Segredos
4 Garoto de Aluguel
Notas iniciais
Sasuke Pov’s On
Ninguém pode ter uma vida perfeita. Descobri isso aos quinze anos quando minha mãe morreu. O colégio se tornou um local em que eu não via a hora de sair. Quando me formei, ignorei qualquer meio para ingressar em uma faculdade. Apenas queria sair de casa e viver uma vida do meu jeito, sem ter que ver a tristeza do meu pai em nossa casa.
(...)
– Você tem quantos anos?
– Dezoito... – respondi.
– Parece bem apetitoso... – me enojei ao notar o olhar dessa mulher sobre mim.
– Quando posso falar com a Tsunade?
– Em cinco minutos, você pode ir até o quarto dela...
Aguardei esses exatos cinco minutos e logo fui andando em direção ao quarto de uma velha conhecida.
– Sasuke Uchiha, continua entrando sem bater... – ela disse.
– Não tenho tempo para formalidades... Vim aceitar a sua proposta...
– Finalmente... O que te fez mudar de ideia?
– Meu pai... Ele...
– Esqueceu sua mãe...
– Preciso conseguir uma quantia em dinheiro bem alta para ir atrás daquilo que eu desejo...
– Conhece as regras?
– Sim...
– Então, assine o contrato e se torne uma propriedade minha... Você me ajuda e eu te ajudo! Uma troca perfeita!
(...)
Durante todo esse tempo, vendi o meu corpo em troca de dinheiro. A cada noite, havia uma cliente diferente. Desde jovens até senhoras viúvas, casadas ou descompromissadas. Conheci todos os tipos de mulheres e descobri que todas só querem uma coisa: prazer.
Sessenta por cento do meu dinheiro devia ser entregue à Tsunade. Fazia parte do acordo. Abri uma conta e depositei o resto que me sobrava em dinheiro para usá-lo no momento certo. Já tenho vinte anos e não sei o que quero para a minha vida, além da vingança.
(...)
– Quanto você deseja pra ser apenas meu? – uma mulher chamada Sara que vinha quatro vezes ao mês em meu quarto era uma viúva de trinta e cinco anos que herdara um grande patrimônio deixado pelo seu marido.
– Não me interesso por esses tipos de acordo... – me levantei da cama com o corpo nu e ela apenas me lançava aquele mesmo olhar de desejo.
– Vou propor a Tsunade e quem sabe ela aceita...
– Já disse... Não me interesso por esse tipo de acordo! – entrei no banheiro e fiquei por vários minutos embaixo do chuveiro, deixando a água escorrer sobre o meu corpo, para tirar o perfume desse mulher.
(...)
Pedi a Tsunade uma mudança de cidade. Queria sair da capital para retornar à Konoha. Ela me deu todas as instruções acerca do novo local e do novo comando, a sua ajudante em Konoha se chamava Tifa e que eu deveria logo procurá-la.
– Por que você deseja voltar para Konoha? – ela perguntou.
– Meu pai se casou... Quero ter certeza do tipo de mulher que ele vai colocar pra dentro de casa...
– Posso pesquisar se você quiser...
– Agradeceria...
Com alguns minutos, ela chegou com algumas anotações e um novo celular pra mim.
– A esposa do seu pai se chama Mebuki e ela tem apenas uma filha chamada Sakura... A garota não foi registrada com um nome paterno, ou seja, o Fugaku escolheu alguém com um passado bem interessante... Pela internet, consegui uma foto dessa tal de Mebuki, mas da filha dela, não tinha muitas informações, mas pedi que tirassem uma foto dessa garota pelo seu novo celular... – olhei bem no rosto da garota e ela não parecia ser de um tipo que eu conhecesse, mas acho que deve ser apenas impressão.
– Então, estou indo embora...
– Apenas, não esqueça que mesmo estando longe, você ainda é meu...
– Tsc... Adeus...
(...)
Quando retornei pra casa, tive que dividir o quarto com essa tal garota e o pior é que ainda bati o seu automóvel que era mais uma lata velha do que um carro. Percebi que ela não me olhava igual as outras mulheres. Seu olhar é bem diferente ao qual estou acostumado. Mas, isso não faz parte do meu plano. Tenho que seguir os meus objetivos para completá-los.
