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19 Capitulo Extra III Reciproco FINAL
Notas iniciais
Capitulo Extra III
Reciproco
Lentamente fitei o branco das nuvens pela janela do escritório da doutora com tamanha melancolia que minha mente já estava pensando em coisas tolamente ridículas como por exemplo se ela estaria nesse exato momento também olhando para as nuvens. Passei as mãos no rosto apertando bem forte minhas bochechas para continuar concentrado, porém até o leve som de um passarinho já me fazia entrar em devaneio com coisas inúteis novamente... Eu estava mesmo era parecendo um desses idiotas que não fazem nada além de pensar no que poderia estar fazendo ao invés de fazer.
Eu pensava em jogar tudo pro alto e voltar, às vezes até imaginava se daria se fizesse, só que ai voltava para realidade, desistir nunca foi do meu feitio, mas pela primeira vez eu cogito sobre isso com tanta veemência.
–Já terminou?!-A doutora Joan que agora era minha orientadora em Princeton ficava quase todas as noites me lotando de leitura, ela me garantiu que o projeto era bom, só que eu precisaria levar isso de uma forma mais...Cientifica ou culta, sei lá, ainda não sei o que há de errado em seguir as coisas do jeito que estão.
–Já! Também fiz algumas anotações que posso usar como citação no projeto!-A velha senhora me sorriu sentando na minha frente lendo o que eu escrevi.
–Deve ser difícil...-Murmurou depois de um silêncio breve.
–O que?!-Questionei curioso, na verdade estava contente por conversar, nesses últimos dias meu contato com as pessoas tem sido tão escasso que juntando com a falta excessiva da Eloise ando ficando cada vez mais carente de atenção e isso me incomoda muito, pois odeio ter que admitir que preciso da atenção de qualquer um pra me sentir bem.
–Ficar longe dos seus pais, faz o que?! Um mês e meio que não os vê?!-Suspirei pesadamente soltando um risinho sarcástico.
–Particularmente eu nem sinto tanta falta deles, talvez do meu pai, mas não ao ponto de estar com uma saudade desesperadora de querer vê-lo imediatamente, entende?!-Ela arregalou os olhos confirmando.
–Então é a garota?-Sorri sem graça fazendo que sim.
–Ahh sim, com certeza é a garota, antes de eu conhece-la eu estava acostumado a me virar sozinho, me isolar sem sentir necessidade de ver pessoas, mas depois que ela entrou no jogo eu...Sinto muita falta dela.-A senhora sorriu largo.
–Mas você fala com ela todos os dias?!-Neguei no mesmo instante.
–Não mais, nem posso... É torturante.-A conversa terminou ali e ela me liberou.
Minhas aulas eram anoite e com a ajuda da Joan eu consegui um trabalho interessante perto da faculdade o que me ajudava a me manter melhor por ali. Eles tinham um sistema de bater ponto e pagar somente as outras que o individuo trabalhasse, mas tinham um porém, a pessoa tinha que fazer pelo menos quatro horas sempre que entrasse no serviço, se saísse antes disso perdia o dinheiro das quatro horas. Pra me ocupar eu passava quase o dia todo lá, quando terminava de fazer os trabalhos da universidade e a doutora não precisava de mim eu me afundava no trabalho, esse era o único jeito de não ficar atoa pensando no que ela estaria fazendo em um momento qualquer.
–Ainda com raiva de mim?!-Perguntei deitando na cama com o celular no ouvido, pude a ouvir bufar e cheguei a imaginar a expressão de zangada que faria como uma criança que não ganhou o que queria.
–Deveria começar essa ligação com uma desculpa, não me perguntando se ainda estou com raiva e respondendo sua pergunta...Sim! Eu ainda estou com raiva de você, fica dizendo que vai me ligar e não liga e nem pra brincar comigo você quer! Qual é hein!? Só por que você consegue ficar numa boa longe de mim não significa que pra mim é fácil!–Resmungou com a voz chorosa do outro lado.
–Não está sendo fácil pra mim, acho até que está mais difícil por que você tem apoio ai, eu estou sozinho por aqui!
–Sozinho é?! Espero que não seja um incentivo pra você correr atrás do primeiro rabo de saia que aparecer!–Dei uma risadinha notando que o timbre de voz dela já estava mais calmo.
–Que isso Eloise, sabe que eu não sou disso!-Ela bufou de novo fazendo um som de reprovação.
–Conheço essa historia! Depois trai e fica com aquele papinho de cretino “Ahh mais a carne é fraca”, além do mais minha preocupação é com as oferecidas que existem ai, quantas já pediram seu telefone?!-Dei outra gargalhada.
–Eloise, sou eu, Dillan Cooper, o porco espinho, aquele nanico de voz estranha que todo mundo tem medo, quem em sua sã consciência ia pedir meu número?! E pra que?!-A ouvi rir deliciosamente.
–Eu não sei, sexo casual!-Gargalhei não acreditando no que ouvia.
–Ahh é, não é?! Isso acontece com tanta frequência hoje em dia que estou ficando louco!-Ironizei a ouvindo rir.
–Aposto que sim, felizmente você se tornou propriedade particular! Nada de aceitar esses convites a não ser que venham de mim!-A seriedade dela era cômica, mas do nada ela suspirou.-Eu sinto a sua falta, é como se nada que eu fizesse valesse a pena sem você por perto.–Dessa vez fui em quem suspirei pesado.
–Eu prometo que quando me formar não vou inventar de ir pra outro lugar nunca mais...
–Isso não diminui nada...–É, eu sabia e entendia perfeitamente.
