Segredos
11 Episódio 11 - Pegando Fogo
Notas iniciais
POV Damon
Passaram-se dois dias desde que Elena e eu ficamos naquela saia justa, ainda bem que Isobel não me pegou no quarto. Se não estaria ferrado, era capaz dela me expulsar de sua casa e Rick nunca mais dirigiria a palavra a mim.
Por que Rick tinha que ter uma enteada tão linda, não consigo evitar, desde o dia no hospital eu já a achei linda, e no dia que a vi só de lingerie no corredor... Naquele dia eu tive certeza que Elena também era gostosa, mas o que eu não entendo é o motivo de Katherine não chamar minha atenção. Ela é a cópia fiel de Elena, tirando os cabelos que são ondulados, mas ainda sim, são idênticas. Elena tem algo que chama minha atenção, ela não é ousada como a irmã, mas me desafia, me testa e isso que chama minha atenção, não é à toa que ontem quase beijo-a.
Hoje felizmente não tenho reunião com o pessoal do projeto, vou poder ficar em casa e relaxar, mesmo ficando sozinho. Eu preciso do meu café matinal e a julgar pelo barulho no corredor, a casa inteira já deve está acordada. Me levantei e peguei uma blusa, não poderia sair sem camisa pela casa.
Quando virei no corredor encontrei Elena, o cabelo preso num rabo de cavalo, alguns fios bagunçados. Ela era realmente linda.
— Bom dia, Elena. – Disse passando por ela e dando o meu melhor sorriso.
Ela não me respondeu, só bufou e revirou os olhos. Vejo que hoje é dia de pisar em ovos com essa garota.
— Ta tudo bem? – Perguntei me virando para encarar seu rosto, sua expressão não estava nada boa, ela estava com raiva. Certeza!
— Não, não tem nada bem. Katherine decidiu que ia de carro hoje e me deixou a pé, você acredita nisso? – Elena estava com um semblante muito irritado, eu diria que ela era capaz de derrubar a irmã só de uma tapa, de tão forte que seria.
— Sua irmã ainda é dessas? – Ri de tamanha que foi a infantilidade de Katherine. – Eu te dou uma carona. – Dar uma carona a ela, seria um bom pretexto para conversarmos, sei lá, ficou muito mal entendido sobre a noite de quarta.
— Damon, não precisa. Hoje eu vou fazer diferente, não vou à escola. – Havia um tom decidido em sua voz, pelo pouco que conheço a marra dessa garota, ela não vai mesmo.
— Ótimo, quer dar um passeio comigo? – Eu sabia que convidá-la para ir até a minha antiga casa seria de longe a coisa mais louca que vou fazer na última década.
— Pra onde? – Ela indagou curiosa.
— Se você não for nunca irá saber. – Dei meia volta e sai pelo corredor, se ela for curiosa suficiente vai aceitar, e eu estou torcendo para que seja. Desci as escadas e ouvi passos logo atrás.
— Damon, eu vou. – Elena tinha um olhar de dúvida, aposto que ela está louca para ir, mas com medo de onde eu possa levá-la.
— Tudo bem, vou só tomar meu café e trocar de roupa e então saímos. – Pisquei um olho e fui para a cozinha.
...
Dito e feito, assim que tomei café e troquei de roupa, pegamos a estrada. Não era longe daqui, ao invés disto, era uns dez minutos apenas. Vou levá-la até minha antiga casa, consegui fazer uma cópia da antiga chave, a original, estava muito velha.
Sei que não é uma boa ideia voltar à antiga casa dos Salvatore, mas eu precisava. Foi aqui que eu cresci, não tem como fechar os olhos e fingir que não. Vivi dezoito anos da minha vida aqui, é um tempo longo demais para apagar da memória.
Assim que estacionei em frente, Elena me olhou intrigada. Fui até o seu lado do carro e abri a porta para que descesse. Nenhuma palavra se quer foi dita, apenas caminhamos em silêncio até a entrada.
Girei a chave na maçaneta velha, essa casa estava muito velha. Entrei na frente, Elena logo me acompanhou mesmo relutante de entrar ali. A escuridão tomava conta de toda a casa, afinal todas as janelas estavam fechadas com cortinas grossas, outra coisa brega da época.
Chegamos ao hall, ou sala de estar. Os sofás, móveis e prateleiras cobertos com pano, mas ainda sim com muita poeira. Fui até as janelas e abri as cortinas, a luz logo invadiu a sala inteira, iluminando cada pedacinho.
— De quem é essa casa? – Elena olhava alguns objetos na estante.
— Minha. – Engoli em seco ao afirmar aquilo.
— Damon, essa casa não mora ninguém há... – Elena começou a dizer e eu completei.
