Segredos da Casinha

7 Capítulo 7 - Campbell - Português e Risadas


Notas iniciais
Olá leitores... Como vcs estão, bisbórrias do meu coração? Antes de lerem tenho que avisar que vai ter uma parte com spoilers do final de Pretty Little Liars, se vc quiser pular vai começar em "o final de uma série havia sido bom ou não" e a frase na qual vcs podem voltar a ler tranquilamente vai estar em negrito. Enfim, boa leitura.

Bah. Já acordada a essa hora em plenas férias, Mad? — Perguntou Dirfino parando de amarrar o cadarço para olhar Maddison assim que a ouviu entrar na casinha pela manhã.

Fazia quase três semanas que o recesso de verão havia começado. Essa era a clássica época em que a maioria dos adolescentes amava poder acordar a hora que quisesse, não fazer nada o dia inteiro e a noite sair com os amigos. Já outros, como Dirfino, arrumavam empregos temporários.

— Pois é. Relógio biológico é uma droga. — Respondeu Maddison, com uma expressão teatralmente exagerada de tristeza. — Mas pelo menos quando me der sono posso dormir de novo. Não que eu não fizesse isso na escola de vez em quando, mas enfim.

— Que inveja. — Disse rindo enquanto voltava a atenção para os próprios sapatos. — Vai ficar jogando videogame até lá?

— Talvez. Ou quem sabe eu maratone alguma série nova ou toque um pouco de violão e componha alguma coisa. Ainda não decidi. — Murmurou dando de ombros e indo se sentar no sofá-cama. — Alias, me desculpa por essa visão horrível. Achei que você já tinha saído.

Maddison se referia ao fato de estar com cara de quem acabou de acordar, um coque desleixado no cabelo (que ameaçava desfazer-se a qualquer momento) e o mesmo pijama com o qual dormira na noite anterior.

Dirfino tornou a encará-la e só conseguia pensar no quanto ela continuava linda, então antes que pudesse se refrear, as palavras escaparam de sua boca. — Se isso aí é estar horrível, até a sua horriveldade é perfeita. Você parece maravilhosa pra mim.

Seu constrangimento foi instantâneo logo que percebeu o que havia acabado de dizer, porém quando um tom avermelhado começou a tingir as bochechas de Maddison ao mesmo tempo em que ela desviava o olhar para o chão, não havia espaço em seu corpo para algum sentimento que não fosse o mais puro e genuíno encantamento por aquela garota.

— Obrigada. — A americana murmurou com um sorrisinho tímido e muito, muito fofo.

Por um instante o brasileiro teve que se manter quieto, concentrando-se com todas as forças para não suspirar, então pigarreou e disse. — O que acha de a gente chamar o bonde e sair pra dar uma volta hoje à noite já que é minha folga no Crow Claw?

— Ótima ideia. — Maddison respondeu também tentando não parecer constrangida. — Eu ia mesmo mandar mensagem pra ver se eles tavam a fim de passar a tarde aqui comigo. Se eles toparem, já emenda logo.

— Maravilha. Agora é melhor eu me apressar porque acordei meio em cima da hora.

Mad acenou um tchau e Dirfino sorriu, depois vestiu sua camisa de uniforme, colocou-a para dentro do jeans, pegou seu crachá de repositor de estoque, prendeu-o no peito e foi andando para o supermercado onde estava trabalhando, não muito longe dali.

oOo

A tarde caminhava do meio para o fim, o sol já estava morno enquanto Dirfino voltava para a casinha. Antes mesmo de se aproximar da porta pode ouvir o barulho e as vozes de uma pequena coleção de malucos que agora chamava de amigos, então o sorriso já estava largo em seu rosto ao abrir a porta e ver os seis discutindo com veemência sobre se o final de uma série havia sido bom ou não.

— Fala sério, todo mundo sabe que a última temporada inteira já valeu só pelos pisão da Alex no fim. — Decretou Morgana. — Foi vacilo dela pegar o Toby e iludir o fandom inteiro, fazendo todo mundo de trouxa com Spoby? Foi vacilo. Mas a gente amou odiar a gêmea do mal e quisemos ver mais. Não neguem.

