língua, mas Mei era dedicada e estudiosa. Aos poucos foi conseguindo se conectar a sua nova vida. Ainda que ela, por muitas vezes, se sentisse fora de seu habitat natural. Mas, viver em Londres não era o seu maior desafio. O seu maior desafio era conseguir ter a atenção de seu pai.

O homem era misterioso demais e por muitas vezes até frio e distante. Não havia nem um vestígio daquele pai amoroso e alegre, Phil já não existia mais ali. Tudo o que ela recebia eram algumas visitas breves e trocas de conversas diretas e desconfortáveis. Phil e Mei eram como dois estranhos. E por mais que ela quisesse chegar até ele, o homem sempre iria repeli-la, duramente, até que ela já não suportasse mais tanta indiferença.

“Se você não me queria por perto, porque me trouxe aqui?”

“Eu não tenho tempo para ficar discutindo com você...”

“Eu sei qual o seu problema. Eu vejo como todos te tratam. Philip Trent Blanchett, o homem diplomata e idealista, respeitado e admirado por todos, mas que não consegue estar nem um segundo com sua própria filha.”


“Pare!” O homem diz atordoado, sem conseguir enfrentar o olhar consternado dela.

“Você tem permanecido vivendo sem olhar o passado. Foi por isso que você partiu da China. Você tinha conseguido reconstruir a sua vida. Mas, agora comigo aqui as coisas são diferente. Eu sou um lembrete constante delas, não é?”

Trent sabia que Mei havia atingido seu ponto fraco. Mas, a verdade é que existem coisas na vida que te marcam tanto, sejam pelo bem ou pelo mal que, mais cedo ao mais tarde, vem para te confrontar.

“Você não consegue estar comigo porque eu te faço lembrar da mamãe e da Li e você me odeia por isso.” A jovem murmura cheia de magoada.

“Não. Não é verdade, Mei. Eu te amo, você é a única coisa boa que me resta nessa vida.” E ali estava Trent o homem ponderado, perspicaz e impecável que não se abala, facilmente, ou se mostra vulnerável. Mas, ali com ela chorando em seus braços, ele voltara a se sentir como o jovem Phil: homem simples apaixonado por sua família, o pai carinhoso.

Trent sabia que não podia falhar mais com Mei. Contudo, seus planos de mantê-la segura, acabaram por cair por terra... Mais uma vez, ele havia falhado...




Waiyip — Província Chinesa de Lanshiang, 2013.


Trent havia sido sequestrado junto com os outros diplomatas da ONU pelos rebeldes mutantes, denominados J’avos. Claro, ele sabia que a Neo-Umbrella estava por trás dos atentados bioterroristas. Mas, o que não imaginava era ficar cara a cara com a sua própria filha.

“Mei?” Ele exclama numa mistura de surpresa, ansiedade e medo.

“Olá, papai!” ELA diz se aproximando com uma postura quase felina que lembrava em partes Ada, mas ao mesmo tempo, era tão diferente. A jovem que um dia possuía um jeito angelical, frágil, alegre e amável, agora era uma sombra de amargura, ressentimento e muita fúria.

“Mei o que fizeram com você?” Pai e filha se olham. Trent se encontra amarrado a uma espécie de cadeira de ferro. Ele tenta se mexer, mas os arames que lhe prendem machucam seus pulsos.

“ELES me abriram os olhos para quem meu querido pai é de verdade. Você já foi um famoso espião secreto chamado Ethan Salt que trabalhava para a Organização denominada... A FAMILIA.” Trent ouvia tudo num silêncio perturbador. “Um belo dia Ethan resolveu fugir da Organização e foi se esconder no interior da China. E lá você construiu sua própria família feliz. Até que seu passado resolveu lhe fazer uma visitinha que deixou um rastro de destruição.”

“Já chega!” Ele diz entredentes.

“Por quê? Eu ainda nem cheguei nas piores partes. Você sabe que destruiu a vida da Fang e da sua família.” A voz de Mei falha, seus pequenos olhos ficam enevoados.

Ela sente saudade de um passado onde tudo era simples e mais colorido, onde havia sorrisos, abraços e muito amor e união. Mei ainda pensa em sua mãe, Li e em Phil, o homem diante dela que agora aprendeu a odiar tanto.

