Segredos Ocultos
1 Motivos.
Notas iniciais
Marie POV
Sentia-me terrívelmente cansada, todo o meu corpo doía como se houvessem me jogado um caminhão de elefantes, em todos esses dias conturbados aprendi somente uma coisa: trabalhar é horrível. A pergunta que insisti em não querer sair da minha cabeça é, como uma pessoa consegue passar a vida trabalhando? Acho que nunca vou conseguir a resposta, por que eu não vou ficar nessa o resto da vida, quero é arrumar algo fácil de ganhar grana, sem ter que me esforçar. Sou Marissa Dumfrey, mas prefiro ser chamada de Marie, apenas. Sou aquele tipo de garota irritante que quase ninguém suporta, moro em Pacific City uma cidade litorânea junto de minha avó Elizabeth Fiore e minha irmã Makennzie Dumfrey ou Makky para os intimos. Minha irmã e eu moramos com aquela velha rabugenta há mais ou menos 3 anos, desde que minha mãe Katherine Dumfrey resolveu se casar novamente. Ela e o homem que dizia ser meu “pai”, Thomas Strongberry, se separaram quando eu tinha 13 anos.
O meu suposto pai e eu nunca nos entendemos muito bem, ele implicava com tudo que eu fazia desde pequena, e brigávamos constantemente. A convivência dele e minha mãe não era muito diferente. Thomas é um renomado advogado e minha mãe uma ótima veterinária, ambos ganham muito bem.
A criatura que se dizia ser meu pai chegava muito tarde em casa após sair do trabalho, minha mãe como não é besta não acreditava nas desculpas esfarrapadas que ele inventava, então resolveu contratar o melhor investigador pra segui-lo. Até que um dia, nós três (Makky , minha mãe e eu) jantávamos normalmente, meu “pai” ligara poucos minutos antes e dissera que estava no “enrolado no trabalho” e que iria chegar mais tarde. “Novidade seria se ele aparecesse na hora certa. “ Pensei vendo a tristeza nos olhos de minha mãe, denovo. Sentia o ódio me consumir aos poucos, sim eu detestava o Tom. Ao ouvir batidas na porta e eu fui correndo abri-la, não aguentava mais ficar ali presenciando o sofrimento de minha mãe. Vi que era o tal detetive que se dizia ser um amigo da minha mãe. Ela não nos contou isso tudo, é claro. Eu é que era muito travessa e ficava ouvindo as conversas dos outros escondida, não me considerava errada pelo que estava fazendo já que meu futuro dependia daquele casal (ah... só pra constar, eu ainda ouço conversas escondidas, e ainda acho que não é errado). Quando viu o detetive minha mãe mandou subirmos para o nossos quartos, e como sempre fiquei escutando a conversa escondida da escada.
— Senhora Strongberry eu sinto muito em lhe dizer isso, mas seu marido está lhe traindo. — Minha mãe apenas assentia, com os braços cruzados. Ela não estava muito surpresa, aquilo só confirmava suas suspeitas de muito tempo. — Más isso não é tudo... — Depois de uma longa e torturosa pausa continuou enquanto olhava para minha mãe de modo que pedia desculpas por ter que dar aquela noticia. — Seu marido esta a traindo com outro homem, e aqui estão as fotos que provam o que estou dizendo. — Esse foi o fim pra minha mãe, e atravez de seus olhos vi como se sua alma estivesse se estilhaçando lentamente, eu não aguentava mais ver isso, e quando vi uma única lagrima descendo lentamente por sua bochecha corri para o meu quarto, por não aguentar ver minha mãe ser subimetida a tamanha dor.
No dia seguinte minha mãe fez com que eu tivesse muito orgulho dela. Resolveu dar uma festa em nossa casa, sem falar nada com seu marido sobre a investigação. Convidou todos nossos familiares e amigos para o tal evento, contratou o melhor bufe da cidade e contratou também uma banda pra se apresentar na festa. Falara para meu pai que o motivo da festa era uma surpresa e que ele saberia em breve, ele é claro não desconfiava de nada.
Após algumas horas de festa minha mãe subiu ao palco elegantemente, com um sorriso irônico no rosto, sua face demonstrava um superioridade nunca vista por mim, pegou na sua mãe esquerda com extrema delicadeza o microfone do vocalista, enquanto com a outra passava pelo lindo vestido preto de seda que lhe acentuava as curvas.
