Segredos
3 02 de Janeiro de 1997
“Esta na hora Senhorita Steves. Cuidarei bem delas, eu dou minha palavra.”. “Aqui esse é meu telefone e endereço. Enfermeira Lee... por favor.”. “Pode deixar. Vou ficar de plantão a noite inteira e não tirarei os olhos dos seus anjinhos.”.
A Senhorita Lee acorda assustada.
– Dina? Tudo bem? O que foi amor?
– Não sei. Acho que foi apenas um pesadelo. – Olha para o espelho e se vê muito suada e tremula.
– Você esta suando. Será que você adoeceu? Vou pegar um termômetro. – Robert sai do quarto e desce as escaldas quase caindo por conta do sono.
“Aqui esse é meu telefone e endereço. Enfermeira Lee... por favor.”. A Senhorita Lee olha para seu guarda roupa e lembra-se do rosto da senhorita Steves, e começa a lembrar do “sonho” que teve enquanto cochilava no hospital. Levanta-s lentamente da cama e olha para o balde de roupas sujas. Tremulamente pega a última roupa que tinha vestido em seu último plantão. – “Não há nada dentro dos bolsos. Deve ter sido só um sonho”. – Novamente se conforma com o fato de ter adormecido o suficiente para sonhar com algo tão real.
– Termômetro chegando... – Robert chegava um pouco apressado.
– Não precisa mais, estou bem. Só tive um pesadelo.
– Que bom, então. Vamos voltar a dormir?
– Não posso lembrei-me de ter deixado as chaves do carro lá no hospital. Lembra? Quem me trouxe foi você.
– Não... Depois a gente vai atrás disso, mais tarde. Vamos dormir.
– Vou agora. – Dina vestiu um vestido que estava jogado em cima da cama e saiu do quarto com pressa.
– Dina! São quatro horas da madrugada, vamos dormir. – Dina fechava a porta de casa, sem responder nada aos gritos de Robert, e caminhou em direção ao hospital.
Já são quatro e meia quando a Senhorita Lee chega ao hospital. Parece não ter ninguém vigiando, Dina entra e vai até onde ela guardou seus pertences. Vê suas chaves em cima do birô e o seu jaleco sobre a cadeira. Lentamente ela o pega e coloca uma de suas mãos dentro de um dos bolsos. E lá estava. Um pequeno papel amassado. – Meu Deus! Não foi um sonho. Aconteceu. – Estronda um barulho, e não parecia amigável. Dina Lee se esconde em baixo do birô, e só escuta.
– Tem alguém aqui? – A Senhorita Lee se espreme mais ainda. – Esse é o ultimo ano que eu fico como segurança em pleno ano novo.
Dina Lee sai aliviado de debaixo do birô e desce até a recepção. Sai do hospital e encosta-se a um ponto de ônibus e pega o papel.
Telefone: 555-8383.
Endereço: Hotel Sunriver nº 225
– O que? Esse hotel é um dos mais caros da cidade! E ela parecia pobre. Será que foi um sonho meu Deus? – Mesmo desconfiada Dina Lee decide ir ao hotel. Não era nem tão longe assim.
Ao chegar ao hotel Dina não passa nem pela recepção e sobe direto para o quarto 225.
– Senhorita Steves! Abra a porta, por favor! Preciso lhe contar uma coisa! – Dina olha para os dois lados e arromba a porta. – Nossa que cheiro horrível. Senhorita Steves? A senhorita está aqui? – Dina vê uma trilha de sangue. – Ai que droga, isso não está acontecendo. – Seguindo o rastro de sangue, chega a tão obvia e temida cena.
– Senhorita Steves! A meu Deus! – Dina se joga em cima da mulher morta e começa a chorar. – Que droga! Isso não pode está acontecendo!
– Quem tem que dizer isso tem que ser eu – Surge uma voz grossa atrás da Senhorita Lee. – Que droga ela tinha uma cúmplice. – E Dina desmaia com uma pancada na cabeça.
Dina abre os olhos. Já é noite. Dina caída de frente a Senhorita Steves, com mais medo do que nunca, escuta a voz da pessoa que a atingiu.
– O que eu faço com ela? – Parecia está falando com alguém pelo telefone.
– Sim! Só que ela tem uma cúmplice, ou é uma amiga, eu não tenho certeza, por isso que eu quero que você descubra tudo sobre Dina Lee. Sim, estou com a identidade em mãos – Dina procura sua bolsa e a vê em cima da mesa toda aberta. – Não posso mata-la. Não só posso fazer isso se ela for sua cúmplice. Se ela não for. Ai está à pessoa certa para ficar com a culpa da morte de Charlote. – Dina gela ao ouvir as quase palavras “ou morte ou culpa”.
Vai se arrastando devagar até aporta que ficou encostada por causa do arrombamento e sai correndo pelo corredor até a recepção.
– Por favor, me ajudem. Tem uma mulher morta lá em cima. No quarto 225. Precisão chamar a polícia. O homem que a matou está lá ainda e quer me matar também.
– O que é isso Senhora. Assim a Senhora assusta os hospedes. Calma e me diga o que esta acontecendo. – Dina Começa a falar detalhes do que ouviu, só que um pouco mais calma, para o gerente do hotel.
– E ele ainda está lá. Temos que ligar para a polícia.
– Calma. Eu vou ligar certo? Para relaxar a senhora aceita um chá?
– Aceito sim.
– Então me acompanhe. – O gerente leva Dina até a sua sala e lhe dá um pouco de chá. Manda-a sentar e esperar a policia chegar. – Precisamos da Senhora, perdão, Senhorita, aqui para dar detalhes à polícia. Certo?
– Claro! Concordo.
Passa uma meia hora e nada de a polícia chegar. – O que será que houve? – Dina se levanta e coloca o chá em cima da mesinha, vai até a porta, olha fixamente para ela, depois para a parede do lado. Tem uma câmera de segurança virada para ela. Gira o trinco, mas a porta não abre. Apenas há uma justificativa lógica para o que está acontecendo. Caiu em uma armadilha. Agora Dina tinha certeza de que estava morta. – Por que quando eu tive a chance eu não fugi? – Sentou conformada, e olhou para a janela. Levantou-se novamente e foi para mais perto. A janela era um pouco estreita, mas pelo fato de Dina ser muito magra, passou pela sua cabeça pular por ela. Começou a disfarçar para quem estivesse a lhe vigiar. Antes que até ela espere, Dina se espreme pela janela e sai correndo pela rua o mais rápido possível. Chama um taxi, mas lembra de que sua bolsa com dinheiro não está com ela, e sai correndo para seu bairro.
Já eram dez da noite. Dina sai do sai da principal. Observa para ver se tinha alguém a seguindo e entra em um beco que faz ligação com os fundos de sua casa. No beco, não dava para ver quase nada, dina se junta à escuridão como se fizesse parte do cenário, encosta entre duas latas de lixo, e decide dormir por lá, lembrando que eles poderiam já esta lhe esperando dentro de casa. E não querendo envolver Robert. Encosta sua cabeça na parede suja e úmida adormecendo lá mesmo.
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