Segredos Submersos
5 Antes do baile desastroso
Notas iniciais
Os dias se passaram bem mais rápido do que eu esperava, para minha grande frustração. Os professores já começavam a passar matérias que possivelmente seriam testadas nos N.I.E.M's, o que fazia eu já começar a estudar, e também pegar muito no pé de Harry e Ron.
Hoje já era sábado, ou seja, já era o dia do baile. Ele começaria às oito da noite, e agora já eram quase sete. Não que eu me importasse, afinal estava muito ocupada tentando estudar. Já estávamos na biblioteca havia umas três horas.
– Por favor, Mione – pediu Ron, suplicante, quase babando nos livros e pergaminhos. – Os N.I.E.M's só serão no fim do ano, e não faz nem uma semana que chegamos a Hogwarts! Por favor, deixa a gente descansar um pouco...
– Se já estamos estudando desse jeito, nem quero saber como as coisas serão perto dos testes – murmurou Harry para Ron, ambos rindo um pouco. Lancei um olhar feio para eles, fazendo com que fechassem a cara imediatamente. – A propósito, Hermione... você não tem que ir naquele tal baile do Slughorn?
– Eu sei desse baile, Harry – eu disse, ainda fazendo anotações de Defesa Contra as Artes das Trevas em meu pergaminho. – Eu sei que tenho que dançar nesse maldito baile, mas eu não vou sozinha.
– É, soubemos que você vai dançar com um tal de Percy – disse Ron. – Ele é primo daquele sonserino sinistro terceiranista e daquela grifinória punk do quinto ano, não é?
– Se esses dois forem Nico di Ângelo e Thalia Grace, sim, é ele mesmo – falei, molhando a pena no tinteiro, enquanto ainda escrevia rapidamente no pergaminho. – Mas não foi isso que eu quis dizer. Eu quis dizer que vocês dois também irão ao baile.
Nem precisei olhar para eles para ver que estavam com a boca aberta.
– Mas por quê? – perguntou Ron, com os olhos arregalados. – O Harry eu até entendo, já que ele é o queridinho do professor Slughorn de qualquer jeito, mas por que eu?
– Acho que se deve ao fato de que você é um grande amigo da garota que vai dançar e do queridinho, Ron – falei, lançando um olhar de esguelha para ele, junto de Harry. Ele encolheu um pouco os ombros e já ia retrucar, quando uma voz feminina invadiu os corredores silenciosos da biblioteca.
– Hermione Granger! – essa voz exclamou, e logo depois vi a figura de Thalia aparecer em minha frente. Seu rosto estava raivoso, e ela já estava arrumada para o baile. Bom, uau! Thalia estava estonteante. Usava um vestido tomara-que-caia nude, que ia até um pouco acima dos joelhos. Seus olhos azuis estavam marcados por um delineador preto, como de costume, e seus cabelos pretos estavam presos em um rabo de cavalo baixo, que pendia em seu ombro. Usava um colar comprido, cor de cobre, e também suas indispensáveis correntes de prata nos pulsos. E, a cada passo que dava, o salto de sua ankle boot fazia um ruidoso barulho. – Onde é que você estava, criatura?
– Nós três estivemos aqui o dia todo, basicamente – eu disse, fechando os livros e começando a enrolar os pergaminhos.
– Para nossa extrema infelicidade – disse Ron. Dei um tapa em seu ombro. – Ai!
– Ok. Isso não me importa agora – disse Thalia, suspirando. Ela me puxou da cadeira, e fiz uma careta ao sentir o pequeno choque elétrico em minha pele. Indaguei-me o porquê disso; era algo realmente estranho. Nada comparado a como minha vida andava estranha ultimamente, entretanto. – O que importa, é que só falta meia hora para o baile começar, e você ainda nem está pronta!
– Eu me arrumo rápido – protestei.
– Tá, claro. E vocês dois – ela apontou para Harry e Ron –, tratem-se de se arrumarem, porque, olha! Estamos todos atrasados! E você, mocinha – e apontou um dedo para minha cara –, você vem comigo.
– Hm, Thalia... eu me sinto ridícula – disse eu, enquanto nós duas já andávamos nos corredores de Hogwarts. Olhei melhor para meu próprio corpo, parando de andar. Meu cabelo estava preso em um coque meio bagunçado, e eu conseguia sentir o peso dos brincos de argola em minhas orelhas, enquanto usava um vestido preto, também tomara que caia.
– Não está não. Você está linda, Hermione.
Bufei. Eu podia estar aos olhos dela, mas eu simplesmente não gostava de usar vestidos, nem usar maquiagem, nem nada. Preferia ser básica; eu não tinha tempo para esse tipo de coisa.
E bailes... bom, eles sempre me traziam lembranças ruins. Em minha vida, festas desse tipo nunca pareceram simpatizar comigo, igual aos filmes e seriados trouxas que eu costumava assistir quando estava de férias. Mesmo que eu só houvesse comparecido em dois bailes em minha vida (o de inverno após a primeira tarefa do Torneio Tribruxo em meu quarto ano, e o de natal de Slughorn em que eu fui com o Córmaco McLaggen), eu não me importava. Ambos foram desastrosos, de um jeito ou de outro.
E hoje eu estava com a sensação de que nada de bom ia acontecer ali. Meu estômago se revirou por um momento.
– Hermione, se acalme – pediu Thalia, enquanto já estávamos na porta. – As coisas vão dar certo, não se preocupe – ela tentava me convencer disso, mas sua voz estava meio trêmula, como se sentisse que nada iria dar certo, e/ou que pelo menos alguma coisa iria dar muito errado ali.
– Tem certeza?
– Bom... – Thalia hesitou. – Ok, não tenho certeza de nada. Mas, se você acreditar talvez dê certo. – é, talvez. Muito obrigada pelo incentivo. – E... tenha apenas pensamentos positivos, ok?
– Ok... vou tentar – minha voz saiu meio morta. Ela sorriu, e logo depois entrou no salão, se infiltrando na multidão de gente e fazendo eu perdê-la de vista.
Fiquei parada no lugar, vendo se tinha alguém que eu conhecia ali. Alguém como Percy, que já devia estar comigo a essa hora. Não vi ninguém de conhecido, nem Harry, Rony, ou qualquer um. Apenas vi a professora Augusta Blakewhite (a nova profª de DCAT), com seu costumeiro ar rabugento. Ela era meio estranha e um tanto intimidadora. Tinha cara de quem deveria ter se aposentado há séculos, já que parecia ser mais idosa do que idosos habituais; Harry já havia comentado comigo que suspeitava dela poder ser mais velha que Dumbledore. Quando olhava para mim, seus olhos cinzentos pareciam sempre me fuzilar.
E o que me deixava incomodada nesse momento era que ela não parava de me encarar. Senti os pelos de meus braços arrepiarem e busquei ao máximo não olhar em sua direção.
– Hermione... – ouvi uma voz atrás de mim e uma mão segurou meu ombro. Pulei de susto, e virei-me rapidamente para ver quem era. Era apenas Percy. – Você está pronta?
– E-estou – gaguejei, com o coração ainda descompassado por causa do susto. Olhei melhor para Percy. Ele falava comigo, mas seus olhos não se desgrudavam da profª Blakewhite, parecendo analisá-la a cada gesto e movimento que fazia.
– Que bom – voltou seu olhar para mim, e sorriu. Mas era um sorriso meio falso, como se assim como eu e Thalia, tivesse a impressão de que algo realmente horrível estava prestes a acontecer.
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