Segredo Descoberto
43 Nãããããooo...
Notas iniciais
León Vargas
Voltei para casa ainda mais confuso do quê antes. Achar Lara não me ajudou muito, pelo contrário, só piorou. Agora haviam ainda mais perguntas em minha cabeça. Antes a única coisa que eu queria saber era de quem é esse bebê; agora eu já sabia. Porém, às vezes é até melhor não saber de certas coisas, porque quando conseguimos a resposta de uma única pergunta, junto desta vêm o dobro de perguntas que ficariam rondando minha cabeça sem eu saber ao certo quais são as respostas.
E isso me deixava frustrado.
Entrei em casa e o único ponto iluminado que havia era o abajur ligado em cima da mesinha de canto. Caminhei até lá e desliguei o abajur, em seguida fui em direção as escadas.
Cheguei ao quarto de Nathan e abri a porta silenciosamente. Caminhei até o berço pensando num jeito de colocar o bebezinho junto com meu filho, mas tive uma surpresa: Nathan não estava no berço. Imaginei que Violetta devia tê-lo levado para dormir com nós, então peguei o bebê — que eu havia esquecido de perguntar o nome (se é que havia um) —, e o coloquei no berço.
Saí do quarto em seguida, imaginando que teria que acordar algumas vezes durante a noite para dar a mamadeira ao garotinho.
Entrei no meu quarto morto de cansaço. Além da festa cansativa das gêmeas e ter que arrumar toda a bagunça depois, ainda tive que correr — literalmente — atrás de Lara. Eu definitivamente precisava de uma boa noite de sono!
As gêmeas dormiam abraçadas à Violetta, e Nathan se remexia um pouco, mas ainda permanecia com os olhos fechados.
Caminhei até o closet e troquei de roupa, em seguida caminhei até a cama tentando encontrar um jeito de me deitar naquele ninho, porque realmente parecia um ninho com a mãe e seus três filhotes.
Vilu abriu os olhos aos poucos, e quando me viu às observando sorriu, então puxou as gêmeas para me dar espaço para deitar.
— Se quiser podemos levá-las para as camas. — Sugeriu.
— Não, tudo bem. É bom que elas fiquem aqui hoje. — Respondi.
— Por quê? — Perguntou confusa e com a testa franzida.
— É bom que se sintam amadas... fico pensando no que será daquele bebê que já está passando por tudo isso...— Respondi pensativo.
Isso tudo me fez pensar muito... Não consigo me imaginar sem meus filhos, e Lara simplesmente não quer seu filho porque o "odeia" e odeia o pai. Que tipo de mãe é essa que abandona o filho porquê odeia o pai e até o próprio filho?!
— Como foi com Lara? A encontrou? E o bebê? — Questionou me olhando. Angel se remexeu e virou-se para o meu lado, em seguida me abraçou enquanto dormia. Eu sorri.
— Ela não quis o bebê. Já era de se esperar, né...— Suspirei, enquanto acariciava os cabelos de Angel — Ela disse que odiava o filho e o pai da criança...— Violetta me olhou incrédula, como se não acreditando no que acabara de ouvir.
— Não acho que ela o odeie — A encarei surpreso, e ela deu de ombros e continuou: — Eu não consigo imaginar uma mãe odiando o próprio filho; o pai, talvez, mas o filho não. Nenhuma mãe que passou nove meses com a criança no ventre ansiando o momento de ver o rostinho, os olhos, o jeitinho do filho, seria capaz de sentir ódio. Ela teria abortado na hora que descobriu estar grávida, caso não o amasse nem um pouquinho.
— Talvez ela tivesse outros planos para o bebê futuramente...— Lembrei das palavras de Lara:
"Ainda não entendeu que eu só resolvi engravidar para te prender à mim?".
— Não tô entendendo...— Violetta me olhou confusa.
