Segredos

23 Episódio 23 - Ou ela, ou eu


Notas iniciais
Olá, boa tarde. Então eu trouxe esse capítulo como último capítulo postado este ano, agora só ano que vem. Quero que curtam com carinho, agradeçam a Heloísa por ter me cobrado esse capítulo, então é praticamente dedicado a ela. Preparem-se para a DR dos Mikaelson e a chegada da Rebekah, esse capitulo é a base do próximo, então... Boa leitura.

POV Elijah

De todas as coisas que me chocaram durante a minha vida, essa foi de longe a cena que conseguiu parar minha respiração. Dar de cara com Caroline Forbes, filha da Xerife da cidade, enrolada em um lençol, que deixa evidente que tinha acabado de sair da cama do meu irmão, me fez perder o ar.

Foi difícil aprender a respirar novamente.

Meu irmão também estava tendo um caso com uma aluna, mas eu no lugar dele já teria preparado um advogado, pois ir pra cama com a filha da Xerife é sinônimo de chave de cadeia. Se eu me sinto com a corda no pescoço a cada vez que saio com Katherina, com certeza ele deve se sentir prestes a pular do banquinho.

— Oi, Senhor Diretor. — Caroline respondeu, notei que, assim como eu, ela também estava reaprendendo a respirar.

Não consigue responder, meus olhos estavam paralisados, minha boca parecia seca.

— Onde está Niklaus? — Foi só o que consegui dizer.

— Bom, eu não sei, ele não está aqui isso é fato. — Para alguém com vergonha ela parece bem para falar.

Fiquei observando em silêncio. Então meu irmão estava beijando uma aluna também. Mas o que será que deu nele para fazer isso? Será que foi para se sobressair? Ele não faria isso com essa pobre garota só para se sobressair. Não é do seu feitio.

Algo me veio na mente, o dia em que ele estava gritando com alguém no seu escritório, será que era com ela? E as aulas particulares? Será que foi intencional? Não posso nem sonhar com a possibilidade dele ter despedido o antigo professor de história só pra assumir seu cargo simplesmente para dar em cima de uma aluna.

Niklaus não faria isso. Pelo menos quero acreditar que não.

— Então, o senhor vai ficar aí esperando ele? — Caroline se pronunciou quebrando minha linha de raciocínio.

— Algum problema com isso? — Tentei não parecer rude, mas já estava sendo.

— Não, só se o senhor considerar que eu estou usando apenas um lençol para me cobrir, não estou à vontade na frente do senhor, já que amanhã mesmo o senhor cruzará comigo no corredor. — Ela falou revirando os olhos. — E eu não estou confortável com o meu diretor olhando desse jeito.

— Mas esteve bem confortável há pouco tempo, quando transou com meu irmão. — As palavras foram pesadas, mas não consegui controlar.

— Você está sendo grosso. — Caroline fechou a cara pra mim.

— Elijah? — A voz de Niklaus invadiu o quarto. Ele tinha acabado de chegar, creio que não ouviu nenhuma palavra do que dissemos.

Me virei para olhá-lo, seus olhos estavam vazios, seu rosto não expressava nenhuma reação, mas sei que ele quer que eu saia de seu quarto.

— Vou descer e espero que você me acompanhe. — Me virei dando as costas para a garota.

Saí do quarto e fiquei esperando do lado de fora, pude ouvir na hora que Caroline disse para meu irmão "E agora?", não consegui ouvir a resposta, mas sei que ela está com medo.

Logo meu irmão saiu do quarto. Não olhou em meus olhos, apenas saiu na frente. Não consigo entender, será que o que ele está sentindo é vergonha?

Descemos a escada calados, nenhum dos dois se pronunciou. A noite hoje foi bem longa, mas ainda são nove da noite, perdi a noção de tempo desde o momento que Niklaus me flagrou com Katherina.

Chegamos até a sala. Abri o blase do terno e respirei fundo.

— Então Niklaus, quem começa? — Quebrei o gelo e aquele silêncio ensurdecedor.

— Você, afinal foi o primeiro segredo a ser descoberto. — Ele colocou um copo de whisky em um copo com gelo.

— Parece que cometemos o mesmo erro. Nos envolvendo com alunas. — Comecei a falar, porém notei que não tenho muito o que dizer.

— Faz tempo que você vem se encontrando com Katherine Petrova? — Niklaus perguntou me encarando.

— Depois que voltei de viagem, começamos a nos encontrar escondidos, aqui, naquela minha casa afastada da cidsde, depois da aula. — Respondi olhando para os lados.