–Quando eu for ai poderá fazer o que quiser comigo como recompensa por esses dias.-A ouvi soltar um som de animação remexendo o celular.
–Sério?! Tipo qualquer coisa mesmo?-Sorri com um pouco de medo em concordar.
–Qualquer coisa...-Murmurei um pouco sem jeito ao notar que meu colega de quarto havia chegado, o mirei estranhando todos aqueles machucados e estar fedendo a ovo choco banhado em tinta amarela.
–Uhhh vou fazer uma listinha!–Eu já não conseguia me concentrar no que ela dizia estava horrorizado e ficando enjoado com o mau cheiro dele.
–Faça isso, eu preciso desligar, amanhã eu te ligo está bem?!-Claro não gostou, mas já estava tarde mesmo.
–Não não está bem, EU preciso falar com você e você precisa desligar é isso?–Suspirei acompanhando o Marlon que agora entrou no banheiro cabisbaixo.
–Eu te amo, tchau!-Desliguei imaginando que isso iria dar uma bela de uma briga, mas o caso ali parecia mais sério.-Cara o que aconteceu com você?-Ele se olhava no espelho do banheiro fazendo careta.
–Teste da Órion...-Cheirou as próprias roupas fazendo vomito.
–Órion?!-Ele me fitou espantado.
–É a fraternidade Órion! Vai me dizer que não conhece?-Suspirei desinteressado.
–Eu não, mal conheço os alunos da minha turma! Mas.... Que teste é esse?! Você está péssimo!-Eu ia dizer horrível ou deplorável, porém como não tinha muita afinidade com ele ainda resolvi usar um eufemismo barato.
–É a melhor fraternidade do campus não é de e admirar que o teste seja difícil!-Franzi o cenho.
–Isso...-Apontei pro rosto dele que tinha um hematoma.-...Não é teste é abuso, jogar ovos e tinha tão pouco é algo que se faz com as pessoas, no meu time de baseball os testes eram extremamente difíceis, mas nunca precisei humilhar ninguém!-Por alguma razão estupida ele ficou bravo.
–Um timezinho rural querer se comparar com uma fraternidade tope de linha, me poupe!-Suspirei sorrindo sarcástico, que imbecil.
–Esse timezinho rural ganhou a estadual, essa fraternidade idiota não chegaria aos pés dos garotos do meu time, mas quer saber?! Bem feito!-Voltei para minha cama bocejando, não acredito que deixei de falar com a Eloise pra dar atenção para esse panaca.
Eu deveria deixar esse assunto de lado, existia tantas e tantas coisas a fazer a começar com a Eloise que agora agia de forma estranha como se estivesse desconfiada de alguma coisa ou o mais provável tramando algum coisa. No entanto eu tinha que ocupar meus dias, se ela soubesse pelo que eu estava passando longe dela não insistiria em me ligar tanto e entenderia meus motivos de não atendê-la às vezes. Era só ouvir o som da voz dela e eu já ficava deprimido louco para ouvir musicas de emos que falassem de saudade. Só que todo dia era um teste patético do Órion e isso já estava matando meu colega de quarto, os caras eram tão cretinos que o Marlon era obrigado a andar de saia rosa pela universidade durante uma semana sem se queixar e isso não era a certeza de que iria entrar pra fraternidade.
Disse a mim mesmo que não iria me envolver com brigas em Princeton, mas aqueles mauricinhos já estava passando dos limites e pensei que talvez dar uns tapas em alguém pudesse me tranquilizar um pouco já que eu ridicularmente só conseguia aliviar durante o banho tendo ilusões da minha noiva ali comigo. Eu estava em um estado de carência deplorável.
–O que está fazendo aqui?-Perguntou meu colega de quarto me vendo ao lado dele na fila dos outros fracassados que queriam entrar pro grupo do ‘bacanas’.
–Vim fazer o teste oras, já que é uma fraternidade tão renomada queria fazer parte também.-Essa foi a mentira mais bem contada que já dei, acho que ele não sentiu a ironia em minhas palavras.
–EM POSIÇÃO CALOUROS!!-Gritou um babaca moreno como se fosse general, o filha da mãe nunca pisou em um campo de guerra e quer dar uma de marechal... Já não gostei dele.
Segui a posição do Marlon que ao contrario do exercito eles tinham que se manter de cabeça baixa, coisa que não fiz, não abaixo a cabeça nem pro meu pai vou fazer isso pra um imbecil que não conheço?!
–Hoje o teste é de resistência!!-Berrou no ouvido de um dos garotos andando vagarosamente seguindo de um lado pro outro.-Os que conseguirem ganharão 2 pontos positivos no placar, os que não conseguirem perderam 4 do placar e serão obrigados a lavar os banheiros da fraternidade com a própria escova de dentes e depois escovar os próprios dentes!-Eu fiz vomito no mesmo instante, que coisa nojenta, e eles estavam de acordo com isso?-Tairone explique como vai ser a prova!
E assim de um imbecil moreno veio um idiota loiro usando uma regata branca, ele estalou os dedos apertando o punho. Notei que meu colega de quarto parecia apavorado e não era o único, na verdade eu era o único calmo ali.
–VOCÊ!-Apontou logo pro Marlon que estremeceu no mesmo instante, quase pude ouvir seu pensamento gritando “Fudeo”.-Deita no chão palhaço!!-Gritou e ele obedeceu na hora.-O teste de vocês mocinhas é ser o banco de cada um de nós por 4 horas sem ceder!
