Segredo Descoberto
25 Eu te amo...
Notas iniciais
Violetta Castillo
No dia seguinte, fui acordada por lábios macios e carnudos, passando por minha barriga e, foi subindo, até chegar em meu pescoço e, por fim minha boca. Logo abri os olhos e encontrei as íris verdes de León me fitando, com um sorriso safado no rosto.
— Bom dia. — Ele diz e me beija sem esperar por minha resposta.
— Bom dia. — Digo sorrindo de lado.
— Vem, vamos descer e tomar café. — Disse me puxando pela mão, mas antes...
— León?! Eu ainda estou completamente sem roupa, sabia? — Digo apontando para meu corpo complementar nu e ele morde o lábio inferior.
— Você fica linda de qualquer jeito, principalmente sem roupas! — Ele disse malicioso enquanto me analisava dos pés à cabeça.
— Para com isso! — Digo dando um tapa nele e ele ri. — Quer mesmo que eu saía na rua assim? — Ele me olha novamente e arregala os olhos, em seguida corre até o closet.
— Não, não quero mesmo! Pode vestir essa camisa, seu vestido está secando, e antes de mais nada, sim, eu sei lavar roupas! — Disse enquanto me alcançava uma camisa que cabia perfeitamente em mim, um pouco maior, mas por enquanto servia, melhor que nada né?!
— Obrigada. — Sorri irônica.
— Se bem que enquanto estiver dentro de casa não seria nada mal ficar do jeito que você estava... — Disse malicioso e eu revirei os olhos.
— Vamos logo, estou com fome! — Digo o puxando pela mão até a cozinha.
Chegamos na cozinha, e havia comida de todos os tipos sob a mesa. Corri até a mesa e me sentei na cadeira rapidamente. Eu estava faminta!
— Eita gulosa! — León disse enquanto eu comia meu segundo pão com manteiga, mostrei a língua pra ele e voltei a comer. Ele riu. — Vilu?
— Hum? — Respondo depois de mastigar a comida.
— Não conversamos sobre o que realmente queríamos ontem, né. — Disse me fitando e eu engoli seco.
— Por que será né? — Perguntei sarcástica.
— Você não resiste aos meus encantos! — Disse se gabando e eu gargalhei alto.
— Idiota! — Digo rindo e ele também ri, mas logo fica sério novamente.
— Mas é sério, temos que conversar sobre as gêmeas. — Ele diz agora mais relaxado.
— Sim, nossas filhas merecem terem um pai. — Digo e ele sorri quando digo 'nossas filhas'.
— Nossas filhas... — Ele repete pensativo.
— Pois é. — Suspiro.
— Que tal se buscarmos elas na sua casa? — Perguntou ansioso.
— Não dá, elas estão na escola essa hora. — Digo observando o relógio na parede.
— E à tarde? — Pergunta me olhando atento.
— Ballet. — Digo rindo da frustração dele.
— E quando elas estão livres, posso saber? — Perguntou irônico.
— À partir das 14h00 tá bom. — Digo e ele assente. — Podemos buscá-las na aula de Ballet, se você quiser. — Suponho e vejo seus olhos brilharem.
— Claro, nem precisa perguntar! — Diz sorrindo e eu retribui o sorriso.
Assim que terminamos de comer, levamos as coisas para a pia e lavamos a louça. León secava e guardava, enquanto eu lavava.
— Como elas são? — León me pergunta do nada. Sorri por conta do interesse dele, e comecei a falar sobre as pessoinhas mais importantes da minha vida.
— Bom, a Angel é a mais birrenta. Gosta de mandar nas pessoas e em Melissa. É muito persuasiva, e faz de tudo para conseguir o que quer, mas também tem seu lado manhoso. Principalmente quando quer algo ou quando está com sono, confia nas pessoas com uma facilidade que eu desconheço. — Digo e ele ouvia tudo atento.
— E Mel?
— Melissa, bom, a Mel é muito manhosa, acho que você já percebeu isso. — Digo e ele ri assentindo. — Preguiçosa igual você. — Digo e ele gargalheia.
— Não sou preguiçoso, ela puxou isso à você! — Diz rindo.