— Tá, disso eu sei. A cena da porta de vidro foi mara. Só que nada no mundo vai fazer com que eu me conforme que a Hanna não ficou com o verdadeiro amor dela no final. — Luke respondeu com um suspiro triste.

— Como assim, viado? — Questionou Adele de cenho franzido. — Ela se casou com o Caleb e tava até contando que tava grávida dele na última cena dela.

— Que mané Caleb! Eu to falando é da diva suprema dona da minha vida e do meu cu, Mona Deusa Vanderwaal. — Replicou em tom de indignação. — Marinwaal sempre vai reinar e pisar em Haleb.

— Não vou nem opinar. Se não entendi foi nada da série, imagine dos trezentos e vinte mil ships. — Murmurou Connor dando de ombros.

— Queridoooos. Cheguei. — Dirfino interrompeu-os, fechando a porta atrás de si.

— Bem-vindo ao lar, querido. — Respondeu Maddison com um sorriso antes de se espreguiçar e levantar do sofá-cama. — Então seguimos o plano. As meninas tomam banho na casa e se arrumam no meu quarto. Meninos tomam banho e se trocam na casinha. Vamos comprar os ingressos pra última sessão e nos divertimos pelo shopping até o filme começar.

— Sim senhora. — Andrew respondeu batendo continência e logo sendo imitado pelo restante do grupo.

Maddison revirou os olhos e foi a primeira a caminhar para a porta, parando antes de sair para sussurrar no ouvido de Dirfino. — Obrigada por chegar agora. Eles tinham começado há uns cinco minutos, mas eu conheço meu bonde, esse debate podia durar horas.

— De nada. — Cochichou de volta com uma risadinha.

— Então? Quem é que vai tomar banho primeiro? — Perguntou Connor assim que as garotas saíram da casinha.

— Eu só sei que vou por último. — Disse Dirfino, suspirando cansado. — Preciso deitar uns minutinhos antes de sair. Carreguei caixas o dia todo e to moído, tenho que me recarregar um pouco. Se eu acabar dormindo, me acordem quando for minha vez.

— Pode deixar. — Andrew piscou. — Luke, vai primeiro. Você é o que mais demora.

— Arn! — Luke colocou a mão sobre o peito de forma afetada. — Garoto, quem te deu permissão pra jogar verdades na minha cara? Não vou aceitar esse tipo de afronte!

— Vai logo, cara. O Andrew tem razão. — Connor murmurou rindo.

Dirfino praticamente apagou no sofá-cama, ainda de uniforme, sapatos e tudo mais. O bonde achou justo deixá-lo dormir mais, afinal, o garoto devia estar exausto. Só mais ou menos vinte minutos depois de todos já estarem prontos, Maddison foi acordá-lo e dizer que estariam esperando-o na sala para saírem.

Em pouco tempo, ele já estava cheiroso, vestido e de cabelo penteado, então trancou a casinha, colocou a chave no bolso do jeans e foi para a casa.

— Agora podemos ir. — Disse sorrindo após abrir a porta.

Todos do grupo se levantaram dos sofás e começaram a fazer barulho, mostrando sua animação enquanto passavam por Dirfino para fora da casa. Exceto Luke, que ainda parou para perguntar.

— Então? Como eu estou?

— Meu amor, você tá tão quente que chega a manteiga derrete. — Respondeu com um sorriso malicioso (de tanto conviver com ele, já havia se acostumado a receber e fazer esse tipo de comentário).

— Adorei essa! — Exclamou Luke de seu jeitinho espalhafatoso. — Vou aderir.

— Sabia que tu ia curtir. — Murmurou sorrindo. — Mas o crédito não é meu. Brasileiro usa isso como meme no twitter, “tá ligaado”? Se bem que essa frase faz bem mais sentido em inglês do que em português.

— É? Por quê? — Luke entrelaçou o braço ao de Dirfino e o puxou para caminharem, mas sem fazer esforço para alcançar o bonde mais ou menos um metro e meio a frente.

