Segredos
17 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
Dentro da área reservada do grande restaurante em Nob Hill, eu escuto atentamente as apresentações da consultora de imóveis.
Há quase uma hora que estamos aqui, entre goles e mais goles de café, já foram apresentadas mais de onze casas.
Arrumo o corpo na cadeira estofada, mordo a ponta do dedo e tento prestar atenção nos adjetivos que ela solta demonstrando como a suíte máster da cada da vez, é incrível.
—A suíte do casal incorpora um andar inteiro. – sua voz demonstra todo o orgulho que sente. —E a localização é excepcional! – sua voz aumenta uma oitava.
Volto os olhos para a foto no tablet a minha frente.
Sim, a suíte é realmente excepcional, mas vamos lá... Qual a necessidade de quatro andares?
Mordo o canto do lábio, pego a xícara e tomo um gole do café que já começa a esfriar.
—Sabe o que é... – começo a falar, ela arruma a postura e sorri esperando minhas palavras. —São quatro andares e muitas escadas, acho que isso não combina muito com criança pequena. –
Ela suspira e com um gesto de cabeça, concorda.
—Tem razão. – sua risada sai meio sem graça. —Prefere residências com apenas um andar, então? –
Abro os lábios para responder, contudo a presença de Edward me cala.
Ele me lança um rápido sorriso antes de se sentar ao meu lado.
—E então, gostou de alguma? – pegando minha mão, ele me olha.
Maneio a cabeça respirando fundo.
—Gostei, mas como eu estava dizendo acho que não seria legal ter uma casa com muitas escadas. –
Edward cerra os olhos, parece não entender.
—Porque? –
—Por causa do bebê... Acho perigoso. – puxo o ar pela boca. —Fora que não é bom para a Tia Suzane, ela tem problemas na coluna... Você sabe. –
Edward curva os lábios em um biquinho, abaixa o olhar e fica alguns segundos em silencio, parece pensativo.
—Eu posso conseguir casas sem escadas, com apenas um andar. – a consultora se pronuncia, ganhando a atenção de Edward.
—Qual a casa que você gostou? – sem dar respostas a moça a nossa frente, ele me olha.
Pigarro baixo, retiro a franja dos meus olhos e encaro o aparelho eletrônico nas mãos da mulher.
—A da praia, na marina. – murmuro me relembrando das fotos.
A casa é realmente um espetáculo, de frente para o mar com uma praia mais reservada. Sua arquitetura é moderna e ao mesmo tempo, clássica, os cômodos são amplos e maravilhosamente arejados e as janelas envidraçadas que vão do chão ao teto, conseguem aproveitar o máximo da luz natural.
—Na marina? Aquele bairro é meio cheio... – Edward parece equivocado com meu gosto.
—Realmente a Marina é bastante movimentada, o que há de melhor na vida noturna está localizado lá, porém a área da residência é mais afastada disso. –
Mordo os lábios, arrumo o corpo na cadeira.
—E a casa também tem três andares, fora o porão. – digo a Edward que lubrificando os lábios com aponta da língua, olha para a corretora.
—Quero ver as fotos. – aponta para o tablet e de imediato a mulher começa a procurar pela residência.
—Pode olhar senhor Cullen. – ela entrega o aparelho a Edward que fita atento, a tela digital. —Começando pelo hall de entrada que é amplo e arejado, fora que essa escada... Essa escada é perfeita, vamos combinar! – o sorriso da mulher se alarga.
Não escondo o meu também, ao fitar a foto bem angulada. O cômodo parece ser todo branco, a escada centralizada segue dividida em dois caminhos, esses que se distanciam em curvas perfeitas.
A trás, pode-se ver o grande jardim com coqueiros.
—Essa é a sala central, ela é enorme tem 150 metros quadrados, o pé alto com cinco metros os deixam livres na escolha do lustre. – a animação da mulher é palpável e chega a contagiar.
Se eu já gostava da casa antes, agora estou amando.
