Segredos de Eastcreek
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Te desejo uma ótima leitura!
Seis anos atrás.
— Então Jô, esse é o nosso novo lar, sei que não é grande como nossa última casa, mas agora somos apenas eu e você. A cidade é pequena, mas o corretor que nos vendeu essa casa falou muito bem da vizinhança, até disse que tem um excelente sorveteiro que passa às quatro da tarde. — Dizia meu pai em um tom confiante, mas um pouco tremulo.
Havia menos de duas semanas que minha mãe faleceu em um acidente de carro. Ela estava voltando do mercado, quando um caminhoneiro bêbado jogou seu automóvel contra o dela. O impacto foi tão feio, que minha mãe perdeu sua vida na hora.
— São dois andares, aqui é a sala de estar, eu fiz questão de já deixar toda nossa mobília arrumada, ah e venha aqui, esta é a cozinha, a geladeira e o fogão são cortesia do último morador – Ele se mostrava animado, e não dava brechas para eu falar, quem sabe talvez essa seja a última vez que eu o veja tomar três doses de uísque em cada refeição. – Mas vamos para cima, a casa tem dois banheiros em cima, e os dois têm banheiras, e tem três quartos, o meu, o seu, e um vazio, podemos fazer um quarto de hospedes, ou uma biblioteca, e... O que foi querida? Não gostou de nossa nova casa?
— Não pai, ela é muito legal, a rua também é muito convidativa, eu estou feliz, mas só estou um pouco cansada, a viagem foi longa, Eastcreek parece nem estar no mapa.
— Eu entendo filha, aqui é bem diferente de nossa antiga cidade, mas vamos nos adaptar. Eu também estou cansado assim como você, o que você acha de pedirmos uma pizza? Vi o número de uma em um ímã na geladeira.
Apesar da preocupação de Jim, ou melhor, meu pai, eu me sentia em casa em meu novo lar. A cidade me despertava um interesse grande, e ela nem era tão pequena assim, tinha uma grande universidade que atraiam estudantes de todo o país, minha nova escola tinha um auditório imenso, e um ótimo centro esportivo, e o lugar tinha muitas árvores, a única coisa que não me agradava muito eram as baixas temperaturas de Eastcreek que beiravam menos um grau célsius nas madrugadas.
Dias atuais.
— Bom dia Jim!
— Bom dia Jô... Aliás, feliz aniversário grão de arroz! – Disse meu pai tirar os olhos do Eastcreek Paper, o jornal da cidade.
Pois é Joanna, dezoito anos de idade, já sou uma adulta. Amanhã vou para universidade, vou passar a morar em um dormitório de menos de trinta metros quadrado e dividi-lo com uma completa estranha.
— Papai... — Disse sentando ao lado dele.
— Papai? Qual é a bomba? – Largando o jornal e tirando os óculos.
— Bom, o Ben está na cidade, ele teve três dias de folga do estágio que ele está fazendo na capital, então pensei que você poderia me emprestar seu Impala para eu poder ir à casa dele.
— Joanna, Joanna, eu... Eu simplesmente não consigo dizer não á essa sua carinha, eu te empresto, mas se esse Ben estiver com muita saudade – Disse enfatizando o “muita” – E você sabe o que quero dizer, ele vai conhecer o seu tio Cliff – Completou olhando para o armário da sala onde ele guarda o equipamento de caça.
— Você é o melhor Jim! — Disse o dando um abraço, e então corri pelas escadas indo direto para o meu quarto.
Namoros a distância são bem complicados, mas era de se esperar que um dia isso fosse acontecer, Ben é um ano mais velho do que eu, e desde pequeno já sabia o que queria ser: ator. Assim que terminou o ensino médio, nós dois sabíamos que o lugar dele não era aqui, e eu dei o maior apoio para que ele fizesse as malas e fosse para Nova Iorque, o berço de novos artistas.
Claro que foi difícil a despedida, mas prometemos um ao outro que todas as semanas mandaríamos cartas dizendo como foi nossa semana, trocaríamos fotos, e ligaríamos um para o outro todos os dias.
