Segredos da Casinha

1 Capítulo 1 - O Excêntrico e a Durona


Notas iniciais
Olá leitores...
Bem-vindos a um passeio pela minha mente louca e levemente interessante. Espero que gostem e que deem risadas lendo.
Enfim, boa leitura...

Maddison andava devagar pela calçada com a mochila nas costas e um copo de café pela metade na mão. Os desânimos matinais já eram de rotina, ainda mais em segundas-feiras, mas o nível estava tão alto naquela manhã que nem mesmo a cafeína havia resolvido.

Então ela parou ali, só a dois metros de distância do colégio, encarou as sete horas de tédio puro e absoluto que a aguardavam do outro lado do portão, então simplesmente decidiu dar meia volta e ir para casa jogar vídeo game.

Porém, depois de trocar o uniforme por uma roupa larga e confortável em seu quarto, descer as escadas e seguir para o quintal, onde ficava sua casinha na árvore (que, na verdade, ficava ao redor, não em cima da árvore, era bem grande e nada rústica, contava com uma televisão de 43 polegadas, X-box, um notebook, um frigobar, um pequeno banheiro, um sofá-cama repleto de almofadas e mais alguns armários com coisas que guardava lá por ter mais privacidade que em seu quarto), ela ouviu o som de melodias suaves de violão. Com certeza havia alguém lá dentro com cara de pau o bastante para estar tocando o seu precioso violão.

Tomando muito cuidado para não fazer barulho, correu para dentro de casa e foi até o quarto de seu irmão caçula pegar um taco de beisebol para se defender se fosse preciso, então respirou bem fundo e voltou para o lado de fora. Aproximou-se de sua casinha com bastante cautela, soltou a maçaneta silenciosamente, segurou firme o taco com as duas mãos e abriu a porta chutando-a com toda a força.

Quem estava lá, sentado no chão de madeira com o violão no colo, era apenas um garoto muito magro que não aparentava passar dos dezessete ou dezoito anos. Seu cabelo era castanho, estava muito grande e sem corte, a barba parecia não ser feita há três semanas, no mínimo, e suas roupas, bastante surradas. Os olhos azuis arregalaram-se com a surpresa e um grito escapou imediatamente de sua boca com o susto, fazendo com que Mad acabasse gritando também, parecendo ainda mais ameaçadora segurando aquele bastão de madeira.

— Calma, Maddison. — O invasor pediu tentando se levantar rápido demais, porém isso o deixou tonto e o fez cair sentado outra vez, então ele ergueu as mãos para mostrar que não representava nenhum perigo, com o desespero escorrendo na voz. — Eu não roubei nada, eu juro! Por favor, por favor, se acalma.

Os dedos de Maddison afrouxaram de leve ao redor do taco, pois aquele rapaz perecia fraco como se estivesse sem almoçar direito há algum tempo e bem longe de ser uma ameaça. Mas, por via das dúvidas, continuou em uma posição boa para golpeá-lo a qualquer momento se precisasse.

— Quem é você e como sabe meu nome? — Questionou enquanto dava passos curtos e cautelosos para dentro da casinha.

— Nós meio estudamos juntos, tipo, desde o “ensino fundamental”. — Ele respondeu erguendo-se com mais calma até estar de pé, ainda mantendo as mãos erguidas e bem à vista dela. — Além de que eu também era seu vizinho.

— O que? — A garota exclamou surpresa. — Então você é aquele nerd esquisitão que sempre levantava a mão na aula de literatura e do nada sumiu como se tivessem jogado uma bomba de fumaça ninja? Como era o nome mesmo? Começava com... Com D! Era De... Não, não, era Da... Não, acho que era De...

— É Dirfino. E eu ia preferir “aquele cara excêntrico que morava ao lado da sua casa há anos”, mas se você abaixar isso pra gente conversar melhor, aceito qualquer que seja o termo que você quiser usar. E prometo que eu te explico tudinho que você quiser saber. — Respondeu mesclando o olhar azulado entre o rosto da garota e o taco de beisebol.

— Primeiro a história. Se ela me convencer, aí eu abaixo. — Disse Maddison, irredutível, porém com um tom de quem se divertia muitíssimo com a situação. — O que diabo aconteceu com você? Os boatos que andam rolando pelos corredores do colégio é que você tinha fugido de casa pra fazer filmes pornôs gays em Los Angeles.

— Pera aí, o que? — Foi a vez de Dirfino exclamar, arregalando os olhos pela segunda vez no dia. — É isso que tão falando de mim?

— Tem outras teorias, mas basicamente sim, é isso. — Murmurou mexendo os ombros, fazendo pouco-caso.

— Outras teorias? — Repetiu com as sobrancelhas franzidas. — Que tipos de teorias? Nesse mesmo naipe?

— Oh, garoto. Não sei se você percebeu, mas sou eu quem tá segurando um bastão de beisebol. Então eu faço as perguntas por aqui. — Sentenciou encarando-o com uma postura de puro poder. — Agora vamos logo, me conta porque sumiu do nada e, principalmente, por que caralhos estava na minha casinha tocando o meu lindo e amado violão.

— Olha, antes de tudo, eu só quero que saiba que não roubei nada e essa é a primeira vez que encosto do seu violão, juro. — Expôs com um sorriso amarelo e as bochechas tingindo em um leve tom vermelho. — Mas eu meio que... Tipo assim... Estou dormindo na sua casinha da árvore já tem alguns meses.

— Como é que é? — Maddison arregalou os olhos, em seguida assumindo sua melhor expressão confusa. — Eu acho que não ouvi direito. Você acabou de dizer que está dormindo aqui há meses?

— Sim. Como nós estudamos juntos há anos, eu sei que você tá no colégio o dia inteiro e não tinha risco de me encontrar de manhã. Então eu só tinha que esperar você sair daqui pra ir dormir e aí eu podia entrar. — Explicou parecendo se sentir culpado. — Me desculpa, eu sei invasão é crime e é horrível, mas eu precisava de um lugar seguro a noite depois que o meu pai me chutou pra fora de casa.

— Pera aí, pera aí, pera aí! O seu pai te expulsou da sua casa? — Exclamou perplexa.

— Sim. — Dirfino suspirou exasperado, o assunto o afetava e deixava triste.

— Nossa. — Maddison finalmente baixou o taco, passando a segurá-lo com apenas uma das mãos. — Mas... Por que ele fez isso?

— Bom...

Notas finais
Então, o que vcs acharam?
xoxo
Atenciosamente, Leonardo A. Guedes.
Longos dias e belas noites. E até mais.