Segredos da Casinha
9 Capítulo 9 - Carter - Confiança e Harry Potter
Notas iniciais
Chegava a ser estranho como em março o frio e o branco do inverno ia sendo substituído pelo calor e as cores da primavera na cidade enquanto o relacionamento de Dirfino e Maddison seguia ficando cada vez mais frio, distante e esquisito.
Mesmo sem conseguir se olhar diretamente nos olhos, ambos passavam boa parte das aulas que tinham juntos encarando-se quando achavam que o outro estava distraído.
Como era possível sentir tanta saudade de alguém a menos de dois metros de distância?
Seria impossível que o bonde não notasse a mudança de comportamento dos amigos se não estivessem todos muito sobrecarregados e estressados por conta dos trabalhos excessivos e super puxados do último ano. Eles mal podiam esperar para a semana do recesso de primavera no mês seguinte e os jogos pré-provas.
Após o horário da saída de sexta-feira, Dirfino estava sentado de cabeça baixa na mureta ao lado do portão quando Andrew, Luke e Morgana surgiram de dentro do colégio e foram falar com ele.
— Ei, gatinho, onde você comprou essa fantasia de pizza também tinha de refrigerante? — Disse Luke, chamando sua atenção.
— O que? — Dirfino virou o rosto para encará-lo de cenho franzido.
— Desculpa, você tá tão gostoso que acabei me confundindo. — O garoto concluiu com um sorriso malicioso.
— Nossa, Luke, essa foi horrível. Até pra você. — Comentou Morgana, acompanhando os amigos em uma gargalhada.
— Não me julga não, meu docinho. — Replicou colocando a mão sobre o peito como se estivesse indignado. — Pensa que é fácil manter o título de mestre das cantadas?
— O que ainda tá fazendo aqui? — Perguntou Andrew, mudando o foco da conversa.
— To esperando a Mad. Ela tem umas coisas pra conversar com a Senhora Patterson e essa hora eu posso ser visto entrando na casinha sozinho, seria estranho. — Dirfino explicou. — Cadê o Connor e a Adele?
— Graças à minha santa Beyoncé nas alturas, eu não sei. — Disse Luke com um sorriso de canto e as sobrancelhas levemente franzidas. — Isso ainda é muito novo e meio esquisitinho, então prefiro não imaginar. Mas falando no seu papai, um amigo universitário dele, um tal de Billy ou algo assim, convidou o nosso lindo bondezinho pra uma festa amanhã. Não é sempre que vou nessas coisas que os heteros chamam de festa, mas se eu passar mais um fim de semana enfurnado no meu quarto fazendo outro maldito trabalho juro que vou acabar socando a cara de alguém. De preferência a do Senhor Baker. Enfim... Vem com a gente?
— Eu adoraria, só que sábado é a noite mais movimentada no Crow Claw, é provável que a gente feche mais tarde e eu saia exausto. — O brasileiro lamentou, soltando um muxoxo.
— Você pode pedir pra aquele carinha, como é o nome dele? O Theo! Pede pra ele cobrir metade do seu expediente. — Sugeriu Luke. — Assim você não fica tããão cansado e ele não vai reclamar tanto de fazer esse favor.
— Duvido que ele aceite fazer hora extra justo no dia mais puxado da semana. Se bem que é o Theo. Ele gosta muito de dinheiro. Vou tentar, a gente tá mesmo precisando espairecer.
— Vai dar tudo certo, meu docinho. Que Beyoncé te ilumine quando for pedir. E se ele aceitar, manda uma mensagem pelo celular da Mad pra gente te encontrar no bar e vamos todo mundo junto.
Dito isso, Andrew, Luke e Morgana se despediram e seguiram para suas respectivas casas enquanto Dirfino continuava ali, esperando Maddison para mais uma caminhada imersa em um silêncio absoluto e constrangedor, que passava a sensação de frio mesmo em meio ao sol morno de fim de tarde.
oOo
Como era o costume, Maddison estava ajudando a arrumar o palco para a apresentação enquanto Dirfino começava a preparar as bebidas para os primeiros clientes da noite junto de seus colegas de trabalho.
