See You Again

1 It's been a long day


Notas iniciais
Yeaaaaaaaah, Jasico! Pra variar um pouco, né? Quem não sabe, o Soulmates Color!AU é um universo alternativo onde todos enxergam em preto e branco até conhecerem suas almas gêmeas. Boa leitura!

Jason devia saber que essa vez não seria diferente. Há meses ele estava ansioso por esse viagem, contando os dias para finalmente conhecer Roma, a verdadeira Roma. Seu pai prometeu que dessa vez não deixaria seu trabalho atrapalhar, que ficariam lá as duas semanas sem interrupções. Nem três dias se completaram antes de um imprevisto surgisse. Zeus voltou para Nova Iorque na noite anterior, e agora, na manhã seguinte, Jason e Thalia estavam sentados na sala de espera do aeroporto.

“Eu odeio esperar,” Thalia resmungou, dando voz aos pensamentos de Jason.

“Não é a única,” respondeu.

A morena bufou, afundando ainda mais na cadeira.

“Acho que vou comprar alguns souvenires pro Percy,” disse pensativa, encarando uma das pequenas lojas do aeroporto há alguns metros de distância. “Sabe, é meio injusto não levar algo pra ele. Já comprei pro Luke e pra Annie.”

“Você sabe que ele detesta essas coisas.”

“E essa não é a graça?” sorriu. “Quero uma camiseta com algo do tipo ‘estive em Roma e lembrei de você, mas você é um perdedor e não estava lá’ escrito.”

Jason riu pelo nariz.

“Pensando bem, acho que ele vai adorar.”

“Volto daqui a pouco,” Thalia se levantou, indo em direção à loja.
Quando ficou sozinho, Jason suspirou. Estava entediado. Queria não ter que chegar duas horas antes do voo. Achava desnecessário que os aeroportos requisitassem tal coisa.

Seus olhos vagaram pela sala de espera, tentando achar algo que prendesse sua atenção. Observou a menininha, que não devia ter mais que três anos, correndo enquanto sua mãe a seguia. Os cachos claros balançavam com o movimento e ela ria. Seria loira como ele? Jason começou a imaginar quais seriam as cores do vestido florido dela. O adolescente não sabia muito sobre cores. Sabia que o céu era azul, assim como seus olhos. O sol era amarelo e a grama verde. Ele sabia quais eram as cores de várias coisas, mas não tinha ideia de como elas eram. Thalia tentava explicar, mesmo que não desse muito certo.

As vezes, ele achava toda essa história injusta. Somente aqueles que encontravam sua alma gêmea –metade da laranja, tampa da panela, chame como quiser– podiam enxergar um mundo colorido. Os outros apenas viam tudo em preto, branco ou cinza. Os que conseguiam tal proeza, como Thalia e Luke, podiam ser considerados sortudos, os outros, como ele, azarados. Pelo menos ainda era jovem, tinha muito tempo para procurar.

Jason foi puxado de seus pensamentos por uma voz, e voltou seu olhar para frente. Um funcionário do aeroporto estava parado a sua frente, um garoto ao seu lado. Ele parecia esperar uma resposta, mas o loiro não tinha ideia do que tinha perguntado. Observou a forma como o garoto segurava o braço do rapaz, seus olhos focados em um único ponto. Jason demorou um minuto para notar que ele era cego.

O funcionário repetiu a mesma perguntar, e Jason franziu as sobrancelhas.

“Desculpe, eu não…. Não falo italiano.”

“Americano?” o garoto cego perguntou em inglês, o sotaque forte.

“Sim, sou.”

“Esse lugar está vago?”

“Ah, sim! Está,” Jason puxou sua mochila de cima da cadeira ao lado. “Pode sentar.”

“Obrigado.”

O garoto fechou a bengalada cuidadosamente e colocou a mão sobre os braços do banco, sentando-se. Agradeceu a ajuda do funcionário do aeroporto, que saiu em seguida. Jason espiou o moreno com o canto do olho, curioso.

“Você é italiano?” perguntou. Por algum motivo, ele queria conversar com o estranho.