— O bebê era apenas uma isca, Vilu — Engoli em seco ao dizer isso. Era horrível pensar que haviam mulheres em todo o mundo como a Lara que engravidavam apenas para usar seus filhos como objetos para prender o homem que dizem amar, ou até mesmo para conseguir dinheiro por meio dos filhos. — Lara só resolveu engravidar para dizer que a criança era minha e me prender à ela.
— Meu Deus! Que pilantra! — Exclamou um pouco alto, fazendo Mel abrir os olhos e resmungar. — Será que ela nunca ouviu falar em exame de DNA? — Sussurrou entre-dentes.
— Parece que não, né...— Sorri de canto, achando um pouco de graça de sua reação.
— Me deixa dormir...— Melissa resmungou fechando os olhos novamente.
— Acho melhor dormirmos mesmo. Até porque, amanhã teremos uma missão para concluir...— Vilu me olhou com a sobrancelha arqueada e eu rio: — Ver o que faremos com o bebê. — Ela assentiu, fechando os olhos. Me curvei até ela e depositei um beijo em sua testa, ela deu um meio sorriso e murmurou um 'boa noite'.
Me ajeitei na cama para ficar mais confortável, e então finalmente o sono foi me vencendo...
Violetta Castillo
Na manhã seguinte acordamos todos às 9h30, um pouco tarde, devo dizer. Até as gêmeas — que normalmente acordam cedo — resolveram dormir um pouco mais e acordar tarde hoje.
Durante a noite/madrugada eu e León variávamos os horários para levantar, até porque, agora eram dois bebês sob o mesmo teto que nós, ou seja, trabalho em dobro e cansaço em dobro, mas fora isso fora tudo ok.
Me levantei da cama e León também, as gêmeas ficaram naquela manha matinal, então nem quis tentar tirá-las da cama, parti direto para Nathan, que chorava baixinho. Peguei-o e fui arrumá-lo, pois em breve iríamos sair para ir à casa de papai e Angie.
Fui até seu quarto e lá encontrei León já arrumando o bebê de Lara que já estava quase pronto. León terminou de arrumá-lo e o colocou no berço novamente.
— Pode ir se arrumar que eu cuido dos dois. — Falou se aproximando e pegando Nathan do meu colo.
— Certeza? Não é nada fácil cuidar de dois bebês ao mesmo tempo...— Arqueei a sobrancelha. Se ele achava que cuidar de dois bebês era fácil, ele teria uma grande decepção!
— Claro! Se você cuidou das gêmeas juntas quando elas ainda eram bebês, então eu também consigo! — Falou com convicção e eu ri interiormente. Ele não faz ideia do que diz!
— Tá bom, então. Se você acha que consegue...— Falei sorrindo e saindo do quarto.
Voltei para o quarto e fui direto tomar banho para depois acordar as gêmeas que dormiram de novo.
Meu banho foi rápido, 15 minutos no máximo, e quando já estava pronta saí do banheiro enrolada à toalha.
Peguei a roupa que eu havia separado e que estava em cima da cama, e fui para o closet me vestir. Quando terminei de me vestir e estava totalmente pronta com um vestido azul soltinho, e uma sapatilha branca, resolvi que era a hora do meu desafio diário e que havia um bom tempo que eu não fazia por conta do sequestro: acordar as gêmeas e fazerem-nas levantar.
— Angel... Mel...? — Fiquei de joelhos na cama para sacudi-las, mas não foi preciso.
— Buuh! — Elas gritaram sorrindo e ficando de pé na cama.
— Ahhhh... vocês estavam acordadas, é? — Sorri para as duas que assentiram e pularam no meu colo — Ai... vocês estão pesadas... eu definitivamente não tenho mais idade pra isso...
— E nem saúde, né, Violetta? Você saiu do hospital há três dias: sem fazer esforços, lembra? — León falou entrando no quarto com os braços cruzados.
— Ah, deixa de ser chato! Eu já estou ótima! — Respondi revirando os olhos e as gêmeas riram colocando as mãos na boca.
