Segredos
13 Capítulo Doze
Notas iniciais
A noite em San Francisco está fria. Congelante.
Os corredores do hospital são silenciosos, vazios e arrepiantes. Me aproximo mais de Edward, meus dedos se arrumam entre os seus enquanto seguimos a enfermeira a nossa frente.
Arrumo a touca beanie cinza em minha cabeça apertando o casaco negro contra meu corpo. E enfermeira para diante uma porta de vidro clara, passa um cartão magnético e libera nossa passagem.
—Obrigado. – Edward agradece a ela que em silencio, maneia a cabeça.
Quietos passamos por um curto corredor até chegarmos na sala de espera.
Mordo o lábio sem jeito ao ver as duas pessoas sentadas nos sofás claros. A direita está um casal, eles têm mais idade, a mulher mantém os olhos vermelhos enquanto o senhor nos olha atento.
Ele se põe de pé, é baixo. Deve ser pouca coisa mais alto que eu. O terno preto cobre o corpo magro, e ainda contrasta perfeitamente com seus cabelos cinza claro penteados para trás num topete elegante.
Seus olhos são de um azul intenso e percebo de onde Elizabeth herdara aqueles orbes tão lindos.
—Edward. – o senhor diz, seu tom é aflito.
Pelo canto dos olhos eu vejo a senhora se levantar, ela é ruiva, não como Edward ou Esme, suas madeixas são um pouco mais claras, não é alta nem baixa e apesar de estar um pouco acima do peso, parece ter belas curvas.
—Ainda bem que chegou filho... – a senhora praticamente se joga nos braços de Edward. Dou um passo para o lado, coço a nuca sem jeito. —Esme precisa de você, ela precisa que ajude ela. – sua voz sai desesperada.
—Vovó... Se acalme. –
Vovó. Então ela é a avó de Edward.
Mordo os lábios vendo as tentativas dele para acalmá-la.
Eles são os pais de Elizabeth e Esme que não vieram no casamento de Emmet.
—Bella. – a voz de Edward me libera dos devaneios. Chacoalho a cabeça de leve antes de olhá-lo.
—Hm? –
—Pode pegar um pouco de água? – ele pede me meio ao choro alto da senhora.
Afirmo com a cabeça, olho por cima do ombro e procuro algum bebedouro. Solto um suspiro e caminho até o canto direito, retiro um copo descartável e deixo a água fresca meia-lo.
Giro nos calcanhares, Edward e a avó estão sentados em um sofá, enquanto o avô está mais afastados, falando ao telefone.
—Aqui. – paro a frente da senhora e estendo o copo. Ela ergue a cabeça e me olha de cima a baixo. Seus olhos estão inundados de lágrimas, contudo são tão frios como uma pedra de gelo.
Aperto os lábios e solto um pigarro leve, sua mão toca a minha por segundos ao pegar o copo plástico.
—Obrigada. – ela agradece mas percebo que não está agradecida.
Puxo o ar com força e me sento ao lado de Edward, que logo entrelaça nossos dedos.
A mulher encara nossos dedos com uma carranca feia.
É, ela não gosta de mim!
Arrumo a postura com o pensamento.
—Agora conte vó, o que aconteceu? – com o timbre calmo, Edward pede.
A mulher respira fundo, elegantemente limpa o canto dos olhos e curva o corpo como uma verdadeira princesa, para deixar o copo sobre a mesa de centro.
Apenas observo cada gesto seu, de modo disfarçado.
—Quando o escândalo da empresa surgiu, nós estamos fazendo compras. – a senhora conta completamente recomposta. —Então alguns paparazzi chegaram, nós saímos às pressas da loja e eu insisti que ela viesse no carro comigo, mas ela não quis. – seus dedos longos ajeitam as pontas repicadas de seu cabelo. —Ela estava dirigindo em alta velocidade, para tentar fugir deles, só que acabou batendo o carro. – sua respiração si profunda, várias vezes. Ela está tentando prender o choro.
—O médico já veio falar com vocês? – Edward pergunta doce e paciente.
—Sim. – ela afirma baixo. —Eles vão operá-la, parece que uma costela perfurou o pulmão. – ela comprime os lábios e engolindo seco. —Ryan e eu estamos esperando todos chegarem para ver quem vai poder doar o sangue se ela precisar, mas eu sei que é você filho. – a mulher se vira no sofá, seus orbes claros estão desesperados.