“Sim,” respondeu. “Nasci em Veneza. Estou indo pra lá agora, na verdade. Visitar minha mãe e minha irmã.”

“Interessante….”

Jason esfregou uma mão na outra, nervoso. Não sabia exatamente como continuar o assunto sem parecer chato.

“Já esteve nos Estados Unidos?”

“Meu pai mora em Nova Iorque. Passo a maior parte do ano lá. Não acho que minha madrasta gosta muito disso, mas…”

Silêncio novamente.

“E você? É de onde?”

“Nova Iorque também. Mas me mudei recentemente. Morava na Califórnia antes.”

“É um lugar bem barulhento, não é?”

“Sim,” riu. “Às vezes não sei como as pessoas conseguem dormir.”

O moreno riu também, e Jason decidiu que gostava daquele som.

“Então…. O que está achando da Itália?”

“Gostei do pouco que vi em três dias,” respondeu. “Queria poder ficar mais.”

“Cruzou o oceano para ficar aqui por apenas três dias?” perguntou com o cenho franzido.

“Bom, a ideia inicial era ficar umas duas semanas,” suspirou. “Mas meu pai teve uns problemas no trabalho e temos que voltar mais cedo. De novo.”

“Ah. Que pena. Sinto muito por isso…” o moreno parou, percebendo que não sabia o nome do estranho.

“Jason. Jason Grace.”

“Certo. Jason,” repetiu. “Meu nome é Nico di Angelo.”

“É um prazer te conhecer, Nico.”

“O mesmo.”

Jason pensou em estender a mão para um cumprimento, mas julgou desnecessário.

Uma voz feminina anunciou o voo para Veneza pelos altos falantes e Nico se levantou.

“Essa é a minha deixa.”

“Precisa de ajuda para ir até o embarque?”

“Consigo sozinho, muito obrigado,” respondeu abrindo sua bengala.

“Certo, eu, hã, não quis ofender.”

“Não ofendeu,” sorriu. “Eu me viro. Adeus, Jason.”

Nico puxou o cabo de sua bolsa de rodas, e começou a andar em direção ao corredor de embarque, usando o piso tátil como guia.

Jason o observou se afastar, desejando que tivessem tido mais tempo para conversar. Percebeu quando o moletom que estava em cima da bolsa escorregou, caindo no chão, e o loiro se adiantou para pegá-lo.

“Ei, Nico!” chamou, correndo até o outro.

Nico parou, virando-se para trás.

“Sua blusa caiu,” estendeu o moletom escuro assim que o alcançou, esquecendo por um momento que o italiano não podia ver a peça que lhe era oferecida.

Jason levou a mão livre para o braço de Nico, na intenção de guiá-lo para pegar sua blusa, mas no momento em que seus dedos encostaram na pele exposta, esqueceu-se completamente do que ia fazer.

Muitas vezes Jason se perguntou como seria quando ganhasse as cores. Para cada pessoa era diferente. Algumas viam como uma explosão, tudo mudando repentinamente. Outras começam gradativamente, uma cor de cada vez. Jason não viu rápido, nem devagar. Seu redor ganhava tons diferentes numa velocidade média, e ele via tudo mudando como se estivesse aumentando o brilho de seu celular.

“Jason?” Nico perguntou depois de um momento, estranhando o silêncio, apesar de estar um pouco distraído com a sensação engraçada que se espalhou por seu corpo no momento que o outro encostou em seu braço.

“Eu…”

O loiro ainda tentava fazer seus pensamentos funcionarem de forma correta, mas era difícil se concentrar.

“Você… Merda, você não pode ver isso,” murmurou.

“Como é?”

Jason quase riu de si mesmo. Era tão raro para ele falar alguma palavra de baixo calão.

“Cores. Eu queria que você pudesse vê-las.”

Nico ficou em silêncio.

“Sem chance,” disse depois de um momento, não acreditando. Sua boca estava entre aberta e os olhos levemente arregalados. Jason nunca achou algo tão fofo.