— Dez anos. Eu sei, eu fui embora há dez anos quando meu pai morreu. – Tirei o lençol do sofá o que resultou numa nuvem de poeira no ar. – Eu também nasci e me criei aqui, Elena.
Ela só assentiu e continuou mexendo nos objetos velhos que tinham na prateleira.
— Esse é você? – Elena se virou pra mim com um porta retrato em mãos. Fui até onde ela estava com a foto nas mãos, um garotinho de dez anos e outro de três, sentado em seu colo, Stefan.
— Sim, sou eu. – Afirmei lembrando o dia que minha mãe me obrigou a tirar esta foto.
— E esse quem é? – Realmente curiosidade não falta nessa garota.
— Meu irmão de criação. – Inventei para não entrar em detalhes.
— Olha Damon, mais fotos suas! – Elena encontrou outras fotos espalhadas por todo canto, muitas delas tinham eu e Stefan. Outras, Stefan e minha mãe, ou minha mãe sozinha, meu pai e ela.
— Quer parar de mexer nessas coisas. – Arranquei as fotos de sua mão e joguei em cima da prateleira.
— Damon, são sua família. – Não havia explicação para minha raiva, não que eu pudesse contá-la.
— Não, são as pessoas com quem cresci, pessoas que me criaram. – Engoli em seco, pois era assim que os considerava, ali não era minha família. Nunca soube o significado de ter uma família.
Sai da sala e fui até o corredor que dava acesso ao meu antigo quarto, sei que Elena vem atrás, então não preciso temer que se perca.
...
Sabia que ter vindo aqui era um problema, trouxe tudo que eu fiz questão de afastar durante dez anos da minha vida, voltou em menos de minutos. Minha cabeça fervia a cada vez que se lembrava do que vivi aqui, da farsa que era minha família.
Ouvi o ranger da porta quando Elena entrou no quarto. Ela tinha uma expressão de medo e preocupação, acho que fui rude demais.
— Damon, me desculpa, eu não... – Tentou se justificar ainda encostada na porta.
— Não Elena, me desculpa você. Eu fui muito rude, você não tem culpa da minha desgraça familiar. – Forcei um riso, mas ele saiu parecido com um grunhido.
Ela veio até mim e se sentou ao meu lado, achei que fosse gritar comigo e exigir para que eu a levasse embora, que eu nunca seria uma boa companhia, que jamais aceitaria sair comigo de novo. Esperei, mas não aconteceu, em vez disso Elena passou a mão nas minhas costas e me abraçou. Foi um abraço terno, de longe o abraço mais verdadeiro que alguém me deu. Devolvi-o com mais intensidade, de uma forma até assustadora, pois eu não queria mais soltá-la.
— Damon, que foi? – Elena se afastou um pouco para me olhar.
— Nada é que... Você invadiu os meus pensamentos Elena, você é a única que eu confiaria trazer aqui, nesse momento eu não poderia querer alguém que não fosse você, obrigada por estar aqui. – Olhei em seus olhos ao dizer cada palavra, eles também me encaravam a cada palavra. Me aproximei dela um pouco mais, encurtei a distância entre nossos rostos e pude sentir sua respiração entrecortada. Então deixei que nossos lábios se encostasse, mesmo com medo de um possível tapa, que não aconteceu. Então eu pedi passagem com a língua e ela cedeu, e eu a beijei com mais intensidade.
Quanto mais eu beijava, mas queria sentir sua língua na minha, seus lábios. Como estávamos sentados na cama, não demorou muito para que estivesse em cima dela, nosso beijo se intensificando. Elena soltou um gemido quando mordi seu lábio inferior. Eu iria perder a cabeça se ela continuasse dando permissão inaudível para que eu tocasse seu corpo... Posso não me controlar. Que calor, vontade de arrancar essa camiseta dela e jogar no canto do quarto! Ah Elena Petrova, você está perdida nesse exato momento.
Mas como nada que é bom dura, e como eu tenho um azar infeliz, o celular dela começa a tocar nos trazendo de volta a realidade. Maldição! Quem inventou o celular?
— Ai meu Deus. – Sua boca se desvencilhou da minha, assim como logo saiu de cima de mim. – Alô? – Ela atendeu. – Não mãe, eu estou em casa. – Uma pausa. – A senhora vai almoçar em casa? – Elena arregalou os olhos. – Ta, eu faço o almoço. – E desligou.
Ainda meio sem graça em relação ao nosso beijo ela sorriu, dei um beijo em sua testa.
— É melhor a gente ir, temos um almoço para preparar. – Estendi a mão, Elena assentiu e saímos do quarto de mãos dadas.