—Ela tem tem uma vista deslumbrante da baía, Alcatraz, Angel Island e a Ponte Golden Gate. – tomando folego, ela para por alguns segundos. —Assim como a suíte máster que, ouso dizer, é o cômodo mais elaborado que já vi. –
Edward me olha e sorri levemente, inclino o corpo e apoiando a cabeça em seu ombro, eu passo a foto.
—Ela conta com espaço para uma sala de estar, e ainda possui uma linda e enorme jacuzzi na varanda onde um maravilhoso deque de madeira, lhes oferece um lugar exclusivo para apreciar a vista marítima. –
—A casa tem isolamento acustico? Porque essa região é muito barulhenta. – Edward profere a mulher que alarga ainda mais seu sorriso.
—Isolamento em todos os cômodos, inclusive no salão da piscina interna. –
—Ual. – solto admirada, um suspiro sai por meus lábios.
—Os outros quartos são maravilhosos, grandes, altos, arejados... Este aqui, é perfeito para o bebe. –
Volto os olhos para o tablet vendo o cômodo vazio. Edward passa a foto e posso ver que há três ambientes grandes, divididos por pérgulas de madeira.
—Os detalhes emadeirados podem ser retirados que não vai causar nenhum problema na estrutura. –
—Eu acho lindo. – falo animada.
—Imagine-o decorado? – a mulher murmura, abro um sorriso deixando minha mente vagar pelas milhares de opções. —Ainda pensando no bebe, lhes mostro o grande jardim onde podem montar um parquinho para ele ou ela, brincar. –
Mordo os lábios vendo o grande espaço todo gramado.
—E não se preocupem, as duas piscinas, são separadas dessa área. –
Passando as fotos, vejo uma das piscinas. Ela percorre toda a lateral direita da casa e é gigante, sua borda infinita chega a assustar.
—Também temos uma quadra de tênis, um minicampo de golfe... E em um dos ambientes no porão, foi construído uma pista de boliche. – prendo a respiração por segundos verdadeiramente impressionada. —Como podem ver, a casa além de completa, é segura, maravilhosa e ainda de frente para a praia. – não deixo de sorrir. —É perfeita não é? – a mulher me olha, assim como Edward.
—Você gostou da casa? – ele me fita atentamente. —Nem precisa responder, já sei que amou. – Edward sorri torto entregando o tablet para a mulher.
—Hãn? – recuo o corpo sem entender.
—Seus olhos estão brilhando e não para de sorrir. – suas palavras saem mais baixas. Mordo os lábios e suspiro.
Ele me conhece muito bem.
—Vamos ficar com a casa. – informa a mulher que sorri orgulhosa.
—Fizeram uma bela escolha, vocês não vão se arrepender. – ela diz contente.
—Mas amor... E as escadas? Tia Suzane ela... –
—Peço para colocarem um elevador para ela. – ele me corta afagando meu rosto. —Assim que contratarmos um engenheiro para reformar a casa, já mando instalar um. –
—E quanto ao bebe, se me permitem intrometer, podem instalar as gradinhas de proteção. – mordo os lábios ouvindo suas palavras. —Elas são removíveis e não é necessário furar paredes ou fazer algo que estrague a estética da casa. –
Respiro fundo, mordo os lábios e me reservo em silencio.
A casa é realmente perfeita. E fora os problemas, que já foram solucionados, com as escadas não há mais nada que eu não goste.
—E então, podemos fechar a compra? – meio temerosa a mulher pergunta.
Ergo os olhos recebendo os de Edward.
Ele me fita em silencio, como se estudasse minha face à procura de qualquer resposta. Solto um suspiro e então sorrio, ele prontamente retribui.
—Sim, podemos fechar a compra. –
⇜❋⇝
Não prendo o sorriso ao ver o modo carinhoso como Edward conversa com Esme. Os dois se olham com uma intimidade e ternura que faz suspirar.
Será que é coisa de mãe e filho?
Mordo os lábios enquanto Edward ri das palavras da mãe. Suspiro, apoio a mão sobre minha barriga afagando-a de leve.
Talvez seja!