— Porque em português dizemos muito mais a palavra “gostoso”, que em tradução literal fica alguma coisa do tipo “yummy” ou “delicious”, do que “quente” que quer dizer “hot”. — Explicou recitando bem devagar as palavras em sua língua natal.

— Você fica realmente “cuentie” falando em português. — Sussurrou sedutor.

Dirfino sorriu envergonhado e corrigiu. — Não, não. O jeito certo de falar é “quente”.

— “Cuentie”. — Luke tentou repetir.

— “Quente”.

— “Q-Cuen-Quentie”.

— Quase. Escuta: “quen-te”.

— “Quentie”.

— Muito bom. A pronúncia não tá perfeita, mas tá ótima pra primeira vez tentando falar português. — Dirfino elogiou, dando uma piscadela. — Mas vamos voltar ao assunto de você estar arrasando no look. Na próxima semana, eu to querendo ir comprar uma calça jeans porque trabalhar de dia e de noite andando de um lado pro outro tá acabando com a única que tenho. Acho que vou aproveitar pra comprar pelo menos uma ou duas camisas novas pra parar de envergonhar vocês nos roles. Tá a fim de ir comigo pra me ajudar a escolher?

— Querido, você tá juntando duas das minhas coisas preferidas: fazer compras e andar com um boy magia do lado. — Luke respondeu sorrindo de orelho a orelha. — Só me diga o dia e a hora, meu docinho.

— O outro cara que trabalha comigo quer trocar nossos dias de folga pra fazer não sei o que com a noiva dele. Vou esperar ele confirmar pra eu confirmar contigo também.

— O que as madames tão fazendo aí? — Morgana questionou com as mãos na cintura. — A saída é em grupo, podem vir pra cá.

Luke e Dirfino riram e se juntaram aos amigos para o início de uma ótima noite que só provava que as melhores lembranças nascem dos momentos mais simples e comuns.

(...)

O tal colega de trabalho de Dirfino confirmou a troca das folgas e cancelou na última hora por três semanas seguidas, depois era Luke quem já tinha compromissos com seu “novo ficante” (que o bonde só conhecia pelo apelidinho carinhoso “baby bear”), então o dia de fazer compras foi sendo adiado até aquela tarde, já no início do último mês das férias.

A loja foi escolhida por Luke, e muito bem escolhida diga-se de passagem. Além de ter preços bem razoáveis, tinha roupas muito estilosas e que condiziam bastante com o visual e a personalidade de Dirfino.

— Não sei se fico feliz por ter me trazido pra um lugar tão bacana ou triste pelo adeus que já percebi que terei que dar pro meu salário. — Comentou enquanto passava as camisetas de uma das araras, tentando decidir qual experimentar.

— Você deve se alegrar, minha criança. — Luke respondeu animado. — Sem ofensas, meu docinho, mas o seu guarda-roupa tá pedindo socorro.

— Tecnicamente, minha mochila que tá pedindo socorro. Não tenho um guarda-roupa de verdade. — Replicou rindo. — E, relaxa, não ofendeu. Eu to ligado que isso é bem verdade.

— E você também pode relaxar. Quando a gente sair daqui, você vai passar de ator de pornô gay a top model do colégio. — Prometeu, dando uma piscadela.

Bah, ainda com essa história de ator pornô. — Resmungou revirando os olhos.

— Desculpa, eu não resisti. — Disse Luke rindo. — Mudando de assunto, eu baixei de novo o editor de vídeos no meu celular. A gente podia filmar uns, depois montar como se fosse aquelas cenas que sempre tinha nos filmes dos anos 90 e 2000 quando algum personagem ia fazer uma transformação em outro ou quando amigas iam numa loja de roupas ou algo assim.

— Adorei. — O sorriso voltou de imediato ao rosto de Dirfino. — Eu sempre quis fazer um desses. Deve ser meio tosco na hora que tá gravando, mas depois fica show.

— Oba! Nem vou comprar nada, mas vou experimentar as roupas só pra participar da brincadeira. — Murmurou empolgado enquanto olhava ao redor. — Acho que só tem a gente aqui hoje, então vou colocar uma música pra dar o clima.

