Segredos Submersos

3 Slughorn tem mais uma de suas brilhantes ideias


Por um momento, eu fiquei paralisada no meu lugar, olhando para o nada com uma cara de lerda. Intuição? Perguntei a mim mesma, um tanto incrédula, se aquele garoto achava mesmo que eu cairia no tradicional papinho de "intuição", de "coisa do destino" ou qualquer outra desculpa. Bem, a resposta seria não. Algo dentro de mim, porém, pareceu começar a aflorar, não trazendo um bom pressentimento sobre aquele garoto.

Balancei a cabeça rapidamente, tentando afastar alguns de meus pensamentos. Resolvi voltar para meu compartimento do trem, já que provavelmente Harry, Ron, Gina e Luna deviam estar se perguntando o que eu estaria fazendo – isto é, se algum dos quatro não resolvesse ficar com a cara prensada na porta tentando ver onde eu estava.

Ao retornar, no entanto, vi uma coisa largada no chão. Um objeto caído, exatamente no mesmo lugar onde aquele rapaz estava sentado, enquanto conversava comigo. Aproximei-me mais, e vi que era uma caneta esferográfica. O mais esperado era que essa caneta fosse dele, já que não me lembrava de tê-la visto antes. E também porque uma caneta não era algo muito comum no mundo bruxo, considerando o fato de ser um objeto trouxa.

Peguei a caneta. Havia algo escrito nela, o que me chamou a atenção. Uma letra diferente, que parecia ser grego. Grego antigo, ainda. Só sabia que era essa língua devido ao fato de ter vários livros relacionados a mitologia grega em casa. Forcei o olhar no que estava escrito, e por incrível que pareça eu consegui ler perfeitamente o que estava escrito.

Anaklusmos. Se fôssemos traduzir (não soube dizer como fui capaz de traduzir do grego), significava Contracorrente. Arqueei as sobrancelhas. Por que alguém daria o nome Contracorrente (em grego!) para uma simples caneta?

Ainda confusa, guardei-a no bolso do meu uniforme. Já estávamos bem perto de Hogwarts (da janela, era possível ver o trem se aproximando cada vez mais do castelo), portanto quando desse tempo, eu o devolveria.

Depois, apenas voltei para meu compartimento do trem, em passos lentos e arrastados.

Acordei no outro dia com um extremo bom humor – provavelmente por causa do primeiro dia de aula, assumi. Levantei-me da cama, troquei de roupa, fiz minha higiene pessoal e olhei pela janela do dormitório. O sol estava brilhante, o céu estava azul e sem nenhuma nuvem. A sensação de paz que me apoderou foi tão forte que quase estranhei.

O tempo estava bom. Bom até demais, ao ponto de fazer-me sentir como se isso não fosse algo bom de fato.

Por mero impulso, olhei para o relógio. Meus olhos se arregalaram com um pavor repentino: eu estava atrasada, e a primeira aula do dia era de Poções.

Ótimo. Que começo de dia maravilhoso.

Parecendo um tanto louca, saí correndo sem me importar com o desleixo no qual deixei o quarto. Nunca em minha vida eu havia me atrasado para uma aula! Ao chegar nas masmorras, eu já estava suando, meus cabelos estavam ainda mais desgrenhados do que o habitual. Abri as portas com força. Alguns alunos já estavam saindo da sala.

Incrédula, não consegui acreditar ao perceber que a aula já havia acabado. Boquiaberta, olhei para os alunos que saíam e não pude discernir se o que eu sentia no momento era vergonha ou raiva de mim mesma.

– Srta. Granger! – ouvi Slughorn exclamar, ao me ver parada em frente à porta. – Por que chegou só agora?

– Lamento professor, eu me atrasei. É que... eu acordei só agora – falei, enquanto via ele arregalar os olhos. A aluna mais brilhante da grifinória, acabara de perder uma aula por causa... do sono. É, era realmente bem difícil acreditar em algo assim.

– Você tem sorte de ser uma de minhas alunas preferidas, senhorita – disse ele, com aquele seu sorriso tradicional que ia de orelha a orelha. – Desta vez passa, mas saiba que da próxima eu não vou aceitar desculpas.

Eu sorri, e coloquei a mão no peito, aliviada.

– Muito obrigada, professor – disse eu, com toda a sinceridade. – Realmente, acho que te devo uma, senhor – assim que disse isso, o sorriso dele se iluminou mais ainda, como se uma ideia tivesse acabado de brotar daquela cabeça calva.

Certo. Eu realmente tinha que aprender a calar a boca perto de alguns professores.

– Agora que você disse isso, srta. Granger... eu me lembrei de uma coisa – Com o sorriso mais falso do mundo, apenas assenti, esperando pelo pior. – Estamos no começo do ano letivo, por isso, em vez de fazer as tradicionais reuniões do Clube do Slugue, resolvi fazer uma espécie de baile.

– B-baile? – gaguejei, incrédula demais para fazer outra coisa. – Você diz, tipo o Baile de Natal que você fez em meu sexto ano? – Aquele fora o pior baile de minha vida e lembrar-me de Córmaco McLaggen comigo já fazia uma vertigem subir por minha garganta.

– Sim, exatamente! – disse ele, eufórico – Mas a única diferença é que, nesse baile vocês terão que... valsar! E, como a senhorita disse que me deve uma, essa é a sua chance! Você irá abrir o baile dançando com algum outro rapaz que eu irei escolher.

Por Merlin, Slughorn é louco, pensei.

– Ah, que coisa ótima! – menti, forçando um sorriso. Dei um breve pigarro de nervosismo, junto de uma risada extremamente forçada, parecendo um pouco com a Umbridge. – Então, senhor. Já tem... hã, uma ideia de com quem eu devo... dançar?

Slughorn deu uma breve olhada pela sala, checando os poucos alunos que estavam ainda presentes, seja arrumando os materiais ou conversando com outros amigos. E seu olhar parou num garoto que estava de costas para mim, já saindo.

– Ah, você aí, senhor! – disse ele. Assim que o garoto chamado se virou, eu tive vontade de enfiar minha cara numa privada. Tanta gente no mundo para dançar comigo num mísero baile, e tinha que ser logo aquele garoto que conheci no Expresso de Hogwarts? Céus!

– Sim, professor? – disse ele, voltando em nossa direção. O sorriso estampado em seu rosto era um tanto falso, como se estivesse tão descofortável quanto eu.

– Você sabe do baile de início de ano que vai ser nesse sábado, certo? – ele apenas assentiu. – Então, eu estava pensando... será que o senhor poderá acompanhar a senhorita Granger no baile?

Ele hesitou. Tive vontade de gritar "Diz que não, criatura!", mas as palavras ficaram presas em minha garganta.

– Será uma honra, professor – disse – É claro que posso acompanhá-la no baile. A propósito, Hermione... não fomos bem apresentados. Percy Jackson, muito prazer.

Notas finais
Ferrou, Hermione. :D