— Viu, papa? A maman te chamou de chato! — Mel disse com um sorrisinho no rosto.
— Eu não deixaria barato...— Angel completou com desdém e eu a olhei querendo rir.
— Oi? Olha o seu tamanho, pestinha! Só porque ficou mais velha ontem já tá se achando a grande, né?! — Gargalhei alto e ela riu, pulando na cama com Melissa.
— Mas ela têm razão...— León disse e eu o encarei — Você me chamou de chato, não posso deixar barato...
— Léon, o qu...
León se jogou na cama me puxando com ele, as gêmeas pularam para o canto para não cairmos nelas, mas fora em vão: caí por cima da perna de uma delas — não sei exatamente de qual, e estava difícil de descobrir do jeito que eu estava: toda descabelada e com os cabelos nos olhos.
— Ai! — Melissa resmungou enquanto ria.
Ouvi a risadinha de Angel, e consegui enxergá-la em pé no chão, então León a agarrou com as pernas e a puxou para cima de nós a segurando com o braço. Então estávamos assim: eu toda descabelada sem enxergar praticamente nada e prendendo Melissa com meu corpo — que estava em cima da perna dela, aliás — León estava jogado em cima de mim de qualquer jeito, e agora Angel, que estava sendo detida pelo braço direito de León, que não a soltava.
— Eu tô morrendoooooooo... SOCORROOOOOOOOO...!!! — Melissa gritou e nós rimos.
— Cala a boca. Vai acordar os bebês. — Léon disse rindo.
— Não acredito que você conseguiu fazê-los dormir. Os dois. — Falei descrente. Não era possível que ele havia conseguido...
— Pois é. Eu consegui. — Respondeu retirando meus cabelos dos olhos com a mão livre, e me encarando com um sorriso entretido nos lábios.
— Então me solta pra eu ir lá ver — Sorri desafiadoramente.
— Não acredita em mim? Além de me chamar de chato ainda me chama de mentiroso? Olha, sua situação comigo só está piorando...— Ele alargou o sorriso, deixando bem à mostra suas covinhas.
— Me solta, León — Resmunguei e ele riu, mas só soltou Angel, que comemorou batendo palmas.
— Vem, Mel. Vou te ajudar. — Angel disse tentando tirar a irmã de baixo de mim. Tentei me levantar um pouco para ajudá-la a sair, pois já estava dando dó de "vê-la" tentando tirar sua perna de baixo de mim e não conseguindo.
— Vamos sair logo daqui! — Melissa gritou e as duas correram para fora do quarto rindo.
— Já pode me soltar agora — Disse fazendo bico e León riu.
— Não sei... tô gostando de ficar assim... poderíamos ficar assim o dia todo...— Me olhou com um sorriso nos lábios.
— Nãããããããoooo... ME SOLTA! — Gritei me esperniando.
— Nãããããooo...— Ele disse sorrindo, então me beijou.
Desisti naquele momento de tentar me soltar dele. Resolvi deixar por conta própria dele, afinal... não estava assim tããão ruim nossa situação. León parou de me segurar forte e deixou uma de suas mãos descerem até minha cintura. Minhas mãos foram instintivamente parar em seus cabelos que ainda se encontravam rebeldes pelo fato de ele ainda não tê-los penteado. O beijo não durou muito, na verdade. Já estava sem ar pelo fato de estar tentando me soltar dele há algum tempo, agora então...
— Agora você vai me soltar, né? Já conseguiu o que queria de mim mesmo...
— Ah, e você não queria me beijar, né? — Perguntou irônico. Agora ele se apoiava nas mãos que estavam uma de cada lado do meu rosto.
— Não, não queria — Respondi sorrindo sarcástica.
— Você é um anjo agora, é? — Ele riu alto e eu assenti, rindo.
— E por falar em anjo... o que será que a Angel e a Mel estão fazendo que estão tão quietas, hein?
— O que têm a ver uma coisa com a outra? — Perguntou confuso.