Foi quando um homem magricelo de cabelo loiríssimo e rosto salpicado de sardas que, definitivamente, não aparentava os 29 anos que tinha, apareceu apressado atrás do balcão.
— Dan? Tá fazendo o que aqui? — Perguntou com um sorriso de canto ao mesmo tempo em que terminava de arrumar o uniforme.
— Ah é. A agenda mudou e agora sou eu que folgo na sexta. — Dirfino respondeu, dando um tapinha na própria testa. — Mas tu também só chega atrasado, né Max? Se tivesse aqui no horário, tinha me poupado de organizar as coisas.
— Por isso que eu chego atrasado. — O loiro replicou com um sorriso divertido.
— “Mas é um palhaço mesmo. Eu devia era te encher de pedala Robinho, folgado. Sorte tua que eu gosto de tu.”
— O que? — Max perguntou sem entender uma palavra de português.
Dirfino apenas riu e serviu os clientes que já estava atendendo, em seguida se virou para Theo. — Cara, eu queria te pedir um favor. Tem como tu ficar no meu lugar pelo menos a última metade do expediente? Se quiser já fico hoje pra compensar e tu pode ir pra casa.
— Não, não. Vai curtir sua folga, aí amanhã eu ganho hora extra. — O garoto respondeu com uma piscadela.
— Por que será que essa resposta não me surpreende? — O brasileiro ironizou sorrindo. — Tá bom. Chega por aqui lá pelas dez e meia ou onze horas.
— Falou.
Dito isso, Dirfino saiu de trás do balcão e foi até o palco.
— Mad. O Max acabou de chegar e me lembrar que eu estou de folga hoje. Posso usar seu notebook pra dar uma adiantada no trabalho do Senhor Baker?
— Você vai embora? — Maddison arregalou os olhos, parando de imediato o que estava fazendo. — Vai ser a primeira vez que você não vai assistir o meu show desde a primeira vez que me viu cantar.
— Eu só achei que podia adiantar, mas se quiser que eu fique, eu fico. — Dirfino quase gaguejou de nervoso.
— Não precisa, não vou te forçar. Pode ir.
— Você não estaria forçando. Sabe que eu adoro te ver cantar, eu...
— Não precisa se justificar pra mim. Vai. — Cortou-o em tom seco, tentando não parecer magoada. — E, sim, pode usar o meu notebook sem problema nenhum.
Dirfino a encarou por um longo momento até por fim decidir que era melhor ir mesmo.
oOo
Ao chegar à casinha, Dirfino colocou a chave na fechadura, porém ela não girou.
Será que estava tão desligado ao ponto de ter esquecido de trancar?
Não. Ele descobriu que não foi o caso ao abrir a porta e se deparar uma das cenas mais chocantes já vista em toda a história da humanidade: Morgana Carter estava sentada no chão, abraçando as próprias pernas enquanto chorava. Sim, chorava.
Seus olhares se cruzaram por um instante, a boca de Dirfino se abriu na intenção de dizer algo mesmo sem saber o que. Entretanto, Morgana foi mais rápida.
— Saia!
O estado de choque do garoto era tão grande que o fez puxar a porta de imediato sem questionar, mas antes que tivesse ao menos tempo de soltar a maçaneta, seu cérebro religou no tranco e o fez perceber que sua amiga poderia estar precisando ajuda, ainda que não quisesse ser ajudada. Então, passando por cima do medo de levar um soco ou uma tesourada, respirou fundo e empurrou a madeira novamente.
— Você... Você tem certeza que quer ficar sozinha agora?
— Não. Não quero. Mas to menos a fim ainda de responder perguntas, então cai fora. — Murmurou, sufocando um soluço.
— Nesse caso, eu posso só... Ficar. — Ele insistiu, sorrindo de lado. — E bem quietinho.
— Me abraça e não pergunta nada. São os meus termos. — Declarou, sentindo-se corar.
— Combinado. — Respondeu fechando a porta atrás de si.
— E não conta sobre isso pra ninguém. Principalmente pra Adele ou a Mad. Promete?
— Prometo.
