Segredos Amargos
50 Capítulo 48
Notas iniciais
Wanda encara Steve com certa devoção e Steve percebe o olhar da cunhada.
“O que foi?” ele pergunta, meio sem graça.
“Você e a Nat.... sabe é meio estranho como duas pessoas tão diferentes conseguiram dar tão certo.”
“Não somos tão diferentes assim.”
“São sim!” afirma a morena “A Nat é mais durona, você é muito romântico; você gosta de crianças e a Nat, bom, ela não é do tipo que morre de amores...”
“Ela sabe lutar, atirar, fala vários idiomas e você só sabe cozinhar.” Pietro interrompe, sem medir as palavras.
“A Nat sabe atirar?” Steve questiona cético. “Ela fala um pouco de Espanhol, além do Russo e do inglês, mas isso não faz dela poliglota.”
“É claro que sabe! Eu vi uma foto que o papa tinha guardada, nela a Nat segurava uma arma grande.”
“Isso não quer dizer que ela saiba atirar.”
“Não acho que alguém daria uma arma daquelas para outro alguém que não soubesse como usa-la.” Pietro insiste.
“Não liga Steve, o Pietro sempre teve essa espécie de devoção pela Natasha... acho que o fato dela ter sido um prodígio ajudou bastante.” Steve encara os cunhados, surpreso. “Oh! A Nat não te contou? Ela era uma espécie de prodígio quando adolescente. Mandava bem nos esportes e como o Pietro disse, era bastante inteligente... ela até foi para um acampamento para crianças espécies ou dotadas... enfim, o papa raramente falava disso. Acho que foi por isso que eles se afastaram, nós éramos muito pequenos, é difícil lembrar.”
Ela dá de ombros e toma um gole da sua bebida. Steve parece mergulhar em uma espécie de reflexão... Natasha nunca contará nada daquilo para ele, o motivo da sua separação familiar sempre fora uma espécie de tabu entre ambos. Ele cogitava que tivesse relação com a separação dos pais de Natasha, não com o fato dela ser uma adolescente prodígio.
“Podemos pedir?” pergunta Pietro, impaciente.
“Claro.” Concorda Steve, ele faz uma anotação mental. Assim que a esposa desembarcasse, ele lhe perguntaria sobre aquilo.
Nova Iorque
“A sua versão é bem mais interessante.” Bucky fala depois um longo silencio contemplativo.
Natasha ri um pouco e enxuga com as costas da mão uma lagrima que lhe escorria pela bochecha. Bucky também ri um pouco, mas algo na sua expressão chama a atenção da ruiva.
“O que foi?” ela pergunta, curiosa e preocupada.
“Steve.” Ele suspira.
Natasha entendia as implicações do que o amigo queria dizer.
“Eu sei, é complicado.”
“É mais do que apenas complicado.” Ele suspira novamente. “Vocês sempre foram o casal, saca? Aquele que todo mundo olhava e num primeiro instante diziam: “eles são perfeitos juntos.” No instante seguinte: “como esse relacionamento pode dar certo? Eles são tão diferentes!” e num terceiro: “Ok, agora eu entendo porque dá certo.” O Steve é a emoção e você a razão e de alguma forma, vocês conseguem balancear isso.”
Natasha não esconde o sorriso de satisfação diante da análise.
“Eu não fazia ideia que pensavam isso de nós.”
“Mas é o que todos pensam e dizem.” Afirma o moreno.
Eles ouvem a porta se abrir e automaticamente se põem de pé.
“Hey, temos visitas!” anuncia Clint.
Natasha e Bucky vão para a pequena sala e se deparam com Maria, que parecia deslocada ali.
“Olá!” Bucky a cumprimenta com um sorrisinho de lado. Ele conhecia Maria dos muitos encontros na casa dos amigos, contudo, nunca havia realmente conversado com a mesma. “Você também é uma super espiã assassina?”
Clint e Natasha o encaram incrédulos e o moreno simplesmente dá de ombros, despreocupado.
“Sou, eu acho.” Responde Maria, incerta.
“Não liga pro Bucky.” Intervém a ruiva. “O que te traz aqui?”
Maria senta-se no pequeno sofá ao lado de Natasha. Clint senta-se no chão, encostado a poltrona onde Bucky está.
“Precisamos traçar um plano... Mas o problema é? Como?”
A morena ecoa os pensamentos de Nat e Clint. Ambos encaram-se em silencio durante um longo período, até que Bucky decide quebra-lo.
“Primeiramente devemos deixar claro todas as informações que já possuímos sobre a tal Harrison.”
Clint lança um olhar de soslaio para Bucky que sequer o nota.
