Segredos
8 Episódio 8 - Desafiando a Fera.
Notas iniciais
POV Caroline
Quando a aula terminou Elena me seguiu até a saída. Ela não largava do meu pé desde a hora do intervalo. Eu sei que é preocupação, mas eu to bem. É preciso dois do Tyler pra me deixar mal.
Não que eu não goste dele, mas a gente namora há alguns meses, até mês passado eu tinha certeza que gostava dele, mas de uns dias pra cá eu já não tenho certeza de tamanho sentimento.
Mas ele era o pá perfeito pra mim, jogador de futebol, atleta, lindo e popular. Ideal para a patricinha da escola. Porém todas essas qualidades não se encaixavam mais, não tinham sentido.
— Caroline, eu vou com você. — Elena gritou chegando mais perto de mim.
— Elena, não precisa. Eu to legal. — Ajeitei o cabelo e sai andando em direção o carro.
— Car, eu sou sua amiga, e eu te conheço, sei que tem mais coisa por trás desse "to legal". — Ela falou convita do que dizia.
— Ok. — Fiz sinal para que ela entrasse no carro.
Dirigi até em casa sem dar uma palavra, se é pra fofocar, vamos fofocar no lugar certo — meu quarto — com o doce certo — brigadeiro de panela. Elena faz um brigadeiro que meu Deus, eu engordo só de pensar.
Estacionei em frente a garagem. Desci e peguei minha bolsa. Chequei se estava tudo ok e travei o carro.
— Elena, sabe no que eu pensei? — Perguntei indo em direção a porta da frente.
— Pior que não, sou péssima em adivinhação. — Elena e suas ironias, parece até a diabinha da irmã dela.
— Que você poderia fazer aquele brigadeiro maravilhoso que só você sabe fazer. — Fiz biquinho pra tentar convencê-la.
— Ok, mas você tem que começar a me contar logo. — Ela fez cada feia e foi pra cozinha. Coloquei minha bolsa no sofá e a segui.
Minutos depois o brigadeiro já estava feito e esfriando na geladeira. O tempo que esfriava eu fui até meu quarto e troquei de roupa, vesti um vestidinho mais leve.
— O brigadeiro já esfriou. — Elena entrou no quarto com a panela e duas colheres, afinal não é brigadeiro de panela se não estiver na panela. — Já pode começar a contar, senhorita!
— Eu pedi um tempo para o Tyler. — Disse sem mais rodeios.
Elena arregalou os olhos, por essa ela não esperava, certeza.
— Como assim? Tylerine acabou? — Ela ainda estava em choque.
— Já te falei que essa junção dos nossos nomes é horrível! — Falei irritada, e realmente era horrível.
— Enfim, foco no fim do namoro de vocês. — Elena colocou uma colher na boca.
— Eu não sei, só acho que não tem mais química, eu to muito confusa sabe principalmente depois... — Comecei a falar mas parei imediatamente. Elena me encarou semicerrando os olhos, ela percebeu. Droga!
— Depois de que, Caroline?
— Depois de... — Que desculpa eu vou inventar? — De hoje de manhã, aquilo foi o fim pra mim. — Fiz cara de triste.
— Eu sinto muito amiga, mas o Tyler nunca foi homem pra você. — Elena me abraçou e acariciou meus cabelos.
Ainda bem que ela não fez mais perguntas, se eu me adentrasse mais era capaz de contar sobre o que houve entre eu e Niklaus. Isso ninguém pode saber.
Coloquei um filme e começamos a assistir. Assim a noite entrou e nós nem percebemos. Então o celular de Elena tocou.
Ela logo atendeu, mas pela cara que fez logo em seguida já vi que não gostou do que ouviu.
— O que houve? — Perguntei curiosa.
— Era minha mãe, ela mandou avisar que é o amigo do Rick que vem me buscar. — Elena fingiu ter ânsia de vômito.
— E qual é o problema? — Não entendia a implicância da Elena com esse cara.
— Ele é um mala, você acredita que ontem ele me... — Então ela parou antes de terminar a frase.
— Ele o que? — Fiquei curiosa.