Dirfino deixou Morgana se acomodar em seu peito e chorar o quanto quis. Demorou um tempo que pareceu interminável, mas finalmente os soluços começaram a diminuir e diminuir até cessar.
— Obrigada. — Sussurrou ela, desvencilhando-se do abraço e enxugando o restante da mistura de lágrimas e rímel das bochechas. — Você pode tentar... Sei lá. Me distrair?
— Tá. Uh... — Por alguns segundos, Dirfino manteve uma expressão pensativa. — Eu sei que você é potterhead pelas referências que tá sempre citando. Eu também sou, não faço ideia de como nunca cheguei a perguntar qual a sua casa.
Morgana riu. — Boa, garoto. Harry Potter é um assunto que eu realmente adoro falar. De qual casa acha que eu sou?
— Aposto que você acha que eu vou dizer Slytherin. — Respondeu sorrindo. — Não que eu não enxergue características dela em você, mas te vejo muito mais como uma Ravenclaw.
— Primeira vez que alguém acerta de cara. — Afirmou retribuindo o sorriso. — O que te levou a essa conclusão?
— Ah, você é super criativa, pensa fora da caixinha e é muito inteligente. Não sei se de fato essas são as coisas mais evidentes da sua personalidade ou só o que eu mais admiro em ti, mas é o que mais reparo.
— Adorei. Agora vai ser um baita mico se eu errar a sua e estou bem dividida entre Gryffindor e Hufflepuff.
— Acertou! — Dirfino exagerou o ânimo na voz e bateu palmas. — Fiz mais de uma vez o teste no Pottermore, eu poderia ser das duas. Mas como só pode ser de uma, li bastante sobre ambas e achei que combino um pouquinho mais com Grynffindor, então escolhi ela.
— Acho que concordo com você. — Concluiu Morgana depois de ponderar um pouco. — Você teve sorte do seu personagem favorito ser da sua casa? A minha é Thonks. Luna e Ginny vem bem juntinho em segundo lugar e o terceiro é o Draco. Ou seja, de quatro personagens, só uma seria minha colega de dormitório em Hogwarts.
A conversa se desdobrou e se estendeu por horas de maneira bem fluída e descontraída. Morgana se divertiu falando sobre sua série de livros preferida e conseguiu varrer seu problema para o fundo da mente, pelo menos por enquanto.
Maddison abriu a porta da casinha para avisar que chegara bem depois do trabalho e se deparou com os dois ainda papeando.
— Morgana? O que tá fazendo aqui? — Questionou de cenho franzido. — Ainda mais a essa hora.
— A noite do poker dos meus pais é na minha casa essa semana e, você sabe que não consigo me concentrar nos meus estudos com tanto cheiro de fumaça de charuto. — Respondeu com meio sorriso. — Eu teria te pedido antes de vir pra cá, só que esqueceram de me avisar e você não tem como atender o celular quando tá trabalhando.
— Ah, não tem problema. — Maddison suavizou a expressão e sorriu. — Só não entendi como você entrou aqui.
— Desculpa falar, amiga, tu é péssima em esconder essa chave. Não sei como nunca te assaltaram.
— Nunca roubaram, mas foi assim que ela acabou adotando um mendigo, lembra? — Dirfino entrou na conversa fazendo Morgana rir e Maddison revirar os olhos.
— Ok. Só que já é uma hora da manhã. Não vai ficar perigoso pra tu voltar só? — A dona da casinha retomou o assunto inicial.
— Caramba! Eu não sabia que tava tão tarde! — Exclamou arregalando os olhos. — É melhor eu ir, meus pais devem estar preocupados.
— Se quiser eu posso te acompanhar. — Dirfino ofereceu enquanto a observava guardar os materiais que, por conta da situação, nem percebeu estarem jogados ao lado dela no chão.
— Valeu, mas não precisa. — Ela respondeu sorrindo. — Uma figura toda de preto com cara de poucos amigos dá mais medo que seu rostinho de bebê. Não me leve a mal, tá? Isso foi um elogio.
— Claro, eu entendo.
— Mas vai com cuidado e olhos bem abertos, por favor. — Pediu Maddison em tom sério.