Ele ajeitou violentamente os braços do Marlon apoiando os joelhos do coitado no chão e sustentando a frente dele com as mãos, basicamente ele estava de quatro, o que pra mim já era humilhante imagina ter um debiloide em cima. Quando ele sentou em cima ficou dando tapas no rosto do outro e dando vario pulos e os braços do meu colega já estavam tremendo com o peso.
–O que foi florzinha vai desistir?-Perguntou o imbecil em cima do meu colega.
Notei que todos estavam ficando na mesma posição do Marlon enquanto os demais idiotas da fraternidade iam montando em cima deles.... Só tem uma pessoa que eu deixo ficar sobre minhas cotas sentada e é a Eloise quando resolve me fazer massagens, nem morto ele iam me fazer ficar de quatro ainda mais com um panaca sentando em cima de mim.
–Você, pro chão!-Dei um tapa na mão do moreno que tinha panca de marechal negando.
–Tira a mão de mim! E você para com isso, vai machucar a coluna dele!-Sério eu conseguia ouvir as costas dele estalarem a cada pulinho que aquele loiro idiota dava.
–Está desobedecendo as leis da fraternidade?!-Mirei o moreno com desdém.
–Leis?! Quem são vocês pra criarem leis?! Marlon levanta isso aqui é ridículo!!-Disse a ele que nem se quer me olhou.
–EU DISSE PRO CHÃO TAMPINHA.-Gritou no meu ouvindo e uma mão apertou meu ombro e agora sim eu encarei o pateta a minha frente.
–Ultimo aviso, tira a mão de mim!-Rangi entredentes quando um punho fechado vinha no meu rumo e eu desviei segurando a mão que estava no meu ombro com força.
Eu girei aquela mão quase 360° graus e acho que provavelmente a teria deslocado se ele não girasse junto com o corpo se contorcendo no chão, ajoelhado soltando um gemido de dor dei uma joelhada em seu rosto e um chute no estomago fundando o pé e puxando sua mão. O loiro que estava em cima do Marlon veio correndo pra cima de mim e simplesmente girei o calcanhar dando um chute com a perna que antes estava no amigo dele. Claro que isso não o derrubou completamente, por isso precisei deixar o que estava ali gemendo pra bater no outro.
–Reformatório, escola, faculdade...Não importa o lugar, sempre tem imbecis que se acham melhores que os outro não é?!
Eu dei um vascilo e ele me acertou uma porrada no rosto, mas não antes de eu conseguir acertar a boca do eu estomago e mesmo sangrando o canto da boca devolvei o murro e dando logo uma rasteira o fazendo cair no chão...Coloquei meu pé bem no pescoço dele não apertando muito quando ia se levantar.
–Eu to pegando de leve se levantar vai levar uma surra tão grande que provavelmente vai parar no hospital...-Murmurei notando que ele engoliu seco acenando que não ia se levantar, mirei os demais e minha nossa eu acabei chamando uma atenção que não queria. Estava todos me olhando assustados e alguns eu diria que se desse um passo a frente sairiam correndo.
Suspirei pesadamente me perguntando o que era mesmo que eu tinha ido fazer ali, eram trouxas humilhando trouxas, não precisavam de um protetor eu acho. Eu queria ajudar meu colega, mas ele também parecia com medo de mim.... E voltamos aos apelidos maldosos como ‘o coisa’, ‘hulk’, ‘garrafinha com mentos dentro’ ou coisas estupidas como isso.
–Sabe eu até que não me importo que você brigue, principalmente se tratando daqueles moleques da Órion, mas gostaria que mantivesse certa discrição...-Disse a doutora enquanto eu lia, pelo visto a historia da briga chegou aos seus ouvidos.
–Lamento, eu achei que fosse ajudar, mas a verdade é que ninguém precisava de ajuda, aqueles calouros são estupidamente idiotas para estarem dispostos a fazer aquilo por vontade própria... Só que aí vieram pra cima de mim e...Eu não sou tão zen ultimamente quanto pareço.-Expliquei me aproximando dela.
–Meu filho aquilo lá é assim desde que me lembro, e eu trabalho aqui há quase quinze anos! Mas não é o primeiro que perde as estribeiras com eles.-Franzi o cenho curioso.
–Não?! Alguém já deu uma lição neles antes?-Ela sorriu animada.
–Ohhh sim, e foi “A” lição! Oli era um menino incrível! Duke adorava ele.-Estranhei ela falar no passado.
–Adorava? O que aconteceu com ele?-Agora ela ficou tristonha suspirando.
–Deixe me contar desde o inicio, há uns anos atrás um garotinho de 9 anos foi aceito aqui, seu nome era Oliver Gasnier, ele era extremamente inteligente e com as influencias dos pais...
Ela me contou a historia desse tal garoto mostrando um lado que antes não tinha visto nela, como se falasse de um ente querido que a havia deixado, contou que ele era o pipilo dos professores e eles adoravam o modo como ele via o mundo de uma forma única e otimista como se a vida dele dependesse do que descobria. Também me disse que apesar da aparência tinha uma vida complicada, pois os acadêmicos o detestavam e estavam sempre praticando bullying com ele e seus pais eram ausentes, mas ele aguentava isso com a força de um adulto.
Eu fiquei pensando naquilo, quer dizer existia alguém mais novo que eu que poderia ter aguentado muito mais do que eu tinha passado e ali estava reclamando de algo tão fácil de resolver?! Digo... Eu veria a Eloise nas férias, apesar de no fundo isso não me confortar nesse instante, acho que bastaria para tentar manter o foco no que vim fazer aqui.
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Eu pisquei varias vezes, não sei se era o fato de ser cedo demais que me impossibilitava de entender o que droga estava acontecendo ou talvez aquilo simplesmente não fizesse sentido.