Lubrifico meus lábios com a ponta da língua, Esme volta sua atenção para meu ultrassom e o sorriso em sua boca só aumenta.
Posso ver o brilho em seus olhos aumentar consideravelmente.
—Está com menos de dois meses ainda? – parecendo ansiosa, ela me olha. Sorrio levemente concordando com um aceno. —E você não tem enjoos, tontura.... –
—Sabe que não. – retiro a franja dos olhos com as pontas dos dedos. —Não tive mal-estar algum. –
Edward ergue os olhos para mim, arqueia as sobrancelhas sem deixar de me olhar.
—Claro que teve. Lembra aquela vez que você passou mal na empresa? Já estava grávida naquela época. – rolo os olhos com suas palavras.
—Gravidas de poucos dias, então não conta. – ele maneia a cabeça e encara a pasta na mão da mãe.
—Por falar em empresa, como andam as coisas por lá? – o clima do quarto muda de repente. Pigarro sem jeito, Edward passa a mão pelo cabelo e demonstra como o assunto lhe desagrada.
—Mãe... – a palavra sai tão natural de seus lábios que parece que ele a chamou assim a vida toda.
Volto a sorrir.
É incrível como o fato de vê-lo feliz me deixa tão plena e contente.
—Eu quero saber o que anda acontecendo, estou aflita. – fechando a pasta do meu ultrassom, Esme acomoda as mãos sobre suas pernas esticadas. —Me conte. – volta a pedir.
Edward me olha rapidamente, antes de voltar sua atenção para a mãe.
—O governo está investigando se a acusação procede, a conta bancária da empresa foi bloqueada assim como os bens ligados a ela. –
O semblante de Esme continua ameno.
Não deixo de observar em como ela é bonita. Assim, livre de qualquer cosmético caro e milagroso, ela consegue ser naturalmente linda.
—E Carlisle, como ele está? –
Cerro os olhos sem entender sua pergunta.
—Ele não veio te ver? – tão confuso quanto eu, Edward indaga.
—Pedi que não o deixassem entrar. – suspirando, ela abaixa a cabeça. —Não quero vê-lo. – seus dedos levemente inchados, se entrelaçam. —Não depois do que ele fez. –
Um longo e chato silencio paira entre nós.
Os únicos barulhos presentes no quarto são os dos aparelhos ligados a Esme.
—Se você gosta dele... – Edward é o primeiro a romper a quietude incomoda do quarto.
—Não amor, nem termine. – pegando a mão dele entre as suas, a ruiva suspira. —Carlisle sabe como fomos infelizes, como fomos castigados pelo o que nossos pais fizeram e mesmo sabendo disso ele queria fazer o mesmo com você. –
Os dois se olham por longos minutos, até Edward suspirar longamente e encerrar a conversa dando um beijo na cabeça da mãe.
Novamente meu peito infla de felicidade, deixando-me até abobalhada.
Isso é tão fofo da parte dele!
Duas batidinhas na porta me fazem desviar os olhos dos dois e olhar por cima do ombro. A porta se abre, revelando um Emmet sorridente a nós.
Ele demora um pouco para perceber que Edward está presente e o modo como fica sem jeito é visível.
Respiro fundo, e olho para Edward, esse que mantém o maxilar cerrado.
Rolo os olhos. Já está mais do que na hora dele parar com essa birrinha infantil!
—Bom dia. – acenando para nós, ele fecha a porta com cuidado. Mesmo estando sem graça, não deixa de sorrir.
—Bom dia. – Esme e eu respondemos em uníssono.
Edward bufa, abaixa a cabeça e em agindo como uma criança, trata de ignorar a presença do irmão ali.
Mordo o canto dos lábios.
Ok, Emmet errou ao não contar a ele a verdade, mas isso já é demais!
Parando ao meu lado, Emmet se abaixa para beijar o rosto de Esme.
—Como você está tia? –
—Bem melhor, e você? – carinhosa, ela o encara. Edward cerra os olhos, parece enciumado.
Cubro os lábios com as pontas dos dedos, prendendo o riso.