— Mentiroso — Digo rindo. — Continuando, Melissa ama Ballet, e quando é isso acorda rapidinho, ela é um pouco desconfiada. Mais tímida, ao contrário da irmã que se solta com qualquer um. Ela é mais daquele tipo de criança que tem que fazer alguma coisa muito boa pra ela confiar em você. Também é bastante apegada a mim, odeia se separar de mim. — Digo por fim.
— Percebi isso, aquela vez no hospital ela te defendeu como nunca. — Diz e eu sorri.
— Sim.
— E quem é... aquele... Clement? — Perguntou com uma pitada de ciúmes na voz.
— Ah, um amigo aí. — Digo simples e ele me olha irritado.
— Vocês já... — León não conseguiu terminar a frase, seu desgosto na voz era notável.
— Não, claro que não! — Digo e ele me olha duvidando. — Ai, León, desde que fui para a França minha prioridade sempre foi minhas filhas, o Clement é só um amigo! — Digo caminhando até a sala logo após terminar a louça.
— Mas do jeito que você falou dele, das coisas que ele fez por você e pelas gêmeas, pensei que...
— Pensou errado! — Digo brava. Ele pensa que eu sou o que? Uma vadia? — Não sou suas namoradinhas vadias! — Digo irritada e caminhando até a lavanderia.
— Não foi isso que eu disse. — Falou vindo atrás de mim.
— Mas pensou! — Digo me virando de frente para ele e ficando cara a cara, e ele me puxou pela cintura colando nosso corpos.
— Desculpa — Disse roçando nosso lábios — Não quis que entendesse isso. — Disse e beijou meu pescoço e foi subindo até morder o lóbulo da minha orelha e sussurrou. — Eu te amo.
Nesse momento eu não sabia o que dizer, eu sabia o que sentia, eu o amava, mas era difícil dizer isso depois de tanto tempo, depois de tantas coisas, tantas preocupações. Não era fácil. Porém, eu já menti de mais para León, já ocultei muita coisa dele, isso não será mais uma na minha lista. Abri um meio sorriso.
— Também te amo. — Digo antes de atacar seus lábios. Ele sorriu durante o beijo, e eu também.
Após isso, resolvemos sair um pouco, vesti meu vestido novamente, pois o mesmo já estava limpo e seco, e então saímos de casa.
— León! — Chamo ele assim que coloco o pé pra fora da casa, e observo a vizinhança. Ele se vira pra mim e me olha assustado pelo meu tom de voz.
— Oi, o que foi? — Perguntou enquanto trancava a porta.
— Ontem à noite eu não havia reparado na vizinhança. — Digo e ele me olha e confuso.
— E...?
— E aquela casa de frente pra sua é minha! — Digo sorrindo e vejo ele ficar ainda mais confuso. Reviro os olhos com a burrice dele: — Eu comprei aquela casa, anta! — Digo e ele abre a boca pra falar, mas logo fecha.
— Quer dizer, que... — Ele olhava para mim e para a casa do outro lado da rua.
— Quer dizer que seremos vizinhos. — Digo e ele abre um sorriso.
— Isso é ótimo! Irei ver minhas filhas, e... você, todos os dias! — Ele disse me abraçando pela cintura.
Após a "grande descoberta", eu e León entramos no carro. Resolvemos buscar as gêmeas mais cedo na escola, queríamos contar para elas a verdade hoje.
Eu estava com medo, não de contar a verdade, medo da reação delas. Isso tudo é muito recente, elas conheceram León a tão pouco tempo, e agora elas saberiam que ele não é 'apenas' um amigo da mãe delas, elas saberiam que ele é o papai que elas nunca tiveram durante esses três anos. Eu estava gritando por dentro, não queria ser a culpada de uma suposta rejeição, não que eu tenha certeza que isso vá acontecer, mas é uma suposição, não podemos rejeitar nada. Sempre fora apenas eu, Angel e Melissa. O que elas iriam fazer? Aceitariam o León como pai?
— O que foi? — León perguntou do nada, tirando-me de meus devaneios.
— Estou preocupada. — Digo enquanto olhava a paisagem pela janela, evitando ao máximo olhar para ele e ver em seus olhos que tudo o que acontecer seria minha culpa.