Os rapazes da fraternidade todos sorrindo pra mim dizendo palavras que no momento prefiro não repetir pra não ficar mais confuso.
–Saiam da minha frente.-Disse apenas tentando seguir pra cantina, mas aquela cambada ficou na minha frente novamente.
–Você não vai nos dar uma resposta?-Perguntou o loiro em quem deu uns socos.
–Preciso?!-Revidei com desdém sem querer prolongar a conversa.
–Hernnh Dillan, não é?! Pense bem nas vantagens de estar na Órion, mulheres, festas no final de semana, quarto maiores isso por que não estamos levando em conta que quem está na nossa fraternidade está no topo!-Me virei pra eles rindo.
–No topo de que?! Das dez fraternidades mais idiotas do estado?-Engoliu seco, eu presumi que isso queria dizer que em outra circunstancia e outro cara eles teriam partido pra cima.
–Temos influencia!-Retrucou um cara ao fundo.
–Foda-se.-Contradisse terminando de pagar o que ia comer, suspirei indo para alguma mesa, mas não tinha jeito, eles me seguiram.
–Será o nosso líder, isso é o sonho de qualquer um aqui dentro!-Mordi um pedaço do pão desinteressado.
–Todo mundo menos eu.-Falei de boca cheio e o moreno que provavelmente era o antigo chefe se aproximou com um semblante preocupado.
–O líder não paga nada, nos pagamos a refeição e vai estar rodeado de mulheres, você vai estar no lucro!-Mexi os ombros fazendo meu moleton subir um pouco a manga pra mostrar minha mão.
–Não sou nenhum mendigo e tenho uma noiva que se descobrisse o que estão dizendo espancariam cada um de vocês sem dó...Literalmente.-Retruquei achando ou na esperança que isso mudasse a opinião deles, mas foi inútil.
–Você não entende?! Se você não entrar na Órion vamos ser desmoralizados perante as demais fraternidades! “O bando de imbecis que perdeu briga pra um tampinha calouro”.-Dei uma risada.
–É um bom lema.-Falei.
–Estamos dispostos a fazer qualquer coisa se você entrar!-Girei os olhos pensativo.
–Tipo obedecer minhas ordens?-Se entreolharam um pouco assustados, particularmente eu gosto de mandar.
–Te seguiremos.-Disse um deles depois de conversarem entre si.- Contanto que não nos faça passar por ridículos.-Como se já não fossem.
–Humm....Está bem! Mas quero que saibam que a qualquer deslize de vocês pra cima de mim e eu vou me tornar o novo terror de vocês ao invés do pirralho gênio!-Algo espantoso aconteceu aquele monte de cavalos ficaram assustados.
–Como sabe disso?-Dei outra mordida do pão rindo.
–Minha orientadora é fã dele, ele era tão mal assim?-Um deles engoliu seco sem jeito.
–O antigo líder criou uma regra de nunca mexer com gênios, são fracos fisicamente, mas sabem construir bombas e fazer venenos não detectáveis.-Eu sorri largo, queria ser um gênio.
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É eu acabei aceitando ir pra fraternidade, comida de graça sempre me cativou e mandar então nem se fala, meus planos ali dentro era também para consertar aqueles mongoloides, obrigar eles a fazerem coisas úteis ou pelo menos não fazerem coisas inúteis.
–Você vai dividir o quarto comigo!-Franzi o cenho, logo o loiro em quem eu tinha dado uma surra.
–Se eu sou o líder agora, por que não ficar no quarto em que ele está?-Os dois se entreolharam tristonho, parecia que eu estava separando um casal de dormir junto.
–Na verdade eu dividia o quarto com ele, como ele não é mais o líder, eu divido com você.-Soltei um ‘ahhh’ fazendo que entendi.
–O certo não seria você sair e ele ficar?-O loiro suspirou.
–Questão burocrática, sempre que um líder deixa seu posto por questões de incompetência ou vexame publico ele é obrigado a ficar no quarto dos novatos.-Sorri negando.
–Que legal vocês sabem o que significa burocracia.-Revidei não dando atenção para essa conversa fiada.-Esse lugar está um lixo....-Resmunguei tapado o nariz, o quarto do líder estava mais fedorento que o banheiro.-....Muito bem, já que é a decisão de vocês me fazerem o novo alfa eu vou fazer de vocês dois meus mais novos ‘garotos de recados’! Eu digo pra vocês e vocês na influencia que possuem passara para os outros.-Eles concordaram.-Quero todo mundo de pé as seis da manhã amanhã, quem não estiver na sala até as seis e dois será acordado com um balde de água fria e terá o rosto pintado com tinha vermelha com a frase “atrasado” na testa sendo obrigado a ficar com isso o dia inteiro!-Eles sorriram tão largo e surpresos que até fiquei confuso, será que eles pensavam que eu ia dar uma de politicamente correto? Eu sempre fazia isso com os garotos do clube quando necessário.
–Sério?!
–Muito sério, e se os dois espertinhos querem fazer maldades e não avisar algum deles deixo sob alerta que neste caso os dois terão essa punição.-Fizeram que sim saindo correndo para comunicar os demais.
Eu iria colocar ordem nesse lugar.
Depois de arrumar o quarto eu finalmente tive um pouco de paz, mandei uma msg pra doutora contando o que tinha acontecido e o motivo do atraso do trabalho. Eu fiquei um pouco com peso na consciência ao perceber que dava mais atenção a minha orientadora ligando e dando explicações a ela do que minha noiva que com certeza estava furiosa comigo.