Nos primeiros meses até seguimos direitinho nossa promessa, mas depois de um tempo eu comecei a me centrar mais na minha vida escolar, e Ben parecia estar muito ocupado construindo sua nova carreira.
Em um ano que ele está em NYC ele nunca pegou um papel grande, mas fez algumas propagandas como a da Sopa Srta Lolly e uma sobre um novo medicamento para o tratamento de herpes genital. Já faz cerca de um mês que ele começou um estágio como assistente em um estúdio, ele trabalha servindo cafés e organizando scripts, não é o que ele sonhou, mas segundo ele “é um passo mais perto¨.
Eu sempre fui muito fiel à Ben, nós nos conhecemos na escola, e quando fui reparar, já estávamos sério. Nós dois tivemos muitas discussões ao longo de nossos dois anos e meio de namoro, mas nunca iniciei uma, sempre ele. Ele tinha ataques de ciumes quando eu estava conversando com meus colegas do grupo de ciências e astronomia, ele não parava de os encarar, e a mesma coisa acontecia nas festas dos Penguins from Eastcreek College, o time de futebol americano da nossa escola, a qual ele participava. Lembro como se fosse ontem da festa de comemoração do título conquistado por eles nas regionais – a festa aconteceu em uma chácara um pouco distante do centro da cidade, estava tão frio no dia, cerca de menos quatro graus Celsius, mas as lideres de torcida arrumaram o lugar deixaram cheios de luzes, e fizeram uma grande fogueira, foi bárbaro – eu estava muito feliz pela vitória dos garotos, então fui parabenizar Brian, o capitão do time, por todo seu esforço e determinação.
— Obrigada Jô, muito importante saber que existem garotas que realmente se importam com time, e não só fingem que gostam para sair com os jogadores – Falou Brian me alcançando um copo de uma bebida quente preparada com vinho, canela, gengibre e vodka.
— Obrigada, mesmo soando estranho, pois eu namoro um jogador – Respondi em um tom bem humorado, só o cheiro da fumaça alcoólica que saia do copo já me embebedava.
— Ben? Bom, você parece entender mais de futebol (e talvez até jogue melhor do que ele).
— Não seja bobo Brian, eu sei muito bem que sou melhor do que qualquer um dos Penguins! — Dei um tapinha no ombro dele.
— Nós dois continuamos conversando, perguntei se ele já tinha se recuperado bem do problema no joelho, ele perguntou se meu pai estava aproveitando a temporada de caça (o pai dele também tinha como hobbie caçar, embora sua esposa e seu filho serem vegetarianos), rimos muito, até que então Ben vê nós dois, e para imediatamente o que estava fazendo e vem como um touro para cima de nós, ele me puxou pelo braço até um lugar que não tivesse ninguém. Então ele começou a me encarar totalmente enfurecido, seus olhos pareciam pegar fogo, até parece ter presenciado uma traição.
— O que você acha que está fazendo? — Disse apertando meu braço.
— Benard! O que está acontecendo? Eu estava conversando com o Brian, que conheço desde antes de te conhecer – Ele continuou me encarando com sua cara de ódio, e apertava cada vez mais meu braço – Para! Está me machucando! — Puxei meu braço com tudo.
— Conversando? Amigos? Me poupe Joanna Beavor Singer, não sabia que você era aquelas vadias que ficam se oferecendo para jogadores de futebol... Quanto mais alto o posto, melhor!
Eu não tive forças para o responder, apenas enxuguei as lagrimas do meu olho, e saí andado. Por sorte tinha uma garota, cabelo com corte masculino, extremamente magra, mas com um rosto muito fofo (que eu nunca tinha visto por aqui antes) que já estava indo embora, e ela, muito educada, me deu uma carona. Eu nunca mais a vi antes, mal me lembro o nome dela (se é que eu perguntei).
No dia seguinte, Ben veio até minha casa, pediu desculpas, chorou, suplicou por perdão, disse que ele estava alterado, e que tinham colocado algo na bebida dele. Ele fez um drama digno de novela mexicana, e eu o perdoei, mas continuava magoada.