— Acredite, eu também estou. Muito. — Ele disse e pegou em minha mão que estava sob minha perna, enquanto com a outra dirigia.
Quando percebi, já estávamos em frente à escola, León estacionou o carro, e antes de sairmos.
— Olha para mim — Diz carinhoso e vira meu rosto com delicadeza para ele. — Quero pedir desculpas à você, não deveria ter te culpado. Você só fez o que achou que seria melhor para nossas filhas, fez tudo pensando nelas. E eu fui um burro por julgá-la! — Disse acariciando meu rosto.
— Mas a culpa é minha, e se elas não te aceitarem? — Pergunto com os olhos marejados e vi ele suspirar, sabendo que isso poderia acontecer.
— Isso não vai acontecer, Vilu, não pense isso. — Diz ele me olhando.
— Mas pode acontecer... — Digo desviando seu olhar.
— Mas não vai, ok? Só será preciso explicar tudo para elas, de uma forma que elas entendam. — Disse pacientemente. — Ok? — Repetiu.
— Ok.
Descemos do carro de mãos dadas, fomos até o portão da escola e o guarda abriu para nós. Fomos caminhando em silêncio até a sala das gêmeas. Talvez o fato de tudo o que eu disse seria verdade estava nos deixando um pouco aflitos.
Chegamos na sala e batemos na porta, logo apareceu a professora com sua roupa de Ballet e atrás dela via-se várias garotinhas vestidas de bailarinas, incluindo minhas princesas.
— Olá — A professora nos cumprimenta sorrindo simpática. — Angel, Mel, a mãe de vocês está aqui. — Dito isso, minhas pequenas saem correndo da rodinha e vêm até nós.
— Maman! — As duas me abraçam assim que eu me abaixo à altura delas. — Nós já vamos embora? — Perguntaram novamente juntas.
— Sim, vamos passear um pouco. — Digo sorrindo e elas comemoram.
— Oi, tio León! — Mel nos surpreende e sorri para ele.
— Oi, Mel. — Ele pega ela no colo que não excita em nenhum momento. — Tudo bem? — Ele pergunta e ela assente sorrindo tímida. — E você, Angel?
— Eu tô bem. Sabia que eu tava pintando uma plincesa? A professora deixou enquanto a maman não chegava. — Angel diz e correu para a sala, voltando depois com uma folha. — Olha — Ela mostra o desenho.
— Que lindo! — León diz e ela sorri orgulhosa.
— Bom, vamos então? — Pergunto e elas assentam. León coloca Mel no chão. As duas vão até a professora e se despedem dela.
Após nos despedirmos, saímos da escola.
Angel e Melissa estavam se dando muito bem com León. E isso era ótimo! Não sei o que houve que Melissa "perdoou" León sem mais nem menos, mas isso era muito bom; menos um problema.
Como o carro de León não tinha as cadeirinhas, apenas coloquei o cinto nas duas, e depois entrei no carro.
— Vamos aonde? — Angel perguntou curiosa.
— Hum... eu não pensei nisso. — Digo.
— Eu sei! — Melissa grita. — Podemos ir no palque! — Ela disse empolgada.
— Ok, vamos ao parque então! — León disse e as duas comemoraram.
Durante o percurso até o parque, León puxou conversa com as gêmeas, as duas se empolgaram bastante com o assunto: princesas. Eu estava me segurando para não rir, era engraçado ver um adulto decidindo que cor de roupa ficaria melhor na Barbie: rosa ou amarelo?
Quando chegamos no parque, tiramos as duas do cinto e elas começaram a nos puxar pela mão até a pracinha. Brincamos com elas por algum tempo, até então tudo estava correndo bem. Nosso plano era: León brincar com as gêmeas e conquistá-las em pouquinho e pouquinho, e depois iríamos contar o que tanto temíamos.
Angel e Mel agora resolveram sentar, correram muito, e no final queriam sorvete. Assim que compramos os sorvetes, todos de chocolate, pois León era alérgico à morango, e a genética não falha, as gêmeas também, nos sentamos embaixo de uma árvore, e ficamos lá até...
— Olá família feliz...
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