Segredos
18 Episódio 18 - Cara a cara com nossos pais.
Notas iniciais
POV Caroline
Acordei com todos os meus músculos doendo, sem falar da tremenda dor de cabeça que estava sentindo, a sensação que eu tinha era que meu cérebro se partiria a qualquer segundo. Mas quando abri os olhos, a luz queimou minhas pupilas, foi a pior coisa. Mal consegui abri os olhos, então me virei para o lado para agarrar um travesseiro e cobrir o rosto.
Consegui cobrir os olhos, mas reparei que aquele travesseiro era diferente, a fronha era totalmente branca. Decidi abri os olhos lentamente reparando o ambiente. Um lençol branco cobria extensão do meu corpo até os joelhos. Chequei por debaixo do tecido e me deparei com meu corpo completamente nu.
Me sentei numa agilidade inigualável, acho que nem o Flash conseguiria tão coisa. A fragilidade da luz logo passou, consegui notar todo o ambiente ao meu redor. Que quarto é esse? Ai meu Deus.
Enrolei todo o lençol ao redor do meu corpo e me levantei da cama, admito que o estilo sombrio do quarto era bonito, dava um ar de mistério. Havia muitos quadros espalhados pelo quarto, diria que quem pintou-os tem bom gosto. Passei o dedo em cima de um e acompanhei cada detalhe, cada rabisco de tinta... E encontrei o nome do pintor, rabiscado em letras minúsculas bem no cantinho da tela. Klaus.
— Admirando minhas obras de arte, Caroline? – A voz dele soou logo atrás de mim.
Me sobressaltei e me afastei do susto que levei.
— Klaus? – Fiquei toda sem jeito ao reparar que ele encarava meu modelito, um lençol branco todo em volta do meu corpo nu.
— Vejo que acordou enquanto desci para buscar algo para você comer. – Ele me deu as costas e saiu para pegar uma bandeja. Voltou logo em seguida e deixou tudo em cima da cama. – Aqui. – Ele indicou uma caixa com a mão esquerda e com a direita um copo de água. – Receio que esteja com uma ressaca bem forte.
— Como vim parar aqui? – Perguntei puxando o copo de água e o comprimido com as mãos.
— Eu te trouxe, você estava mais bêbada que qualquer pessoa naquele bar ontem. – Klaus se sentou na cama para me encarar.
— Como você me achou? – Eram tantas perguntas. Não conseguia conter minha curiosidade.
— Acaso. Na verdade, não esperava te encontrar caindo bêbada em um bar, sendo que você me disse que ia ao shopping. – Pude sentir um pouco de amargura em suas palavras, acho que está chateado comigo.
— Eu fui ao shopping, mas de lá fomos tomar uma bebida. – Vi em seus olhos que ele não estava acreditando em uma só palavra que eu dizia. – Klaus, você não está pensando que eu menti, está?
— Não sei amor, estou? – Ele me indagou arqueando uma das sobrancelhas e levantando-se da cama.
— Você não tem o direito de suspeitar de mim! – Esbravejei indignada com seu falso testemunho. Como ele ousa achar que estou mentindo?
— Ah não tenho? – Klaus soltou um risinho de deboche o que só me deixou com mais raiva. – Caroline Forbes, a garota que estava caindo de bêbada em um bar qualquer, quando deveria estar no shopping como havia dito. – Outro risinho de deboche saiu de sua garganta, mas saiu estranho. – Alguém mentiu, Caroline. E não fui eu.
— Você não tem o direito de duvidar de mim, logo de mim! – Senti as lágrimas ameaçarem em meus olhos.
— Vista-se, tenho que te deixar em casa antes de ir trabalhar. – A frieza em suas palavras foram como facas atravessando meu coração. Ao falar isso virou-se e me deu as costas.
— Klaus. – Chamei seu nome, mas ele não se virou para me olhar. – Preciso das minhas roupas.
— Estão no banheiro. – Ao falar isso, me deixou completamente sozinha no quarto.
Mas o vazio em meu peito doía muito mais do que o fato de estar sem companhia. Não entendo o motivo de estar tão magoado, eu não fiz nada, muito menos menti para ele. Mas ele é incapaz de se quer me ouvir, não sei pra quê perder meu tempo explicando algo para alguém que não quer me ouvir.

Me vesti rapidamente e voltei para o quarto e lá se estava Klaus novamente, dessa vez nem se deu o trabalho de olhar em meus olhos. Peguei meu celular assim que o avistei em cima da cabeceira da cama, sem nem olhar para trás sai do quarto a passos largos.
