Segredos da Casa
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Pov Bethany:
Daniel desligou a ligação e se virou, vindo na minha direção. Eu ainda olhava a linda vista do lago, até que meu celular vibrou. Olhei e era uma mensagem da minha mãe preocupada, perguntando onde eu estou e porquê não fui almoçar. Tinha me esquecido completamente que era hora do almoço e eu deveria estar em casa. Daniel estalou os dedos para me chamar a atenção, olhei para ele e o mesmo riu, ri junto
– Preciso ir, tenho que almoçar — Falei e ele concordou
Me pegou pela mão e me guio pela floresta, voltando a minha casa. Andamos em silêncio, em alguns momentos ele abria a boca para falar, mas pensava bem e desistia. Quando saímos da floresta, estávamos perto da minha casa. Nos despedimos, ele foi embora e eu entrei em casa. Me deparei com minha mãe me esperando com os braços cruzados e uma expressão séria
– Isso são horas de chegar para o almoço? — Ela perguntou
– Desculpa, é que eu fui visitar nossa vizinha e acabei perdendo a hora — Expliquei
– Mas precisava demorar tanto assim? — Perguntou
– Desculpa — Falei
– Tudo bem — Falou descruzando os braços — O almoço está na mesa e quem é a nossa vizinha?
– A Sra. Martins — Falei — Ela é muito simpática
– Podemos visita-la depois — Minha mãe disse — Agora, vai almoçar
– Ok — Falei e fui a sala de jantar
Depois do almoço, sentei com minha mãe na sala. Conversamos sobre a nossa vizinha e comentei também que temos outros vizinhos mais longe, minha mãe pareceu pensativa e foi ao escritório, estranhei, mas ela logo voltou segurando uma carta
– Aqui, recebemos hoje, é um convite dos nossos vizinhos, a família Grigs, para uma pequena festa que eles daram em cerca de uma semana — Minha mãe explicou — E também nos convidaram para um jantar amanhã a noite
– Interessante — Falei olhando a carta — Nós vamos?
– Ao jantar ou à festa? — Perguntou
– Ambos — Falei — Vamos ir?
– Sim — Ela disse com um sorriso no rosto
– Posso perguntar uma coisa? — Perguntei
– Claro — Falou
– Por que viemos para essa casa? Essa cidade? — Perguntei e minha mãe pareceu pensar em como me explicar
– Bem... Queríamos sair da vida muito movimentada de Londres, por isso escolhemos essa cidade, é tranquila, todos se conhecem, não tem a vida agitada de Londres. Aqui tem um ar mais relaxante e não temos que nos preocupar muito com o trabalho — Ela explicou — Não concorda?
– Sim, é mais tranquila, sempre achei Londres agitada, mas deixar meus melhores amigos foi difícil — Eu falei
– Eu sei, mas eles viram te visitar e você adorou o lugar — Ela falou e eu ri
– Adorei — Falei rindo — Me lembra os filmes de suspense meio mistério
– Sim — Ela falou rindo
– E falando em mistério, sobre a porta trancada, posso chamar um chaveiro?
– É exagero, filha, é só um cômodo, não faz muita diferença — Minha mãe falou
– Mas eu quero saber o que tem nele — Falei e ela riu
– Eu sei como você é curiosa, mas é só um cômodo — Ela falou — Provavelmente está vazio — O celular dela tocou — Só um segundo, filha
– Tá... — Eu falei e ela foi atender. Depois de um tempo, minha mãe voltou
– Filha, vou trabalha na apresentação para a próxima reunião de trabalho — Falou — Para você não ficar sem ter o que fazer, por que não pega o meu carro e passeia na cidade?
