Segredos Em Família
14 Assustado
Notas iniciais
Grissom, Ângela e Noah caminhavam em direção a uma das lanchonetes preferidas de Noah. O clima era descontraído, pela primeira vez entre os três. Noah se sentia muito bem, era quase como se eles fossem uma família de verdade saindo para jantar. Apesar do que ele queria passar para todos, em seu íntimo ele gostaria que seus pais voltassem a ficar juntos. Algo impossível, ele sabia. Seu pai estava casado e parecia feliz. E Noah sabia que seu pai ainda não perdoara sua mãe. Então ele decidira que iria aproveitar esses momentos como poderia.
Noah e Grissom andavam na frente, conversando sobre as chances de Noah na próxima corrida. O jovem estava animado. Seu treinador falara que ele era um dos melhores da equipe e que contava com ele para ganharem alguns prêmios.
Ângela os acompanhava um pouco mais atrás, contente em observar o relacionamento entre pai e filho. A felicidade aparente de Noah era contagiante. Grissom, como sempre, era mais contido, porém ela sabia que ele também estava curtindo o filho. Imaginava que era importante para um homem ter um filho, por conta da questão da perpetuação do nome de família. Será que Gil gostaria que Noah recebesse seu nome?
O som do telefone de Grissom tocando a fez voltar à atenção para os dois. Ao julgar pela cara do homem ao ver o número do display, Ângela imaginou que seria Sara ligando. Gil atendeu ao telefone ainda andando, mas logo estacou, e sua voz assumiu um tom preocupado.
–Catherine, o que está fazendo com o celular de Sara?
Angie e Noah pararam e olharam para Gil com preocupação.
–Mas como ela está?
–Eu falo com minha mãe depois... Cath, fique com elas por mim por enquanto, só até eu voltar.
Quando Grissom desligou o telefone ele voltou sua atenção para Noah e Angela, mas seus olhos já na o tinham o brilho de antes.
–Gil, está tudo bem?- Angie perguntou, segurando em um dos braços do filho. Tinha a sensação de que o garoto iria ficar desolado com as próximas palavras saídas da boca de Grissom.
–Eu... eu não sei... Minha mulher foi hospitalizada...eu preciso voltar...
Noah desviou os olhos para baixo, um gesto que evidenciava seu desagrado. Grissom sabia que não era por mau, o garoto só estava desapontado por ter seu tempo com o pai diminuído.
–Tudo bem, Gil. Vamos, a gente te leva até o seu hotel para você fazer as malas.
E foram os três o resto do caminho calados, cada um perdido em seus pensamentos.
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Quando Grissom chegou no Desert Palms foi direto para a enfermaria, onde Cath dizia estar. Avistou primeiro a amiga,e logo do lado dela estava sua mãe com Cássia no colo, dormindo.
–Cath!- Gil chamou pela amiga, que ao vê-lo se aproximando cutucou sua mãe e apontou para ele. Beth apenas o olhou e fez um sinal para a menina que dormia em seu colo. Gil entendeu que ela não se levantaria por conta da neta.
–Gil!- Cath o abraçou.
O supervisor retribuiu o abraço brevemente, mas logo se separou de Cath e perguntou como estava sua mulher. Catherine lhe contou então que Sara havia contraído uma virose que vinha se espraiando em Vegas. Provavelmente pegou de Cássia, que ficara doente uns dias atrás. Parece que por causa da condição dela- Cath enfatizou a palavra condição, mas com um sorriso no rosto- Sara acabou sofrendo mais com enjoos...
–E como você ficou sabendo?-
–Quando Sara não apareceu para seu turno eu liguei para o celular dela algumas vezes, mas ela não atendia, e eu já estava pensando em passar na sua casa quando Beth mandou uma mensagem do celular de Sara me pedindo para encontra-la aqui.
Gil olhou para sua mãe, que o tempo todo o observava com um olhar de reprovação.
–Cath, muito obrigado por você ter vindo e me contatado. Sou muito grato.
A loira sorriu e abraçou o amigo
–Não há de quê, Gil. Amigos são para isso. Agora, eu só estava esperando você chegar. Preciso voltar para o trabalho. Eu poderia levar a Beth para casa, se quiser. Ela parece esgotada.
–Obrigado. Vou falar com ela...
–Ah, Gil!- o homem olhou para ela novamente e foi engolido em um abraço apertado.
–Meus parabéns, papai! Parece que depois da primeira pegou o gosto, não é?-ela perguntou com um riso na voz.
–Você não sabe como, Cath- Gil respondeu, com um sorriso amarelo na boca. Ah, se ela soubesse.
Beth, que até o momento estava sentada calmamente, se levantou e entregou a neta para o pai. Com as mãos livres, o que se seguiu foi uma enxurrada de gestos. Apesar de não ser versada em ALS, Catherine pode perceber que Gil agora levava uma bronca de sua mãe. Ela teria que admitir, apesar dos gestos rudes, Gil parecia ainda muito composto. Ele simplesmente pediu para que Catherine segurasse Cássia e depois, com muita calma, segurou um dos braços da mãe como se quisesse calá-la. Respondeu com uma dúzia de gestos, e logo falou a Catherine.
–Cath, leve a minha mãe para minha casa. Eu vou procurar o médico de plantão para saber do estado de Sara. Assim que tiver notícias, deixo as duas saberem, ok?
Sem nem esperar uma resposta, Gil virou as costas e foi na direção da sala das enfermeiras. Catherine olhou para Beth, que parecia muito contrariada. Apesar disso, a senhora pegou sua bolsa e fez um gesto em direção aos elevadores, e a Cath não restou nada a não ser segui-la.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Sara estava quase dormindo quando ouviu a porta do quarto abrir. Ela gemeu por dentro. Se mais uma enfermeira viesse espetá-la ele não responderia por seus atos! Não fazia nenhum minuto desde que fizera algum exame! Mas os passos que se aproximavam da cama não eram estranhos. E aquele cheiro que os acompanhava... Ela sorriu e abriu os olhos quando sentiu seu marido encostar na cama e pegar sua mão esquerda.
–Gil...
–Oi, querida- ele respondeu, a voz baixa e melodiosa, uma carícia para seus ouvidos.
Ele trouxe a mão que mantinha nas suas até sua face e beijou-a.
–Você não parece surpresa em me ver.
–Tinha certeza de que Cath te ligaria.
Gil sorriu e sentou na poltrona ao lado da cama.
–Achei que disse que conseguiria tomar conta de tudo enquanto eu estivesse fora- ele brincou com a mulher.
–E eu o fiz. Bem, até a parte que peguei a virose...
–Como está se sentindo?
–Melhor agora. Com todo esse cuidado...
–O médico disse que vai te manter em observação até amanhã. Parece que quer fazer uma ultra pra ver se está tudo bem com o bebê.
–Eu não me preocuparia se fosse você- ela pegou a mão do marido e levou até sua barriga- Eu sinto que ele está bem.
Gil sorriu. Foi só um susto.
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