Segredo Descoberto
46 Fim...
Notas iniciais
Violetta Castillo Vargas
Hay un sueño que late
Dentro de ti, dentro de ti
No te deja dormir
Se hace oír, se hace oír
Respira y sigue ahí
Vive en ti, vive en ti
Nada podrá impedir
Que te libere al fin
Lembro perfeitamente do dia em que León me pediu em casamento. Na época eu meio que travei e não conseguia parar de chorar. Foi vergonhoso. Mas no instante seguinte me joguei nos braços de León e o beijei, de certa forma essa foi a maneira que encontrei de dizer minha resposta que por mais que eu quisesse, não saía. Eu travei. Fiquei muda. Mas eu tive certeza que ele entendeu minha resposta assim que nos separamos e ele sorriu, encaixando a aliança de compromisso no meu dedo.
Os meses seguintes foram pura correria. Queríamos que a cerimônia ocorresse logo pois por mais que já soubéssemos o que sentíamos um pelo outro desde nossa adolescência, casar era um sonho. Tanto para mim, quanto para León e nossas famílias. Poder finalmente dizer que eu estava casada com o amor da minha vida. Ambos queríamos isso apenas para oficializar o que desde que nos conhecemos sempre esteve escrito em nossos olhos. Queríamos oficializar algo que já estava oficializado, mas que para nós ainda sim era importante.
Una llama en tus ojos renace
Todo el mundo la verá cuando arde
Una voz dice: Cree en lo que haces
No pares, no pares
No, no, no te rindas jamás
Lo que sueñas se cumplirá
Confia en ti y lo lograrás
Siempre brillarás
(Cantarás, bailarás hasta el sol subirás con tu fe vencerás por amor)
Siempre brillarás
Foram exatos dois meses para preparar tudo, e eu ainda acho que as coisas poderiam ter sido feitas mais rápido (Ludmila e Francesca que não ouçam isso!). Tivemos a ajuda de todos nossos amigos, mas Ludmila, Francesca e Angie foram as reais mágicas desse casamento. Ludmila tendo ideias ótimas mas querendo extravagar com tudo, enquanto Francesca à controlava e fazia as coisas com a loira serem mais normais... não é por nada, mas... chegar de helicóptero? Não, isso não era pra mim, e Francesca sabia disso, então fez Ludmila desistir distraindo-na com as outras diversas coisas que deveriam ser planejadas. Angie observava as duas rindo, enquanto contatava decoração, buffet, e todas essas coisas.
Eu, por mais que tenha sido meu casamento, não tive muita participação. É claro que eu que sempre tinha a palavra final, mas eu confiava nas minhas amigas (até mesmo em Ludmila e suas loucuras) e confiava em Angie, e sabia que menos que maravilhoso aquele casamento não ficaria. Então eu foquei mais foi no vestido, que eu me apaixonei assim que pus meus olhos. O vestido, na verdade, era o vestido que Angie usou no casamento com papai. Poderia parecer clichê, mas eu sempre amei aquele vestido e Angie sabia, então fez questão de — mais uma vez —, realizar um sonho particularmente único, porque ninguém além dela — nem mesmo minha mãe —, poderia me dar algo que eu queria tanto e que significaria tanto para mim quanto para ela.
Como meu foco principal (o vestido) já estava decidido e pronto e apenas esperando pelo tão aguardado dia, eu passei o resto daqueles meses resolvendo coisas básicas pelo computador ou falando ao celular com alguma das meninas, e também aproveitamos que, nem eu nem León nos importávamos com a famosa "despedida de solteiros" (o que causou revolta pelos meninos), decidimos que o melhor seria, finalmente, passarmos um tempo em família.
Então tivemos basicamente um mês e alguns dias de férias com nossos filhos em Orlando, nos parques da Disney, mais para aproveitar a família do que qualquer outra coisa.
Quando voltamos era o famoso dia.
Nos casamos com Angel e Melissa entrando distribuindo as flores pelo caminho e cada uma carregando uma aliança. Foi uma cerimônia simples dentro do possível, já que Ludmila era uma das organizadoras — e madrinha, juntamente à Francesca, Camila e Naty, com seus devidos esposos.
Llegarás donde quieras ir
Lejos, lejos
Aunque te cueste vas a seguir
Me contra el viento
Hay un fuego dentro de ti
Es eterno, eterno
Aliméntalo es la razón de tu corazón
Na festa Maria, minha mãe, anunciou que teria que voltar para Madri a fim de continuar seu tratamento que não estava totalmente completo, mas que manteria contato conosco e sempre que possível nos visitaria (coisa que ela faz frequentemente).
A decisão de nos mudarmos definitivamente para a França veio após nossa lua de mel em solo francês. De certa forma as coisas começaram na França e nada mais justo do que terminarem na França. As gêmeas obviamente que amaram a ideia, já que amavam o país onde haviam nascido. Difícil mesmo foi ter que fazerem-nas entender que somente nós nos mudariamos, e que o vovô, as vovós, tios, tias e amiguinhos (principalmente Isabella), não iriam juntos. Mas isso fora momentâneo, pois no instante seguinte ambas estavam planejando como seriam seus novos quartos e o quanto seria legal morar finalmente como uma família completa. Aquele dia eu chorei tanto, pois ver minhas filhas felizes sempre foi o objetivo real de tudo, e saber que eu estava conseguindo fazerem-nas feliz foi como um baque de realidade.