“Você já pensou que se não tivesse fugido da Organização, talvez tudo seria diferente. Fang nunca conheceria o forasteiro. Sem Mei, Li ou Ada Wong. E todas aquelas pessoas inocentes estariam vivas e vivendo suas vidas simples e felizes.” Ela diz ríspida e sombria.

“Eu penso nisso todos os dias da minha vida medíocre. E eu me odeio tanto por isso. Me odeio por ter feito as escolhas erradas e arrastando Fang, você e a Li...” Suas palavras são interrompidas pelas gargalhadas insanas da jovem de traços orientais. Quando as gargalhadas cessam, ele vislumbra uma face obscurecida pela tristeza e uma lágrima solitária cair pelo rosto dela.

“Isso é o que me faz te odiar tanto. Você tinha escolhas. E fez todas as escolhas erradas.”

O passado de Trent escondia muitos arrependimentos, entre eles, a decisão de obedecer às ordens do seu próprio e acabar entrando para aquela Maldita Organização que o transformou em um espião. Sua filha por outro lado não teve escolha.

“Mas, Eu não tive escolha. Eles me levaram para um lugar horrível, frio e fétido. Eles me atormentavam, me feriam, me humilhavam todos os dias.” Mei foi desabafando, ela parecia em transe, talvez, nem percebendo que estava ali se abrindo para o seu pai. “Eu às vezes tinha alucinações esperando você, ou... Daryl pra me salvar daquele inferno. Mas, vocês nunca vieram.”

Vários flashbacks invadem a sua mente.

Ela se lembra da ultima vez que vira Daryl. O braço direito de Trent havia vivido um romance secreto com a jovem por quase dois anos, até que o chefe descobriu.

“Você sabe que eu te amo, Mei!” Aquelas palavras eram sinceras, mas não o suficiente para curar a dor do abandono.

“Então, fique comigo!” Ela diz suplicante.

“Eu não posso. Eu sinto muito.” Eles trocam um ultimo beijo. Ela então havia partido cheia de magoa.

Trent decidiu afastar ela de Daryl enviando a jovem para viver com a família paterna no sul da Dinamarca, pensando que lá ela estaria segura e longe de problemas. No entanto, essa fora a sua pior decisão.

Enquanto Daryl esteve ao lado de Mei, ele a protegeu não apenas por ser o seu trabalho, mas também, como um amigo cumplice e depois acabaram se apaixonando. O agente estava disposto a abrir mão de tudo por ela, a fim de viver uma vida simples, longe de missões secretas e identidades falsas, longe da vida conturbada de um agente secreto. Porém, o diplomata britânico não via futuro para o casal.

Para Trent a historia de Daryl e Mei terminaria em tragédia, como a de Phil e Fang. Trent queria sua filha longe do seu passado horrível, vivendo uma vida normal, depois da faculdade se casar com um homem comum. Entretanto, todos os seus planos foram por água a baixo.

Mesmo longe de Daryl e da tumultuada vida em Londres, os caminhos da jovem acabaram por se cruzar com os do obcecado Derek Simmons.




A Metamorfose


Mei a principio fora capturada e trazida para a América, com Derek acreditando se tratar de Ada Wong. Para ele a jovem havia trocado de identidade e vivia uma vida comum, provavelmente, rindo da cara dele. Mas, as regras da FAMILIA eram bem claras: — Ada Wong sempre iria pertencer a Organização até a morte. E acima de tudo, Ada Wong pertencia somente a ELE.


Contudo, aquela jovem não possuía a marca da FAMILIA, ou qualquer outra marca. Derek conhecia muito bem aquele corpo, cada mínimo detalhe. Ainda assim, ele demorou para assumir que a jovem que foi capturada, não possuía os mesmo traços fatais de uma assassina manipuladora e fria.


Então, sua obsessão ultrapassou todos os limites. Se a jovem não era Ada, ele iria transformá-la na sua espiã fatal, submissa, leal e fiel a ele.

Portanto, Mei sofrera todas as torturas inimagináveis, passou por treinamentos rigorosos e terríveis e, a cada vez que a jovem falhasse, haveria mais castigo.

Elise Mei estava sozinha, humilhada e violada. Não importava quantas vezes ela suplicasse, ou sangrasse, Sangue e lágrimas se misturavam entre si e tudo o que ela mais desejava naquele momento era morrer, pois só assim achava que encontraria a sua paz.