— Hum. — Apenas esse som que saiu de sua boca.

— E você, irmão? Faz tempo que vem trazendo a filha da Xerife para sua cama? — Indaguei curioso.

— Creio que depois que comecei a dar aulas particulares para ela. — Era incrível a serenidade em seus olhos.

— Você não tem medo do que pode acontecer se a mãe dela descobre que você armou essas aulas só para levar a filha dela para cama? — As palavras acabaram saindo de minha boca mais rápido do que queria.

— Você acha mesmo que eu armei me apaixonar por ela? — Niklaus riu de mim, um riso de deboche. — Você acha que eu planejei me envolver? Quando fechei os olhos eu já estava mais que envolvido.

— Então você está dizendo que está apaixonado por ela? Você apaixonado? — Agora foi minha vez de rir.

— É privilégio seu gostar? Sinceramente, não sei o que te faz achar que minha atitude é condenável, você quem tem levado uma aluna para o meio do nada. — Meu irmão esbravejou balançando o copo de Whisky.

— Ok, irmão. Já chega. Erramos, isso é fato, não há nada de louvável no que fizemos. — Admite e me sentei no sofá. Por mais que eu queira gritar, não é de Niklaus que estou com raiva. — Estamos condenados.

— Você também gosta dela? De Katherine. — Niklaus perguntou sentando-se do meu lado.

— Posso admitir que eu a amo. — Passei as mãos nos cabelos e respirei fundo.

— Parecemos dois adolescentes vivendo aquele amor proibido, que os pais não podem descobrir. — Niklaus riu de si mesmo. — Nos apaixonamos por essas meninas como alguém cai no sono, devagar e profundamente.

Não disse mais nada, só assenti. Não queria mais falar sobre esse assunto. Só queria me recolher, amanhã ainda era dia de trabalho.

— Sugiro que vá deixar Caroline em casa, é melhor esse segredo ficar somente entre nós dois, Kol não precisa saber de nada. — Levantei-me do sofá e fui em direção ao corredor.

— Ok. — Foi sua resposta.

Assento e saí do recinto. Por hoje chega de problemas, eu preciso de uma boa noite de sono.
...

Acordei com uma enorme dor de cabeça, isso significa que o dia será longo e com o azar de cada dia, quando eu chegar a escola terá mil problemas para resolver.

Levantei com o pouco de coragem que ainda me restava. Fui tomar um banho, não demorei muito e logo estava me secando para me vestir. Procurei meu terno e vesti-o logo.

Ainda bem que a água fria tinha levado parte da minha dor de cabeça. Espero que um café bem forte leve o resto. Desci para tomar café da manhã. Dei de cara com Hayley e Niklaus tomando café, pareciam conversar sobre algo, pra ser sincero, não me importa.

— Bom dia. — Falei ao sentar à mesa, questão de educação.

Os dois responderam, Hayley me olhou e sorriu, retribui o sorriso, mas nada que tenha durado mais que dois segundos.

— Que família linda. — Ouvi uma voz sarcástica e virei para ver o dono dela, me deparei com Kol diante de mim.

— Vejo que foi liberado cedo. — Voltei a ignorar sua presença.

— Liberado? — Hayley arqueeou as sobrancelhas.

— Da cadeia. Elijah não disse que ele fez questão de me deixar ficar preso naquele lugar imundo? — Kol bateu a mão na mesa fazendo Hayley se sobressaltar e Niklaus ter sua atenção.

— Você mereceu devido suas atitudes deploráveis. — Levantei-me e ajeitei meu blase do terno. Mas não estava com paciência para Kol hoje.

— É mesmo? — Ele riu, mas saiu mais parecido com um grunhido. — E o que você me diz do seu caso com uma aluna? Hein? — Kol tinha um sorriso maldoso nos lábios. — Parece que é você que tem que ir para a cadeia e não vai demorar muito pra isso.

Sabe quando você sente o sangue subir a cabeça e fica cego de raiva? Pois bem, meu sangue subiu e fiquei cego de raiva. Só quis bater em Kol, mas Niklaus não deixou, ele se pôs entre nós dois me afastando pra longe.

— Não dê ouvidos, ele é só um adolescente revoltado. — Suas palavras pareciam a quilômetros de distância dos meus ouvidos.

— Posso até ser revoltado, mas pelo menos não sou pedófilo. — Kol esbravejou.

— Kol, qual seu problema? — Hayley gritou dando um empurrão em seu peito para afastá-lo.

— Meu problema é essa família. — Ele respondeu carrancudo.

— Que gritaria é essa? — Uma voz feminina tomou conta dos nossos ouvidos, e não foi Hayley que abriu a boca.