–Oi...Está zangada?-Liguei para ela, mas pelo jeito que atendeu sem resmungar que fazia quatro dias que não falava comigo respondia minha pergunta.
–Você deve se achar muito esperto não é?! Enquanto sua noiva apodrece aqui você faz a festa ai! Pois bem Dillan Cooper me aguarde!–Eu não entendi nada.
–Eloise me desculpe, é que eu tenho estado muito atarefado, olha você não sabe a loucu....
–Não quero ouvir suas mentiras! Eu estou com tanta raiva de você que se não estivesse trancada no quarto agora te trairia pelo telefone só pra VOCÊ ficar com metade da raiva que estou sentindo!–Suspirei pesadamente.
–Elo...
–Calado! Antes você não queria falar comigo, agora EU não quero falar com você, ainda mais por telefone... Você mente pra mim, me trai, não me liga e ainda acha que eu tenho que ter a paciência do Buda e a infinita compreensão de Deus, dá um tempo né Dillan?! Por que você não termina isso logo, hein?!–Quando ela disse isso de uma forma estranha eu saquei tudo.
–Você bebeu, não é?-A ouvi soltar um som de desagrado.
–Sábado a noite meu filho, meu namorado está do outro lado do mundo transando com uma vadia enquanto eu!? A careca e manca Eloise está aqui solitária... Mas fica esperto por que o dia que eu colocar minhas mãos nessa garota eu vou bater tanto nela que nem plástica vai ajudar depois!–Respirei fundo coçando a nuca.
–Não existe garota nenhuma...Olha na primeira brecha que der aqui, eu juro que vou te ver, não fica assim vai?!
–E como você quer que eu fique? Dillan eu sinto a sua falta! Colocar sua blusa no travesseiro já não está mais fazendo efeito, eu preciso de você... Olha se você largar isso tudo e vir aqui AGORA, eu te dou comida, casa, roupa lavada e muito se....–Ouvi voz secundaria no telefone parecia a mãe da Eloise.
–Eloise!! Você bebeu todo nosso vinhooo!!! Menina....ARGH! Me dá esse telefone aqui!–Eloise pareceu resmungar.-Dillan ela não está em condições de falar agora por que vai apanhar que nem uma criança de 10 anos, ela bebeu quase uma garrafa de vinho sozinha!!!!!–Minha sogra dizia isso com tanta raiva que acho que se eu estivesse lá também levaria uma surra.
–Não briga muito com ela senhora Taylor... Eu sei como ela está se sentindo....-Murmurei engolindo seco, eu me sentia tão mal que estava quase chorando.
–Meu filho não deixa ela fazer sua cabeça, isso é crise da Eloise, até parece que você não a conhece! Fique forte ai! Ohh não faça isso no..... Oh droga ela vomitou, ligue amanhã, até mais.-Desliguei dando tchau.
Passei a noite olhando fotos dela no meu celular sentindo imensa saudade ... Roupa lavada, casa, comida e o que eu deduzi que vindo dela a outra coisa seria sexo.....Eu estava a um ponto critico de largar tudo e ir embora. Mas eu lembrava das palavras da mãe dela dizendo que ela tinha gostos bem caros... Eu ficava imaginando se conseguiria manter ela no mesmo conforto que ela tem com os pais, já pensou se eu me casar com ela e não dar conta? A mãe dela tinha razão, eu não poderia desistir se queria mesmo construir uma vida junto a ela, quero ter um trabalho que dê a ela o mesmo que minha mãe tem de poder ter o luxo de fazer o que gosta quando quiser sem se preocupar com nada.
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Agora sim eu poderia dizer que meus dias estavam atolados de afazeres, o trabalho, a fraternidade e mais a universidade fora os deveres com a doutora. Eu chegava geralmente as oito da noite e ainda tinha que brigar com os garotos para cumprirem seus deveres, se bem que bastava uma ameaça e tudo se ajeitava, quem não tinha medo de ir pra faculdade com um “babaca” escrito na testa?! Para piorar meu colega de quarto estava sempre com uma garota diferente e eu sempre tinha que aturar a bagunça que ficava quando chegava.
Eloise não me ligou esses dias, o que era muito, muito, mas muito estranho mesmo, porém o mais inacreditável foi a ligação que recebi enquanto trabalhava.
–Oi chefe....–Reconheci a voz do meu colega de quarto um pouco sem jeito.
–Estou trabalhando, espero que seja importante....-Murmurei respirando fundo.
–Então... Seguinte, aconteceu um probleminha aqui, na verdade... Eu ainda não saquei, sabe!?–É o que?!
–Han?! Do que está falando?-O ouvi suspirar e uma vozinha no fundo dizer ‘conta logo’.
–É o seguinte, veio duas garotas aqui e uma delas disse que era sua noiva atrás de você, do nada ela surtou jogou o anel na cara da Kathy dizendo que estava terminando tudo com você.–Eu fiquei estático e perplexo.
–A Eloise esteve aí?-Eu perguntei sentindo meus nervos remexerem de raiva.-E tinha uma garota ai dentro?-Doida do jeito que ela era eu em precisava pensar no mal entendido que aconteceu.
–Pois é, a Kathy estava comigo, a uma garota veio atrás de você e nem esperou ela me pedir pra te ligar e já foi terminando tudo....Olha sei la o que aconteceu.–Eu já estava dando o fora do serviço, não, isso não podia estar acontecendo.
–Eu estou indo pra aí.