As horas passaram como se fossem minutos dentro daquela loja. Dirfino e Luke sabiam muito bem como divertir um ao outro, era extremamente natural rir quando estavam juntos e por isso ficaram amigos tão rápido.

— Acho melhor eu comprar uma mala. — Dirfino constatou enquanto tomava sorvete e caminhava pela calçada com algumas sacolas de roupas penduradas no braço. — Se eu ficar guardando isso na minha mochila, vai arrebentar o zíper com certeza. Além de que é um saco carregar os livros e os cadernos da escola na mão pela mochila estar ocupada.

— Se quiser, pode guardar algumas lá em casa. — Sugeriu Luke limpando as gotas de sorvete derretido que caíram em sua camisa. — Eu tenho tanta roupa que minha mãe nem vai notar que tem umas peças a mais.

— Certeza? Nosso estilo é super diferente. — Disse franzindo o cenho.

— Eu não tenho estilo, meu docinho. Tenho fases. Acredite ou não, essa barbiezinha já teve até uma fase gótica. Foi a favorita da Morgana, óbvio. — Comentou com uma risadinha e um olhar saudoso.

— Nossa, eu queria muito te ver vestido de gótico. — Riu imaginando a cena.

— Eu já doei as roupas dessa época. — Lamentou-se um instante antes de lembrar. — Ah! Mas tem umas fotos no meu notebook. Vou refletir um pouco se a gente já tem intimidade o bastante pra esse nível de auto humilhação e decido se procuro pra te mostrar.

— Por favor, eu faço qualquer coisa pra ver. — Assim que as palavras saíram da boca de Dirfino, o sorriso que surgiu no rosto de Luke o fez se arrepender.

— Hm. Qualquer coisa, né?

— Conhecendo você, acho que vou me arrepender se falar “sim”.

— Para de fazer drama, criatura. — Luke revirou os olhos e sorriu. — Eu só quero que meu lindo amigo vá a pelo menos uma festa comigo antes do fim das férias. Você não foi em nenhuma das que eu te chamei.

— Não é que eu não queira. É que eu trabalho de dia e de noite, se eu fosse, ia parecer um zumbi de tão cansado. — Disse suspirando.

— Tu tem uma folga por semana tanto nos dois empregos. Tenta trocar o dia de folga com alguém pra ficar com o dia e a noite livre. — Sugeriu e em seguida fez carinha de cachorro pidão. — Por favoooooor. Você pode dormir na minha casa na noite antes da festa e eu juro juradinho que não deixo nem mesmo uma mosca te incomodar, você pode dormir o quanto quiser e ficar largado na cama descansando até a hora de se arrumar e eu te faço lanchinhos e tudo mais.

Dirfino riu e respondeu. — Calma, respira pra falar. Não precisa tudo isso. Eu vou ver se consigo. E se bem que depois de tantos “marca/desmarca” do meu colega, ele meio que tá me devendo uma.

— Exatamente!

— O seu “Ursinho” vai estar nessa festa também?

O semblante de Luke mudou por uma pequena fração de segundo, quase insuficiente para Dirfino notar. Mas ele notou.

— “Orsino”, hein? Assim que se fala Baby Bear em português? — Murmurou, tentando disfarçar com um sorriso.

— Sim. “Ur-sin-nho” ou “Be-bê Ur-so”. Luke, tá tudo bem com vocês?

“Ursino” é mais fofo. — Sussurrou assumindo uma feição mais condizente com seus reais sentimentos. — Meu Baby Bear não se aceita muito bem. Desde que nos conhecemos há uns dois anos estamos em um grande “vai/não vai” por causa disso, mas sempre que eu ia sair com outros caras, ele ficava cheio de ciúme. Finalmente ele conseguiu admitir tanto pra mim quanto pra si mesmo que me quer e a gente começou a ficar. Mas ainda somos complicados.

— Por quê? — Dirfino era bom ouvinte, então decidiu incentivá-lo a desabafar, afinal, nem mesmo o maravilhoso Luke Campbell era imune a questões da adolescência.

