Segredos
19 Episódio 19 - Descobrindo inimigos em comum
Notas iniciais
POV Elena
Sabe aquelas boas lembranças que você tem de infância, aquelas que seu pai te ensina a andar de bicicleta, te ajuda quando você cai e arranha o joelho e diz que ficará tudo bem, ou até aquelas que você diz que arranjou o primeiro namoradinho e ele fica com ciúmes, ou até mesmo te proíbe de usar muita maquiagem por puro ciúme de pai...? São lembranças que nunca fará parte da minha memória, pois nunca aconteceram.
Não sou órfã de pai, mas não o tenho. Apenas sei que o homem que me fez está vivo e morando a quilômetros de distância daqui. Vê-lo diante de mim foi um choque e tanto. Não o desprezo, mas não o amo como pai, nem como nada. Minha mãe fez papel de pai por muitos anos, até conhecer Rick, não chamo meu padrasto de pai, porém é o mais perto de uma figura de pai que eu tive.
Confesso que fiquei estagnada ao vê-lo em minha casa. E como era de se imaginar, Katherine reagiu super fria.
— Elena, Katherine, quanto tempo. – As únicas palavras que saíram de sua boca ao reparar em nós duas.
— Damon, por que deixou esse cara entrar? – Katherine se virou para o Damon, que estava empoleirado com cara de tacho na porta, e o fuzilou com os olhos.
— Eu não deixei, ele simplesmente entrou. – Vi seus olhos vacilarem ao olhar para John.
— Ele não poderia me impedir, eu sou seu pai. – Não acredito que ele teve coragem de usar essa palavra, ainda mais com Kath. Pela cara de repugnância que fez agora, uma resposta vem ai, será que ela tem coragem?
— Você disse o que? – Kath soltou uma risada de deboche.
Ela tem.
— Você nem sabe o que significa ser pai.
— Katherine. – Repreendi suas palavras, ou isso não vai acabar bem.
Sempre é assim, todo ano, a cada seis meses e olhe lá, quando John aparece. Minha irmã nunca reage bem à presença dele, é como se a fizesse mal.
— Katherina, queira sim, queira não. – John fez uma pausa e ajeitou o colarinho da blusa. – Eu sou seu pai, esse casaco de couro que você está usando quem paga sou eu, a cada mês quando mando a mesada das duas. Então no mínimo, espero que me...
— Respeite? – Minha irmã completou a frase em forma de pergunta. – Você acha que quero seu dinheiro? E que ele compra respeito? – Katherine bufa. – Se o problema é esse casaco, fica com ele pra você. – Tira a jaqueta e joga aos pés de John. – Agora, não te devo nada.
Observo o vulto do corpo da minha irmã se retirar da sala a passos largos. Me deixando aqui pra aguentar essa sozinha. Mesmo com Damon aqui, ainda me sinto sozinha... E a quilômetros de distância desse homem que se intitula meu pai. Mesmo sabendo que está a poucos metros de mim.
...
Convidei John para sentar-se ao sofá, e com os olhos pedi que Damon ficasse comigo, não quero ficar mais sozinha do que já estou com esse homem. Não por medo, mas por falta de afinidade mesmo.
Muitos minutos se passaram até que ele se pronunciou.
— Então, não vai me apresentar o rapaz que me atendeu, Elena? – John olhou para Damon de canto de olho.
— Claro. Esse é Damon, um amigo de Rick que está hospedado aqui em casa. – Pude notar que ele torceu o nariz quando me referi a Rick, os dois não se dão bem. Damon fez um sinal com a cabeça apenas, nem se deu o trabalho de apertar a mão.
— John Gilbert. – Meu pai acenou com um simples sorriso. – Você me lembra alguém, Damon.
— Espero que seja alguém bem bonito. – Damon tenta ser simpático, mas dar para ver que está tenso.
— Ele já morou aqui quando criança, talvez seja por isso que te lembre alguém. Afinal você morou aqui muito tempo. – Passou um flashback de quando era criança, há uns doze anos atrás quando meus pais ainda estavam juntos.