Tentei ligar varias e varias vezes para ela, porém só caia na caixa de mensagem, deixei uma mensagem de voz e ainda sim nada. Quando cheguei a fraternidade minhas duvidas foram confirmadas e pra não bater em uma garota eu soquei a porta.
–Por que ela está com a minha blusa?!?!!?!!-Vociferei tão nervoso, ahhhhh minha nossa a Eloise já estava com raiva de mim depois de ver uma garota vestindo apenas a minha blusa que foi presente dela com certeza ela tinha surtado.
–Calma chefe, olha é que a roupa dele acabou se sujando e como você é baixinho e.....Ohhh minha nossa calma ai!-Implorou assim que eu me aproximei tão nervoso que não conseguia raciocinar, eu tinha que me vingar.
–Essa é sua roupa?!-Perguntei a ela apontando a uma roupa aparentemente feminina que estava no chão.
–É....
–Tairone veste!-Chutei pro rumo dele.
–O que?! Não serve em mim!
–VESTE A PORRA DA ROUPA DESSA VADIA AGORA!!!-Gritei tão nervoso, estando pronto para estrangular ele e ela se fosse precisa, como eu vou me explicar com a Eloise?! Ela acha que eu realmente a trai!
Eu gargalhei nervosamente tentando ligar para Eloise sem êxito o vendo vestir a calcinha e tudo mais, a cena era grotesca, mas engraçada.
–Tira minha blusa e veste uma roupa dele!-Ordenei e a doida ia tirando a roupa ali mesmo.-Aqui não sua estupida, no banheiro! Depois saiam, Tairone você está expulso do andar de cima, vai dormir com os novatos!
Em minhas frustrantes tentativas em falar com a Eloise acabei indo parar na rodoviária em vão descobrindo que o ultimo ônibus que partia pra cidade dela já tinha partido. Eu fiquei sentado na rodoviária quando revolvi que tinha que voltar pra falar com ela. Mandei uma mensagem para doutora avisando que eu estaria fora por uns três a quatro dias, mas que ia continuar revendo o projeto.
Andando de volta para universidade meu celular tocou e o numero era o dela.... Graças a Deus.
–Eloise você entendeu tudo errado!-Disse sem dar tempo pra ela falar.
–Primeiro: Não é a Eloise, segundo: Eu sei, mas ninguém me deixou falar, Terceiro:Você está encrencado.–Eu conhecia aquela voz, mas não lembrava quem era.
–Quem está falando?!
–Dick, o primo apaixonado que podia muito bem deixar as coisas como estão, mas eu ainda não tenho libido para alimentar a doida da Eloise.–Eu sei que não era o momento, mas eu ri muito quando disse isso.
–Sei, onde estão? No ônibus de volta? Eu vou pegar a estrada daqui a pouco dependendo eu ainda alcanço o ônibus na próxima parada dele!-O ouvi pigarrear.
–Ainda estamos na cidade, na casa dos pais do Oliver, anote o endereço e venha preparado para o combate!–Eu concordei tirando o primeiro papel que tinha no bolso e anotando.
–Agorinha estou chegando aí!-Revidei e confesso que estava bem mais aliviado, ela não tinha partido e eu daria um jeito de mostrar a verdade nem que eu tenha que levar ela na fraternidade e fazer os dois falarem.
Eu fiquei um pouco espantado ao chegar no lugar, parecia ser de gente rica, porém mantive meu foco.
–Graças a Deus, achei que já tivessem ido embora...-Quando cheguei estava eufórico e ofegando querendo vê-la, mas meio que fui barrado por uma ruiva.
–Esse é o Dillan Cooper?-Perguntou um garoto não muito distante de óculos e cabelos escuros.
–No estado que você deixou minha prima acha que ela tem condições sendo que a perna e braço dela não estão perfeitamente curados?-Pisquei algumas vezes, ela falava da própria prima como se fosse uma pobre coitada, se visse do que ela era capaz não usaria esse tom comigo.
–Eu não fiz nada! E depois que eu explicar pra Eloise ela vai se acalmar!-Ela meio que não queria me ouvir.
–Não precisa mentir pra gente...
–Eu não estou mentindo! Eu jamais trairia a Eloise, acha que eu ia pedir ela em casamento pra depois trair ela?!-Perguntei me questionando internamente por que eu estava jogando conversa fora com a prima dela que não me conhecia tão bem pra me julgar.
–Não me interessa, você já fez a besteira e a prova do seu crime estava naquela garota em seu quarto, sem contar...
–Não era ele...-Disse mais novo da sala antes que eu me defendesse.-...Tinha um cara lá, mas não era ele.-A mirei quase dizendo “Viu só?”
–Mas Dick...?! Por que não disse pra gente?! Você viu como ela estava!
–Vocês não paravam de chorar e toda vez que eu tentava dizer algo só piorava, eu fui no quarto dela pra contar, mas ela já estava dormindo!
–Com certeza não era ele, pra começar era loiro e devia ter mais de um metro e setenta!-Franzi o cenho deixando essa passar.
–Mas que droga, por que você não disse!???-Ela puxou o outro zangada.
–E como é que eu ia saber que aquele não era o tal Dillan?! Eu nunca tinha visto ele antes! Sou cientista não vidente!-Tive vontade de rir, mas não o fiz.
–Dillan antes de falar com ela eu queria deixar uma coisa clara....O acidente abalou muito minha prima, antes ela nunca se rebaixava, agora acha que qualquer uma é mais bonita que ela e isso fica muito pior quando você está no meio por que ela tem muito medo de te perder por causa disso!-Suspirei concordando, eu sei o que ela quer dizer.