Eu não sei que rumo aquilo tomaria, não sei que fim teria, mas ela não demonstrou sinal de arrependimento. Então que o destino nos mostre! Não sei como vou ficar em relação a Rick, eu beijei a sua enteada. Mas isso são planos para o futuro, deixa que tudo se encaminhe sozinho.
POV Caroline
Sabe aquele momento que você se sente em um covil de cobras que estão prestes a te picar? Bom é assim que me sinto quando Elena falta e me deixa sozinha, abandonada aos mausoléus. Sem minhas amigas eu me sinto muito sozinha. Bonnie foi estudar fora, Elena estuda aqui, o que não adianta de nada quando ela falta.
Dia de sexta feira não tenho as aulas particulares, o que não me faz diferença hoje, estou sem carro, vou ter que ir a pé pra casa. Mas estou com tanta fome que vou passar em uma lanchonete para comer algo. E foi o que eu fiz, passei na lanchonete mais próxima, pedi meu pedido especial e fiquei esperando.
Ainda não conseguia tirar o dia que fui a casa de Klaus e que ele me expulsou de lá, eu nunca me senti tão humilhada na minha vida. Mas ele está pagando um preço bem caro por isso, meu desprezo é a pior coisa que aquele homem já viu na vida.
Meu pedido finalmente ficou pronto, paguei e me retirei da lanchonete. Assim que sai me deparei com um tempo fechado, acho que vai chover. Também, o mês de dezembro já vai começar e o inverno vem junto.
Caminhando pelas ruas eu senti um pingo de água caindo nos meus braços, e mais um, e mais outro. Ai não, a essa altura já era chuva. Vou chegar completamente ensopada em casa! Quando vou atravessar a rua para me esconder dessa chuva, um carro vermelho que eu conheço bem parou ao meu lado.
— Sai dessa chuva, entra no carro. – Klaus sempre autoritário.
— De jeito nenhum, não posso andar no carro de um professor. – Dei as costas para o carro e continuei andando, por mais que não quisesse levar chuva, mas eu ainda estava magoada com as palavras que ele havia me dito.
Jurando que ele havia desistido só senti quando algo me puxou pelo braço.
— Ai, me larga. – Tentei me desvencilhar, inutilmente, pois a sua força era maior que a minha.
— Caroline, não faz assim. – Os olhos dele me encaravam firmes, a água da chuva escorria do seu cabelo para o seu rosto. – Olha o nosso estado, deixe-me te ajudar. Vai perder todo seu material se a água molhar seus livros, sua maquiagem já está toda borrada. – Seus braços me apertavam de um modo protetor enquanto aqueles olhos verdes selvagens me devoravam. Seus lábios estavam vermelhos, devido o frio, mas tão atrativos!
Caroline, foco!
— Tudo bem, eu vou com você. – Me desvencilhei dos seus braços. – Mas só porque não quero levar chuva. – Entrei no carro e não disse mais uma palavra.
...
Achei que jamais voltaria a entrar naquela casa, mas aqui estou eu, adentrando este lugar. Klaus percebeu que não queria papo, só me conduziu até lá em cima. Me mostrou um quarto de hóspede e avisou que havia um banheiro com toalhas limpas e água quente.
— Fique a vontade, quando você terminar de tomar banho terá roupas limpas para você aqui. – Klaus disse e sorriu amarelo, era evidente que estava com medo da minha resposta. Não disse nada, só assenti e entrei no banho.
Tomei um banho, deixei a água quente me envolver. Mas não foi um banho demorado, logo terminei, então me enxuguei, limpei a maquiagem borrada dos meus olhos e sai do banheiro. Lá se estava a roupa, uma calça preta de couro e uma blusa cinza, muito dark para o meu gosto! Porém foi o que ele conseguiu. Então comecei a vestir, na hora que fiquei de frente para o espelho, vi de relance os olhos de Klaus em cima de mim.
— Ai, que susto! – Gritei de tamanho que foi o meu espanto ao vê-lo ali parado me olhando.
— De-desculpa. Eu não... – Klaus gaguejou e respirou fundo, não conseguia me encarar sem olhar para meu corpo.
— Você estava me olhando há muito tempo? – Fiquei sem jeito, mas não desviei os olhos dos seus.
Klaus me encarou sério e desviou os olhos, ele estava me olhando há muito tempo, aposto que desde que sai do banheiro. Não que nunca tivesse ficado sem roupa diante de um homem, mas na frente dele, sob os olhos dele... Tudo parecia diferente, cada parte do meu corpo pegava fogo. Qualquer um que estivesse presente naquele quarto poderia sentir a temperatura pegando fogo. Os olhos verdes de Klaus estavam em brasa em cima de mim.
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