—Bem. – ele suspira fundo ao pronunciar.
—E a Rose? –
—Ela está bem, queria vir para cá mais cedo, porém ela teve um imprevisto na agencia. – tomando folego pela boca, Emmet faz uma breve pausa. —Logo aparece por aqui. – sorrindo, ele conclui sua frase.
—Já viu os ultrassons do meu neto? – orgulhosa, Esme ergue a pasta verde clara. —Olhe que coisa mais fofa! – ela exclama sorridente.
Sorrio de leve ao vê-la esbanjar orgulho.
Um toque alto de celular rompe na sala. Ergo a cabeça e assim como Esme e Emmet, encaro Edward.
Ele pigarra baixo, se afasta um pouco e tira o celular do bolso.
—Já volto. – lançando um breve sorriso a mim e a mãe, ele caminha para fora do quarto.
Respiro fundo, por baixo dos cílios vejo Esme e Emmet se entreolharem.
—Ele ainda está com raiva de você? – pergunta ela, pesarosa.
Emmet puxa o ar com força e sem palavras concorda com a cabeça.
—Tento falar com ele, mas não adianta. –
—Edward só precisa de um tempo. – murmuro mais baixo. —Logo ele vai perceber como está sendo infantil e vai te desculpar. –
Emmet sorri maneando a cabeça.
—Espero. – com um suspiro, ele arruma a gola alta da blusa de lã no pescoço. —Mas no fundo ele tem razão... Eu o trai, deveria ter lhe dito a verdade assim que descobri. – sua voz fica embargada de culpa. —Não fui leal a ele e sei que se fosse comigo, também reagiria assim. –
—Vocês vão se entender querido. – pegando a mão do sobrinho, Esme soa confiante.
O barulho da porta sendo aberta, encerra de vez nosso assunto. Edward logo aparece na sala.
Solto um suspiro enquanto ele caminha até a maca grande.
Está tão lindo, o terno fit negro o deixa incrivelmente sedutor.
—Algum problema? – pergunto me acomodando entre seus braços, que envolvem de modo possessivo, minha cintura.
—Não, mas precisamos ir. – ele murmura beijando minha testa, não consigo prender outro suspiro. —Era da empresa que está responsável para cuidar do nosso casamento, temos uma reunião em uma hora. – Edward conta e não deixo de sorrir. —Você não se importa se nós formos, não é mãe? –
Esme que nos olha sorrindo, apenas nega com a cabeça.
—De jeito nenhum. – sua voz é carinhosa. —Só espero que me deixem a par de cada detalhe. – ela pede animada.
Rindo, eu me afasto de Edward. Os dois se despedem rapidamente, porém posso sentir o carinho que emana de cada toque deles.
—Volto mais tarde com Edward. – falo para Esme que me abraça com cuidado, mesmo estando melhor, ela continua debilitada.
—Ok, meu amor. – sua voz emana ternura. —Não deixe de se cuidar. – pede apertando a ponta do meu nariz. Rio arrumando a postura. —Ah, do meu filho e do meu neto também. – divertida, ela me lança uma piscadela.
—Pode deixar. – me aproximo de Emmet e recebo seu abraço rápido. —Tchau gente. – caminhando com Edward para fora do quarto, eu aceno a eles.
Em silencio nós seguimos pelo corredor longo e vazio, os dois elevadores estão abertos e livres.
Pelo visto hoje estamos com sorte!
—Porque estamos indo tão cedo? A reunião não é em uma hora? – enquanto Edward aperta o botão no painel do ascensor, eu indago.
Ele me olha por sobre o ombro, sorri levemente, as portas de metal se fecham.
—Achei que fosse querer ir buscar sua tia e sua mãe para elas irem conosco. – ele explica, seus braços rodeiam minha cintura.
Suspiro verdadeiramente encantada.
—Que foi? – beijando a ponta do meu nariz, ele indaga.
—Você. – mordo meu lábio inferior, simplesmente não consigo parar de sorrir.
—O que tem? – ainda sem entender, Edward inclina a cabeça.