Um ano com seu namorado morando longe, significa um ano sem beijos, e bom, você sabe. Hoje será um grande dia, passei um tempão na banheira, para tentar driblar a ansiedade, mandei várias mensagens para ele, e ele também.
¨Eu estou louco para matar as saudades...
Eu te amo!
— B. ¨
“Estou contando os minutos!
— Jô. “
Estava pensando em usar a roupa de nosso primeiro encontro, mas acho que um moletom do Denver Broncos não é tão atrativo, talvez hoje seja o dia de ousar, e sei uma ótima combinação.
Assim que saio da banheira, vou direto para meu armário, joguei na cama um vestido preto, bem justo, que pertencia a minha mãe e em seguida o vesti. Estava lindo no meu corpo, mas infelizmente o tempo de Eastcreek não colaborava com minha escolha. Então decidi também, usar meias calças pretas, com uma bota de salto que vem até meu joelho, e claro que não poderia faltar meu sobretudo vermelho.
O tempo correu de pressa, então eu fiz a melhor maquiagem e penteado que se pode fazer em três minutos, passei o perfume, e como de costume, desci as escadas correndo.
— Joanna, não está esquecendo de nada? — Perguntou Jim quando eu já estava na porta.
— O que?
— Suas roupas!
Segui com o carro de Jim até a casa de Ben, quando chego, observo que apenas a luza da sala está acesa, bom ele estava sozinho.
Bati na porta, e ela logo se abriu, ele estava a minha espera. A luz estava bem baixa, e a música alta, a sala era bem ampla, então segui para o lado dos sofás.
— Não!
Bom eu poderia ter falado isso, mas não consegui, apenas fiquei parada em um total estado de choque, que não conseguia nem pensar. Era como se meu coração acabasse de se partir ao meio, literalmente.
— Jô! — Ele se levantou na hora, tampando suas vergonhas com uma almofada – Eu, eu não tenho o que dizer.
— Você não precisa falar nada, eu sei muito bem o que está acontecendo aqui — Demorou cerca de quarenta segundos para olhar para o individuo que o acompanhava, era Brian, que estava pálido em estado de choque – Agora eu sei exatamente o porque de seus ataques de ciumes.
Ele começou a falar, eu não o ouvi, apenas segui até meu carro, e só lá me permiti desabar em minhas lágrimas. Dois anos e meio jogados no lixo. Mas por incrível que pareça, não é tristeza que sinto, é raiva. Raiva de passar o último ano planejando nosso reencontro, raiva por ter me privado de tantas coisas por causa dele.
Eu estava longe do centro, quase fora da cidade, estacionada na frente da casa de um traidor que fica no meio do nada. Toda arrumada e perfumada, tomada por um dos sentimentos mais fortes existentes. Agindo sem pensar muito, apenas acelerei e segui a estrada à fora. Eu já estava bem longe de casa, mas aquele pedaço da estrada ainda era domínio do município de Eastcreek. Muitos minutos de volante depois, parei em algo que se parecia um Saloon, um bar de estrada meia boca, com motos e carros velhos estacionados, eu escutava um country de fora, mas a primeira impressão que tenho desse lugar é que ele é digno de cenário de filmes sobre o velho oeste, ou até mesmo uma ótima cena de homicídio.
Passei minha mão embaixo dos meus olhos para tirar o borrado da minha maquiagem, e desci do carro e fui em direção à entrada do estabelecimento.
Minha expressão era vazia, e naquele lugar eu parecia invisível, ninguém se quer olhou para mim. Enquanto eu caminhava até o balcão consegui captar algumas coisas do lugar. Mesas de madeiras, tudo muito rústico, alguns bebiam em solitário, outros em grupos, uns mais animados, outros estavam quase dado de cara com o pote de amendoim da mesa. Apesar de ter muitos homem, tinham algumas mulheres, com aparência meio máscula, e usando jaquetas de couro.
Chego até o balcão, que é extenso, também feito de madeira, sentei em uma banqueta.