— Deve ser por isso. – Percebi que meu pai não parava de analisá-lo. Será que ele percebeu algo?
— Então, por que a visita? – Fui direto ao ponto sem pestanejar, cansei de rodeios.
John pareceu analisar os motivos pelo qual veio até aqui.
— Vou me casar novamente. – Ele finalmente disse.
Eu deveria ficar surpresa com a noticia, mas não fiquei. Não vejo motivo para ficar, afinal nem temos um vinculo.
— Meus parabéns. – Disse sem emoção e forcei um sorriso.
— Obrigada. – Ele agradeceu e baixou a cabeça. – Eu queria que você e sua irmã fossem conhecer minha futura esposa.
Fiquei apenas calada, não sabia o que dizer. Isso significa que eu teria que aceitar, e não sei se quero aceitar. Porque se eu aceitar, significa que terei de ir ao seu casamento.
— Eu não sei, é... Como seria isso? – Fingi interesse, afinal preciso de uma desculpa para recusar.
— Você e sua irmã irem passar o fim de semana na minha nova casa, talvez sairmos para um jantar. – Ao ouvir aquilo percebi que ele já tem tudo programado em mente, mas não sei se quero fazer parte desse programa em família feliz... Nem somos isso.
— Pra ser sincera, Katherine jamais irá. – As palavras que eu disse não pareceram novidades para ele. Então eu percebi que John já sabia que minha irmã recusaria, mas que contava com minha presença. – Você não está pensando que...
— Eu estou contando com você. – John pegou minhas mãos, seu toque não parece paterno, é até desconhecido pra mim.
— Não sei se posso. – Puxei as mãos com mais força do que queria. Percebi que ele ficou sentido.
Um silêncio reinou em toda sala. Só ouvia-se o som da respiração de nós três.
— John? – A voz que nos tirou dessa agonia.
Me virei e vi minha mãe petrificada na entrada da sala. Rick logo ao seu lado, com a cara mais linda do mundo se considerar que o ex marido de sua mulher está em sua sala, sentado em seu sofá.
— Isobel, é um prazer revê-la. – Meu pai usou a cara mais dissimulada que tinha para engolir a raiva ao ver Rick. Tentando ser educado, se levantou e cumprimentou minha mãe, que também parecia muito pouco à vontade com aquela situação.
— A que devemos o azar de te encontrar aqui? Na minha casa. – Rick pautou a ultima frase bem sarcasticamente.
— Não viria aqui para encontrar você, vim pelas minhas filhas. – John ignorou a presença de Rick e se virou pra mim. – Elena, por favor. Pense na minha proposta, pois se decidir que sim, venho te buscar na sexta à noite. – Sua mão fria me puxou para um abraço, mas foi breve, nem tive como reagir, e mesmo que tivesse não sei se o faria.
Então John saiu pela porta que entrou, nem se quer despediu-se dos outros presentes na sala. Finalmente soltei todo o ar que ficou preso em meus pulmões na hora que ele me abraçou. Simplesmente acenei com a mão para que ninguém me fizesse perguntas e subi para meu quarto.
...
Subi com a intenção de ir para o meu quarto, mas a fiz. Troquei as portas, ao invés de entrar na do meu quarto, acabei passando direto para o quarto de Damon. Aqui pareceu meu melhor refúgio.
Passei alguns minutos em silêncio, com os olhos congelados em um só lugar, pensando em tudo que aconteceu na última hora. Em tudo que ouvi... É muito pouco tempo para tomar uma decisão, sexta feira já é daqui a três dias. Fiquei perdida em meus pensamentos, chocada demais para reparar em Damon.
Ele entrou e ficou encostado na porta, acho que não quer se aproximar, respeitando o meu espaço. Mas tudo que eu mais quero é ele, agora. Me levantei da cama em um pulo e em poucos segundos destruí a distância entre nós. Choquei meu corpo com o seu, mas logo seus braços me envolveram. O aperto me envolveu e demonstrou que pelo menos lá eu estava segura.