— Dormiu lá em casa. — Ela sorriu amarelo. E desconversou. — Bom, se eu for antes dele chegar aqui, não precisa ele me dar carona.
Acompanhei Elena até a porta e nos despedimos. Pedi que me ligasse assim que chegasse em casa, ela só assentiu e saiu.
Fechei a porta e subi para o meu quarto. Como só morava eu e minha mãe aqui, era raro ter movimentação. Então só fico no meu quarto mesmo.
Deitei na minha cama e fiquei pensando nos últimos acontecimentos em minha vida. Só então notei que Niklaus não apareceu na escola hoje. Por onde será que ele anda?
Então me ocorreu a pior ideia que eu já tive. Peguei o notebook e procurei pelo nome "Niklaus Mikaelson". Apareceu uma foto dele, e é claro o endereço da escola, mas não havia nada sobre onde ele morava. Então fui no facebook da escola e lá tinha uma fotos de Niklaus e Elijah, mas nada de endereço.
Então eu parei e pensei. Como eu fui burra, minha mãe é Xerife dessa cidade, ela tem o registro de todos os cidadões daqui. Entrei no mini escritório que ela tinha e peguei alguns arquivos. Procurei pela letra M e lá estava Mikaelson, como eu imaginei. Só anotei o endereço e sai.
Dessa vez você não foge de mim, Niklaus Mikaelson.
...
Assim que estacionei em frente vi seu carro. Ele estava em casa. Mas agora cadê a coragem para descer do carro? Respirei fundo e desci do carro. Caminhei a passo largos até a porta da frente.
Olhei para trás para ver se não tinha ninguém me olhando. Meu carro parecia mais longe que o normal. Então apertei a companhia.
Segundos depois alguém abriu a porta. Era ele.
— Caroline? — Ele ficou paralisado diante de mim, seus olhos me olhavam confuso, pedindo uma explicação.
Sem dar chance de dizer mais alguma coisa, eu passei por ele e adentrei a casa.
— Precisamos conversar. — Disse apenas isso e ele prendeu a respiração, óbvio que ele sabia o motivo de eu estar aqui.
— Caroline não acho que seja uma boa ideia você ter vindo até aqui. — Niklaus falou olhando no corredor, com certeza seus irmãos estavam em casa.
— Preocupe-se em me explicar o que foi aquilo ontem. — Joguei as palavras em sua cara, sem nem titubear.
— Você enlouqueceu? — Ele agarrou meu braço e me puxou pelo corredor até uma porta que estava semiaberta.
— Me larga. — Protestei me desvencilhando do aperto de suas mãos.
— Você vem até aqui só pra me afrontar? — Ele trancou a porta que estava atrás de si.
— Eu vim aqui pra que você me dê explicações. — Disse ajeitando a manga do meu casaco.
— Não há nada para ser explicado. — Niklaus baixou a vista.
— Não há? — Me exaltei. — Você ta brincando comigo? — Fingi um riso de deboche. — Você me arrasta para uma sala vazia, tem um ataque por causa de Tyler, quase me beija e ainda tem a ousadia de dizer que não há nada, NADA, para ser explicado, Niklaus? — Eu não conseguia me controlar.
— Você quer falar mais alto? Acho que quem ta lá fora ainda não escutou! — Niklaus perdeu a compostura e gritou comigo também.
— Se o problema é gritar, eu posso gritar! — Quando fiz menção que ia gritar, senti duas mãos em envolverem, uma segurou minha cintura e me empurrou contra o sofá que havia na sala, e a outra tapou minha boca.
Meus olhos mais arregalados, impossível. O silêncio que pairou naquela sala era absurdo, só se ouvia o som da minha respiração. Então Niklaus cortou o silêncio com um sussurro.
— Eu vou tirar a mão da sua boca, mas você não vai mais gritar, entendeu? — Apenas balancei a cabeça em concordância. Então ele tirou a mão e foi aí que me dei conta da posição em que estávamos: ele estava quase por cima de mim, nossos rosto quase tão próximos quanto ontem. Fiquei esperando ele se aproximar mais, porém ele não o fez. Ao contrário, fez foi se afastar mais.