Ouvi seus passos logo atrás de mim, esperei qualquer grito, qualquer atitude para me impedir, mas nada aconteceu. Klaus me deixou continuar andando sem se importar com o que me acontece.
Assim que quase virei o corredor, que parecia dar em alguma saída, ouvi um barulho de porta sendo fechada. Dei um passo para dobrar no corredor, mas fui incapaz de me mover novamente. Bem na minha frente de costas para mim se encontrava Elijah.
Na exato momento em que Klaus virou o corredor e viu aquela cena, vi todo sangue sumir de seu rosto de tamanho que foi seu espanto. Sem esperar mais um minuto de tensão, ele voltou na mesma pisada para trás, me arrastando consigo.
— Você é louca ou ainda está sob efeito do álcool? – Klaus sussurrou trincando os dentes.
— A culpa é sua, se tivesse vindo na frente teria evitado esse susto. – Me desvencilhei de suas mãos e me afastei de seu corpo.
Uma linha de raiva surgiu em sua testa, vi seu peito inchar de tanto ar que ele puxou para os pulmões para bufar. Fingi que não ouvi e cruzei os braços. Também me ignorando, Klaus checou o ambiente para ver se estava tudo ok. Fez sinal me chamando para continuar andando, e assim o fiz, mesmo que pisando duro contra o chão.
Comecei a olhar os quadros a minha volta, todos assinados por ele. Parece que ele fez questão de ficar com a decoração da casa. Acabei por me distrair, quando dei por mim, já estávamos saindo pela porta da frente. Ouvi um barulho vindo do corredor, deve ser o diretor, apressei os passos para fora. Vi de relance suas costas, mas logo Niklaus fechou a porta.
Sem pronunciar uma palavra caminhei até seu carro. E partimos para minha casa.
...
Quando estacionamos em frente minha casa, ficamos alguns minutos dentro do carro, já sem aguentar mais aquele silêncio perturbador, que parecia esmagar meu coração.
— Você ficará até quando sem falar comigo? – Me virei para encará-lo, mas dei de cara com o vácuo. – Olha pra mim. – Exigi rangendo os dentes, mesmo relutante rendeu-se e virou para me encarar.
— Não sei, até você aprender a não mentir. – Sua voz soou mais fria que o habitual, uma pedra de gelo perderia feio.
— Quantas vezes eu vou ter que dizer? Eu não menti! – Mas uma vez senti meus olhos queimarem.
— Acho melhor você descer, eu tenho que ir trabalhar. – Suas palavras cada vez mais distantes, nada que eu argumentasse lhe faria me dar atenção.
Então sem mais prolongamento do meu sofrimento desci do carro e bati a porta descontando toda raiva que estava sentindo. Duvidar de mim foi o pior erro que Niklaus Mikaelson já cometeu! O que ele pensa que eu sou?
Meu dia não tinha como piorar, definitivamente. Passei a chave na porta e entrei em casa.
— Onde você passou a noite, Caroline? – A voz da minha mãe ressoou pelo corredor que dava acesso à sala.
Me enganei. Tinha como piorar.
— Mãe? – Engasguei com minhas própria pergunta.
— Estou esperando uma resposta. – Observei seus passos leves vindo em minha direção, isso só pode significar uma coisa: ela está brava.
— Na Elena. – Murchei os ombros para mostrar rendição. Como ela parece prestes a atacar não é bom revidar.
— E por que não me avisou? Tem noção do quão preocupada eu fiquei? – Minha mãe bufou. – Minha filha, nunca mais faça isso. Por favor, eu não dormi pensando em onde você estava... Principalmente depois daquela ligação, morri de retornar e você não atendeu. – Sua expressão realmente parecia cansada. Por um lado me senti culpada, mas não dormi fora por vontade própria, fui arrastada.
— Me desculpe, mãe. – Passei as mãos nos cabelos colocando-os atrás da orelha.
— O que foi esse arranhão na sua testa? – Antes que eu se quer pudesse responder, suas mãos já estavam em cima de mim, me analisando, vendo se meu corpo não faltava nada.
— Mãe... – Me desvencilhei das suas mãos nervosas. – Eu to bem. Foi um pancada na pia do banheiro ontem enquanto escovava os dentes. – Mentir para minha mãe não era algo que me agradasse, mas foi necessário. Se um dia, ela sonhar que dormi na cama do meu professor... É capaz de me mandar para o outro lado do mundo.
— Tenha cuidado da próxima vez. – Depositou um beijo em minha bochecha, eu sorri com o ato, confesso que a dor em meu peito não passou, só está abafada por uns minutos. Afinal não posso desabar aqui.