— Vai ficar tudo bem. – Damon beijou o topo da minha cabeça.
Não respondi, apenas aceitei.
Depois que já me sentia forte suficiente, deixei que ele me conduzisse até a cama. Damon se deitou e logo me deitei ao seu lado, aconcheguei meu rosto em seu peito e deixei suas mãos acariciarem meu cabelo.
— Acho que seu pai não gostou de mim. – A frase vinda dela soa até engraçada. Mas a realidade não.
— Não acho que seja o caso. – Torci o nariz, imitando John. – Acho que o caso é que você é amigo do Rick.
Damon deu uma risada contida e balançou a cabeça negativamente.
— Você não tem nada dele. Você é linda, só pode ter puxado os genes da Isobel, porque né. – Eu ri com a ideia, mas era a mais pura verdade. Não puxei nada parecido com meu pai.
— É verdade. – Eu me inclinei para olhá-lo nos olhos. – Obrigada por ter ficado comigo.
Ele me estudou por uns segundos e falou por fim.
— Não ficaria em lugar algum se não fosse com você. – Então sem mais premissas sua mão me puxou delicadamente pela nuca.
Mas não demorou para nosso beijo se intensificar, como uma necessidade. Logo seus braços me puxaram pela cintura. Sem esperar pedidos, subi em cima dele para pode beijá-lo melhor. Com cada beijo desse eu esqueço os problemas de uma vida inteira.
Suas mãos com livre acesso a minha pernas, fizeram um joguinho livre entre subir até meu bumbum e descer novamente. Quase esqueci que estava de saia, o que facilita tudo, mas cada vez que sua mão subia ela entrava um pouco por debaixo da saia.
Me inclinei para frente e com beijos em sua clavícula subi sua camisa por cima, já que não tinha botões. Logo a visão perfeita do seu peitoril preencheu meus olhos. Damon também tirou minha casa, lançando-a longe e me agarrou com ferocidade, sua boca desceu pela minha clavícula indo até meus seios, onde depositou um beijo seguido de um chupão, não contive o suspiro alto e antes de emitir um próximo ele me jogou para o lado e se pôs em cima de mim.
— Não podemos fazer barulho, Elena. – Seus olhos transbordavam malícia.
Apenas assenti com a cabeça e deixei Damon tirar minha saia rapidamente, na velocidade de duas piscadas sua calça também foi tirada. Seu corpo voltou a fazer contato com meu, mas dessa vez eu necessitava mais que tudo senti-lo. Levando uma de suas mãos até minha boca, tampou sem colocar força, de um modo que eu conseguiria respirar tranquilamente. Já com a camisinha colocada, Damon me preencheu bem devagar por dentro.
A sensação mudou, não incomodou como da primeira vez, dessa vez foi bem melhor. Deixei meus pensamentos flutuarem de acordo com suas investidas dentro de mim, fortes e mais fundas, era uma sensação maravilhosa, que pena que os gemidos tiveram que ser contidos. Mas isso não torna o momento ruim.
Deixei cada sensação invadir meu corpo, nada mais me importava. Sei que tenho decisões a tomar, só que agora, nesse momento nada mais existe. Só Damon.
POV Narrador
O ato de carregar alguém nunca pareceu uma tarefa difícil, pelo menos não vendo na televisão. Mas logo Bonnie percebeu que não era, Kol não era o tipo malhado, mas também não era magricela. Então carregá-lo até o carro foi um pouco difícil. Só que mesmo com bastante esforço, ela conseguiu colocá-lo no carro.
Kol fez uma cara de dor ao sentar no banco e Bonnie indicou o cinto de segurança com as mãos. Ele logo fez o que ela indicou e aproveitou para olhar seu reflexo no retrovisor. A Bennett viu sua cara de repugnância ao notar seus lábios feridos e o nariz sangrando.