Mas conheço muito bem essa voz autoritária.

Por uns segundos ficamos em silêncio. Passos de salto vindos do corredor preencheu o ar, de repente um furacão loiro surgiu na entrada da sala de jantar.

— Rebekah? — Eu, Kol e Niklaus ficamos boquiabertos diante da nossa irmã mais nova, não imaginávamos que ela fosse aparecer por aqui, não nesse exato momento.

— Em carne e osso. — Rebekah sorriu. — Agora vocês têm um minuto para me explicar que gritaria era aquela.

Juro que de todas as pessoas para aparecer nesse momento, Rebekah não estava nem nas cinco primeiras. Vai ser uma manhã longa, muitas cartas a serem jogadas na mesa. É preciso paciência.

POV Narrador

O sol já invadia a cela onde Kol estava detido, mas ele nem estranhou a claridade, não pregara os olhos se quer durante a noite toda. Estava com olheiras, mas seu olhar estava distante.

Sua noite em claro foi devido ao plano diabólico que ele planejava em sua mente, nunca se vira tomado por tanta raiva como a que estava sentindo em seu peito. E foi por isso que passou a noite arquitentando como iria prejudicar os culpados por sua desgraça.

Afinal alguém tinha que pagar, pelo menos era assim que Kol pensava.

— Kol Mikaelson, o senhor está liberado, pode ir para casa. — Liz Forbes apareceu na entrada da cela. — Espero não vê-lo mais metido em confusão. — Advertiu-o.

Kol não disse nada, apenas assentiu. Passou no birô da Xerife para pegar suas coisas, celular, carteira, tudo que lhe pertencia. E saiu sem nem dar bom dia.

Como ele estava sem carro, só lhe restava ir a pé para casa. Mas sua casa não era seu destino, antes ele passaria na casa de alguém para cobrar o que lhe prometera.

...

Diante da casa de Bonnie Bennett, Kol não exitou em tocar a campanhia, pouco estava se importando se a vovó Bennett estivesse aí, era até melhor. Assim ele conseguiria o que queria mais rápido.

Nada do que uma ameaça não faça.

Finalmente alguém veio atender a porta, para sua sorte, era justamente quem ele queria ver.

— Que você faz aqui? — Bonnie estava estática.

— Preciso que você faça o que prometeu. — Kol adentrou a casa sem permissão.

— O que? — Bonnie ficou encarando-o. — Você enlouqueceu? Sabe que horas são? — Ela apontou para o relógio na parede.

— Seis e meia da manhã, aprendi isso muito antes de você, obrigado. — Kol debochou e olhou se não tinha alguém por perto, nem no hall, nem na sala, mas com certeza a vó dela estava na cozinha.

— Vai embora. — Bonnie balançou a cabeça e suspirou.

— Não vou, sei que sua vó está aqui e quer saber? É até bom que ela esteja mesmo, já pensou se ela descobre que você anda ameaçando e chantageando alguém? — Kol fez cara de pena e depois riu fraco. — Ou você imprime aquelas fotos e me ajuda a espalhar pela escola, ou pode lidar com o fato de nunca mais ter alguém pra chamar de amiga, ou nem se quer um canto pra estudar.

— Você não pode me ameaçar na minha casa. — Bonnie encolheu os ombros.

— Eu posso, afinal você é farinha do mesmo saco que eu, quer prejudicar a Katherine tanto quanto eu! — Kol se aproximou dela, ela podia sentir a raiva saindo dos poros da pele dele.

— Você vai ter sua vingança, Bennett. Katherine pagará caro pelo que fez com você. E eu... Eu vou ter a minha. — O Mikaelson se afastou. — Eu vou pra casa, e você trate de imprimir essas fotos. Vou espalhar nos quatros cantos daquela escola.

Kol saiu pela mesma porta que entrou, mas não sem antes soltar seu veneno final.

— Lembre-se, se você não fizer o que eu tô pedindo, quem sairá perdendo é você. — E então deu as costas e saiu.

Bonnie se arrependeu desde o momento que socorreu o infeliz no dia que Elijah Mikaelson lhe deu uns socos, agora ela ver o quanto foi errado se aliar a alguém tão podre como ele. Mas agora não tinha saída. A morena pensou "ou ela, ou eu".

Notas finais
E aí? Bonnie se meteu mais uma vez com quem não devia. O que será que Katherine fez para Bonnie alimentar esse ódio? Beijos meus amores, um próspero ano novo! Desejo muitas coisas boas pra vocês nesse ano que chega.