— Sabe quando uma pessoa tem medo de se machucar e sem querer acaba dando um monte de patada nos outros como um jeito inconsciente de defesa? É mais ou menos assim que ele faz. Talvez tivesse sido bem mais saudável pra mim me afastar logo no começo, mas eu sinto que estou ajudando ele a lidar consigo mesmo. Eu faço bem pra ele e isso é bom pra mim também. Apesar de tudo.

— Você tem certeza disso?

— Ai, meu docinho, eu não tenho certeza de nada na vida. — Luke sorriu e balançou a cabeça como que para espantar maus pensamentos. — Mas não vamos conversar sobre isso. Você é um tipo diferente de amigo pra mim. Tem amizades que servem pra desabafar e pedir conselhos, e tem aquelas pra rir e esquecer os problemas. Você é o meu Hakuna Matata.

— Isso é uma coisa boa? — Perguntou franzindo as sobrancelhas.

— Com certeza. As pessoas são diferentes, então acabam sendo amigos diferentes. O que não quer dizer que um acabe sendo mais ou menos importante do que os outros. São só isso mesmo. Diferentes.

— Verdade. — Dirfino olhou para a própria mão, percebendo que o sorvete dentro do copinho que segurava estava quase todo derretido. — Caramba. Por um momento esqueci que tava tomando sorvete. Agora vou ter que literalmente beber.

— Nossa! Pior que eu também. — Luke riu e ofereceu um brinde. — Saúde.

— Saúde. — Repetiu, tocando de leve seus copinhos antes de beber tudo num gole só.

(...)

Dirfino negou a oferta de ficar na casa de Luke na noite anterior a festa e dormiu na casinha mesmo. Porém a manhã foi um pouco diferente, pois acordar estava sendo uma tarefa mais difícil que o normal graças a dedos passeando carinhosamente por seu cabelo.

— Oi. Bom dia. — Murmurou com a voz rouca ao finalmente vencer a batalha contra suas próprias pálpebras.

— O-oi. — Maddison respondeu sentindo as bochechas corarem enquanto recolhia a mão. — Bom dia. Desculpa. O seu cabelo parecia tão gostoso de mexer, eu não resisti.

— Eu não to reclamando. Inclusive, você pode continuar se quiser, tava ótimo. — Disse com um sorriso sonolento.

— Obrigada, porque eu tava certa. É muito bom ficar mexendo nessa sua jubinha linda.

Dirfino teria ficado mais envergonhado se estivesse mais desperto ou se sua mente ainda lenta de quem acabou de acordar conseguisse se concentrar em outra coisa além dos sutis carinhos que Maddison voltou a fazer.

— Você sabe que horas são? — Perguntou depois de alguns minutos apenas curtindo um agradável silêncio.

— Pera. — Respondeu tateando o sofá-cama até encontrar seu celular. — São nove e meia da manhã.

— Caramba! — Exclamou Dirfino levantando em um salto e começando a correr pela casinha tentando achar suas roupas de trabalho. — Eu to muito, muito atrasado! Que droga!

— Calma, cara! Você tá de folga hoje. — Maddison o lembrou e riu.

— Ah! É mesmo, né? Disfarça. — Murmurou rindo também enquanto voltava para o sofá-cama para deitar mais um pouco.

Maddison ficou em silêncio outra vez, parando por um instante para observar o corpo de Dirfino, que trajava apenas uma cueca boxer cinza. Trabalhar levando caixotes e fardos de produtos para lá e para cá o dia inteiro e a noite carregar caixas e mais caixas de diferentes tipos de bebida do estoque para o balcão estava fazendo muito bem aos músculos do garoto. Não que ele estivesse super definido, mas era um corpo bastante agradável de olhar.

Ao perceber que estava encarando a tempo demais e provavelmente a situação estava a um passo de ficar estranha, Maddison pigarreou e disse. — O que acha de assistir uns filmes? Já que pelo jeito você quer passar o dia em casa curtindo a preguiça.

— Adorei essa ideia. — Dirfino respondeu sorrindo. — Gosta de filmes de terror?

— Amo! São os meus favoritos.