— Pode deixar. Fica atenta no celular, vou mandar uma mensagem assim que chegar. — Morgana declarou colocando a mochila nas costas, então se virou para Dirfino e disse. — E, quanto a você... Valeu pela conversa, eu precisava mesmo de um tempinho sem pensar na porra das matérias do colégio. Você provavelmente salvou um professor de acabar com uma tesoura na jugular.
— Disponha. — O garoto respondeu com uma risadinha nervosa.
(...)
Diferente de quase todos os outros sábados desde o início das aulas, aquele dia estava passando bem depressa. O bonde estava animado para festa do tal Billy.
Dirfino foi único que não entrou no clima de imediato, pois ainda não havia adiantado nada do trabalho passado pelo professor Baker, todavia Andrew, Connor e Luke queriam tanto que seu amigo estivesse tão empolgado quanto eles que o ajudaram a fazer bastante da parte escrita e mais da metade dos cartões de estudo para a apresentação, assim ele apenas teria que finalizar e estudar para se sair bem, e poderia curtir aquela noite sem culpa.
Logo a lua subiu ao céu da cidade e em poucas horas o grupo estaria indo para a festa, mas por enquanto estavam no Crow Claw, sentados ao redor de uma mesa esperando o turno dos amigos acabar.
Tudo estava correndo normalmente até que Dirfino percebeu um homem acomodado em um lugar próximo ao palco. Ele aparentava ter uns trinta e oito anos ou não muito mais que isso, trajava um conjunto esporte fino composto por uma calça jeans cinza escura, camisa social branca que ressaltava sua pele bronzeada e um blazer azul marinho aberto. Seu cabelo estava arrumado em um topete castanho acobreado impecável que fazia uma harmonia perfeita com a barba curta e bem cuidada
Porém o que mais chamava a atenção eram os olhos. Não pelas leves olheiras, que lhe davam um certo charme mórbido, ou a intensa cor avelã, e sim pela maneira como encaravam Maddison quase fixamente desde que chegara, desviando em raros momentos para chamar um garçom e pedir outra dose de whisky caro.
Aquilo já estava começando a deixar Dirfino preocupado, então ele foi até a mesa onde seus amigos estavam e com bastante discrição chamou Andrew para o banheiro.
— Olha, isso pode parecer estranho, talvez meio paranoico, mas tem um cara de blazer que tá encarando a Mad de um jeito, sei lá, uh....
— Você notou também. — Andrew interrompeu sorrindo. — Achei que fosse coisa da minha cabeça. Não se preocupa, eu vou ficar de olho até a hora da gente ir embora.
— Obrigado. — Dirfino suspirou aliviado. — Eu mesmo faria isso se pudesse, só que não dá. Tenho que focar a atenção no trabalho.
Apesar do homem desconhecido ter continuado a encarar Maddison sem parar, não fez mais nada suspeito e nem se levantou para se aproximar quando ela desceu do palco. Assim o assunto foi facilmente esquecido depois que Dirfino trocou sua camisa do uniforme por uma de mangas cumpridas branca com listras pretas, e todo o grupo entrou no carro que Andrew pegara emprestado com os pais, então seguiram para a festa sem pensar no amanhã pela primeira vez em muito tempo.
(...)
Abril chegou e foi recebido com boas-vindas muito mais calorosas pela maior parte dos alunos do colégio, tanto pelos trabalhos absurdamente estressantes já terem passado quanto pela proximidade com a semana do recesso de primavera. Por isso o bom-humor estava de volta com força total no refeitório durante os intervalos e nos corredores no horário da saída.
Até Dirfino estava mais animado. Pelo motivo errado, mas estava.
— Gryffinclaw. — Morgana o cumprimentou ao encontrá-lo no corredor, em meio ao mar de adolescentes no horário da saída naquela quinta-feira.
Sim, agora tinham um jeito particular de dizer “oi”. Não que Morgana não o considerasse um amigo antes, porém a confiança plena é um sentimento que só se conquista com o tempo e Dirfino só conseguira depois daquela noite na casinha ao não perguntar ou comentar qualquer coisa, então desde lá a amizade estava bem mais forte.
