Segredos Envelhecidos
1 Ele ainda sabe sorrir.
Notas iniciais
E ah, usei o padrão inglês de fala. -3-
A garota guardava segredos. E esses segredos, permaneciam em seu diário. Um diário marrom, de capa aparentemente envelhecida e folhas amareladas. Não. Não havia muito tempo que ela possuía aquele diário. Ela o fizera parecer assim, para ninguém ter o mínimo de curiosidade em abri-lo. O fato de que as primeiras folhas estavam manchadas de tinta e algumas rasgadas o tornava muito menos atraente aos olhos de qualquer um. Depois de passar várias folhas manchadas, havia uma página em perfeita condição com os seguintes dizeres:
‘’Diário de Cielly Phantomhive.
Se você achou esse diário, meus parabéns, a quem quer que você seja. Portanto, você tem duas opções. Continuar lendo ou pensar bem e parar aqui mesmo antes de destruir a vida de alguém descobrindo seus segredos. ’’
É evidente que qualquer pessoa não teria nem corrido os olhos pela segunda linha, e já teria movido seus dedos e olhos para a próxima página. Mas ela não ficaria triste por isso. Ela ficaria furiosa. Principalmente se essa pessoa que fosse Ciel Phantomhive, o garoto do qual ela não desejaria nem que chegasse a menos de cinquenta metros de distância daquele diário. Na próxima página, havia um texto. Um texto que se estendia no mínimo em cinco páginas.
‘’23 de Dezembro, 2 dias antes do Natal de 2011, na Mansão Phantomhive.
Mais de 100 anos se passaram desde que ele e eu nos tornamos demônios. E está cada dia mais difícil conviver com ele. Ele ainda não fixou a ideia de não importe quantos séculos passem, tudo irá continuar da mesma maneira. Teremos de conviver com o mesmo mordomo, e olharmos para as faces uns dos outros todas as manhãs, com a mesma expressão irritada de ‘eu realmente poderia ter dormido por mais duas horas. ’ Mas hoje, quando nos sentamos à mesa, diferente do habitual de sermos servidos na cama para o café da manhã (e sinceramente, isso só foi devido à minha insistência de ter alguma manhã diferente), uma coisa mudou. Ele sorriu. Isso poderia significar duas coisas: Ele estava com uma profunda vontade de me matar ou estava muito feliz.
Após estar satisfeita, me levantei e me direcionei para o banheiro para escovar meus dentes. Enquanto estava subindo a escadaria, ouvi-o falar com o Sebastian. Ou melhor, não ouvi. Só sabia que estavam falando. Subiu-me um calafrio na espinha. Ele poderia estar realmente querendo me matar. De qualquer maneira, assim que terminei de escovar meus dentes, arrisquei chamá-lo para um passeio no jardim. Uma decisão muito idiota se quer saber. Já perdi a conta de quantas vezes visitei cada canto daquele jardim. Desci as escadarias, e mais uma surpresa. Música. Música clássica, para ser exata. Debussy, para ser mais exata ainda. Eu amava Debussy, ele não gostava muito. Talvez só estivesse querendo me fazer feliz antes de me matar. Levei minha mão direita até minha testa, dando tapas repetidas vezes. Que pensamento idiota. Afinal, ele não tinha motivo para me matar... Ou tinha? No mesmo instante, minha mente fez o favor de me lembrar de todas as vezes que o deixei irritado. Como na vez em que ele estava em uma reunião, e passei correndo de pijama, com dois copos de suco de uva nas mãos. Quando me dei conta, o blazer dele estava... roxo. E claro, eu estava de pijama na frente de executivos importantes. Esse pensamento latejava em minha mente, até ele vir correndo com duas caixas em minha direção. Parecia que todos naquela mansão tinham pensamentos e atitudes idiotas. Mas para o meu alívio, ele parou antes que chegasse perto o bastante para me atingir. Eu peguei uma das caixas, e perguntei o que era aquilo. Ele colocou a caixa que ele segurava no chão, e eu fiz a mesma coisa. Assim que ele abriu ambas, demorei um pouco para decifrar aquilo.
Em uma das caixas, havia um emaranhado de luzinhas, e na outra havia coisas tão espalhafatosas, que parecia que o mardi gras estava acontecendo dentro dela. Por fim, o Sebastian atravessou a porta com um pinheiro aparentemente mais baixo. ‘‘Ótimo. O Sebastian é tão orgulhoso que nem capaz de trazer um pinheiro maior que ele é. ’’ Pensei. Ele deixou o pinheiro no chão, voltando com outro maior, que sinceramente, eu podia jurar que não passaria pela porta tanto quanto verticalmente e horizontalmente. Meu queixo quase caiu.
Ele nos deixou montar uma árvore de natal! Ele! Nesses anos, nunca tive coragem de pedir uma árvore de Natal para ele, mas tinha certeza que ele lia meu olhar e sabia que eu queria uma, mas não fazia nada de qualquer maneira. ‘’Escolha o pinheiro que mais gostar. Iremos decorá-lo juntos. ’’ Ele disse, sorrindo logo após. Eu apontei para o maior pinheiro, e olhei para o Sebastian, para ter certeza de que ele não tinha trago o menor só por orgulho. Infelizmente, nenhuma reação. Ele simplesmente levantou o pinheiro, e fez uma leve reverência, levando o outro para fora. Eu arrastei as caixas para perto do pinheiro, tirando as luzinhas da caixa. Pronto, primeiro desafio.
Após alguns minutos, consegui desfazer aquele emaranhado de fios e luzinhas, e envolvê-los na árvore. Havia luzes verdes, amarelas e brancas. Depois, deveríamos cuidar da caixa ‘mardi gras’. Nós fizemos uma divisão de bolas de natal, e cada um cuidaria de um lado da árvore. Com cerca de algumas horas, os enfeites estavam refletindo sobre a luz dos lustres, em uma sincronia perfeita de cores. E acredite, no fundo daquela caixa havia uma guirlanda. Uma linda guirlanda com bolas e arco de cerâmica. Colocamos a guirlanda na porta, e eu o abracei suavemente. ‘’Ciel! Olhe como tudo está lindo!’’ Ele assentiu, com um sorriso estampado em sua face. Para mim, tudo foi muito rápido. Nossa manhã e tarde foram consumidas por uma árvore de natal, que no caso, todo o tempo valeu a pena. A noite chegou. O jantar estava pronto. Assim que terminamos de jantar, fomos dormir, exaustos.
Fim do dia 23 de Dezembro de 2011. ’’
Fale com o autor