— Tom querido, venha. — Disse minha mãe na maior cara de pau. Eu é claro nem imaginava o que a louca planejava fazer. Contragosto meu pai colocou o seu sorriso mais falso no rosto fingindo animação e subiu ao palco.
— Então, todos sabem o motivo de estarem aqui .. quero anunciar uma coisa muito importante. — Disse minha mãe olhando em volta. — Queria que todos soubessem o quanto meu marido é um homem... bem... maravilhoso. — Falou olhando para meu pai que estava totalmente confuso. — Pode mostrar. — Disse seriamente para o cara que manuseava um notebook. Foi nessa hora que o inesperado aconteceu. No palco havia uma tela branca enorme, e nela começou a passar fotos de meu pai e Brad (um cara com quem meu pai trabalhava junto, e que também se encontrava na festa) se abraçando e se beijando.
Virei na outra direção para não ver aquelas imagens. Tá que eu já sabia, mas saber e ver são coisas com definições bem diferentes.
— Estão vendo o quanto meu marido é o homem de todas as relações ? — Falou minha mãe com irônia, sem demonstrar tristeza, pois havia transformado todo esse sentimento em raiva e sede de vingança. Todos à nossa volta estavam surpresos, sem saber o que dizer ou como dizer. Foi ai que meu “pai” se pronunciou.
— Olha aqui sua vadia, você não tinha o direito de fazer o que fez, isso só cabe à você ao Brad e à mim. – Disse na maior cara dura, que ao meu ver era a única que ele tinha — Não deveria ter feito isso na frente das meninas. — Disse como se realmente se importasse conosco, não que eu e Makky estivessemos nos importando com o ocorrido, virei para olhar minha irmã e percebi que a mesma filmava tudo discretamente. Ele estava vermelho como um pimentão e segurou-a pelo braço. Nessa hora eu não aguentei, fui até ele e dei-lhe um chute na canela. Tá... sei que é errado, mesmo ele tendo feito o que fez mas se ninguém interferisse ele ia bater em minha mãe na frente de todos. Ele soltou-a dando pulinhos segurando a canela, tentando amenizar a dor.
— Sua pirralha mal criada. Não sei como consegui te suportar durante todos esses anos, se ao menos fosse minha filha... — Falou sem pensar e calou-se ao perceber o que estava falando. Olhei para o desgraçado, sentindo-me feliz e ao mesmo tempo triste. O tão comum ódio percorreu todo meu corpo fazendo com que eu perdesse a noção de tudo. Minha visão ficou turva, notei uma sobra se esgueirando sobre mim e tentei resistir contra a mesma, porfim deixei que me desse um abraço frio e reconfortante, segundos apos não conseguia mais enxergar nada e nem ouvia. Somente as ultimas palavras do homem que mentiu pra mim durante toda minha vida ecoavam em minha cabeça. “Se fosse ao menos fosse minha filha... Se fosse ao menos fosse minha filha... Se fosse ao menos fosse minha filha...” Passei mais ou menos 10 minutos desmaiada... Mas não importa. Por fim, minha mãe e meu não pai me contaram toda a história, disseram-me que quando se casaram minha mãe já estava gravida de mim, e que não conhecia meu verdadeiro pai, pois bem... no dia em que me fizeram, ela estava bêbada em uma festa, na época ela namorava com Thomas , eles haviam acabado de terminar a faculdade. Estavam brigados e minha mãe resolveu ir nessa tal festa onde bebeu e ficou com o estranho lá, o qual não sabia nem o nome. E então o meu não pai resolveu casar-se com minha mãe alegando o filho que ela esperava (ou seja, eu) ser dele.
“É melhor assumir o filho de outra pessoa, do que o próprio par de chifres.“ Lembrei-me das palavras do idiota do Tom. Eu podia não ser filha daquele inútil mas Makennzie era, apesar de ainda ser muito criança quando aconteceu ela entendeu tudo e foi quem visivelmente mais sofreu com o acontecido.
— Querida eu sinto muitíssimo por nunca ter te contado... — Falou minha mãe tentando se explicar mais eu não ligava pra nada, tudo tinha um lado bom da história e somente agora eu podia ve-lo.
— Ei, eu sou a pessoa mais feliz do mundo por saber que aquele traste não é meu pai. Pode relaxar mãe. — Falei sorrindo, pra que ela relaxasse. Eu até que me sentia um pouco mau por ter sido enganada por todos aqueles anos, mas não queria a deixar com um sentimento de culpa, ela era a única que se preocupava comigo.