Estico o corpo e beijo seus lábios levemente.
—Nada não. – murmuro mais baixo. Edward sorri, coloca meus cabelos atrás da minha orelha e me aperta mais em seu abraço.
Fecho os olhos, é incrível como tudo está perfeito! Tudo em seu devido lugar... Claro que só melhoraria se Edward se entendesse com Emmet.
Mordo o canto interno da minha bochecha, apoiando o queixo no peito de Edward, eu ergo os olhos até sua face.
—Amor? – chamo recebendo de imediato, seu olhar.
—Sim? –
—Porque não se acerta com Emmet? – ele não me responde, mas posso senti-lo mais sério. —Edward, ele é seu irmão... –
—Eu sei que ele é irmão, e isso só piora a situação quando eu me lembro do que ele fez. – sua voz sai dura.
—Ok amor, ele errou, mas quem nunca errou? – o elevador para, afasto o corpo do de Edward porém nossas mãos continuam unidas. —Poxa vocês eram tão amigos e agora estão assim? Não vale apena ficar brigado por bobagens. –
—Não é bobagem, Bella. – as portas pesadas se abrem com facilidade.
Edward sai do elevador me puxando com ele.
—Ele traiu minha confiança, ele sabia como eu tratava minha própria mãe e mesmo assim, se manteve calado. – abaixo os olhos, respiro fundo.
Eu sei que ele tem razão. Eu também ficaria magoada.
—Tudo bem. – solto resignada. —Vamos dar tempo ao tempo, então. – ele me olha e sorri.
Ergo o olhar e já posso ver os grandões de Edward de pé.
Cameron abre a porta para nós, com a ajuda de Edward, eu me instalo dentro do veículo grande e espaçoso.
Assim que Edward se senta ao meu lado, sinto a curiosidade queimar dentro de mim.
Respiro fundo e então solto as palavras de uma vez.
—Edward, seu pai tentou casar Emmet com outra pessoa, quando os pais de Rosalie romperam o contrato com a empresa? –
Seus olhos verdes ficam surpresos, ele permanece em silencio enquanto prende nossos cintos.
—Não, Carlisle sempre foi a favor do casamento dos dois. – sua voz sai controlada. —Rosalie é filha única então todos os bens de seus pais passaram para ela, quando eles falecerem. – arrumando o corpo no banco, Edward respira fundo. —E como Emmet e Rose são casados... –
—O que é de um, é do outro. – solto baixo, completando suas palavras.
—Exato. –
—Mas... O Emmet se afastou da empresa porque? – indago novamente, pela janela posso ver a multidão de paparazzi que tenta se aproximar de nosso carro.
Engulo seco e espero que isso passe logo.
—Porque ele descobriu a verdade. – tendo um sorriso amargo nos lábios, Edward me olha. —Antes de eu descobrir tudo também achava que Carlisle queria fazer com Emmet o que tentou comigo, mas sabe... Sempre tinha algo que não se encaixava, porque aos olhos de Carlisle, Rosalie sempre foi um ótimo negócio. –
Aperto os lábios arqueando as sobrancelhas.
—Entendi... –
Sua mão pega a minha, sorrio de canto entrelaçando nossos dedos.
—Mais alguma dúvida, menina curiosa? – com a mão livre, Edward afaga meu rosto. Rio baixo e nego com a cabeça.
Sem mais, ele inclina a cabeça e põe fim a nossa conversa, com um beijo.
⇜❋⇝
Sentada na cadeira de couro, acomodo minha cabeça no braço de Edward. Coço os olhos e bocejo longamente.
Há mais de dez minutos que estamos aguardando a chegada da nossa cerimonialista.
Ao nosso lado, Suzane folheia uma revista com tédio, enquanto Renée conta a Edward sobre como está feliz com nosso casamento.
Fico me perguntando, como ele reagiria se ainda fosse aquele executivo filhinho de papai e fodidamente mal-educado.
Na certa Renée já teria calado a boca há muito tempo.