Logo, o seu maior desejo estava prestes a se realizar...

Mei ficara doente, uma infecção no pulmão que parecia ser fatal.

“A infecção aumentou e já tomou conta dos dois pulmões e a febre não abaixa. Ela está morrendo.” Dizia uma voz feminina.

“Senhorita Radames, ela está proibida de morrer. E você vai cuidar disso.” Derek dizia obstinado. “Quero ela no Projeto Metamorfoses. E não quero falhas.”

“Mas senhor, é arriscado. Um humano ainda vivo pode não sobreviver à metamorfose e acabar originando outra criatura como as Lepotisas. E se seu corpo não sobreviver às mutações do C-vírus?”

“Bom, você é o grande gênio aqui, Carla. Não quero erros. Você está responsável por me dar o soldado perfeito sob a forma de Ada Wong.”

E assim, sob o comando de Carla Radames o ‘Projeto Metamorfose- Ada Wong’ havia se iniciado com várias doses do C-vírus e o corpo debilitado de Mei. Dentro de um casulo seu corpo foi mantido seguro passando por várias etapas até concluir a metamorfose completa. Todas as células do seu corpo foram reconstituídas e seu cérebro fora reprogramada com novas memórias e informações. Quando a crisálida eclodiu o corpo frágil e fraco da jovem renasceu como um corpo forte, perfeito e imparável.

“Eles, deletaram todas as minhas memórias como Mei. Eu despertei com uma mente vazia que foi reprogramada para agir, falar e até pensar como Ada Wong.” A cada palavra da jovem mais Trent se sentia enfurecido e enojado por Simmons e sua Organização.

“Como você se lembra quem eu sou agora? Ou sabe o resto do nosso passado?” Trent estava apreensivo, não apenas com as atitudes imprevisíveis de Mei, mas também se preocupava com o resto do pessoal da ONU que deveriam estar por ali como reféns dos rebeldes. Ele podia ouvir as vozes desesperadas de seus companheiros se misturarem aos grunhidos dos J’avos.

“Bom, minha mente entrou em transe durante a missão na Eslava Oriental. Você sabe sobre o resto da história. Eu me infiltrei no governo Eslavo me passando como agente da BSAA com o objetivo de conseguir amostras dos novos parasitas Las Plagas. Mas, seu cão de guarda... Daryl entrou no meu caminho e, depois de me confrontar com ele e aquele agente americano que parecia conhecer a outra Ada, eu comecei a ter pequenos flashes do passado. E após a missão, minha memória foi retornando graças à ajuda também da senhora Radames. A quem eu devo minha vida e sanidade.”

“Quem é Radames?”

“Uma mulher em busca de vingança. Você sabe, mulheres vingativas podem ser implacáveis e destrutivas." Ela continuava a tagarelar sarcasticamente. "Mas, ela não é o seu problema. Carla Radames é problema da FAMILIA e do Simmons, enquanto eu cuido da verdadeira Ada Wong.” Ela diz lhe dando as costas.

“Espera! Você não pode fazer isso com a sua própria irmã. Ela é tão vitima quanto você nisso tudo.”

“Cala a boca!” Ela diz enfurecida apontando sua arma na cabeça de seu próprio pai. “Ela não é a minha irmã. Li morreu junto com Fang há muito tempo. Aquela lá é uma vadia manipuladora e assassina que usurpou a minha vida. Olha só pra você... deve estar orgulhoso de tê-la por perto. Orgulhoso por Ada Wong herdar o mesmo gene manipulador e assassino.”

“Mei, espera! Por favor, apenas me ouça.” Ele se remexia inquieto tentando se libertar e praticamente lhe suplicando. “Sua irmã é inocente. Ela também teve que lutar contra Simmons. Ela também foi humilhada e violada.” A jovem o ignorou.

“Ah, uma última coisa que você precisa saber...” Porém antes de sair, ela lhe dá um ultimato. “Aqui você estará mais seguro do que lá fora. É o começo do fim. E assim será a queda de Ada Wong. Não fique no meu caminho, ou eu também lhe destruirei!”



Notas finais
Por enquanto é isso. Nos proximos teremos mais momentos AEON e mais tensão e ação. Bjus!!!