Enfim, voltando ao assunto anterior, minha mãe se separou de Tom. Logo após Thomas assumiu sua relação com Brad Roswell e se mudaram para Los Angeles. Mais ou menos um ano depois minha mãe se casou novamente, com o detetive que ela tinha contratado pra seguir o meu pai de fachada, John Frettz que consolou-a quando ela se separou do desgraçado. Eu gostava de John ele era legal, divertido, éramos como dois amigos, mas Makennzie o odiava e brigava com ele todos os dias. Por causa das brigas dos dois minha mãe mandou-a morar com minha rabugenta avó, sua mãe, a melhor juíza de Oregon, e eu como não sou besta fui junta, a velha era montada na grana e eu também não queria atrapalhar a vida de minha mãe e John.
“Eles vão ficar melhor sem mim.”
Fui pra Pacific City, e aqui vivo até hoje. Essa cidade é o palco das minhas fantásticas e perigosas aventuras. O lugar onde me sinto bem e feliz. O único momento em que me dei mau nessa cidade foi à 1 mês atrás.
******** Flashback on ********
Estávamos dentro de meu Aston Martin preto, corríamos à mais de 200 km/h. Não estava ligando pra nada, o álcool havia me deixado totalmente sem noção. No som do meu xodó tocava New devide do Linkin Park no volume máximo, e eu me via gritando a letra da música junto de Josh Bouvieth (meu melhor amigo) que estava no banco do passageiro e Makky que se encontrava no banco de trás. Havíamos acabado de sair de uma festa na casa de Stace (uma líder de torcida oxigenada). Eu não havia sido convidada para a tal festa mais Josh fazia parte do time de futebol e junto de Makennzie (que também era uma líder de torcida, burra, mas do bem ) me obrigaram a ir. Chegamos lá e enchemos a cara e aqui estamos nós, correndo em alta velocidade em direção à praia.
— MAAAARIE — Gritou MakKY no meu ouvido com uma voz arrastada. — Troca de musica —.
— Não grita ...pooorrcaria, eu gosto ... dessa... musica. — Falei em meio aos soluços. — Bouvieth não ouse sujar meu bêbê. — Disse mais já era tarde ele já tinha vomitado no chão do meu lindo e perfeito Aston. — Seu desgraçado vou te matar você vai ver. — Disse tirando uma mão do volante e virando-me em sua direção para puxar o cabelo preto do idiota, meu objetivo foi completado com sucesso. Gargalhei ouvindo-o gemer de dor. Voltei meu olhar para a estrada e só ai que percebi que que tinha saído da pista e estavámos indo em direção à uma árvore. Freei o máximo que pude, mas não pude evitar a batida.
— Meu carrinho querido. — Choraminguei, segundos após sentir o impacto do carro se chocando com maldita árvore. Minha sorte é que estávamos de cinto. Passei a mão na testa sentindo um pouco de dor. “ Eba sangue.” Pensei ironicamente olhando o liquido vermelho em minha mão. Levantei rapidamente para olhar o estrago em meu carro.
— Merda. Amaçou o para-choque — Disse sentindo meus olhos encharcados e uma leve ardência na testa, fiquei resmungando por um tempo, só quando ouvi gemidos vindo do interior do carro me lembrei de Josh e Makennzie.
— Vocês estão vivos? — Eu sabia que era uma pergunta besta, porque mortos não gemem. Acho. Dei a volta no carro e parei ao lado onde Josh encontrava-se.
Os dois saíram do carro me olhando com fúria.
— O que? Não fiz nada! — Disse sem entender o motivo de tanto ódio.
— Me poupe Marissa — Disse Makky , ela e Josh já pareciam ter voltado a si, quanto a mim... bem eu bebi 10 vezes mais que eles. Eu estava bêbada mesmo, tanto que se me dessem gasolina me dizendo que era cerveja eu beberia feliz da vida e nem perceberia a diferença.
Horas depois, quando eu já estava melhor fomos pra casa, sem dar ao menos uma paradinha na praia, mas não foi por que eu não pedi.
— Vamos por favor gente! Por favor, por favor, por favor, por favor... — Implorei já que era Josh quem estava dirigindo o MEU Aston.
