Notas iniciais
Desculpas? Não tem nem mais graça.

O som de passos se aproximava rapidamente enquanto Natasha respirava profundamente várias vezes. Havia mais pessoas naquele prédio do que ela imaginava, e embora ela não estivesse ferida, temia que tirar Steve dali fosse mais difícil do que ela supunha. Clint estava ali em algum lugar, tentando lhe dar cobertura, mas ela não conseguia contata-lo, um soco no ouvido mandou seu ponto para o espaço e deixou um zumbido irritante no fundo da sua cabeça.

Ela ouve os homens murmurando e então se afastando lentamente. Ela detestava se esconder, mas deveria se poupar o máximo possível, pois com certeza Harrison não estaria sozinha. Natasha atravessa rapidamente o corredor e abre a porta que dá para a escada da saída de emergência. Se tudo estivesse saindo como o planejado, tudo o que as pessoas responsáveis por vigiar através das câmeras estavam vendo, era um corredor vazio. Ela respira fundo uma última vez e então sobe as escadas correndo, o coração aos pulos.

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Sharon ainda jazia desacordada, praticamente imutável. Steve ainda sentia-se quebrado, mas algo na expressão séria de Harrison, o deixara alerta. Ela murmurava coisas para o aparelho telefônico com frequência, seus olhos frequentemente corriam em direção a porta, como se a qualquer instante ela pudesse explodir pelos ares. Tensão emanava dela e Steve só conseguia suspeitar que a fonte disso fosse Natasha, que ela, de alguma forma, estava dentro do prédio, a caminho daquela sala, a procura dele.

Sharon gemeu e Harrison foi até ela murmurando coisas em Russo, ela passou a mão de forma delicada, até, na testa de Sharon, afastando os fios de cabelo loiro do rosto da moça. Seu rosto ainda estava bastante inchado, embora Steve não pudesse vê-lo completamente. Harrison continua murmurando coisas, aparentemente, para si mesma e retorna ao local de início. Steve respira fundo e pigarreia.

“Ela precisa de ajuda médica.” Ele fala, sua voz arranhando, devido o tempo que passou em silêncio e a sede que está sentindo.

Harrison apenas o encara por alguns segundos, sua expressão pensativa. Ela então pega o aparelho novamente e murmura algumas coisas. Alguns segundos depois um homem alto adentra a sala e se aproxima de Sharon, ele se agacha e parece checar as funções vitais dela. Steve observa em silêncio, enquanto o homem agacha-se e ergue-se, cutucando Sharon que não protesta, embora solte um gemido ou outro. Por fim, o homem olha para Harrison e com um aceno, deixa a sala.

“Ela vai viver.” Harrison comenta, enquanto Steve o encara perplexo.

“Você chama isso de avaliação médica?” ele questiona, visivelmente irritado.

“No seu lugar, eu estaria mais preocupada consigo mesmo que com essa ai.” Ela informa, sem olhar para Sharon. Steve range os dentes, mas antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, um alarme soa estridente e num átimo as portas são abertas violentamente. Cinco homens adentram a sala arrastando Natasha, que encarava todos como um animal selvagem prestes a matar.

**** X ****

Steve estava vivo. Vivo e bem. Ou pelo menos tão bem quanto poderia estar naquela situação. Ele estava amarrado a cadeira, mas aquilo não seria necessariamente um problema, o problema maior seria descer 15 andares e tira-lo do prédio inteiro. Enquanto Natasha pesava todas as suas opções e observava todas as (poucas) possibilidades a sua disposição, Steve a encara num misto tão grande de sentimentos que ela sequer perdia tempo tentando desvendar. Harrison estava caminhando em sua direção, passos calculados, assim como o sorrisinho que exibia no rosto magro. A vontade de Natasha era pular em cima daquela mulher e rasga-la completamente, mas o aperto em seus braços se intensificou e ela ao invés de lutar em resposta, preferiu relaxar os músculos e evitar uma contusão que só pioraria a situação.

“Natasha Romanoff.” A mulher sussurrou com certo prazer. Natasha resistiu a vontade de revirar os olhos e apenas sorriu em resposta. “Você não faz ideia do quanto eu esperei esse momento.” Natasha permanece em silêncio. Pela euforia daquela mulher, ela sabia que pouco precisaria ser dito para que ela contasse o real motivo por trás daquilo tudo. “Eu venho planejando essa vingança há muito tempo... desde que você matou meu pai, pra ser mais clara.”

Natasha rapidamente revisita a malfadada missão que quase tirara sua própria vida anos atrás, ela revira todas as informações sobre ele que havia conseguido e em nenhuma dela, havia qualquer menção a uma filha.

“Não adianta.” Harrison interrompe os pensamentos de Natasha. “Meu pai era bom em guardar segredos quando convinha.” Ela suspira. “Me pergunto se seu marido sabe dessa história...” pronto, ali estava os planos de Harrison claros como água cristalina. Ela não queria apenas matar Natasha, mas expor todos os podres do passado dela, para que ainda que de alguma forma os dois conseguissem sair dali com vida, fosse impossível para Steve perdoa-la. Natasha fecha os punhos com força, seu coração batia tão acelerado que ela conseguia senti-lo por todo o seu corpo. Ela via a boca de Harrison mexer, mas não ouvia uma única palavra.... Ela estava tendo um ataque de pânico.

**** X ****

Steve ouvia tudo em silêncio, afinal, não havia o que ser dito. Harrison narrava em detalhes como Natasha se infiltrara na casa de Ian Harrison para obter as informações necessárias. Ele revive os dias de tensão que passou no hospital, ao lado da esposa, achando que ela havia sofrido um acidente de carro. Como ele fora idiota! Ele encara Natasha, mas ela não olhava para ele, na verdade, ela parecia sequer estar ali. Seu rosto estava completamente lívido e seus olhos pareciam vidrados, como se ela estivesse em algum tipo de batalha interna.

