Segredos De Lumêra

3 Capítulo 2- E agora? Meus pais sumiram.


Nunca pudera imaginar sair de minha cidade, muito menos de meu estado e nunca havia antes passado por minha cabeça a ideia de ir morar em outro país. Eu morava com meus pais, isso mesmo, morava, no passado... Mas agora fui mandada como sendo órfã para um colégio interno em Norgeland, um país próximo ao que nasci e morei a vida inteira, chamado Felning.

Giulia dormia calmamente sentada em sua poltrona no avião enquanto sua cabeça caia para um dos lados e acabara apoiada na janela. Giulia nunca gostara muito de andar de avião, sempre teve medo que ele caísse já que ela sempre teve uma “Má sorte” incrível para atrair todas as coisas mais estranhas possíveis e impossíveis do mundo para ela. Dormir sempre foi o que Giulia mais amava fazer, pois era lá em seus sonhos que se refugiava se livrando de todos seus medos, suas angustias, magoas sentimentos de culpa, ódio e todas aquelas coisas que costumavam assombrara-la quando estava acordada. Seus sonhos sempre foram premonitórios, o que ela sonhava geralmente acontecia.

De uns dias para cá para ser mais exata 17 dias desde que o acidente ocorreu, o que a assombrava quando acordada começou migrar para dentro de sua cabeça interrompendo seus belos sonhos trazendo-a preocupações, e visões tão reais que ela podia sentir o cheiro, e o toque de tudo que acontecia enquanto “sonhava”, quando acordava seu coração batia tão rápido quanto naquele dia, o dia em que misteriosamente depois de um acidente de carro sua família toda desaparecera sem deixar pistas, apenas pequenas marcas da lembrança do que ocorrera naquela noite...

Era madrugada de segunda-feira, um dia depois da festa de Giulia. Seu pai Dhil dirigindo tentando enxergar a estrada esburacada em meia tantas gotas de água que caia do céu, aquela estação do ano era a mais chuvosa, o inverno; sua mãe Laura passava os olhos rapidamente por cima de um mapa tentando achar a melhor estrada para seguirem viajem, era feriado prolongado, todos iriam para Lumêra, sua cidade Natal visitar sua avó e o resto de seus parentes.

O carro em que a família estava foi arremessado contra uma arvore por um caminhão que vinha em direção oposta, o carro capotou e pegou fogo, a ultima coisa que Giulia se lembra depois disso é do barulho dos pneus e logo depois a explosão.

Giulia acordou horas depois em um quarto de hospital deitada em uma cama com lençóis brancos e com uma enfermeira ao seu lado tirando sangue de suas veias para fazer alguns exames, Giulia estava com medo e meia dopada dos remédios, sem saber ao certo o que tinha acontecido e o que estava acontecendo, apertou os olhos em uma tentativa falhada de ver que aquilo era só mais um de seus sonhos loucos, e acordar em sua cama sentindo o cheirinho de café quentinho que sua mãe sempre fazia que vinha da cozinha. Nada de acordar, não era um sonho, era real.

_Onde estão meus pais?

_Nós tentamos ligar para eles, mas ninguém atendeu. Você deve descansar agora, foi um acidente que podia ter te tirado a vida.

_Acidente? Que acidente? Foi isso que aconteceu comigo?

_Sim querida, o acidente de carro consegue se lembrar de alguma coisa? Alias você sabe se tinha mais alguém dentro daquele carro com você no momento do acidente?

_Claro que sim, meus pais...

_Entendo. Depois os policiais querem dar uma palavrinha com você, precisam colher informações.

_Onde estão meus pais? Estão bem?

_Olha querida, com o acidente você bateu sua cabeça muito forte e pode estar delirando um pouco, de tantos remédios que tomou.

_Não estou delirando coisa nenhuma, eles estavam lá comigo, minha mãe no banco de carona, meu pai dirigindo enquanto tocava uma das musicas preferidas de meu pai.

_Não acharam ninguém dentro do carro quando os bombeiros chegaram, só havia você desmaiada do lado de fora há um mais ou menos um metro do carro.

E foi isso que aconteceu há exatamente 17 dias atrás, meus pais sumiram. Pista nenhuma de onde poderia encontra-los, sonho com eles todos os dias desde então, algumas vezes me pedem socorro, clamam por ajuda, outras só sorriem e acenam de longe, me vejo do lado de fora com o carro pegando fogo e não consigo me mover para tentar salvar minha família que se encontra dentro do carro, as veze também só eu me encontro dentro do carro em chamas, minha família sumiu e agora que estou sozinha não faço ideia do que fazer, tive alta a pouco menos de uma semana e minha avó veio me buscar, assim que soube do acidente ela ficou desesperada, mas me disse que não podia ficar comigo, algo como “Lumêra não é segura pra você, não mais.” “Lumêra guarda segredos minha jovem, segredos profundos... Segredos que um dia você descobrirá mais cedo do que pensa.”