— Legal. Então pode escolher um. Eu vou só tomar um banho rapidinho.

— Escolhemos juntos quando você terminar. Enquanto isso, eu vou lá dentro pagar umas besteirinhas pra gente comer durante o filme. Ah! E não precisa arrumar seu cabelo não, eu vou bagunçar ele de novo. Sério, é muito gostoso mexer nele.

Dirfino riu e disse. — Pode deixar.

Aquele dia pareceu passar mais devagar do que os outros, embora tenha passado mais rápido. Maddison sentia que ainda poderia ficar ali muitas horas mais, acariciando aquela juba castanha e macia de Dirfino (que quase adormeceu pelo menos cinco vezes enquanto assistia o filme), mas logo um alarme de celular começou a soar.

— Nossa. — Sussurrou Maddison para si mesma constatando a hora. — Tenho que me arrumar. Amanhã a gente termina de ver isso entre você voltar do supermercado e ir pro bar.

— Tá bom. — Dirfino concordou se levantando e estalando as costas.

— Você esqueceu que hoje tá de folga no Crow Claw também? — Maddison perguntou observando-o pegar a toalha para tomar banho.

— Não esqueci, eu só não perderia a oportunidade de te ver cantar. — Ele respondeu deixando-a corada.

— O-ok. Então vou me arrumar e a gente vai. Depois direto pra festa. Eu mando uma mensagem coletiva pro bonde encontrar a gente no Crow Claw.

— Beleza.

Diferente do que havia se tornado costume, o caminho para o bar foi feito em silêncio naquele fim de tarde. Tanto Maddison quanto Dirfino tinham a sensação estranha e ao mesmo tempo boa de borboletas no estômago um ao lado do outro, e simplesmente não sabiam o que falar, preferindo então ficar quietos.

Poucos minutos depois do palco já estar organizado e Maddison começar a cantar, os demais integrantes do bonde apareceram chamando atenção por conta dos look’s de balada (exceto Andrew, que estava estacionando o carro).

— Oi, galera. — Dirfino cumprimentou-os quando se aproximaram do balcão onde ele estava encostado.

— Oi. — Os cinco responderam em uníssono.

— Pega. — Connor estendeu uma identidade falsa. — Pode falar, ficou perfeita.

— Ficou perfeita. — Concordou Dirfino enquanto analisava aquela obra de arte ilegal. — Connor, você é um gênio da falsificação.

— É, eu sei. É um dom. — Disse com um sorrisinho convencido. — Mas obrigado mesmo assim.

— Falando sério por um instante... — Luke começou a falar, mas foi interrompido por Adele em tom debochado.

— Luke Newton Campbell falando sério? Por tornar possível esse milagre agora sou eu quem oficialmente te proíbe de sair do bonde, Dirfino.

— Hahaha. Muito engraçadinha. — Replicou estreitando os olhos. — O que já falamos sobre dizer meu nome do meio em público, mocinha?

— Ah, qual é? Até que é bonitinho. — Morgana defendeu. — Além de ser o nome de um dos maiores Magizoologistas da história.

— Desculpa, mas não faço ideia do que você tá falando. — Luke respondeu franzindo as sobrancelhas. — Enfim. Só não digam em público e podem achar o que quiserem dele.

— Acho que esqueci meu celular no carro. — Connor interrompeu a discussão. — Vou ter que ir lá pegar. Já volto.

— E eu preciso ir ao banheiro, mas eu nunca, jamais e todos os outros sinônimos, faria isso sozinha em um bar. Me acompanha, miga. — Pediu Adele.

— Claro. — Morgana entrelaçou seus braços e foram juntas.

— Então ficamos só nós dois. — Disse Luke com um sorrisinho de canto.

— É. Você ia me perguntar alguma coisa, né? Antes da Adele tirar uma com a sua cara. — Dirfino lembrou rindo.

— Ah sim! Quando o Connor te entregou a identidade falsa me veio a dúvida de como você trabalha em um bar sendo menor de idade. — Murmurou franzindo o cenho.