Sem dizer uma palavra ela arrancou com o carro do acostamento, sem olhar para trás, nem para se certificar se tinha alguém por perto. Somente acelerou cada vez mais, a única coisa que martelava em sua mente... Era pra onde levaria o Mikaelson. Enquanto pensava ficou dando voltas pelas ruas da cidade, mas acabou por perceber que não tinha outro lugar, senão sua casa.
...
Chegando até sua casa, Bonnie agradeceu mentalmente por não ter ninguém, seria bem difícil explicar ao seu pai porque tinha um cara machucado em sua porta.
— Pode entrar. – A morena disse ao passar pela porta e perceber que Kol não entrou.
Depois de sua permissão, ele finalmente entrou. Continuou caminhando em silêncio atrás dela e se sentou em uma cadeira que tinha na cozinha.
Bonnie o observou por uns segundos até decidir que precisava limpar a cara machucada dele, os ferimentos o deixavam com uma cara de coitado que nem mesmo combinava com ele.
— Você precisa limpar esse nariz. – Ela fez uma observação e saiu atrás de uns lenços para tirar o sangue que já havia secado.
Enquanto a morena subiu para buscar o kit de primeiro socorros, Kol saiu da cozinha para observar algumas coisas. Ficou no corredor e se viu admirando algumas fotos na parede. Eram muitas fotos, como um mural, desde quando Bonnie ainda era um bebê, até os dias atuais. Algumas da escola com alguns amigos, outras com a família.
Kol ficou olhando as fotos sem interesse algum, apenas para passar o tempo, porém algo logo chamou sua atenção: tinha uma foto, não muito recente, onde Bonnie estava com umas amigas, uma delas era Caroline Forbes, filha da Xerife e a outra... era idêntica a Katherine, só que os cabelos lisos não deixava dúvidas de que era Elena. O Mikaelson também reparou que a mesma foto havia sido rasgada bem ao lado da Elena.
“Alguém rasgou essa foto”, pensou sozinho. E notou que outras diversas fotos estavam rasuradas, algumas pintadas, alguns adesivos em cima. Seja lá quem for, magoou seriamente essa menina.
— O que você está fazendo? – A voz de Bonnie invadiu o ambiente.
— Apenas olhando suas lembranças. – Kol respondeu calmo.
— Hm. – Ela murmurou entre os dentes. – Vem, preciso limpar essa sua cara.
Sem protestar, Kol seguiu as ordens dela, também não fez pergunta alguma sobre as fotos. Apesar da curiosidade em sua cabeça.
Passou-se alguns minutos até que a Bennett terminou. Ele forçou um sorriso de agradecimento.
— Obrigada, Bennett.
— De nada. – Ela jogou o material sujo no lixo e voltou sua atenção para Kol. – Sabe, sei que não é da minha conta, mas acho que depois de ter te ajudado... Mereço saber o motivo de tamanha violência por parte do seu irmão.
Alguns segundos de silêncio se suspenderam no ar.
— É complicado. – Kol falou por entre os dentes.
— Eu tenho tempo. – Bonnie puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele.
— Ok. – O Mikaelson se rendeu. – Eu estava ficando com Katherine... – Ele contou toda a história do seu lance com a irmã de Elena. – E de uns dias para cá eu reparei que ela só fica olhando pra ele, e vice-versa. E hoje tive a certeza que os dois estão tendo um caso.
— Mas... Isso é grave! É um crime!
— Eu sei, eu tentei dizer isso ao meu irmão... Mas ela é uma cobra, fez a cabeça dele contra mim. – Kol se fez de coitado.
— É bem a cara dela mesmo, ser desse tipo peçonhenta. – Bonnie rangeu os dentes.
— Já vi que você não gosta dela. – Ele jogou as palavras sorrateiro.
— Eu a detesto, amo Elena... Mas odeio Katherine com todas as minhas forças. – Bonnie falou suas palavras cada vez mais segura, sem perceber que entregou nas mãos de Kol a informação que ele precisava.
O Mikaelson se viu com a faca e o queijo na mão. No caso aqui, a Bennett era a faca e Katherine era o queijo.
Fale com o autor