Notas iniciais
Presente para Lady Ligeia pela incrivel fic que ela terminou ontem! =)

Nunca pensei que veria Dante do jeito que vi aquele dia. Parecia que toda sua animação havia sumido dando espaço a uma imensa tristeza.

Segundo Lady, parceira humana de caçada e cobradora particular do mestiço, ele ficou do jeito que estava por causa de uma mestiça chamada Taria. Era um nome novo para mim e fiquei imaginando o que poderia ter acontecido, afinal Dante não estaria assim por causa de um simples fora.

Assim que Lady foi embora da Devil May Cry, um incrível silêncio surgiu. Geralmente, não necessariamente quando estamos sozinhos, Dante tentaria mais uma vez e sem sucesso passar a conversa em mim, mas nada aconteceu. Dante continuava quieto sentado em sua cadeira, com os pés em sua mesa e de olhos fechado fingindo dormir. O que essa mulher havia feito com ele para estar no estado que estava?

-Dante? – Chamei, recebendo um suspiro irritado como resposta – Certo... Onde está o Dante e o que você fez com ele? – Perguntei em tom de brincadeira.

-O que é? — A pergunta veio irritada, me fazendo engolir o que tinha pra falar.

Por mais um tempo ficamos quietos e aquele silêncio estava me deixando irritada.

-O que aconteceu com você? – Perguntei de uma vez por todas – Geralmente você estaria mais animado, se é que me entende...

-Muitas coisas aconteceram – Respondeu, sentando-se normalmente e me encarando, já que eu estava sentada bem em sua frente.

-Taria? – Perguntei sabendo que isso poderia chateá-lo mais.

Ele nada respondeu. Ficou me olhando como se não soubesse o que fazer, buscando uma resposta que não tinha. Estava completamente perdido.

-Seja lá o que tenha acontecido...

-Ela está morta – Falou me cortando – Não me peça para esquecer isso – Completou.

-Desculpe... Eu não sabia – Respondi, para depois de insistir por um tempo Dante me contar o que havia acontecido e o que havia lido no diário que ela entregou a ele.

Taria... Realmente não mereceu o destino que teve. Talvez se estivesse escutado Dante as coisas teriam tomado um rumo diferente. Pobre mestiça... Não havia aguentado viver na solidão, mesmo sabendo que realmente não estava sozinha. Fora Dante, que tentava ajudá-la do jeito que podia, existia o filho... Pobre criança também. Estava triste por eles.

-Está com raiva dela? – Perguntei, depois de um bom tempo digerindo aquela história toda.

-Sinceramente? – Dante começou a andar pela loja – Eu estava, claro que sim! Ela havia escondido que conhecia Vergil e ainda por cima usaria uma criança pra um plano idiota! Mas... — Deu uma pausa – Eu... Eu não consigo... Se for pra ter raiva de alguém que seja de mim, não é? – Ele deu um sorriso triste.

-Por quê? – Perguntei confusa – Por que deveria ter raiva de você?

-Eu não pude salvá-la — Respondeu.

Ele estava se culpando.

-Você tentou — Rebati me levantando também. Não deixaria que Dante carregasse uma culpa que não era dele.

-Tentar não foi o suficiente – Respondeu, me olhando – Talvez se eu tivesse insistido mais...

O que eu poderia dizer? Falar para ele se conformar seria completamente insensível da minha parte...

Por quanto tempo Dante teria que sofrer?

-x-

Em frente o espelho do banheiro, prendo meu cabelo em um rabo-de-cavalo alto. Em breve voltaria para Fortuna para dar uma olhada em Nero, só espero ganhar algo em troca com isso.

Assim que saio, vejo Dante lendo algo parecido com um caderno, mas logo que me aproximo percebo ser um diário. Ou melhor: o diário.

-Olha só... Faz um tempo que você não pega isso – Falo. – Pensei até que tinha perdido.

-Claro que não – Dante responde ofendido e sem tirar os olhos das páginas.

-Por que você não vem comigo ver o Nero? – Pergunto – Afinal, tem um pouco dela nele, não é?

-É. E vou dizer o quê? “Vim te ver porque fiquei com saudades de sua mãe. Ah, sim exatamente a mesma que te abandonou”? – Perguntou.

-Creio que mais revoltado do que ele é ele não vai ser – Dou uma pequena risada, mas logo paro – Dante, ele pode não ter curiosidade em saber quem são os pais dele, mas acredito que ele ainda quer saber por qual motivo você deu a espada de Vergil para ele.

-Você não vai falar nada, entendeu? – Ele estreita os olhos ameaçadoramente me fazendo suspirar.

-Tá certo... Você quem manda, filho de Sparda – Falo com raiva. É direito de Nero saber dessas coisas, por mais complicadas que sejam.

Ouço a porta da loja ser aberta já sabendo que Lady mataria Dante por fazer hora. Os dois sairiam para mais uma caçada.

-Vão ficar ai dentro pra sempre? – A humana pergunta da porta, impaciente.

Dou uma risada enquanto Dante fecha o diário o deixando em cima da mesa.

-Lady, Lady, Lady... Isso tudo é vontade de ficar sozinha comigo, ou ciúmes da Ilya? – Dante pergunta voltando a seu humor normal.

-Cala a boca, idiota! – Lady bate a porta com força, o que me faz erguer uma sobrancelha. Ela tem uma força fora do normal para uma humana, ainda mais quando está irritada.

-Você se acha o centro do mundo, hein – Falo.

-Que você ama por sinal – Dante sorri maliciosamente para mim.

-Acho que você está me confundindo – Dou um sorriso nervoso.

-Será? – Dante ri. Ele sabe como me tirar do sério.

-Sim, você está e vou embora antes que eu te mate.

Vou em direção ao sofá para pegar minha jaqueta, para então ir embora de uma vez.

-Ilya? –Dante me chama antes mesmo de eu poder encostar na porta. Olho para ele – Não conte nada, por favor. Eu mesmo vou contar quando achar que devo.

“Ou seja, nunca”, penso, mas afirmo com a cabeça mesmo achando que Dante não estava fazendo a coisa certa.

Passo por Lady me despedindo assim que saio da loja, ainda pensando na história toda. Se Dante não tivesse ajudado Nero a ver o que estava acontecendo em Fortuna, o tão sonhado plano de Taria e Vergil daria certo. Isso me faz pensar em como ela encararia a “intromissão” de Dante nesse assunto. Talvez ela ficaria com raiva de Dante, mas ela poderia agradecer internamente por saber que nada aconteceu com o filho...

Taria... O que seu coração de mãe falaria?”

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!