— A tradução...
— Sim, isso eu sei, mas esse nome não combina nem um pouco com ela...
— Eu não fazia ideia no que ela se tornaria no futuro. Não tenho culpa! — Levantei as mãos em rendimento e ele gargalhou.
— MAMAN/PAPA! — Elas gritaram.
— Ai! — Eu e León murmuramos com medo.
* * * * *
— O almoço está pronto! — Olga anunciou aparecendo na sala.
Nos levantamos e fomos em direção à sala de jantar que já estava organizada e pronta para o almoço.
León serviu Angel e eu servi Melissa. Clarinha comia na cadeira de bebê, e Nathan e Liam (nome que Angie havia dado para o filho de Lara) estavam no quarto de Clara, ambos dormindo.
— Vocês terão que nos acompanhar até o conselho tutelar, já que foi com vocês que Lara deix... hã... abandonou o bebê. — Papai disse.
Assim que eu e León aparecemos na mansão com um bebê "a mais", vieram as várias perguntas. Eu e León explicamos tudo aos dois, e assim como nós dois, papai e Angie também acharam a atitude de Lara irresponsável e mesquinha, e junto com isso Angie teve a ideia de adotá-lo, já que Lara o abandonou. Papai ficou receoso, mas se comoveu com a situação do bebê, e também porque Angie insistiu muito alegando não poder mais ter filhos, e que seria ótimo para Clara ter um irmãozinho que pudesse lhe fazer companhia. Com todas essas alegações, papai não conseguiu dizer não e aceitou adotar o pequeno Liam, meu mais novo... irmão?
— Tudo bem. Mas quando? — Perguntei encarando Angie.
— Se vocês não tiverem compromissos, pode ser na terça. É que amanhã eu vou precisar levar a Clara ao pediatra... exames de rotina e tals...— Respondeu calmamente, alcançando o copinho de suco para Clara.
— Por mim, tudo bem. — Respondi sorrindo.
Terminamos de almoçar e fomos para o quintal conversar enquanto as gêmeas brincavam no único balanço que havia ali. Uma balançava a outra. Era até fofo de ver as duas se divertindo e brincando juntas. Fazia tempo que eu não às via assim...
Clarinha tentava correr atrás de Floquinho de Neve e Jujuba — que Angel e Melissa tiveram a brilhante ideia de trazer junto (sentiram a ironia?) —, mas sua tarefa era praticamente inútil, já que ela havia acabado de aprender a caminhar, enquanto os cachorrinhos corriam elétricos para todos os lados e sem dar chance da mesma agarrá-los.
Algum tempo depois, Olga veio nos avisar que Nathan estava chorando, então León foi buscá-lo. Assim que León saiu, foi a vez de Liam chorar, então Angie, toda alegre se levantou e foi pegar o seu mais novo filho...
* * * * *
Era 18h30, quando León me puxou num canto mais afastado de todos e anunciou que no dia seguinte iríamos sair logo cedo para um "passeio".
— Tá, mas aonde vamos? — Perguntei confusa e totalmente desprevenida.
— Surpresa! — Falou sorrindo. — Já combinei com a Angie e ela vai tomar conta das crianças. Nós só vamos precisar levar as gêmeas para a escola de manhã e trazer Nathan. Meio-dia ela busca as meninas na escola e leva pro Ballet e à tarde às busca no Ballet. Já está tudo programado e cronometrado!
— Percebi...— Respondi receosa. Pra que tudo isso? O que ele tá planejando, afinal? — Você sabe que eu não gosto de surpresas. Tenho até medo de surpresas, aliás.
— Essa você vai gostar. — O encarei com a sobrancelha arqueada e ele revirou os olhos.
— É sério! E não arquea essa sobrancelha pra mim, não. Você vai gostar, tenho certeza!
— Não é por isso...
— É por que, então?
— É que isso soou muito clichê — Respondi dando de ombros, e ele gargalhou.
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