Cerro os olhos.
Como assim? Edward doar sangue para Esme?
—Eu? – sinto o corpo de Edward recuar.
—Sim querido, você... –
—Kathryn. – parando ao lado da esposa, o homem a interrompe. Ela ergue os olhos e fita o senhor.
Os dois parecem travar uma guerra silenciosa.
—Vamos tomar um ar, vai te faze bem. – ele estende a mão, receosa, ela a aceita. —Com licença, logo retornaremos. – ele pede sério, sua postura é impassível.
—Tudo bem amor? – me aproximo mais dele, minha mão livre afagando seu rosto. Edward me olha, seus orbes demonstram uma confusão inexplicável.
—Tudo eu só não entendi o que minha avó quis dizer. – ele agita a mão no cabelo, respira fundo e volta a ficar em silencio.
Mordo o canto do lábio inferior.
Isso é tão estranho. Se Edward for compatível com Esme, eles terão mais uma coisa em comum além da aparência idêntica.
Curvo meus lábios em um biquinho, apoio o queixo no ombro de Edward.
Talvez seja o fato deles serem tia e sobrinho... Ou eles podem ter outro tipo de parentesco?
⇜❋⇝
Já são quase duas da manhã e nada. Nenhuma notícia ainda.
Uma enfermeira permanece na sala com o propósito de socorrer alguém caso passe mal, mas não nos dá nenhuma informação.
Kathryn e Ryan estão sentados, os dois calados, com posturas duras.
Nem parece que é a filha deles que está sendo operada.
Meu celular vibra novamente em minha mão, arrumo o corpo e observo o nome de Alice piscar na tela.
Rolo os olhos.
Já mandei infinitas mensagens mas eles insistem em ligar!
—É melhor você atender. – Edward murmura seus lábios estão próximos a minha orelha, pisco demoradamente sentindo os efeitos em meu corpo.
Respiro fundo, assinto com a cabeça e me levanto.
Ele solta meus dedos enquanto arrumo o casaco em meu corpo, trocamos um rápido sorriso antes de eu sair da sala.
A varanda é afastada, mas está fria, congelante.
O céu está com uma coloração atípica, meio rosa, vermelha, eu não sei definir. Mas as estrelas de mais cedo, já se foram.
Solto o ar pela boca e posso ver a fumaça sair de mim. Alice volta a ligar e dessa vez, eu a atendo no primeiro toque.
—Meu Deus, até que enfim! – ela diz e logo as vozes começam a se misturar.
Ela está no viva voz.
As perguntas são disparadas em minha direção sem freio, aperto os lábios e espero que eles se acalmem.
—Gente... – peço fitando a baixo de mim a ponte Golden Gate. O mar está agitado. —Gente... – minha voz sai mais alta, o que os cala. —Posso falar? –
—Fale. – Renée pede ansiosa.
—Ela vai ser operada, não sei o que aconteceu direito porque quando cheguei o médico já tinha vindo falar com os pais dela. – respiro fundo, o ar gélido queima meu nariz. —Talvez ela precise de sangue... Eu não sei falar direito, porque como eu disse, não ouvi as palavras do médico. –
—Mas é grave? – Suzane pergunta após uns segundos de silencio.
Mordo o canto do lábio inferior, minha mão livre se infiltra no bolso do casaco.
—A avó de Edward contou que foram várias fraturas, mas eu não sei se foram fraturas graves. – murmuro relembrando de suas palavras. —Eu vou ter que desligar, quero ir ficar com Edward. –
—Ok, só não deixe de nos manter informados. – Phil pede calmo.
—Vou manter. – fecho os olhos quando um vento frio passa por mim, meus cabelos dançam no ar e preciso segurar minha touca na cabeça. —Não vou voltar para casa hoje, então não me esperem. – aviso com pigarro. —Até amanhã, qualquer coisa, mando mensagem. –
Suas respostas se misturam, rio com a desordem e desligo o celular.
Adentro novamente no hospital, o ar quente me faz suspirar. Caminho com passos calmos até a sala de espera, o ambiente claro e silencioso me causa arrepios.