Continuei trabalhando do mesmo jeito. Todas as noites, uma mulher diferente e uma forma de viver que me enojava. Saí de casa e percebi que a rosadinha não estava em nosso quarto. Nem liguei pra esse fato, apenas peguei as minhas coisas e fui para o meu trabalho. Como de costume, fui direto para o quarto e no caminho, logo tirei a minha camisa, para poupar os toques que me irritam. Abri a porta do quarto e nem quis encontrar esse olhar maldito sobre mim. Mas, isso era inevitável. Fechei a porta e me virei ficando bem em frente à minha cliente. Quando notei que a garota que estava a minha frente era a Sakura, senti algo diferente dentro de mim. Eu não queria que ela soubesse.
– Então... Era esse o seu segredo?
– Você...
– Uchiha, você vai me dar muitas explicações...
– O que você faz aqui?
– Eu não acredito! Você é um garoto de programa!
– Não é desse jeito... Não gosto de chamar assim...
– E como você prefere? Prostituto?
– Escuta aqui garota, vá embora desse lugar, agora!
– E se eu não quiser ir? – ela parecia querer me confrontar. – Precisamos conversar...
– Sobre o que?
– Sasuke, não entendo... – ela se deitou na cama com as mãos sobre a barriga. – Nem te conheço direito, mas sinto como se eu tivesse que te entender... Acho que isso é pelo fato de termos uma ligação estranha...
– Se refere ao fato de sermos como irmãos?
– Acho que sim... Afinal, seu pai escolheu a minha mãe... Mas, eu não escolhi você como um irmão...
– Deixe de rodeios e me diz logo, o que você quer?
– Quero saber os motivos pelos quais você está aqui... Nesse lugar...
– Isso é algum tipo de entrevista?
– Não estou fazendo nenhuma reportagem! Apenas, quero saber o tipo de pessoa que divide um quarto comigo! – me deitei ao seu lado e comecei a pensar eu uma desculpa pra dar a ela.
– Tsc... Preciso de dinheiro para comprar uma casa!
– Mentira! – ela se sentou na cama, me permitindo olhar bem em seus olhos curiosos. – Pela quantia que me cobraram por essa noite, você poderia ter comprado uma casa há muito tempo!
– Hum... Você tem dinheiro pra pagar?
– Eh... Não havia pensado nisso...
– Vamos fazer o seguinte... Eu pago a sua conta e você vai comigo pra nossa casa e esquece o que aconteceu aqui...
– Se eu não aceitar?
– Você vai ficar na lista negra de pessoas bem mais irritantes que você, e isso será um problema...
– Então... Podemos ir pra casa...
– Temos que esperar mais algumas horas, ou vão achar que você não deu conta... – dei um sorriso de canto e ela pareceu não gostar.
– Hum... Você é muito idiota!
– Não dou a mínima pra isso... – ela voltou a se deitar em meu lado. Fiquei com os olhos fechados, apenas pensando nas palavras certas para dizer à ela. – Você escolheu jornalismo por que gosta disso? – tentei mudar de assunto.
– Eh... Apenas escolhi a universidade mais próxima de casa... Minha mãe não tinha condições de me mandar pra outra cidade e eu não tenho muito talento pra trabalhar em restaurantes... – ela começou a rir. Achei isso bem estranho. – Quero ser médica! Mas, só vou estudar medicina quando terminar jornalismo...
– Hum... E você aceitou bem o casamento da sua mãe com o meu pai?
– C-claro... Ela estava feliz...
– E você?
– Não sei ao certo...
– Uma garota frustrada com um sonho frustrado... Acho que você escolheu o cara errado pra contar isso...
– Foi você quem perguntou!
– Tsc... Que tal dormirmos um pouco? Afinal, o preço vale pelo resto da noite...
– Acho uma boa ideia... – tentei relaxar, mas era difícil com ela tão perto. Com alguns minutos, percebi que pela forma como estava a sua respiração era bem provável, que ela já estava dormindo. Me virei para olhar em seu rosto e ela parecia tão calma. Por que essa garota não me olha como as outras? Não posso deixar ela se aproximar de mim, isso seria perigoso pra nós dois.
Sasuke Pov’s Off
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