— Não, não e não Marie. — Disse Josh usando o tom autoritário que eu tanto odiava. — Não vamos passar em praia nenhuma, você precisa ir pra casa descansar e sabe disso.— Desisti, não por que eu desisto fácil das coisas, e sim por que eu o conhecia muito bem, e sabia que quando ele usava aquele tom autoritário ele não voltaria atrás na decisão tão cedo.
Ao chegarmos em casa, Josh levou meu machucado Aston pra garagem, enquanto Makennzie e eu entravámos em casa. Eu é claro corri para o meu quarto e fui pro banheiro, o tão esperado enjoo chegou no momento em que eu chegava perto do vaso.
— UUUUUUUUUHHHHHHUUUUUU — Gritei o mais alto que consegui, mesmo sentindo um terrível enjoo sentia-me super feliz, não sabia se era por que minha avó rabugenta tinha viajado e só voltaria dali à 4 dias ou se ainda era o álcool que eu consumi desesperadamente.
Por causa de meus gritos Josh correu até mim.
— O que foi? — Disse ele ofegante, por causa das escadas provavelmente.
— Tô tão felizzzzzz — Josh me olhou de um jeito tão estranho que me fez gargalhar muito alto.
— Você com certeza não está bem. — Disse ele sentando-se no chão do banheiro ao meu lado.
— Joshhh? — Falei encostando a cabeça em seu ombro.
— Que foi? — Perguntou com uma voz rouca, resultado dos nossos gritos dentro do carro.
— Você ainda vai me pagar, seu viado! — Falei rindo. — Por sua causa nós batemos naquela arvóre. — Falei, ainda rindo mesmo o assunto sendo serio e mesmo que eu tentasse não conseguia parar de rir. Mais um dos efeitos do álcool. Senti que o enjoo já estava passando e que o sono logo logo me derrubaria.
— Não foi minha causa, você quem resolveu me bat... — Ele desistiu da discussão ao ouvir meus roncos.
****************
Minha avó ficou sabendo por Deus sabe quem que tínhamos batido o carro e então resolveu acabar com minha felicidade e voltou de viagem no dia seguinte ao acidente. Ao atravessar a porta começou.
— Suas irresponsáveis, vocês são malucas? — Gritou a senhora perfeição. — Vocês podiam ter morrido... — “A velha pirou de vez, afinal tinha sido só uma batidinha de nada. Velha louca!” Pensei enquanto ela tagarelava coisas que eu não compreendia.
— Não foi nada de mais Lizzie. – Resolvi me pronunciar usando o apelido que ela odiava, nunca a chamava de vó, o que a irritou muito mais. — Somente amassou o para-choque do meu carro e nem eu nem Makennzie nos machucamos. — Eu é que não iria dizer que estávamos com o Josh, não queria mesmo que ela o proibisse de sairmos. E se ela o fizesse eu não poderia desobedece-la não porque eu sou uma garota obediente, e sim porque é ela quem me banca!
— E como pretende pagar o concerto do seu carro Marissa? — Perguntou a velha ironicamente enquanto erguia uma de suas pelancas flacidas que um dia poderia ser considerada uma sobrancelha.
— Como? Você não está falando que eu vou ter que pagar o concerto de um Aston Martin né?! — Ela assentiu com a cabeça, e eu estava prestes a ter uma síncope “ É agora estou fudida.”
— Ah e minhas queridas digam adeus à suas mesadas, cartões de crédito, festas e tudo o que me pedirem durante 3 meses. — A velha diabolica falou enquanto saia da sala onde nos encontravamos com um sorriso sacana como se estivesse dizendo ‘Dessa vez, eu ganhei’ . Meu coração disparou e eu podia sentir as lágrimas saindo de meus olhos e rolando por minhas bochechas para enfim cair em meu colo, olhei pro meu lado e vi que a situação de minha irmã não era muito diferente da minha. “Pelo menos não estaria sozinha no inferno.” Pensei com um pouco de raiva.
******** Flashback off ********
Como minha querida e adorada avó, Elizabeth era muito influente na cidade logo conseguiu empregos pra Makennzie e eu, de garçonetes. Sim. Eu trabalhando de garçonete em um bar onde todas as pessoas do meu colégio costumavam ir, ou melhor, onde todas as pessoas da cidade costumam frequentar, traduzindo para uma lingua mais clara, suicidio social e sem direito a choque eletrico para voltar a vida. “É o fim.” Pensei, terminando de limpar o chão da infeliz lanchonete que ate 2 dias atras era meu local preferido, sorte que ainda consigo falar de modo correto. ERA. Em um passado bem distante.
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