— O que aconteceu ontem e hoje não pode mais se repetir, Caroline. — Ele disse em um meio fio de voz.
— Como? — Foi só o que consegui dizer.
— Você sabe do que eu estou falando, sabe o quanto é errado, e não voltará a acontecer. Teremos apenas a relação de professor e aluna. — Ele virou a cara e não me olhou nos olhos. — E como minha aluna, você não deveria estar aqui, então acho melhor você ir embora.
Ele estava me expulsando? É sério isso? Eu não conseguia acreditar, procurei explicação em seus olhos, mas eles não se encontravam voltados pra mim. Não tinha mais nada que fazer aqui, sai da sala a passos largos, ele nem se quer me levou até a porta.
POV Damon
Assim que sai do trabalho fui cumprir com o que prometi a Rick: Pegar Elena na casa da amiga dela. Não custa nada fazer esse favor, afinal eu estou dormindo na casa deles e mesmo sabendo que a Srta.Irritadinha vai odiar a ideia, eu não ligo.
Então sai pelas ruas da cidade, andei por ruas que andei a uma década atrás. Nem acredito que já faz dez anos que fui embora desse lugar, pra agora voltar.
Entrei na avenida principal onde vi Elena pela primeira vez, mesmo que de uma forma trágica. Mas ainda sim esse lugar ficará marcado como o lugar que eu a vi pela primeira vez.
Chequei o endereço no papel e dobrei na próxima rua a direita, nem precisou checar o número da casa, pois de longe avistei Elena saindo de uma casa no centro da rua.
Buzinei para que ela me visse e esperasse. Porém ela nem se quer se deu o trabalho de virar para olhar quem é. Buzinei mais uma vez, mais uma vez fui ignorado. Então acelerei o carro parando ao seu lado, ela soltou um gritinho de susto. Logo desci do carro e me pus ao seu lado.
— Você é surda ou cega? — Perguntei visivelmente irritado.
— Prefiro não escutar, muito menos te ver. — Ela apertou os livros nos braços.
— Você é tão engraçada, Elena. Poxa! — Abri a porta do carro.
— Ta fazendo o que aqui? — Ela perguntou olhando do carro pra mim.
— Um favor. — Forcei um sorriso.
— Não preciso da sua carona. — Elena impinou o queixo, cheia de marra essa garota.
— Entra no carro e deixa de marra. — Apontei para o banco do carro. Essa garota só pode está me testando.
— Não entro! — Falou chegando mais perto e descruzando os braços.
— Não me desafia, Elena. — Me aproximei também, a ponto de ficar bem perto do seu rosto. Notei que seus olhos foram da minha boca para os meus.
— Ou o que? — Me desafiou.
Foi o ápice pra que eu perdesse a paciência. Arranquei os livros de sua mão e joguei dentro do carro. Não quer ir por bem, vai por mal! Agarrei sua cintura e a empurrei dentro do carro, ignorando seus protestos, travei a porta logo em seguida para não dar chance de fuga.
Entrei no carro e arranquei com o carro, Elena me olhava como se fosse um louco e talvez fosse. Mas ela me provocou.
Como sua casa não é tão longe dali, logo estávamos parados de frente a esta. Elena me encarava com uma cara de ódio e fez menção de descer do carro, mas eu segurei sua mão.
— Que você quer? — Sua voz era dura.
— Olha eu sei que você me odeia e que...
— Eu não te odeio. — Sua voz me cortou.
— Não? — Fiquei estático diante daquela afirmação.
— Não, é só que eu... — Ela ia começar a falar quando alguém bateu na janela do carro.Katherine.
— Oi. O que vocês estão fazendo ai sozinhos? — Ela olhava pelo vidro da frente e segurava uma risada.
Por impulso tirei minha mão de Elena, não queria que desse a entender nada demais. E por falar em Elena, ela ficou da cor de um tomate e desceu do carro me deixando sozinho.
Sempre essa irmã dela para atrapalhar tudo, as vezes penso que ela faz de propósito.Só desci do carro e dei de ombros, talvez ela nunca diga o que ia falar hoje. Ou até nunca tenhamos outra chance como essa. Só Deus sabe.
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