“Vamos lá!” Bucky encoraja. Com um suspiro frustrado, Natasha começa.
“Harrisson é a mulher que está por trás do atentado de hoje. Aparentemente ela tem ligação com um caso antigo meu o....” Natasha se interrompe e encara Bucky, que tinha uma expressão estranha no rosto.
“Um caso?” ele questiona.
“Não um caso romântico seu tonto! Um caso, uma missão!” esclarece e Bucky suspira, aliviado. “Continuando... o Ian Harrisson, um poderoso chefão do tráfico de drogas. Eu me infiltrei, descobri informações e quando eu estava prestes a cair fora, ele descobriu quem eu era. Lembra-se daquele acidente de carro que me deixou dias no hospital?”
“Sim, o Steve ficou maluco de preocupação, afastou-se do restaurante durante o período de recuperação e eu assumi enquanto ele estava fora.” Relembra Bucky.
“Não foi um acidente, foi uma tentativa de homicídio, de me eliminar para que eu não revelasse o que descobri.” Esclarece Nat, para completa surpresa do moreno. “Por sorte, o Ian morreu naquele dia, seus comparsas, cúmplices e sócios foram presos e o sistema de tráfico, desfeito.” Completa.
“Infelizmente, parece que alguém ligado a ele ficou de fora e acabou tomando conhecimento sobre o paradeiro da Nat. Numa missão de campo, há alguns meses tomamos conhecimento dessa pessoa através de alguns documentos coletados nos pertences de um suspeito de terrorismo. Ele havia sido contratado para ser eliminado pela Natasha.” Explica Maria, enquanto um Bucky cada vez mais inquieto ouvia tudo boquiaberto.
“E como vocês sabem que esses dois casos estão ligados?”
“Uma antiga conta do Ian voltou a ser movimentada justamente quando isso aconteceu e depois de algumas investigações descobrimos, graças ao Clint, que o até então Harrisson é na verdade uma mulher.” Conclui Maria. Ela estende uma foto para Bucky que a analisa cuidadosamente.
“Não me lembra ninguém.” Ele lamenta. “E qual a ligação entre ambos os Harrissons? são parentes?"
“Não, tudo o que o Ian tinha era um irmão que havia morrido pouco antes da missão da Natasha e um sobrinho... mas já checamos. O sobrinho dele está fora de ação. Não foi ele quem movimentou.”
“E ele não sabe quem foi?”
“Não. Ele sabe que a polícia continua na cola dele e essa mulher deve saber também, porque não houve nenhuma informação trocada. Mas sabemos de alguém que tem contato direto com a Harrisson.” A ruiva fala e olha sugestivamente para Maria.
“Um ex agente da CIA está trabalhando para a Harrisson. Fomos até a casa dele e a Harrisson também estava lá, mas não conseguimos acabar com ela.” Conta Maria.
“Vocês não teriam uma foto dele?”
Natasha olha para Maria e a morena nega, com um balanço de cabeça.
“Eu tenho!” informa Clint, se pondo de pé. Ele vai até o quarto e volta poucos instantes depois, trazendo consigo um álbum velho. Ele o abre e retira do mesmo uma foto dos tempos como agente da CIA. Assim que ele estende a foto para Bucky, o moreno solta um grito e quase pula da poltrona.
“Eu já vi esse cara!” afirma, apontando para a foto.
“Onde? Quando?” interroga Natasha, apreensiva.
“No restaurante. Há poucos dias, acho que foi no mesmo dia que você anunciou a gravidez... ele esteve lá na hora do almoço.”
“Sozinho?”
“Sim. Ele parecia estar esperando alguém, o tempo todo olhando para o relógio e checando o celular. Ele pediu o prato do dia e inclusive pediu para falar com o Chef, parabeniza-lo e coisas assim.” pontua Bucky
“Tem certeza que ele apenas parabenizou o Steve?” Natasha pergunta, pondo-se de pé.
“Absoluta. Eu achei bastante estranho a atitude dele, afinal, ele não faz o estilo de quem parabeniza o Chef, ou sequer entende de comida.” Bucky pensa um pouco e completa. “Lembro que a sobremesa ficou por conta da casa, porque a Sharon esbarrou nele e acabou derramando vinho sobre ele.”
“E qual foi a reação dele?” Maria questiona, curiosa.
“Bom, ele encarrou ela e por alguns segundos eu fiquei esperando que ele desse um soco nela ou algo do tipo, mas ele simplesmente sorriu e aceitou as desculpas dela. ‘Acidentes acontecem, principalmente com pessoas inexperientes.’ Acho que foi isso que ele disse, lembro que a Sharon ficou ainda mais vermelha e saiu pisando duro.”