—Você vai mesmo casar com ela? – ouço a voz do avô de Edward, seu tom é de perplexidade. Recuo um passo, meu coração bate freneticamente em meu peito.
Estão falando de mim!
—Vou. – Edward reponde, pelo seu tom, ele parece zangado.
—E porquê? – cerro os dentes com a pergunta de Kathryn.
—Porque ela está grávida. – Edward murmura. —E eu nunca deixaria um filho meu desamparado. – engulo seco com as palavras dele.
Mas ele disse que me ama! Será que está cansando comigo apenas pela gravidez?
—Mas você nem quer essa criança! — o timbre desdenhoso de Ryan me deixa com raiva. —E não é preciso que você se case para amparar seu filho. -
Apoio as mãos em minha barriga, ela ainda está lisa, não há nenhum sinal que demonstre minha gestação.
Engulo o nó em minha garganta.
Essa criança... Isso não é jeito de falar do meu bebe!
—Não queria mesmo. Nunca quis ser pai, mas nem por isso eu vou abandoná-lo. Eu o fiz e eu o assumirei. – prendo a respiração por segundos. —E eu quero dar a ele uma família, coisa que eu não tive. –
Sorrio com suas palavras, um longo silencio se forma lá dentro.
—Mas Edward, ela não parece ser boa o suficiente para você. – ofego com a fala de Kathryn.
—Por favor vovó, Bella é perfeita para mim. – apoio o corpo na parede. —Eu a amo e vou me casar com ela, goste vocês ou não. – mordo o lábio inferior e sorrio.
É, ele me ama!
Respiro aliviada. Arrumo o corpo e mantenho uma postura firme.
Velhos escrotos! Tão escrotos quanto o genro!
Caminho para a sala, meus saltos se chocam contra o porcelanato. Os três me olham surpresos e até assustados, sorrio para Edward e me sento ao seu lado.
Ele passa o braço por minha cintura e deixa um beijo casto sobre minha testa.
—Algum problema? – seus dedos colocam minha franja para o lado.
Puxo o ar com força e nego com a cabeça.
—Não, eles só estão preocupados. – sorrio fraco recostando a cabeça em seu ombro.
Seus avós nos olham de soslaio. Solto a respiração pela boca e os ignoro.
Pessoas assim devem ser ignoradas, gentinha esnobe!
Barulhos de passos se misturam com vozes conhecidas, olho para o corredor da porta e logo Emmet e Rosalie entram na sala.
Ele encara os avós, sua feição preocupada fica gélida por alguns segundos. Emmet aperta os lábios, e com o rosto contraído, posso ver a semelhança entre os irmãos.
É pouca, contudo existe.
Edward se põe de pé, os dois trocam um rápido abraço enquanto Rosalie se aproxima de nós.
—Bella. – Emmet se inclina e deixa um rápido beijo em minha bochecha.
—Olá, Emmet. – trocamos um rápido sorriso. Rosalie abraça Edward por longos minutos, os dois mantem uma conversa baixa.
—Então nossa família está crescendo? – ele indaga contente.
Coço a nuca sem jeito e confirmo com a cabeça.
—Parece que sim. – ele ri de minhas palavras, Rosalie vem até mim tendo em mãos uma caixa retangular devidamente embrulhada.
Trocamos um rápido abraço, nada muito íntimo.
—Edward nos contou a novidade. – ela sorri grandiosamente. —Então eu tive que comprar um presentinho. –
Mordo o lábio inferior e sorrio pegando o pacote.
—Obrigada. – agradeço a ela que engrandece o sorriso.
—Não precisa agradecer. – responde se acomodando no abraço do marido.
Respiro fundo e me sento, acomodo o pacote claro em meu colo. Solto a fita creme e tiro a tampa da caixa.
Com cuidado tiro os papeis brancos onde o nome da marca, Dior Homme, brilha.
São duas peças, uma rosa e outra branca e preta.
—Como ainda não sabe se é menino ou menina, trouxe um para cada. – a olho rapidamente e posso ver que Edward encara a caixa com ansiedade.
Pego a da direita e a ergo, não posso deixar de sorrir ao ver o casaco rosa bebe. Ele é pequeno, bem pequeno. Com botões na frente e gola perfeitamente engomada.
—Que gracinha. – murmuro encantada, pela primeira vez, imagino um bebezinho meu e de Edward.