Observei minha mãe sair pela porta, pela qual acabei de passar. Esperei ouvir o som do carro saindo da garagem e se distanciar... E só então permiti que as lágrimas viessem.
O que não demorou, parece que estavam esperando o momento certo de se manifestar. Deixei que molhassem todo meu rosto, dentro de casa não preciso ser forte, não há ninguém para me condenar, nem me chamar de mentirosa. Os pensamentos vem com tudo em minha mente, junto com os soluços.
POV Damon
Depois de uma manhã estressante tudo que eu mais queria era chegar em casa e ter Elena somente pra mim, mas infelizmente esse desejo não se realizará, pois a mesma está na escola. Então isso quer dizer que ficarei sozinho até umas três horas da tarde.
Voltei para casa, desde que me hospedei aqui, Rick me deu uma cópia da chave. Antes de dormir, minha consciência pesa um pouco por estar me relacionando com Elena, a enteada do meu amigo, que me acolheu. Mas logo o peso passa, só de lembrar cada beijo, cada sorriso que ela me dar disfarçadamente... Esqueço de tudo.
Virei à esquina que dava acesso à rua da casa. Reduzi a velocidade para estacionar de frente a casa, mas algo me deixou surpreso. Tinha uma mulher saindo da casa e pela garagem ainda mais. Como se estivesse fugindo.
Virei a direção do carro imediatamente para garagem, subi a calçada de ladrilho que dava mesmo na frente do portão da garagem. A mulher tomou um susto tão grande que soltou o portão com tudo.
Desliguei o carro na chave e logo abri a porta para interrogá-la. Bati a porta do carro e fui caminhando em sua direção. Vi em seus olhos que ela estava me mandando para o inferno, mas também estavam assustados.
— Quem é você? – Perguntei logo sem rodeio.
— Eu... – Ela tossiu forçadamente. – Meu nome é Brittany, sou a emprega da casa. E você quem é?
— Damon. – Analisei-a, essa mulher não tem cara de quem tem acima de vinte anos. E eu nunca a vi aqui antes, mesmo depois de um mês morando aqui.
— Desculpe, mas se me dar licença, eu tenho que ir embora. – Seus dedos tremiam enquanto ela beliscava a ponta da blusa.
Apenas assenti com a cabeça e Britany se foi. Sem nem olhar para trás. Acho que não me convenci, preciso sondar sobre isso. Rick e Isobel nunca me falaram que tinham empregada, sempre vejo as coisas da casa serem feitas por eles, ou por Elena e Katherine. Mas seja lá quem for essa, só saberei mais tarde.
...
Passei praticamente a tarde sozinho até umas três horas quando as meninas chegaram da escola, seguidas por Rick logo atrás, parece que ele passou para buscá-las já que o outro carro está na oficina.
— Hoje é dia da Elena cozinhar, não vou para o fogão de jeito nenhum! – Katherine gritou já subindo a escada.
— Alguém avisa pra ela que eu não sou empregada. – Elena respondeu dando de ombros já indo até a cozinha, eu a acompanhei, tentando parecer o menos suspeito possível.
Caminhei silenciosamente atrás dela, queria pegá-la desprevenida. Antes dela se virar e abrir a geladeira, eu a surpreendi.
— Oi. – Sussurrei agarrando sua cintura por trás.
— Damon. – Elena se sobressaltou. – Rick está em casa e bem ai, na sala.
— Posso sobreviver ao risco. – Beijei sua nuca enquanto envolvia seus cabelos longos em minha mão.
— Damon, não faz isso. – As palavras saíram em meio a um sussurro. Ela estava quase cedendo aos meus beijos.
— Ah Elena, eu sei que você não resiste aos meus encantos... – Depositei um leve chupão logo abaixo da sua orelha, ainda bem que o cabelo dela cobre. – Quem resistiria? – Desci a mão por sua barriga e ela estremeceu. Admito que estou com saudades do seu corpo, da nossa intimidade, desde aquele dia em minha casa que não temos um tempo a sós.
— Você anda muito convencido, não acha não? – Elena se inclinou um pouco para frente, de um modo que suas costas se afastou um pouco do meu abdômen e seu bumbum encostou em meu membro. Isso era bem excitante. Posso cometer uma loucura, ainda mais vendo suas pernas exposta por essa saia.
Comecei a provocar, agora ela quer revidar.
— E você está me atiçando a te levar lá para o meu quarto. – Puxei seus cabelos para trazer seu ouvido para perto da minha boca, queria ver seu corpo estremecer com cada palavra.
