Segredo Infernal

1 Highway To Hell


Simpática, ruiva, agradável, inteligente, dos olhos verdes, engraçada, tem o namorado mais bonito da escola, o carro do ano, pais que dão tudo que ela quer, representante de classe, presidente do grêmio estudantil, presidente do clube de castidade e frequenta a igreja todo domingo com a família... Pois é, vida boa né? (não). "Pena" que não é a minha, essa ai é a Cherity, minha vizinha. Ela é a rainha da escola, um mês mais nova do que eu, mais bonita e agradável do que eu, meus pais e os dela passaram a vida toda competindo uns com os outros, talvez por isso eles me odeiem de certa forma, digamos que eu não sou a garota perfeita, uso calça jeans larga com rasgos nos joelhos, camiseta surrada de bandas de rock, tenho passagem pelo reformatório, uma bicicleta velha e acabada, vida sexual ativa, não frequento a igreja, tenho péssimas notas e com certeza não vou pro céu, prazer meu nome é Kira...
Tomo um susto quando escuto Highway To Hell no ultimo volume.

– Obrigada despertador!

Levanto vou ao banheiro, tomo um banho quente, escolho as primeiras peças de roupa que vejo e olho pela janela, na esperança de que alguma catástrofe tenha acontecido enquanto estava no banho, mas tudo que vejo é a senhora popular colocando água nas plantas. 'Ah, por favor! Quem nessa idade faz isso? Ela deve ter alma de velha, isso sim!' Fecho as cortinas termino de arrumar minhas coisas, desso para o café e como sempre, meu pai está lendo o jornal enquanto minha mãe faz suas panquecas, 'Credo, que vida de propaganda!', resolvo me anunciar.

– Oi — foi o que eu disse, e os dois nem olharam pra mim, como se eu nem estivesse lá.

– Quando vai parar de usar essas roupas e ser uma boa menina, querida? — disse minha mãe com a cara mais simpática que ela tinha.

– Sua mãe tem razão, você devia se portar melhor, podemos pagar um curso de boas maneiras pra você. — acrescentou meu pai, como se eu já não tivesse escutado o bastante.

– Eu não sou a Cherity — foi o minimo que consegui dizer. — E eu não quero ser a Charity.

Os dois ficaram me encarando, minha mãe tinha os olhos cheios d'água como se eu tivesse dito que a odiava, e meu pai voltou a ler seu jornal, não menos abalado que minha mãe.

– To indo pra escola. — peguei um bolinho que estava em cima da mesa e desapareci porta a fora.

Precisava pensar, peguei meu celular e liguei pro Stiles.

– Alô? — sua voz era meio fanha pelo telefone.

– Oi Stiles, sou eu a Kira.

– Oi gata, o que anda aprontando?

– Preciso conversar...

– Que dia é hoje?

– Quarta-feira.

– Tem aula hoje?

– Tem.

– Ah, então a gente se encontra lá?

– Não, eu quero ir para qualquer lugar menos pra escola...

– Ah, demoro, me encontra no Moose daqui 15 minutos.

– Combinado, tchau bola de pelo.

– Tchau gata.

Stiles era meu melhor amigo desde que eu me lembro, ele tem cabelos meio cacheados rebeldes e olhos verdes, toca guitarra e baixo como ninguem, as garotas do Moose vivem dando em cima dele, já que ele toca lá com sua banda todos os sábados. Moose é o bar dos roqueiros, é aberto 24 horas, está sempre cheio e você nunca sabe se está de dia ou de noite la dentro, as horas simplesmente não passam. Mal cheguei e já vejo meu amigo "cabeludo" me esperando na porta.

– oi, gata.

– Oi, Stiles.

As garotas morriam de ciumes de nós, as vezes para escapar das garotas dizia que eu era sua namorada, é claro que eu desmentia, mas todo mundo sempre achou que rolava algo, o que não é verdade.

– O que aconteceu com você?

– Cherity. — falei quase cuspindo — Meus pais começaram com aquela coisa de boas maneiras de novo.

– De novo? — ele me encarou — Comeu frango com a mão e jogou os ossos no carpete como da ultima vez? — disse sorrindo

– Não, parei com esse tipo de rebeldia — respondi no mesmo tom de sarcasmo.

– Vão querer algo para beber? — disse a garçonete peituda, loira de salto alto, e mini saia.

– Vodka. Duas por favor. — respondeu Stiles

A moça volta ao bar pra fazer nosso pedido.

– Vodka? Você enlouqueceu?

– Ainda não... — disse dando uma gargalhada por ter feito um trocadilho com a minha frase anterior.

– Aqui esta, se precisarem de mim o meu nome é Scarlett e vou adorar ajuda-los novamente — disse dando um sorriso e mostrando seu decote.

– Obrigado, Scarlett — falou Stiles com voz rouca na maior cara de pau.

Peguei o copo, e o avaliei, que mal vai me fazer um copo de vodka não é mesmo...

– Você vai pagar por esse copo, me ouviu?

– Já ta na minha conta — disse ele piscando seu olho direito pra mim.Sem pensar duas vezes, bebi.