See You Again
2 Mini Marin
— Ah, meu Deus! – Emily levantou-se em um pulo, o peito vibrando de felicidade, e sentiu a loira envolve-la com força, dando uma risada gostosa. – Não acredito que é você!
— Eu também não! – Hanna devolveu, fazendo com que o abraço longo felizmente se estendesse ainda mais, o que possibilitou a Emily acariciar os ombros da garota. – Se você apenas soubesse quantas vezes eu já morri e revivi de saudade de você nesse tempo todo...
Emily fechou os olhos e suspirou em alívio, sentindo o coração aquietar-se estando rente ao peito de Hanna. Que delícia era ouvir algo como aquilo!
— Me deixa te olhar – Emily queria era nunca mais soltá-la, na verdade, mas obrigou-se a passar a segurá-la apenas pelas duas mãos. – Deus, você está cada dia mais deslumbrante! Muito melhor do que nas fotos cheias de filtro que você posta no Instagram.
Era a mais pura verdade. Luz natural irradiava de Hanna; desde seus cabelos – agora mais compridos e coloridos com um tom de loiro quase platinado – e aquele sorriso aberto aos olhinhos azuis dela – que cintilavam como pisca-piscas natalinos –, passando pelo figurino de extremo bom gosto mais puxado para o branco. Sim, deslumbrante era exatamente a palavra.
— E olha só pra você! – Hanna ergueu pelas mãos os braços de Emily. – Tênis Converse, leggings, colete, um metro e meio de cabelo... não mudou nada!
A loira, rindo, enroscou-se na morena outra vez, que riu junto.
— É impressão minha ou você está mais bronzeada do que estava nas suas últimas fotos de perfil no Facebook? – Hanna pôs as duas mãos nos ombros de Emily, deixando esta um tanto desconsertada com tal proximidade.
Sentindo suas bochechas esquentarem significativamente, Emily repousou suas mãos sobre a cintura de Hanna.
— Bem, eu moro em San Diego, não moro?
— Pois é, e falando em bronze... – Hanna correu os dedos pelos longos cabelos de Emily, sempre mais longos que os dela. – você não faz ideia do quanto esse cabelo jogado para o lado te deixa com cara de arrasadora de corações.
Emily jogou a cabeça para trás e riu alto; em parte porque o tom de voz da loira naquele momento havia sido impagável, e em parte simplesmente porque... o jeito como Hanna olhou fundo em seus olhos ao dizer aquilo mexeu com Emily de um jeito inesperado.
— Eu te odeio – rebateu, ainda rindo.
— Odeia nada – disse Hanna num tom falsamente desinteressado enquanto jogava sua bolsa no longo sofá e sentava-se, cruzando as pernas.
Emily finalmente deu-se a chance de olhar ao redor. Hanna havia vindo sozinha?
— Ué... onde está a mini Marin?
Hanna levantou os olhos para ela, que ainda estava em pé, e depois derecionou-os para a entrada da cafeteria.
— Ah, devo ter perdido ela no caminho para cá, ando tão distraída – ela suspirou, começando a folhear uma revista que havia sobre a mesa de centro. – Mas não se preocupe, assim que colocarmos o papo em dia vamos à caça dela.
Emily arregalou os olhos, procurando por qualquer traço de insegurança nas feições de Hanna, mas não havia nenhum, ela aparentava estar tranquila e relaxada.
— Como é que é?! – ela de fato gritou ao sentar-se à frente de Hanna no sofá, o que apenas fez a loira conter um risinho. Mas que diabos? Hanna podia ter uma adorável cabecinha de vento, mas não era para tanto.
De repente, um par de finos bracinhos circundou o pescoço de Emily, interrompendo por completo sua linha de raciocínio. A garotinha pulou em suas costas e gritou um animado “surpresa!”. Emily sentiu seus pulmões fraquejarem por um segundo, mas ela em seguida riu e puxou Jordan para perto, para que assim pudesse vê-la.
— Vocês duas estão querendo me matar?! – Emily olhou fundo nos olhos da pequena, segurando suas mãos. Jordan apenas riu, exibindo os dois dentinhos definitivos da frente que haviam acabado de completar o crescimento.
Emily falava com ela apenas por Skype ultimamente e, Deus, ela estava crescendo tão rápido! Parecia que fazia apenas vinte e quatro horas desde que Emily havia estado naquele hospital em Nova York, segurando a mão de Hanna na hora do parto. E parecia também que ela havia batizado a menina ainda naquela manhã.
A filha de Hanna tinha os mesmos ralos cabelos loiros que esta tinha na infância, e os dois pares de olhos azuis eram igualmente penetrantes – a única diferença era que Hanna não saía de casa sem delineador –, porém o rosto anguloso da garotinha – principalmente o queixo – pertencia incontestavalmente a Caleb.
— Foi ideia da mamãe – Jordan alegou, ainda entre risadas.
— É claro que foi – Emily lançou a Hanna um falso olhar reprovador e colocou a garotinha em seu colo. – Vou te contar um segredo, sua mãe é o Diabo em pessoa.
Jordan riu ainda mais por conta das cócegas que a voz de Emily provavelmente fazia em seu ouvido e a morena aproveitou a deixa para guiar os dedos à barriguinha dela e fazê-la gargalhar de vez.
— Senti sua falta, sabia? – Emily beijou-a na bochecha. – Da última vez que eu te vi pessoalmente, você ainda cabia naqueles balanços de bebê.