–Eu sei...E como eu sei, mas eu já fiz de tudo, eu digo o tempo todo pra ela que não estou nem ai, que acho ela mais bonita que todo mundo, já dei presentes, já fiz as vontades dela...Mas no fim é como se fosse inútil, ela continua achando que está feia, que vou troca ela por outra...-Se ela me ajudasse seria muito bom por que eu já estava sem ideia, do nada ela virou pro garoto de cabelos negro de óculos curiosa.
–Eloise costuma mudar de humor ouvindo música ou brincando com alguma coisa que exija exercício....-Franzi o cenho não entendendo por que ela tinha perguntado aquilo para ele.
–Que boum pra ela!-Ela deu um tapa nele rindo e eu estou boiando aqui, por que não me dizem logo onde está a Eloise?
–O que um cientista que estuda comportamentos diria sobre as atitudes que mais mexem com alguém que tem esses hábitos?-Cientista?! Ele parecia ser mais novo que eu! Espera um pouco.... A foto do garotinho que a doutora tinha me mostrado é ele! Fiquei um pouco cabulado como se estivesse diante um ídolo.
–Exercício indica toque, música obviamente o som....Eu diria que essa pessoa é movida pelo que ouve e pelo toque, então na minha opinião algo como dito enquanto toca nela chamaria bastante sua atenção!-Sorri largo contente e meio que apontado pra ele.
–Você é o Oliver Gasnier!? O francês que botou fogo em todos os carros da fraternidade e fez todos os rapazes do passado ficarem duas semanas com tinta no rosto escrito ‘Retardado’ no rosto com tutu colado com cola resistente na cintura?-Assim que perguntei ele fitou imponente pigarreando.
–Nada a declarar, fale com meu advogado se quiser informações e só pra constar eu sou de menor e isso já faz tempo, você não tem provas contra mim!-Eu dei uma risada negando com a mão.
–Sabia que você é lenda na fraternidade! Criaram um regra de “nunca mexam com gênios” por sua causa!-Ele me sorriu de volta, mas que coincidência ele está aqui!
–Sábia regra! Não veio aqui defender aquela cambada não é!?-Fiz que não.
–Eu vim aqui para garantir um futuro feliz com aquela maluca que distorce tudo! Não estou nem ai pra fraternidade!-Retruquei.
–Bom Oliver te deu uma dica, faça algo que envolva voz e toque e quem sabe ela te perdoe...-Eu não sabia bem o que fazer, mas vi um piano ao fundo, foram inúmeras as vezes que a Eloise disse que queria me ver cantar...Talvez como ultimo recurso posso fazer isso para deixar ela contente.
–Eu sei como lidar com ela...
–Dessa vez não seu cachorro infeliz!-Sério, juro que estremeci de felicidade ao vê-la tão perto de mim.-O que acha? Que vai me jogar uma daquelas desculpas esfarrapadas tirar a roupa e sair ileso? Não dessa vez?!-Sorri largo tentado a fazer isso se não tivesse presentes na sala.
–Eloise você sabe que eu jamais teria coragem de te trair! E eu não preciso disso...-Eu ia chegando perto dela quando ela correu pro outro lado.
–Você não podia ter feito isso comigo, eu estou lá mantendo minha fidelidade e você aqui aproveitando todas não é senhor Líder!-Prefiro quando ela me chama de capitão.
–Eles me deixam ficar lá de graça! O quarto é espaçoso e não tem toque de recolher!-Disse, mas pelo visto seria mais complicado do que as brigas.
–E o quarto veio com um brinde não é?! JOAN aquela loira vadia!?!-Que isso!? O que minha orientadora em haver com isso?!
–Não! Aquela não é Joan! O nome dela de Kate, Tati ou sei lá!
–Ohh é outra, e nem sabe o nome da garota com quem dorme!?-Tinha um garoto de dez anos na sala acho que ela deveria maneirar no que dizia, mas eu tinha como me justificar.
–Eloise aquela garota é namorada do meu colega de quarto, eu não tenho nada haver com aquilo e tenho como provar!
–Como?!-Tirei meu ticket do bolso mostrando pra ela.
–É meu comprovante de carga horária completa, eles não me pagam se eu não termino o dia, por que eles me pagam por dia não por mês, olhe pode notar que comecei as sete e sai agora pouco de lá! Eu completo o dia e eles me pagam mais e me ocupando bastante...Eu mato um pouco da saudade de você!-Com aqueles olhinhos quase cedendo eu senti uma vontade imensa de beijá-la.
–E a garota usando a camisa que EU te dei?-Bufei bravo, eu adorava aquela blusa!
–Eu sei lá, não sabia que estavam mexendo nas minhas coisas e vou dar um jeito nisso, mas isso não quer dizer que eu fiz algo!
–Claro que quer!
–Nem sempre, Kailyn vive usando minhas roupas e nós não transamos!-Quando Oliver interrompeu intercedendo eu até fiquei contente, mas ai lembrei que a prima da Eloise tinha a mesma idade dela e ele aparentemente devia ter uns 14 anos e acabei ficando um pouco sem graça, aos quatorze anos eu ainda brincava de esconde-esconde.
–Eu usei sua roupa uma vez! E eu estava bêbada!-Eu não sabia se ria ou se segurava para não piorar minha situação.
–Como assim?! Você vive pegando meu pijama!-Revidou ele e acho que a conversa perdeu o foco, o problema aqui sou eu a Eloise.
–Pijama não conta!...Conta?
–Eu sei lá, prefiro ficar nua!-Dessa vez eu não aguentei e ri, ela tinha umas manias tão agradáveis.-AHH mais isso não explica a historia da JOAN!-Peguei meu celular mostrando as mensagens pra ela.