— Três doses de tequila e um copo com gelo por favor! — Esse momento foi épico, bárbaro, quase como um filme, eu acabara de pedir a mesma coisa que um homem que estava sentado à três cadeiras da minha, nos se olhamos brevemente com um olhar meio torto e voltamos o olhar para a moça do balcão, que franziu a sobrancelha para nós.
A moça do balcão era bem alta, tinha o cabelo loiro, mas muito loiro, e pele meio bronzeada (provavelmente feita com aqueles sprays bronzeadores baratos que se encontra no mercado), ela tinha um rosto meio másculino, e um semblante de pessoa brava, tinha braços musculosos e usava uma bandana na cabeça. Poucos segundos depois do pedido, ela o serviu e voltou para o seu canto onde observava o movimento. E no caso, quem ela observava era eu e o homem fez o mesmo pedido.
Certo, então eram um copo com gelo e três doses de tequila (aprendi isso com Jim), joguei as três doses de tequila no copo e virei tudo de uma vez. Novamente a mulher que havia nos servido franziu o rosto como se dissesse “Que porra é essa?”. Foi quando olhei para o lado, e o homem havia feito exatamente a mesma coisa que eu, ao mesmo tempo.
Só agora que fui reparar nele, ele era mais velho do que eu, aparentava ter entre trinta e cinco e quarenta anos, usava com uma calça jeans surrada, uma camisa social azul marinho amassada, e seu agasalho estava jogado sob a mesa. Cabelo totalmente despenteado, e a barba por fazer. Ele deveria estar em um momento tão complicado quanto o meu.
As horas foram passando, quase metade daqueles que estavam quando cheguei já haviam indo embora. Eu já tinha tomado umas duas doses de uísque, e estava na minha quarta cerveja, eu estava apertada, então resolvi me aventurar no banheiro daquele lugar que deve subornar a vigilância sanitária.
Deixei meu casaco sobre a banqueta que eu estava, para marcar meu lugar.
Quando saí do banheiro, notei que algo estava diferente, o homem misterioso agora estava sentado à uma cadeira de mim.
— Estranho – Sussurrei.
Sentei de volta no meu lugar, e pedi outra cerveja.
— Duas, por favor – Disse o homem do meu lado, eu o encarei, mas eu já não sabia distinguir minha feição de raiva da de estranhar, tentando quebrar o clima de tensão, ele completou – Essa é por minha conta! — Ainda desconfiada eu assenti, de forma que agradecesse a hospitalidade do estranho.
A cerveja estava gelada, assim como essa madrugada, mas ela refrescava a raiva quente que eu sentia. Então, por um impulso, virei ela inteira.
O homem avançou uma cadeira ao meu lado, e tomou um gole de sua bebida.
— Então são tempos difíceis? — Perguntou o homem olhando para frente.
— Está tão na cara assim?
— Digamos que uma pessoa na foça, reconhece outra pessoa na foça – Deu mais um gole, e se virou para mim – Theodore – E estendeu a mão.
— Joanna – Apertei sua mão, me virei de volta para o balcão – O que te fez virar três tequilas de uma vez? — Perguntei.
— Minha esposa me abandonou faz uma semana. E você?
— Peguei meu namorado com um cara faz quatro horas.
— Um brinde à nossa fossa! — Disse ele levantando sua garrafa. Brindamos.
Ficamos uns minutos em silencio, até pareceu que a conversa anterior não tinha existido, então resolvi quebrar o gelo:
— É incrível como a vida é, bem no dia do meu aniversário meu presente é meu namorado me traindo com um cara, que por acaso, era meu amigo no ensino médio. Era para eu estar dando uns amassos em uma banheira de água aquecida com bastante espuma e pétalas de rosa, e as luzes deveriam estar apagadas, e ter velas por todos os lados nos iluminando, e estaria tocando músicas francesas românticas no fundo – Eu estava tão bêbada que as palavras saiam de minha boca como uma tempestade caindo do céu – Mas não! Eu estou em um bar, que só fui saber da existência dele pois saí dirigindo por aí à fora rumo à lugar nenhum, e agora eu to aqui, falando isso para um cara que eu apenas sei o nome, que provavelmente tem mais problemas do que eu, como se todo esse discurso fosse relevante em alguma coisa para a vida dele.