– Sim — Falei animada e ela riu, foi ao escritório e me deu a chave do seu carro, subi para o meu quarto para pegar minha bolsa e depois desci
Me despedi e sai, andei até o lado da casa onde o carro branco da minha mãe estava estacionado. Entrei e liguei o carro. Dirigi até a cidade. Estacionei em frente a uma floricultura e fui olhar às flores. Havia de tudo que era tipo, mas principalmente cravos, lírios e rosas de todas as cores, até mesmo rosas pretas, o que me chamou a atenção. Montei meu próprio buquê, com uma rosa de cada cor, branca, laranja, amarela, azul, rosa, vermelha. Paguei o buquê para a atendente que era uma moça bem simpática. Coloquei o buquê no banco de trás do carro, entrei no mesmo e dirigi um pouco mais. Quando passei por um pet shop, eu tive uma ideia e estacionei na frente do local. Entrei no pet shop, passei por algumas estantes com brinquedo, rações, remédios, casinhas, caminhas, coleiras, guias, etc. Comprei dois sachês de comida de gato e um pequeno potinho verde para ração. Paguei e coloquei as compras no banco de trás do carro, ao lado do buquê. Dirigi mais um pouco pela cidade. Depois de algum tempo parei em frente a uma caferia, entrei pela porta da cafeteria e a mesma fez um barulho de sino, olhei para cima e havia um pequeno sininho prateado em cima dela, para alertar as atendentes quando um cliente entrasse. Sentei em uma das mesas. O local não estava muito cheio, olhei o cardápio e uma atendente veio até mim, sorriu. Seu uniforme era de cor branca, tinha um avental vermelho, ela segurava um bloco e uma caneta para anotar os pedidos
– Oi, o que deseja? — Perguntou sorrindo, sorri de volta
– Olá, quero uma torta de chocolate com morango — Falei e ela anotou
– Algo para beber? — Perguntou
– Sugere algo? — Perguntei e ela ficou pensativa
– Que tal um suco de laranja natural? — Perguntou e eu concordei — Ótimo, logo trago seu pedido
– Ok — Respondi e ela foi em direção aos balcões. Minha mesa era do lado da janela, possibilitando que eu olhasse o movimento da rua
Uma chuva fraca de repente começou e eu me arrependi de não estar de casaco. Fiquei torcendo para que a chuva não ficasse mais forte e que também que não ficasse mais frio, ou eu poderia ficar doente. O barulho do sino tocou, indicando que alguém entrou, olhei para frente e vi uma garota de cabelos loiros e olhos verdes, usava um vestido curto preto e sapatos de salto da mesma cor. Estava acompanhada de um rapaz, um pouco mais alto que ela, o garoto tinha cabelos pretos e olhos verdes, estava sorridente. Os dois sentaram na mesa ao meu lado. Um de frente para o outro
– O café daqui é ótimo — O garoto disse, a conversa deles era impossível de não ouvir, afinal estavam ao meu lado, fingi não ouvir nada e olhei o movimento da rua
– Pode até ser, mas o local é muito simples — A garota falou
– É simples, mas confortável — Ele disse
– Josh, as atendentes são muito lerdas — Reclamou a garota
– Hannah, você nem escolheu ainda — Ele disse o garoto que descobri se chamar Josh
O nome da garota era Hannah? Seria a namorada do Daniel? Tudo bem que a cidade é pequena, mas seria coincidência demais. E o que ela fazia ali com outro garoto?
– Não significa que elas deveriam fingir que não estamos aqui — Hannah reclamou novamente
– Hannah... você e o Daniel estão juntos? — Perguntou Josh receoso
– Não, ele é apenas um ex colega e um amigo — Falou ou melhor mentiu
– É que eu já te vi várias vezes na casa do meu primo — Josh falou. Então, Hannah está traindo Daniel com o primo dele?
– Ele é apenas um amigo — Hannah Falou
– Tudo bem — Ele disse
A atendente chegou segurando uma bandeja com minha torta e o suco. Deixou na minha mesa e eu agradeci. Enquanto eu comia a torta e tomava o suco, a conversa deles era que Hannah queria um vestido e Josh prometeu dar. Eles fizeram seus pedidos. Quando terminei, fui até o balcão e paguei a minha conta. Me despedi da atendente e da garota do caixa e sai. A chuva já tinha parado e as nuvens cinza da chuva deixaram o dia escuro. Entrei no carro para dar uma última volta na cidade. Passeei por algumas ruas, quando vi uma livraria parei imediatamente na frente dela. Entrei, o lugar tinha um ar tranquilo, estava silencioso, só havia algumas pessoas olhando as estantes. Andei até uma estante que tinha o gênero suspense. Fiquei em dúvida entre quatro livros, mas depois de uma votação minha, escolhi um deles e fui ao caixa pagar. Saí da livraria e me deparei com aquele felino de olhos verdes me observando. Levei um susto ao vê-lo ali. Black avia me seguido. Me abaixei na frente dele
– O que faz aqui? — Sussurrei acariciando sua cabeça — Andou me seguindo?