— Gryffinclaw. — O brasileiro respondeu sorrindo, logo emendando a pergunta também feita de maneira diferente. — Lummus?
— Maxima. — A americana replicou animada. — Hoje tomei coragem pra pegar minha nota com o Senhor Baker e por incrível que pareça não foi tão merda, então to feliz. Lummus?
— Nox. — Murmurou entortando a boca de leve e parando de andar por ter chegado ao seu armário. — Quer dizer, meio Nox e meio Maxima. Eu to meio preocupado porque faz umas semanas aí que um cara tá indo pro bar todo dia que a Mad toca e fica olhando pra ela fixamente. Sério, o cidadão mau pisca. O lado positivo é que desde que isso começou, eu tenho ficado mais perto dela pra mostrar pro cara que ela não tá sozinha. E como não comentei nada sobre ele, isso tá meio que reaproximando a gente naturalmente.
— Porque mesmo vocês tavam brigados? — Rebateu, franzindo de leve as sobrancelhas, observando-o guardar os livros.
— A gente não tava brigado, só um pouco afastado. — Dirfino balançou os ombros como se não fosse importante. — Mas é bobagem, nem vale a pena mencionar. Ainda mais agora que já passou.
Por mais que Morgana estivesse super curiosa, era sua vez de respeitar o silêncio, então apenas mudou o assunto.
— Acho que você tá estressado. Faz um tempão que é só de casa pra escola, aí volta pra casa, vai trabalhar, casa de novo, no outro dia a mesma coisa. Isso tá mexendo com a sua cabeça. O tal cara só deve ser fã, a Mad canta muito. — Sorriu tentando passar segurança, porém logo em seguida seus olhos arregalaram, denunciando que ela se lembrou de algo. — Ei! Já sei o que pode te relaxar. Já ouviu falar da Spring Magic Week?
— Não.
— Tudo bem, esse ano ainda é a segunda edição, vai ficar famoso algum dia. — Replicou empolgada. — Spring Magic Week é tipo uma gincana beneficente pra Potterheads no recesso de primavera. Pra participar são só cinco dólares, pra bancar os prêmios, e algum alimento não perecível que vai pra doação. Cada pessoa escolhe a própria casa, os jogos começam ao meio dia, terminam as quatro da tarde e aí depois todo mundo senta no gramado e cada dia é exibido um dos filmes até o último dia quando passam Relíquias parte 1 e 2 no cinema a céu aberto. E, óbvio, a casa que faz mais pontos até o fim do evento, ganha a taça das casas.
— Parece legal. — Dirfino sorriu. — Conta mais.
Morgana explicou todos os detalhes com tamanha animação que era impossível não se contagiar. Antes mesmo que ela terminasse de falar, Dirfino já havia decidido ir.
(...)
Não que Dirfino estivesse tão menos preocupado com o homem misterioso de blazer, mas a Spring Magic Week realmente estava lhe fazendo bem, o deixando muito mais relaxado.
Porém, no quinto dia, enquanto uma Hufflepuff e um Ravenclaw estavam no palco para o jogo torta na cara e o apresentador fez uma pergunta sobre Amortentia, Dirfino olhou para o lado e se deparou com uma cena fofa.
Morgana, que até aquele momento estivera com o queixo apoiado no ombro de sua namorada ao mesmo tempo em que descansava os braços sobre sua barriga abraçando-a por trás, sussurrou algo no ouvido dela. Belly virou o rosto para encará-la. Seus olhares brilhantes e apaixonados se encontraram por um instante, apenas um segundo em que milhares de coisas foram ditas sem que uma palavra sequer precisasse ser verbalizada, então elas se beijaram com tamanha calma e doçura que fazia com que o mundo perecesse estar em câmera lenta.
Foi muito rápido, logo as garotas já estavam com a atenção no palco outra vez. Mas esse gesto tão simples fez a verdade que Dirfino tentara com afinco manter varrida para debaixo do tapete explodisse em sua cara.
Sim, ele se sentia sinceramente feliz por sua relação com Maddison estar voltando ao normal. Porém, lá no fundo, o que queria de verdade era algo como Carmes ou como Connele. Algo que Madirfino nunca seria.
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