— Então é seu aniversário? — Perguntou ele se virando para mim, em fiz com a cabeça respondendo sua pergunta – Parabéns! — Eu sorri, e então foi a vez dele desabar – Hoje completaria quinze anos que conheci minha esposa... Bom, ex esposa. Nós eramos tão jovens e apaixonados, tínhamos a mesma idade, tínhamos sonhos parecidos. Se casamos cedo, eu era muito bom para ela, mas ela começou a se distanciar, mudar, passava muito tempo fora de casa, ela dissimulou. Saiu pela porta da frente, e nunca mais voltou, não chorou, nem disse adeus, apenas olhou para minha cara, deu um leve sorriso, depois a cara séria voltou, e ela foi embora levando apenas sua carteira, e algumas peças de roupa. Hoje caiu a ficha que ela nunca mais voltará, doei as coisas dela, tirei tudo que remetesse a ela, minha vontade era de vender tudo e comprar um apartamento de um quarto, mas não posso fazer isso. Naquela casa está tudo o que tenho – Ao terminar o discurso, ele se virou em direção ao resto do bar, onde ficavam as mesas de sinuca, as mesas, e a jukebox velha – Mas é seu aniversário Joanna – Ele se levantou, estendeu sua mão para mim – Me concede uma dança? — Antes mesmo de eu poder responder ele me puxou até a jukebox, e colocou Lets Twist Again para tocar.
Começamos a dançar, e meu corpo começou a se sentir mais vivo, essa música contagiou cada célula do meu corpo, foi como encontrar a luz no fim do túnel. Depois colocamos aquela música de Grease nos tempos de brilhantina, you the one alguma coisa, tocamos várias do Chucky Berry, do Elvis, e quando nossos pés já estavam cansados, sentamos no chão, um do lado do outro, apoiando nossas costas na frente da jukebox, que foi quando começou a tocar Sinatra.
You're just too good to be true
I can't take my eyes off you
You'd be like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive
You're just too good to be true
Can't take my eyes off you
Essa música me desperta uma sensação boa, ela era bonita, era quente e envolvente.
— Você também gosta dessa música? — Perguntou Theodore, eu sorri, então ele começou a cantarolar — Pardon the way that I stare – Virou sua face para a minha, estávamos olho no olho — There's nothing else to compare, the sight of you leaves me weak, there are no words left to speak, but if you feel like I feel, please let me know that is real, you're just too good to be true, I can't take my eyes off you.
Então o refrão chegou, e nós elevou a outro estado, como se só tivéssemos só nós dois, e mais nenhuma decepção e não estivéssemos em um bar de estrada.
I need you baby
And if it's quite all right
I need you baby
To warm the lonely nights
I love you baby
Trust in me when I say okay
Quando me dei por conta, nossos lábios estavam um encostado no outro, e nos beijamos intensamente. Até o fim da música.
Oh pretty baby
Don't let me down I pray
Oh pretty baby
Now that I've found you stay
And let me love you, oh baby
Let me love you
— Me perdoe – Falou – Eu me deixei levar pela música.
— Não, tudo bem eu também.
É claro que estávamos mentindo um para o outro, aquilo tinha sido tão bom para nós dois, fazia muito tempo que eu não sentia isso, e talvez o álcool ajudou um pouco para haver essa correspondência. Todo aquele fogo da raiva naquele momento se transformou em uma vontade incontrolável, e eu ainda estava ao lado dele, tinha pessoas ali, e pela minha ofegância dava para se perceber o que eu queria. Me levantei depressa e fui até o balcão pegar meu agasalho.
— Joanna – Ele me virou – Eu moro à uns quinze minutos daqui.
— Eu não posso, tenho um compromisso sério amanhã.
— Então posso pelo menos te acompanhar até seu carro? — Eu disse que sim, ele vestiu seu agasalho e fomos até o Impala – Belo carro, potente, clássico, você tem um bom gosto – Ele disse, com um tom sério, que só me deixou com mais vontade de fazer o que eu queria, mas estava me privando.
— Ele é bem espaçoso também!
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