Será que vai parecer com ele, comigo, ou vai ser uma mescla de nos dois?
—Rosalie queria trazer o closet do bebe completo de Paris. – Emmet brinca, recebendo um olhar feio da esposa.
Rio leve, com cuidado dobro o casaquinho e o deixo na caixa.
Volto minha atenção para a peça branca e preta. Com delicadeza eu a pego. Não prendo o sorriso ao ver o suéter xadrez por cima da polo branca.
—Tem até abotoaduras! – Rosalie senta ao meu lado e mostra o objeto dourado. —Não é uma gracinha, Edward? – então toda a atenção se vai para ele.
Edward que mantinha um sorrisinho no canto dos lábios, recua o corpo surpreso. Ele passa a mão pelo cabelo, respira fundo e me olha, antes de voltar sua atenção para as roupinhas.
—É... É muito bonito. –
Abaixo a cabeça com sua resposta e não faço nenhum esforço de esconder o sorriso.
Parece que eu não sou a única a estar mais simpatizada com a ideia de ter um bebe!
⇜❋⇝
Cubro os lábios ao bocejar, meu corpo está cansado e meus olhos se recusam cada vez mais, a ficar abertos.
Sentados no sofá, Rosalie e Emmet conversam baixo, os dois que acabaram de voltar da lua de mel se recusaram a ir para casa, assim como Edward que quer esperar a chegada da mãe.
Ryan e Kathryn se mantem afastados no canto da sala, ambos com as feições fechadas.
Respiro fundo, olho para o relógio na parede. São quatro da manhã.
Praguejo mentalmente com uma vontade enorme de estar deitada em minha cama, envolta em meus cobertores, curtindo o friozinho da madrugada em um sono pesado.
Bocejo novamente, lágrimas molham os cantos dos meus olhos, os coço com as mãos. Arrumo meu corpo no sofá, os olhos de Edward se voltam para mim.
—Está cansada? – sua voz sai doce, seus dedos afagam meu rosto.
Sorrio de leve e nego com a cabeça.
—Não tente mentir, baby. – seus braços me rodeiam, solto um suspiro acomodando a cabeça em seu peito forte. —Vou levar você para casa. – ergo os olhos, cerro-os e novamente, nego com a cabeça.
—Não. Vou ficar aqui com você. – minha voz sai mais firme do que espero e isso me deixa orgulhosa.
Edward me olha com os olhos cerrados, abaixa um pouco a cabeça até unir seus lábios aos meus em um selinho rápido.
Ele abre os lábios pronto para dizer algo, porém vozes alteradas o cala. Sigo o olhar para o corredor que leva a porta de entrada e tenho tempo de ver Carlisle adentrar na sala.
Recuo o corpo instantaneamente, ele está acabado!
As roupas amarrotas, meio sujas, os cabelos desastrosamente bagunçados.
Seus olhos estão vermelhos, ele está chorando.
—Como ela está? – sua voz é pura aflição. Percebo que ele mal nos olha indo direto para os sogros.
Kathryn se põe de pé, sua feição contraída demonstra como está enojada pela aparência do loiro.
—Como ela está, Kathy? – Carlisle a segura pelos braços dando-lhe um leve tranco. Edward e Emmet prontamente se põem de pé, assim como Ryan que faz questão de afastar a mulher dele.
—Carlisle! – o pai de Esme ralha. —Se acalme, por Deus! – sua voz é firme, dura, impassível.
Mordo a ponta da unha, me remexo no sofá e os fito de soslaio.
—Como eu vou me acalmar? Eu preciso saber como ela está... – desesperado, ele infiltra as mãos nos cabelos.
—Não seja cínico. – Kathryn fala mais alto, Carlisle a olha raivoso. —Não sei para que fazer tal escândalo quando está prestes a se separar dela! –
Puxo o ar pela boca, engulo o ar com dificuldade.
Meu Deus... Essa família solta uma bomba atrás da outra!
—Pessoal, vamos manter a calma... – a enfermeira que antes observava a discussão de fora, se aproxima dos três.
—Foi ela quem pediu o divórcio! – Carlisle contrapõe ignorando o pedido da mulher desconhecida. —Ela quem quis se divorciar... – ele repete mais baixo, ainda com as mãos nos cabelos ele parece pensar de cabeça baixa.