— Não sou um funcionário registrado. Recebo um pouco menos que o salário mínimo e o Senhor Handler, meu querido chefinho, não paga impostos por mim. Então eu fico por fora da fiscalização. “Tá ligaaado”?

— O que quer dizer “bah” e “tá ligaaado”? Você diz muito isso.

— “Bah” não quer dizer nada específico. É só uma coisa que as pessoas tem costume de falar no lugar onde nasci. Eu gosto de dizer pra manter minhas raízes. Já o “tá ligado” é algo tipo “gotcha” ou “get it” ou “know it” ou “savvy”, essas coisas. Mas esse jeitinho mais devagar de falar era um lance meu com meu irmão e alguns amigos nossos.

— Ah. “Tá ligado.”

— Não, pra perguntar é “”, mas pra responder é “to ligado”. “Tá ligaaado?

— “To ligaaado.

— Isso aí.

— Legal. — Luke sorriu satisfeito consigo mesmo. — Tá afim de beber alguma coisa? Por minha conta.

— Aceito. — Respondeu sorrindo também.

— Você que trabalha aqui entende Melhor dessas coisas. O que me recomenda?

Dirfino nem precisou pensar, apenas se virou para o colega atrás do balcão e disse. — Ei, cara. Prepara dois especiais pra gente.

— Ele é de maior, Dan? — O garoto perguntou de cenho franzido.

— Não. E nem você, Theo. — Respondeu rindo. — Prepara logo.

— Tá bom. — Concordou revirando os olhos e começando a fazer os drinks.

Já com o copo na mão, Luke comentou. — Engraçado. Eu sempre achei que quando se trabalhava em algum lugar, ele virava o último em que se quer estar na folga.

— Geralmente é. — Dirfino sorriu e olhou para o palco onde Maddison ainda fazia seu show. — Mas eu nunca deixaria de vir assistir a Mad. Quando ela canta é como se centenas de fadas ou anjinhos minúsculos estivessem fazendo massagem nos nossos tímpanos. É divino. Ou mágico. Ou ambos. É Maddison Mitchell. E também, olha só pra ela. É o ser mais lindo que já habitou a face da Terra. Nenhum segundo olhando pra ela é um desperdício, “tá ligaaado”?

Dirfino estava distraído demais para perceber o jeito que Luke o encarava.

Aquilo não era possível. Ou era? Dirfino nera gay, nera?

— E aí, caras? Ces tão bebendo o que? — Connor reapareceu com um sorriso animado, dessa vez com Andrew ao seu lado.

— Eu não sei. Mas é simplesmente delicioso. — Respondeu Luke forçando um sorriso e tentando disfarçar sua confusão.

— Theo, faz um pra ele também. — Pediu Dirfino.

— E pra mim um energético bem gelado, por favor. — Disse Andrew, sendo mais uma vez o motorista da rodada.

— Estamos de volta, vadias. — Adele e Morgana disseram em uníssono, fazendo uma referência à Pretty Little Liars.

Depois disso, novos assuntos foram surgindo e os distraindo até que por fim Maddison terminasse sua apresentação e descesse do palco para se juntar aos amigos.

— E aí, vamos? — Perguntou empolgada.

Os seis responderam fazendo bagunça e muito barulho para demonstrar que estavam tão animados quanto ela.

— Isso não é fabuloso, galera? É a primeira festa que vai o bonde inteiro! — Exclamou Luke sem imaginar o efeito que suas palavras causavam.

Cada vez mais Dirfino se sentia uma parte real daquele grupo e isso, mesmo sem ter uma casa de verdade, o fazia se sentir em um lar novamente. Em uma família.

Notas finais
O que vcs acharam desses capítulo? O ship tá cada vez mais tomando uma forma, hein? Amo meu ship lindo, cheiroso, delícia. Madirfino ♥ Tenho uma curiosidade, galeres: como vcs imaginam os personagens? Eu tenho uma ideia pra cada um como vcs viram no capítulo 3, mas não os descrevo muito pra dar liberdade à vcs de imaginar como quiserem. Mas sempre fico curioso de como imaginam. xoxo Longos dias e belas noites. Tchau. Atenciosamente, Leonardo A. Guedes.