— Só estou revidando. – Um meio sorriso safado surgiu em seus lábios.
— Isso quer dizer que eu posso retaliar essa provocação. – Sem mais um segundo de espera, virei seu corpo de frente pra mim e sem dizer uma palavra colei minha boca na sua, de uma maneira voraz, como se não a beijasse há dias.
Arrastei-a até o balcão com o máximo de cuidado possível para não derrubar nada no caminho evitando qualquer barulho que pudesse atrair alguém para cá. Suspendi suas pernas do chão e sentei-a no balcão para que ficasse em uma altura considerável, o que deu muito certo, pois logo fui envolvido com suas pernas ao meu redor.
Sua língua fazia um joguinho com a minha, e logo desci beijos por todo seu pescoço e com as mãos desci até sua perna. Eu preciso senti-la de novo, só que dessa vez sem tanto cuidado, afinal não tem mais virgindade.
Apertei seu corpo ao meu violentamente. Senti sua mão descer até o zíper da minha calça. Só pode ser muita tentação, se ela fizer isso eu posso não responder por mim.
— Elena. – Repreendi sua atitude, mesmo gostando. – Aqui?
— Eu to de saia. – Suas sobrancelhas se arquearam e o mesmo sorriso safado surgiu novamente em seus lábios.
— Mas e se... – Quando comecei a protestar, logo fui rendido, sua boca encontrou a minha para um selinho leve, mas bem sexy se considerar seus olhos no meu, depois suas mãos abriram meu zíper e subiram até minha cintura e então me puxaram contra seu corpo.
Antes que eu pudesse protestar novamente, meu corpo já estava completamente aceso, tudo que eu queria agora era satisfazer a vontade que essa garota, que vira meu cérebro do avesso, tem agora.
— MAS QUE POUCA VERGONHA É ESSA!? – Aquele grito fez meu coração quase saltar pela boca.
Me virei todo tenso e vi Rick bem na nossa frente.
Isso só pode significar uma coisa: Ele quer me matar.
...
— Damon! – Ouvi uma voz me chamando longe.
— Parece que temos uma nova Bela adormecida para a Disney. – Outra voz invadiu meus ouvidos.
Conheço as donas dessas vozes.
Abri meus olhos de leve e vi duas imagens diante de mim. Tirando o cabelo, as duas são idênticas, mas ainda prefiro Elena.
— Que? – Me sentei e olhei em volta. Parecia já ser à noite.
— Hora do jantar. – Katherine riu debochada e se levantou do sofá.
Será que o Rick me deu uma surra e eu apaguei. Mas tudo parece tão tranquilo.
— Cadê o Rick? – Perguntei analisando meu rosto no espelho, nenhum hematoma.
— Foi buscar mamãe no aeroporto, já deveriam ter chegado. – Elena respondeu passando direto por mim.
— Então, o que foi tudo aquilo? – Perguntei logo em seu encalço.
— Aquilo o que? – Ela riu da minha pergunta.
— Hoje de tarde. – Franzi o cenho, será que foi só coisa da minha cabeça?
— Não sei do que você está falando, Damon. – Elena deu de ombros. – Desde que chegamos você está dormindo. Só te acordamos agora para jantar.
Acenei com a cabeça. Tudo não passou de um sonho. Ou eu diria pesadelo, tirando a parte da pegação, claro.
Quando íamos sentar a mesa, ouvimos o som da campanhinha.
— Damon, você atende lá. Já que você passou o dia dormindo. – Katherine sendo sutil como sempre.
— Ok. – Dou de ombros e saio em direção a porta.
A pessoa lá fora é impaciente, pois o som da campanhinha tocou mais umas duas vezes. Corri para acabar com essa aflição. Girei o trinco da porta e abri.
— Quem é você? – Pergunto analisando o homem bem diante de mim, nunca o vi antes. Loiro, cara pálida e com um semblante sério.
— Meu nome é John Gilbert. – Ele nem pediu permissão e já foi entrando na casa.
— Seja lá quem você for não foi convidado. – Cruzei os braços e fechei a cara.
— Não preciso de convite para... – John ia começar a se explicar, mas logo foi interrompido.
— O que você faz aqui? – Katherine surgiu no corredor. Sua expressão ao olhar para aquele homem não me agradou.
— Pai? – Elena entrou logo atrás da irmã. Mas a pergunta que saiu de sua boca me sobressaltou um pouco.
Esse homem diante de mim é o pai da mulher que eu amo.
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