Um silencio grotesco se apossa do ambiente. Ninguém fala nada, se ouve apenas as respirações fortes.
—Estávamos tão bem... – Carlisle murmura caindo sentado na poltrona branca. —Íamos viajar no fim do ano. – seu timbre choroso me penaliza, abaixo a cabeça e respiro fundo.
Ele está sofrendo, coitado!
—Mas foi só essa cretina aparecer que tudo se transformou em um inferno! – seu tom é tão raivoso que me faz erguer a cabeça.
Recuo o corpo ao ver que todos me olham, os orbes de Carlisle mostram tanta ira que sinto medo, muito medo.
E eu com pena dele.... Isabela, você é mesmo uma cretina!
—É bom medir as palavras. – Edward avisa com a voz crispada. —A menos que queira voltar a ter o olho roxo. –
Emmet prontamente se aproxima do irmão.
—Ignore o que ele diz, não vale a pena discutir. – os dois trocam um olhar cumplice, é notável a união entre eles.
—Que lindo, os dois irmãos juntinhos! – batendo palmas, Carlisle se levanta.
Rosalie praticamente corre até o sofá onde estou ela senta ao meu lado, enquanto Emmet e Edward se localizam a nossa frente.
—Quem olha pensa que há uma cumplicidade enorme, como duas amiguinhas adolescentes. – seu tom é irônico e cínico.
—Por favor, se acalmem! – arqueando as mãos a enfermeira pede, sendo prontamente ignorada.
—Carlisle! – Ryan ralha, porém ele não para.
—Se eu fosse você Edward, não considerava tanto a amizade de Edward. – Carlisle ri, seus dedos passam entre seus fios loiros ajeitando-os um pouco.
—Cale a boca! – Emmet dispara alterado.
—Oh, agora você fala comigo, não é? – o loiro cruza os braços e ri alto. —Anda não contou para ele? – os olhos claros encaram o filho mais velho por segundos.
Cerro os olhos, Rosalie cobre o rosto com a mão, Kathryn e Ryan se aproximam, Emmet parece assustado enquanto Edward o encara sem entender.
—Contou o que, Emmet? – Edward indaga surpreso.
Carlisle gargalha com vontade.
—Ele ainda não sabe? – dessa vez, Carlisle pergunta aos sogros.
—Carlisle, é melhor ficar quieto! – Ryan ameaça, a mulher o segura impedindo sua ida até o genro.
—Eu serei obrigada a chamar a segurança se vocês não se acalmarem. – a voz da enfermeira soa pela sala e novamente é ignorada.
—Não sei do que? – mais nervoso, Edward pergunta. —Caralho do que ele está falando? – passando a mão pelo cabelo, Edward praticamente grita.
Carlisle se aproxima e posso sentir o cheiro de álcool de que emana. Aperto os lábios enojada.
—Eu vou lhe contar filho. – ele diz com um carinho falso rondando sua voz. Edward afasta as mãos do pai e recua um passo.
Estico a mão e pego a sua, ele me olha por segundos, contudo logo volta a encarar Carlisle.
—Carlisle, por favor. – Kathryn pede aflita.
—Vou lhe contar o que todo mundo aqui presente sabia e você não. – erguendo o dedo, Carlisle caminha pela sala. —Exceto sua namoradinha de esquina. – aperto a mão de Edward o impedindo de partir para cima de Carlisle, Emmet também o segura.
—É melhor você se calar antes que... –
—Não. – com a voz dura, Edward corta o irmão. —Deixe ele falar. – ele está de costas para mim, porém eu aposto que seu maxilar está cerrado.
—Posso começar a história? – arqueando as mãos, Carlisle olha pela sala, ninguém responde. —Ótimo! – ele ri cinicamente.
Seus olhos vagam novamente pela sala, e dessa vez eu os sigo. Bufo alto, até a enfermeira parece interessada na história.
Os orbes claros de Carlisle, param em Edward, eles estão frios, livres de qualquer emoção. O clima da sala fica mais sério, mais tenso, todos nós estamos tensos.
Aperto os lábios, meus dedos se entrelaçam aos de Edward e tento lhe passar força.
Porque eu tenho a sensação que essa ‘história’ de Carlisle, vai deixa-lo completamente abalado?
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