Peguei ele no colo e levei até o carro. Abri a porta e o coloquei no banco do passageiro, coloquei a sacola com o livro junto às outras compras. Entrei no carro e dirigi de volta para casa. Estava bem mais escuro do que antes. Assim que cheguei na frente de casa, deixei o carro onde estava antes. Desci e deixei a porta aberta para que Black sai-se e foi o que ele fez. Peguei as compras no banco de trás, tranquei a porta do carro e entrei em casa. Deixei as compras em cima do sofá. Peguei um vaso de vidro e enchi com um pouco de água, coloquei o buquê dentro. Deixei o vaso com as flores na sala, em cima da mesa de centro. Peguei às outras sacolas de compras e deixei em cima da minha cama. Voltei a sala
– Filha? — Minha mãe me chamou
– Oi? — Falei
– Então, como foi o passeio? — Ela perguntou entrando na sala
– Divertido — Falei
– Que lindas flores — Minha mãe falou enquanto andava até o vaso que eu a pouco tinha colocado — Comprou no passeio? Boa escolha
– Verdade — Falei
– Como o jantar é amanhã, quero que escolha sua roupa dês de hoje — Falou — Acho que um vestido e um sapato de salto
– Salto? — Perguntei — Não gosto de salto
– Mas um salto pequeno — Falou — Não vai de tênis
– Não estava pensando em tênis e sim em uma sapatilha — Falei
– Não, salto é melhor, combina mais com um vestido — Falou — Agora, vá escolher as peças
– Ok — Falei e subi ao meu quarto
Estava andando no closet e olhando cada vestido que tenho, por fim, escolhi um azul escuro, que tem nas costas uma abertura em forma de coração. Agora faltava o sapato. Escolhi um sapato da mesma cor do vestido e com um pequeno salto. No final do meu closet tem um sofá branco de três lugares, ele é muito confortável, deixei o vestido e o sapato em cima do sofá. Agora estava na hora dos acessórios. Fui a uma parte do closet onde tem quatro gavetas brancas, na primeira gaveta ficam os anéis, cada um separado do outro. Na segunda gaveta são os brincos, na terceira às pulseiras e na quarta os colares. Escolhi um anel de prata que tem uma flor, uma pulseira de prata que tem pingentes de corações, um brinco em forma de coração e o colar era o conjunto do brinco. Deixei os acessórios ao lado do vestido e sai do quarto.
Pov Layla:
O dia estava entediante. Eu estava na sala de estar, olhando a fraca chuva que começou a cair. Daniel deveria estar no quarto dele. Meu pai estava trabalhando na empresa. Logo uma chuva forte começou a cair, eu me assustei com o barulho dos raios e trovões, sai correndo até a escada, subi a mesma chegando ao segundo andar, subi as outras escadas para o terceiro andar. Cheguei ao corredor, onde tem seis portas brancas de madeira. Nesse andar fica o meu quarto e o do Daniel, também fica outros cômodos que são do meu irmão. A primeira porta a esquerda fica o quarto do meu irmão, em frente a ela o meu quarto, do lado do meu quarto fica a sala de música, em frente a ela é um quarto de hóspedes, do lado fica a sala de artes, onde tem alguns quadros que Daniel pintou, mas principalmente quadros que a minha mãe pintou. Eu não lembro da minha mãe, porque eu só tinha 1 ano quando ela morreu, mas Daniel tinha 10 anos, então ele se lembra bem dela, por isso é mais difícil para ele ver as pinturas que ela fez e também as fotos que ela tirou. Mas acho que é difícil para nós dois, afinal eu não me lembro dela, o que me deixa triste e Daniel se lembra o que também o deixa triste. Em frente a sala de artes fica a sala de jogos, onde Daniel passa bastante tempo. Entrei correndo para o quarto de Daniel. O quarto dele tem paredes de cor azul, uma cama de casal com lençóis brancos, um closet, um banheiro, tem uma estante de madeira escura que está cheia dos livros favoritos dele. Tem uma mesa de computador que em cima está o seu notebook e em frete uma cadeira cinza de rodinhas. Daniel estava deitado na cama dele, ouvindo música com seus fones. Sorriu ao me ver, se sentou na cama e abriu os braços para um abraço, ele sabe sobre meu medo de trovões, eu corri e o abracei.
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