Una llama en tus ojos renace
Todo el mundo la verá cuando arde
Una voz dice: Cree en lo que haces
No pares, no pares
No, no, no te rindas jamás
Lo que sueñas se cumplirá
Confía en ti y lo lograras
Talvez eu tenha agido mal quando descobri minha gravidez e tomei a decisão de fugir. Fugir, de certa forma, dos problemas. Problemas esses que foram sendo carregados como fardos pesados sob meus ombros durante todos esses anos. No entanto, eu não me arrependo.
Siempre brillarás
Correras, volaras
A vivir te entregaras
Tu propia voz la
Encontraras
Veras que tú
Siempre brillarás
Eu não sei como seria minha vida caso resolvesse ter ficado e contado tudo à León. Agora, porém, eu tinha plena certeza de que ele não fugiria das responsabilidades que teria. Infelizmente naquele momento eu só era uma garotinha de dezoito anos assustada e que acabara de descobrir estar grávida e com a cabeça revirada em pensamentos na maioria das vezes ruins e julgatórios, tanto para mim quando para León.
As coisas realmente poderiam ter sido diferentes e, no entanto, de certa forma eu agradeço por cada vírgula escrita nessa minha jornada. Caso eu não tivesse fugido; escondido minha gravidez; criado minhas filhas durante três anos sozinha e em sigilo, eu não estaria aqui, nesse momento, nessa situação: casada; feliz; com meus filhos; e grávida novamente.
Una llama en tus ojos renace
Todo el mundo la vera cuando arde
Un voz si se cree en lo que hace
No pares, no pares
No, no, no te rindas jamás
Lo que suenas se cumplira
Confia en ti y lo lograras
Siempre brillará
Muitas coisas poderiam ter sido diferentes; muitas situações poderiam ter sido evitadas; e muitas brigas e desencontros poupados de acontecer. Mas, se tudo isso não tivesse acontecido, eu não teria uma história. Eu viveria a monotonia de uma vida comum (não que isso seja de todo ruim), mas querendo ou não, a vida é feita de escolhas, escolhas únicas e que podem mudar todo o percurso planejado para uma vida perfeita. Então não, eu não me arrependo das minhas decisões; das minhas escolhas; das minhas atitudes. Eu poderia, sim, ter poupado tanto desgaste para mim; León; minhas filhas; minha família. Mas, sinceramente? Qual seria a graça de uma vida monótona? Uma vida destina à algo e propriamente àquilo. Eu queria fazer a minha história e, indiretamente acabei por intervir na história de outras pessoas. O que eu quero dizer é que, por mais errado que possa parecer, eu não me arrependo dessa história transbordante de confusão. Eu não me arrependo de ter fugido.
(Cantarás, bailarás hasta el sol subirás con tu fe venceras por amor)
Siempre brillarás
Antigamente esse era meu maior julgamento, mas aí eu parei e pensei: a vida é feita de escolhas, e naquele momento aquela foi a minha escolha. Fugir foi uma escolha. E foi a escolha certa a ser feita, do contrário eu não estaria aonde estou agora. Não teria toda uma história para contar. Não teria esse aprendizado de que a vida depende de erros para que acertos sejam feitos.
— León? Crianças? — chamei-os um pouco alto, já que os quatro estavam próximos ao mar brincando, enquanto eu estava embaixo do guarda sol e sentada na areia.
Amo praia.
Estávamos nas férias de verão, e consequentemente as crianças não tinham aula e León resolveu tirar férias do motocross também. Com isso, resolvemos que Plage de Saleccia, em Corsega, seria uma ótima opção naquele verão.
León se aproximou com Angel no colo e Melissa e Nathan corriam até mim um pouco mais atrás, ambos apostando quem chegaria primeiro. Estando no oitavo mês de gestação, algumas coisas são limitas para mim, principalmente porque minha última gravidez teve riscos e Nathan nasceu sem completar os noves meses. Eu achava besteira; não é como se esse bebê também fosse apressado. Mas León está todo cuidadoso comigo, então o máximo que eu faço é aproveitar.
— Algum problema? — perguntou preocupado e sentando-se ao meu lado com Angel em seu colo. Mel e Nath chegaram correndo, e Melissa sentou-se entre minhas pernas enquanto Nathan sentava na areia, entre eu e León.
Antes de respondê-lo, fui surpreendida quando Melissa deu um beijo em minha barriga bastante visível por conta do biquíni que eu usava, sorri para ela, e em seguida Nathan e Angel imitaram o gesto da irmã com sorrisos grandes nos rostos.
Olhei-os novamente, rosto por rosto, assimilando que ali, aquelas quatro (em breve cinco) pessoas, apenas eles, são tudo o que eu realmente preciso. Desde o primeiro momento eles sempre foram minha fonte de alegria, e agora estávamos finalmente bem. Juntos.
— Obrigada.
(Cantarás, bailarás hasta el sol subirás con tu fe venceras por amor)
Siempre brillarás
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