Segredos De Sangue
4 Instruções do Papai
Notas iniciais
No meu quarto eu resolvi mexer em algumas das minhas coisas e acabei encontrando algo que não queria ver. Uma fotografia minha ao lado de Jesse Zecklos, meu ex-namorado a quem eu havia deixado na Califórnia quando tive de me mudar para a Rússia. Jesse não aceitava continuar com nosso relacionamento sabendo que havia coisas sobre as quais eu escondia dele, e aos poucos isso desgastou o sentimento que tínhamos um pelo outro. Apanhei um envelope que dizia o seguinte:
“Abra quando estiver em Londres”
Assim retirei o papel do interior do envelope, e o desdobrei logo começando a ler o conteúdo, que dizia:
– Se estiver lendo isso, é porque está em nossa casa e decidiu atender meu pedido. Espero que seja bem vinda. Bartolomeu, meu fiel amigo cuidará para que você seja bem recebida e instalada adequadamente. Deixei um novo envelope seguro em um de meus cofres na casa e ao final desta carta encontrará os números que abrem o mesmo, que se encontra no quarto principal da mansão. Você saberá onde...
Esta é apenas uma de minhas cartas com instruções especificas. Você encontrará as demais, na seqüência. Tome cuidado com a casa, precisa conhecê-la bem... Minhas instruções lhe ajudarão com essa parte.
ASS: I.M
Aquela era uma das cartas deixadas por meu pai, e destinadas a mim. Algo que ele havia deixado preparado para o caso de que algo ruim viesse a lhe acontecer, que foi exatamente o que houve no fim.
– Parece que você cuidou de tudo mesmo Abe. –eu disse dobrando a carta.
Encontrei os números dos quais ele falou logo no rodapé atrás do papel depois rasguei o pedaço final para guardar os números até decorá-los, e então amassei a carta junto com o envelope, para depois queimá-lo. Essas eram as regras: Ler, absorver, depois se livrar das provas.
Guardei todo o resto e me dirigi até a janela de onde avistei alguém no pátio. Fixei o olhar até distinguir de quem se tratava. Era Bartolomeu, e ele parecia falar com alguém e parecia nervoso e visivelmente irritado, então descobri o motivo. Ele conversava com seu filho Dimitri. Pelo jeito eu não era a única que me irritava com o rapaz.
Um clarão pareceu cobrir a janela do quarto, assim como todo o céu. Um forte relâmpago que antecedeu uma queda repentina de chuva forte, que logo desabou sobre a mansão. Isso fez com que Bartolomeu praticamente arrastasse Dimitri para dentro da casa. Antes de sumir de minha visão, notei que Dimitri voltou seus olhos diretamente para a janela de meu quarto. Pensei ter visto um sorriso de canto de boca, mas estava escuro e a janela ficava distante no terceiro andar, e dificultava um pouco a nitidez da cena. Fechei as cortinas e voltei para a cama, onde acabei dormindo.
...
Acordei no meio da madrugada sentindo um pouco de frio e quando dei por mim, percebi que uma das janelas de meu quarto estava aberta. Ela era pequena, e batia com a força do vento então me obriguei a levantar-me e ir até a mesma para fechá-la com medo que quebrasse e fizesse mais barulho acordando todos na casa.
Fui até a porta e a abri com cuidado saindo do cômodo e andei pelo corredor largo e escuro, até chegar ao quarto de meu pai. Entrei e fechei a porta atrás de mim, logo me dirigindo ao centro do cômodo. Olhei ao redor tentando imaginar onde meu pai teria escondido seu cofre. Meu pensamento seguinte foi olhar embaixo da cama. Afastei a mesma com certo esforço e procurei um tipo de fissura, mas não encontrei nada. Minha segunda opção seria os quadros nas paredes, mas era obvio demais. Então me dirigi ate a cabeceira da cama, e arrastei-a novamente. Na parede então, eu encontrei uma leve e quase invisível fissura. Retirei o que cobria o cofre, e então peguei os dígitos de meu bolso e o abri retirando dele o envelope, que era a única coisa que ele continha. Recoloquei o papel de parede no lugar, e andei ate os pés da cama prestes a empurrar a mesma de volta ao lugar.
Ouvi a porta se abrir, junto com o som estridente e o clarão de um novo relâmpago. Virei-me rapidamente deixando o envelope cair no chão, aos meus pés. Observei, mas ninguém surgiu pela entrada então empurrei a cama, e decidi sair do quarto. Voltei para meu cômodo, e guardei o envelope dentro de minha mochila, e a coloquei embaixo da cama. Tranquei a porta, depois fui até o banheiro depois voltei e me sentei sobre os lençóis. Deixei o sono cair sobre meus olhos, e recostando sobre o colchão até adormecer outra vez...
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