— Eu sei. Tembém senti sua falta, Emmy – Jordan abraçou-a pelo pescoço e o coração de Emily enterneceu. Ela simplesmente adorava o fato de aquela menina nunca a tratar por Emily ou colocar o prefixo “tia” antes de seu nome, o que parecia ser regra para crianças e suas madrinhas. Jordan dizia que, se a chamasse sempre de Emmy, pareceria que as duas eram melhores amigas.
— Que bom porque o seu presente de aniversário está bem ali – ela apontou com os olhos para atrás de si no sofá. – Veio lá de San Diego, acho que você ainda consegue sentir o cheiro da maresia.
Jordan comemorou e pulou do colo de Emily, agarrando a sacola de médio porte em seguida.
Ela completara seis anos havia duas semanas e Hanna dizia sempre com pesar que nunca havia tido tempo de levar a filha para conhecer o mar; Emily, então, achara que o presente perfeito seria um conjunto de praia da princesa da Disney favorita da menina, a Pocahontas – justamente porque Jordan alegava que a mulher na animação era uma morena alta e forte, exatamente como Emily. E ver a garotinha segurando o baldinho de plástico cor-de-rosa como se fosse a jóia mais preciosa do mundo, não tinha preço.
Era durante momentos como aquele que Emily desejava ter estado mais presente na vida de Hanna depois do colegial; ter acompanhado de perto o desenvolvimento de Jordan e, mais do que tudo, ter estado junto de sua melhor amiga quando a relação dela com Caleb começara a se desgastar.
Hanna saíra de Rosewood já grávida – Emily descobrira no baile de formatura –, e Caleb obviamente fora com ela para Nova York. Ela tivera a menina antes de entrar para a faculdade de design gráfico e Ashley, sua mãe, não conseguira não ir para lá também; sentira-se no dever de ajudar a criar a neta para que a filha pudesse se formar.
Agora, com vinte e quatro anos – assim como Emily –, Hanna estava no caminho certo para se tornar uma estilista, e fazia quatro meses desde a separação. Ela e Caleb não haviam se casado formalmente, mas o processo era tão estressante quanto o de um divórcio comum, principalmente para Jordan.
É claro que Hanna e Emily costumavam passar o tempo todo conectadas, fosse via internet ou telefone, mas nada substituía um bom abraço, e a culpa por não ter conseguido dar ao menos um em Hanna naquela época ainda dilacerava a morena por dentro.
Hanna, porém, ao ver a felicidade da filha com os brinquedos novos, fitou Emily profunda e delicadamente outra vez; um olhar que claramente a agradecia por aquela gentileza, o que fez a morena se sentir infinitamente melhor quanto a questão da culpa.
— E as palavrinhas mágicas? – Hanna dirigiu-se à filha, que no mesmo instante largou os brinquedos e correu para abraçar Emily.
— Muito obrigada, Emmy. Eu te amo.
— Eu também te amo, Jordie – Emily retribuiu o abraço e beijou os cabelos dourados da menina. – Ah, eu quase esqueci. Você vai poder estreiar isso tudo daqui a pouco.
Os olhinhos de Jordan arregalaram-se em óbvia empolgação.
— Nós vamos para alguma praia? Mamãe não me disse que Rosewood tinha praias.
Emily e Hanna trocaram risinhos encabulados.
— Não, meu bem – a morena acabou por responder, odiando aquela sensação de ser estraga-prazeres. – Nós vamos para a minha casa. E você vai poder brincar no quintal.
— Ah – Jordan baixou o olhar para o baldinho que ainda segurava rente ao peito, mas em seguida sorriu. – Vai ser legal do mesmo jeito.
— É, mas nós não vamos poder ficar por muito tempo – Hanna interveio, falando baixinho e agora apenas para Emily, que franziu as sobrancelhas e tentou esconder a decepção no tom de voz.
— Por que não?
— Ah, eu já fiz reservas em um hotel em Philly para a gente. Até pedi para o taxista levar as nossas coisas para lá e...
— Cancele – Emily interrompeu, também em voz baixa, não dando-se muito tempo para pensar.
— O quê?
— As reservas. Cancele. Ligue para o hotel e peça para levarem as coisas de vocês lá para casa. Quero que vocês fiquem conosco nesse fim de semana.
— Tem certeza, Em? Não quero atrapalhar, ainda mais agora.
— Hanna, por favor. É de mim que você está falando – Emily tocou um dos joelhos de Hanna, por cima da saia longa da loira.
E do mesmo jeito que aquele primeiro abraço se estendera, aquele toque também se estendeu, e Hanna pôs sua mão esquerda sobre a direita de Emily, em seguida entrelaçando-as, o que fez todo o lado direito da morena formigar de prazer.
— E a sua mãe, hein? – ela voltou a indagar, suavemente – É natural que ela queira espaço. Quer dizer, não foi por isso que ela quis dar um tempo com o Gregg?
— Han, não confunda as coisas. O cara trabalha com ela na delegacia e não faz nem dois meses que eles estão saindo para tomar café depois do expediente. Isso não tem nada a ver com você, até porque minha mãe te ama como se tivesse sido a própria a te dar a luz. Logo, Jordan é a neta que ela nunca teve a chance de pegar no colo. Vai ser uma tremenda alegria para ela ver a casa movimentada de novo. E para mim também.
Hanna sorriu em desistência; um sorriso lindo, singelo e caloroso – como todos que ela dava –, e que deixava visível aquelas adoráveis covinhas. Recostou a cabeça no ombro da morena, ainda brincando com os dedos dela.
— Como eu posso dizer não depois de uma justificativa como essa?
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