“Que comentário estranho...” Clint observa.
“Bastante.” Concorda Maria.
“Não acredito que ele foi até o restaurante.” Ela afirma, descrente. “Não acredito que eu não cogitei que eles tivessem essa audácia.”
“Como você mesma acabou de dizer, foi muita audácia deles, assim como atacar vocês em sua casa em plena luz do dia. O que eles querem é desestabilizar você, quanto mais preocupada você ficar, mais chances de agir precipitadamente e cometer erros.” Pontua Clint.
“Eu não consigo pensar de barriga vazia.” Bucky informa, se dirigindo para a pequena cozinha, onde o jantar já estava frio.
Ele esquenta a comida e prepara os pratos. Todos comem, inclusive Natasha que havia protestado bastante.
“Então além do sobrinho, vocês tem certeza que não tem nenhum outro parente? Uma ex mulher ou filha perdida?” cogita Bucky.
“Não, quer dizer, ele havia sido casado no passado, mas parece que a mulher não compactuava com o trabalho dele. Eles se separaram e não mantinham mais contato.” Declara.
“Talvez vocês devessem checar como anda essa mulher atualmente.” sugere o moreno.
“Por que você está insistindo nisso?” pergunta Natasha, irritada.
“Porque de mulher eu entendo!” afirma “Se essa Harrisson tem mesmo ligação com o tal do Ian, e vocês acreditam que ela tem, ela está diretamente ligada a ele em um nível muito alto. Ela está atrás de vingança e ninguém procura vingança por causa de um colega ou vizinho... eles tem uma ligação. Provavelmente ele era alguém muito importante para ela, um pai, marido, tio. Mulheres podem ser bastante vingativas quando você mexe com os familiares delas.” Conclui Bucky.
“Okay, pedirei a Pepper que cheque o paradeiro da ex esposa do Ian agora mesmo.” Maria levanta-se da mesa e liga para Pepper.
“Você sabe ser persistente.” Reconhece Clint.
“Obrigada.” O moreno agradece com seu clássico sorrisinho. “Sabe, eu realmente preciso do meu celular.”
“Você não pode simplesmente comprar outro?” questiona Natasha.
“Eu poderia, se minha carteira com meus cartões de credito também não estivessem naquela bolsa.” Argumenta num tom irônico.
“Droga!” murmura a ruiva. “Okay, termina o jantar e vamos lá busca-la.”
“Você tá falando sério?” Clint soa incrédulo.
“Não. Infelizmente, é necessário, só assim o Bucky me deixa em paz.”
“Eu já estou arrebentado e proibido de ir para minha própria casa, o mínimo que posso ter é meu celular e documentos, não?” Natasha revira os olhos e respira fundo, ela não estava com paciência para novas discussões.
“Pessoal, temos novidade.” Anuncia Maria, voltando-se para a mesa, onde os três ocupantes lhe encaram, ansiosos.
“E ai? Qual a novidade?” Bucky pergunta, impaciente.
“Parece que você está certo.” Admite Maria. “A Pepper disse que o Tony decidiu revirar novamente o caso Ian em busca de novas informações que pudessem nos ajudar e bom, a ex mulher do Ian estava morando no México, onde casou-se novamente e teve 3 filhos. Há 1 ano, a casa dela foi incendiada e o marido acabou morrendo. Ela e as três crianças mudaram-se novamente.”
“Não consigo ver nenhuma ligação com o que está acontecendo com a ruivinha.” Clint diz, confuso.
“Calma, que eu já chego lá. A Diana, ex esposa do Ian, havia recebido uma carta meses antes do incêndio, de um colégio interno na Suíça, onde sua filha mais velha estudava.”
As últimas palavras de Maria rodam na cabeça de Natasha.
“Então quer dizer que essa filha mais velha é fruto do casamento dela com o Ian?” Clint novamente pergunta.
“Tudo indica que sim. A menina vivera trancafiada no colégio praticamente por toda sua vida. A mãe a rejeitava por temer que o “gênio ruim do pai” tivesse passado para a menina e o pai não quis abrir mão da vida que tinha para cuidar da garota. Ele não gostava da ideia de ter filhas e estava ressentido com a mãe da menina.” Continua Maria.
“Realmente.” Concorda Natasha.
“Ela saiu do colégio há pouco mais de ano, onde estudou, morou e inclusive trabalhou.”
“Quem pagou pelo colégio?” Bucky questiona.
“Apesar de não quer ter contato com a garota, Ian custeou toda a educação e deixou uma boa quantia num paraíso fiscal para Yelena Harrisson. Sua filha legitima e única herdeira.”
“Yelena Harrisson.“ Natasha repete o nome, saboreando.
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