–Joan é minha professora e orientadora! Eu trabalho bastante e quase não tenho tempo pra computador e ficar vendo email, então eu dei meu número a ela, sempre que eu termino um trabalho eu ligo pra ela e sempre que ela corrigi me retorna!-Ainda sim ela estava desconfiada.
–Esperra! Joan?! Joan Bujko?!-Felizmente ele conhecia minha orientadora e caiu na gargalhada ao perceber o ridículo que estava acontecendo.
–Qual a graça?!-Perguntou a ruiva.
–Viemos e tão longe por que você acha que ele tem um caso com Joan Bujko?-Dei uma risada.
–E dai, é possível!-Revidou minha noiva brava.
–Joan tem sessenta anos se brincar mais, a não ser que seu namorado tenha atração por velhotas eu acho pouco provável!-Finalmente as coisas estavam se ajeitando, peguei anel dela no bolso.
–Ahh meu Deus, dirigi por seis horas atoa!
–Agora vê!? Eu não fiz nada...-Mostrei o anel entregando pra ela.-...Ainda quer casar comigo?-Ressentida ela virou rosto chorosa.
–E a garota da blusa, ela me pareceu bem bonita!
–Pois saiba que eu ainda escolheria você, mesmo que tivesse todas as opções do mundo!-Não tem jeito, se eu não fizer algo ela vai me amolar com isso o resto da vida.-E tem mais...-Andei até o Oliver abusando da hospitalidade dele e pedindo que tocasse a música que a Eloise sempre dizia que era nossa, ainda que eu nunca tenha escutado com ela.
Não acredito que ia fazer isso, mas era o jeito. Cantei You're The One That I Want, conseguindo o perdão dela acompanhado de um beijo bem caloroso. É a ultima vez que canto sem estar bêbado.
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A viajem foi tão divertida que acho que todo estresse que tinha sofrido esses dias passou, eu estava com a Eloise, aqueles dois gênio eram uma comedia e a Kailyn coitada morrendo de vergonha de assumir um romance que estava acontecendo e ela nem admitia.
Na noite que chegamos eu preparei tudo nos eixos para me encontrar com ela, precisava compensá-la.
–Uau! Você está linda!-Elogiei ela a vendo toda arrumando quando chegou na kitnet, pigarreei mostrando a mesa e apontando pra cama sorrindo.
–Qual dos dois você quer primeiro!?-Ela sorriu largo vindo até mim segurando minha mão docilmente o que era estranho.
–Na verdade... Eu quero conversar.-Arregalei o olhos surpreso, ela disse conversar?
–Sério!? Antes disso?!-Apontei pra cama novamente, por que a comida eu já imaginava que ela iria dispensar.
–É... Podemos?!-Mordi o canto da boca sorrindo.
–Claro!-Nisso ela puxou minha mão levando pra cama, ela quase me enganou.-Você não queria conversar?-Perguntei em tom irônico.
–Não vou ficar sentada, minhas costas estão doendo da viajem!-Sorri me deitando com ela.
–Está bem, sobre o que quer conversar?!-Ela me sorriu largo tocando meu rosto.
–Me conte sobre Princeton, sobre seu projeto, sobre como se tornou o líder da fraternidade dos babacas, sobre as brigas que teve.... Sabe, acho que esse é o meu maior medo...-Ela sussurrava isso de forma tão sentimental com os olhinhos vermelhos que mantive meus olhos atentos.-....Conheci você numa época em que Melissa tinha um papel significativo, ruim, mas significativo na sua mente, ela ocupou quase quatro anos inteiros das suas memorias, e eu!? Fiquei fora das suas lembranças por quase dezessete anos, dai você foi pra Princeton e eu fico de fora novamente... Perdida sem saber onde posso me encaixar sem virar uma lembrança de uma namorada chata que não larga do seu pé...-Sorri querendo beijá-la, mas me impediu.-...Me conte, me deixe fingir que estive presente nos momentos importantes da sua vida pra no final da sua eu poder ouvir: “A Eloise, ela não foi só uma namorada ninfomaníaca, ela esteve comigo o tempo todo, até nos momentos ruins.”-Eu tive um enorme peso na consciência ouvindo aquilo, abaixei a cabeça a abraçando.
–Sabe qual é o meu maior medo?!-Levantei o rosto a mirando com os olhos ardendo.-...Você não estar presente no final da minha vida pra eu poder lhe dizer isso.-Ela me sorriu colando seus lábios nos meus de leve.
–Então me conte...Deixando o dia inteiro amanhã pro sexo.-Dei uma risada limpando os olhos.
–Você que manda.-Estranho dizer isso, gosto de dar ordens, mas obedecer as dela era sempre tão vantajoso.-Bom...A primeira coisa que fiz quando cheguei foi procurar a Doutora Joan, nos primeiros dias ela analisou meu projeto e....
Vocês devem pensar que ela se arrependeu de querer me ouvir e veio pra cima de mim.... Bom, na verdade, foi quase isso. Tenho culpa dessa vez, não aguentei ficar contando o que tinha passado e sobre a saudade que sentia dela com ela do meu lado sem fazer nada... Mas ela ouviu tudo e não sei dizer, só que pensando bem enquanto contava tudo a ela realmente senti que estivesse lá todos esses dias me observando.
Só que o mais estranho daquela noite foi o Déjà vu que aconteceu pela segunda vez e tive que contar para ela.
Eu...Me apaixonei pela terceira vez pela mesma pessoa.
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Fim dos Extras.
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