“Essa vadia tirou meu pai de mim.” Harrison murmura e parece perceber que ninguém estava dando a mínima atenção para o seu monólogo. Ela franze os lábios em desaprovação e num ação rápida, caminha até Natasha e desfere um violento tapa no rosto da ruiva. A respiração de Steve fica presa na garganta ao ver o rosto de Natasha inclinar-se bruscamente. Os cabelos ruivos caem sobre o rosto, grudando no sangue vermelho escuro que escorre pelo nariz de Natasha. A ruiva ergue a cabeça como se estivesse bêbada, talvez o tapa tivesse sido mais forte do que parecera. Ela encara Harrison, que mantem um sorrisinho sádico no rosto, mas que se desfaz assim que percebe o que Natasha está planejando, ela até tenta afastar-se, mas não consegue. Ela grita, horrorizada, quando sente o liquido viscoso escorrendo pelo seu rosto. O cheiro do sangue a enoja e ela afastar-se num misto de raiva e repulsa. Dois dos cinco homens que estavam em torno de Natasha se afastam para ajudar Harrison, o que se prova uma péssima ideia, pois num átimo, Natasha consegue se libertar e finalizar os outros três. Steve fica boquiaberto com a força e agilidade demonstradas por Natasha, mas a ruiva não olha para ele, ela está completamente focada.

Mais homens adentram a sala e Steve assiste a cena como se estivesse em transe. Nada daquilo parece real. Ele observa sua esposa dando chutes, socos e pontapés, enquanto faz acrobacias. Uma explosão do lado de fora, faz a porta voar alguns metros e ele cai, junto com a cadeira a qual estava amarrado. Ele fecha os olhos e deseja acordar em sua casa, acordar daquele pesadelo que parecia estender-se ao infinito, mas ao invés de acordar, ele sente alguém cortando os fios que o prendiam a cadeira e seu corpo despenca, provocando-lhe dor por todos os lugares.

“Clint! Clint!” Ele ouve a voz da esposa e abre os olhos. Natasha gesticulava loucamente entre um golpe e outro, fazendo sinais que Steve não entendia.

“Você precisa me ajudar, cara!” uma voz masculina avisa, enquanto Steve sente seu corpo ser erguido com dificuldade. “Eu preciso tirar você daqui ou a ruivinha acaba comigo.” O homem comenta e então Steve percebe que esse cara devia ser o Clint, o homem que Natasha estava chamando. Ele não consegue evitar que uma pontada de ciúmes o atinja. Ele devia estar ajudando-a, não sendo praticamente carregado por aquele cara que ele sequer conhecia. Steve procura por Natasha, mas ela não parecia estar em nenhum lugar dentro do seu campo de visão, assim como a Harrison. Clint parece perceber o que Steve procurava, pois diz. “A ruivinha foi atrás dela. Fica tranquilo.” Steve queria pedir que aquele homem parasse de chamar Natasha de ruivinha, mas não conseguia. Ele é meio carregado, meio empurrado para o mesmo corredor que havia percorrido anteriormente. Mais capangas brotam de lugar nenhum, mas embora Clint esteja saindo-se bastante bem em livra-se deles, Steve percebe que há certa urgência em sair do prédio.

Homens armados começam a atirar contra eles e Clint empurra Steve em direção a um canto. Steve choca-se contra a parede, mas ele já sentia tanta dor, que era como se seu corpo estivesse se auto anestesiando. Novamente seus olhos se fecham, e dessa vez, ele deseja não ter de abri-los novamente.

**** X ****

“Steve?!” Natasha sacode e dá tapinhas no rosto do marido com urgência. “O que você fez? Eu falei pra você tirar ele daqui, seu imbecil!” a voz da ruiva soava raivosa.

“Eu não fiz nada além de levar três tiros para proteger ele!” Clint responde, mostrando as marcas de bala deixadas no colete. “Ele deve ter desmaiado. Sai daí, deixa que eu o carrego.” O moreno afasta a ruiva com empurrão e começa a alçar Steve, quando este murmura o nome de Sharon. “O que ele disse?” Clint pergunta, fingindo não ter entendido.

Natasha suspira, frustrada. No meio da confusão, ela sequer lembrou da existência daquela mulher. “Sharon.” A ruiva repete, a contragosto.

“Nat....” a voz de Steve soa fraca.

“Eu tô aqui.” A ruiva responde prontamente.

“Por favor.... Não podemos deixar a Sharon aqui.” Ele murmura, abrindo os olhos. Natasha mergulha nos olhos do marido e sente toda a dor – física, emocional, psicológica – pela qual ele está passando. “Por favor.” Repete.

“Argh!” a ruiva trinca os dentes. “Leva ele.” ela diz e Clint concorda.

“Você tem menos de 15 minutos ruiva.” Clint avisa e apoiando Steve, abre a porta que dá para a saída de emergência.

“Nat.” Steve a chama e ela o encara. “Tenha cuidado.” Sua voz soa com o mesmo carinho e cuidado de sempre. Mas Natasha não responde, apenas concorda com a cabeça e corre.

Notas finais
O capítulo tá bom? Melhor eu nem comentar. Tá confuso? Um pouco (sendo otimista) Tá corrido? Demais. Vocês merecem desta forma? Obviamente não. Mas infelizmente, foi o que eu consegui. Como já comentei anteriormente, tive centenas de ideias, mas acabei me perdendo em pensamentos e na hora de colocar no papel, não funcionou como eu gostaria. Me esforçarei para que o final seja ao menos decente. Perdão gente, mas as vezes, Life sucks.