“Eu também não estou acreditando, se ajuda,” sorriu.

“Eu…. Mesmo?”

O loiro riu, jogando seus braços ao redor do menor, que ficou estático por um momento. Nico não sabia exatamente como agir.

“Desculpe, eu só…” Jason se afastou. “Estou feliz.”

“Isso é um pouco… Estranho,” o moreno comentou, mas estava sorrindo.

“Nem me diga,” concordou.

“Então vamos ficar os dois aqui sorrindo?” perguntou divertido. “Quero dizer, eu acho que você está sorrindo.”

“Estou,” apressou-se em dizer. “Claro que estou.”

“Bom.”

Jason encostou a ponta dos dedos na bochecha do menino. Era como se estivesse vendo-o de verdade pela primeira vez.

“E agora?”

Nico ficou em silêncio por um momento.

“Ainda preciso entrar naquele avião.”

“Eu sei…” murmurou.

“Ei,” chamou a atenção do outro, uma de suas mãos encontrando o rosto do mais alto. “Eu… Vou voltar para Nova Iorque daqui três semanas. Alguma chance de, hã, nos vermos?”

“Você ainda pergunta?”

O moreno riu.

“Nunca se sabe.”

“Eu posso pegar seu número*, pelo menos?”

Jason sorriu ao ver as bochechas pálidas de Nico corarem.

“Pode.”

Nico disse seu número, e Jason anotou em seu celular.

“Vou te mandar uma mensagem quando voltar para os Estados Unidos.”

“Estarei esperando.”

Mais uma chamada ecoou pela sala, e Nico mordeu o lábio, parecendo triste.

“Eu preciso ir.”

“Certo. Tudo bem.”

Jason não podia expressar o quanto queria que Nico ficasse. Sua vontade era abraçar o garoto e nunca mais soltá-lo. Era quase impossível conter essa necessidade enquanto o observava se afastar.

“O que está olhando?” Thalia perguntou, parando ao seu lado. “Jason? Olá? Terra pra Jason.”

“Hã?”

O loiro se voltou para a irmã, vendo pela primeira seus olhos azuis que tinham a mesma cor das mechas em seu cabelo escuro.

“Então… Isso é azul,” o loiro comentou, mexendo nas pontas coloridas.

Thalia piscou uma, duas vezes.

“Você…”

Jason assentiu, mal contendo seu sorriso.

“O que? Quando? Eu sai por quinze minutos! Cadê ela?”

“Ele,” corrigiu.

“Que seja! Onde ele está?”

“Acabou de embarcar.”

“O que? Como assim? Você o deixou ir?” perguntou incrédula. “Jason!”

“Eu não podia fazer ele perder o voo,” respondeu. “Ele vai estar em Nova Iorque daqui três semanas, então…”

Thalia sorriu.

“Meu irmãozinho conheceu a alma gêmea dele. Precisamos comemorar!” disse animada. “Bom, não temos muitas opções aqui. Por enquanto, que tal um brinde de refrigerante? Conseguiremos algo melhor quando chegarmos em casa. Agora me conte tudo! Qual o nome dele? Como ele é?”

Thalia puxou o irmão pela braço, falando coisas que Jason não prestou atenção. Seus olhos ainda estavam presos no corredor de embarque, mesmo que Nico não estivesse mais ali.

Quando chegou em casa, horas e horas depois, a primeira coisa que fez foi mandar uma mensagem para Nico, que não respondeu. Talvez o moreno já estive dormindo, cansado por causa do fuso-horário.

No dia seguinte, se Jason não estivesse tão ansioso esperando uma resposta de Nico, checando seu celular de dois em dois minutos, talvez tivesse prestado atenção nas imagens que rolavam na televisão da cozinha, notícias sobre a queda de um avião que não deixou sobreviventes.

O avião ia em direção à Veneza.

Notas finais
Foi isso, galera. Não me matem ♥ Charlie ama vocês. Reviews? Desculpa qualquer erro. * sim, existem celulares para cegos. Eu dei uma pesquisada e achei bem interessante. Vocês deviam pesquisar também.