Eu me pergunto todo dia: "Quando tudo isso começou?", "Por que tudo isso começou?", mas principalmente "Aonde tudo isso começou?". Nasci no meio de uma guerra fria de duas famílias. De um lado, a família da minha mãe, marcada por sua frieza, individualismo e inigualável força de trabalho. Pareciam o retrato perfeito do capitalismo. Carregavam uma imagem rígida e distante que era percebida por todos. Enquanto do outro lado, causando um certo contraste, a família do meu pai assemelhava-se ao comunismo. Viviam como se fosse um só. Tudo entre eles era repartido, com isso, acabaram criando uma certa dependência financeira e emocional entre eles. A situação na qual os meus pais vivenciavam me lembra um pouco da história de Shakespeare. Ambas famílias não se entendiam e viviam em pé de guerra. Talvez, eu seja a parte esquecida de uma versão atualizada de Romeu e Julieta ou uma das diversas partes guardadas no fundo da gaveta.
Minha mãe, Margot, apesar de ser a mulher do casamento, não fazia o tipo donzela que esperava o príncipe. Ela estava sempre cuidando dos detalhes importantes que meu pai, perdido em sua visão ampla dos problemas, deixava para trás. Não costumava apenas assistir ou esperar a palavra dele. Sabia o que fazer e fazia, cri-te-ri-o-sa-men-te. Trazia consigo a independência dos membros da sua família. Como mãe, ela sempre foi um desafio para mim. Distante emocionalmente e prática, parecia está sempre ocupada, até mesmo quando não estava trabalhando. A maioria das vezes, nossas "conversas" eram sobre notas da escola, cobranças com a minha obrigação em casa ou simplesmente um: "Está tudo bem? Seu pai já chegou?". Seu amor era demonstrado através de coisas mais palpáveis, já que ela nunca soube lidar com seus sentimentos. E quando ela resolvia ser carinhosa, tinha uma coisa bruta no meio do seu afeto. Já o meu pai, Beau, era o oposto dela nesse quesito. Sentimental, dramático e querido por todos, era comum alguém flagrá-lo chorando após ver comerciais de margarina. Ele amava festa e era super família. Mesmo depois de casado por uns três anos, era comum ter parentes dele em nossa casa quase o tempo todo.
Aos domingos, minha mãe gostava de almoçar num pequeno restaurante perto da nossa casa. Era sempre a mesma comida: Churrasco misto acompanhado de batatas fritas, arroz e feijão, e ás vezes, uma farofa maravilhosa que só tinha naquele doce lugar. Eles passavam horas fofocando dos seus parentes e era um dos únicos dias que eu via a minha mãe sorrindo. Aquela mulher séria, rígida e autoritária saia de cena e dava espaço para um lado afável quase não visto nela por mim.
Não demorou muito até eu ficar sabendo que seria irmão de uma menina. No início, eu não gostei muito da ideia. Tinha medo de perder toda a atenção dos meus pais, ser esquecido ou rejeitado após o nascimento dela. O nome dela já tinha sido escolhido antes mesmo dela nascer, seria a forma feminina do meu. A minha vó materna adorava histórias mitológicas e insistiu para os meus pais colocar o meu nome de Ápolo. Já que não tinha como colocar "Ápola", eles chegaram ao consenso que o nome dela seria Aurora.
Algumas semanas após o meu aniversário de cinco anos, Aurora nasceu. Ela parecia uma bonequinha e tinha um topete que fazia um cacho em sua testa. Seus olhinhos, boquinhas e suas bochechas enormes encantavam a todos. Por um momento, as famílias dos meus pais deram trégua a sua guerra e apreciaram a pequena Aurora.
A nossa vida parecia perfeita, mesmo com todas intrigas entre as famílias. E como todos os contos de fadas, os nossos estavam com os seus dias contatos.
Notas finais
Data de previsão para o próximo capítulo: 18 de Março.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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