Prendo o riso e olho para ele. Edward ouve atento as palavras de minha, inconstante, mãe.
—Com licença. – uma voz suave preenche a sala, olho para a frente e vejo a mulher atravessar a porta de madeira.
Ela sorri, é muito bonita e elegante.
Deve ter uns quarenta anos. Sua pele é parda, uma cor meio dourada, incrivelmente linda. Os cabelos encaracolados na altura do ombro tomam um jeito despojado e moderno.
Ela arruma o terno no corpo antes de se sentar, arrumo o corpo na cadeira e retribuo o sorriso que ela me lança.
—Desculpem o atraso, tive alguns imprevistos. – ela explica com um pigarro, deixando o computador sobre a mesa. —Te juro Edward, quando Rosalie me contou que você ia casar, eu tive que sentar. –
Não deixo de rir de suas palavras. Edward respira fundo, maneia a cabeça e sorri torto.
Tão encantador e lindo!
—Presumo que a senhorita seja a noiva. – sorrindo, ela me estende a mão. —Como vai querida? –
—Bem e você? – devolvo o cumprimento educadamente.
—Estou ótima. – ela graceja, se voltando para Suzane e logo, para Renée.
Não deixo de me sentir mal... Queria tanto que Alice estivesse aqui!
—Mas então, vamos falar do casório... Vocês já tem alguma data em mente? –
Olho para Edward, ele passa a mão no cabelo e arruma o corpo na cadeira.
—Não mas... Temos pressa. –
—Uh, quão grande exatamente é essa pressa? – a mulher pergunta, ela é extremamente simpática.
—Gigante. – dessa vez sou eu quem falo. —Eu estou grávida então, queria casar antes da barriga crescer. – informo a ela que agiganta seu sorriso.
—Parabéns a vocês. – maneio a cabeça agradecendo. —Mas então, dentro de dois meses está bom para vocês? –
—Eu estava pensando em um mês. – Edward fala de imediato.
Suzane ri divertida, enquanto Renée bate palminhas animada.
—Um mês... – surpresa a mulher morde o lábio inferior. —Vou ter trabalho e senhorita também. – apontando para mim, ela pisca. —Porque o tempo é curto demais, porém acho que consigo. –
—Ah, que emoção! – praticamente quicando na cadeira, Renée comemora.
Não prendo o riso, assim como os restantes presentes.
—Casar um filho é realmente emocionante. – a cerimonialista profere abrindo o notebook a sua frente. —Vocês têm preferência por dia da semana? – ela volta a nos olhar.
Ergo os olhos para Edward, ele maneia a cabeça e entendo que ele não tem preferência alguma.
—Eu não sei... O que você acha, tia? – olho para Suzane.
Ela respira fundo, arruma o casaco de couro no corpo e retira o cabelo do rosto.
—Acho que seria bom em uma sexta-feira. –
Mordo os lábios.
—E você mãe? –
—Concordo com a tia Suzane, uma sexta ou um sábado. – Renée diz mais centrada.
—Acho que na sexta, então. – falo a mulher que assente, voltando os olhos para o computador.
—Sexta... Dentro de um mês, temos dia vinte e dois e dia vinte e nove. – ela informa. —Hoje é dezessete, dá pouco mais de um mês, porém... –
—Dia vinte e dois. – Edward é rápido em sua resposta. —Pode ser, não pode? – seus olhos se voltam para mim.
Estão tão carinhosos que me deixam de coração acelerado.
Mordo o lábio inferior e suspiro.
Esses efeitos Edward Cullen... Ah, Deus! Espero que nunca acabem!
—Pode sim amor. – concordo sorridente.
Edward se inclina e beija meus lábios castamente.
—Então já vamos agendar aqui. – os barulhos dos dedos da mulher se chocando com o teclado do notebook, são altos. —Dia vinte e dois de Outubro, casamento de Edward Cullen e Isabela Swan. –
Meu sorriso se alarga no rosto. Suzane me olha, está tão feliz quanto eu.
Puxo o ar pela boca, mal posso acreditar que isso está mesmo acontecendo!
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