See Me
10 Agradavel estranhesa
Notas iniciais
Foi uma semana cheia, bem cheia! =/
Bm vamos lá um agradecimento especial a Mimin pela recomendação! e a todos pelos Reviews!
Boa leitura e desculpem os erros!
Capitulo 10
Agradável estranheza
Talvez tenha apenas dormido, talvez fosse só um daqueles sonhos agradáveis... Bom não fazia muita diferença agora, por que acordado ou sonhando estava sendo magnífico do mesmo jeito, porém eu tinha que confessar que desperto eu poderia aproveitar mais aquele momento singelo que eu podia senti-la em poder de minhas mãos.
Acho que basicamente assim eu não poderia explicar, por que naquele instante estava sendo inexplicável notar que de um jeito peculiar todo sentimento que eu tinha era correspondido...O que é bem raro no meu caso, vai por mim! E preciso confessar que em um certo tempo tive que juntar forças para não transformar isso em uma cena gay comigo chorando, já que eu não conseguia um outro modo de jogar pra fora essa euforia agradável.
Eu sei, eu sei....Isso é um tremendo exagero, mas eu não estava bem preparado para aquilo, afinal se alguém me dissesse a um mês atrás que minha ajudante extravagante ia se interessar por mim e querer algo desse nível comigo....De duas uma, ou eu espancaria ele achando que era piada de mal gosto ou levaria na esportiva e riria até a barriga doer. Claro que eu não acreditaria, vendo ela dormir tranquilamente com um sorriso sereno de quem estava tendo um sonho cheio de pôneis e de vez em quando mexia afundando o rosto, quer saber?! Eu ainda nem acreditava, não sobre ela, decidi parar com isso, mas sobre porque isto esta acontecendo.
Obviamente perguntas, inúmeras perguntas surgiam para me atormentar, eu não podia evitar estava no meu consciente que tentava me proteger de outra desilusão catastrófica, no entanto, para me aquietar sempre respondia mesma coisa para mim mesmo.... Não importa.
Quando tentei dormir novamente infelizmente o dever tocou no meu ouvido, o celular acabou despertando me alertando que se eu não apressasse o passo não daria tempo de arrumar tudo. Sinceramente... Eu não queria levantar, ainda que estivesse deitado em um colchão horrível e barulhento.... A companhia encantadora da minha ajudante me fazia achar tudo muito confortável.
Mas não tinha outro jeito, fiz o Maximo que pude para sair do enlaço dela para que não acordasse, porém já na segunda vez ela levantou o rosto sonolenta, quando notou que eu estava tentando sair ao invés de me ajudar fez foi puxar o meu braço de uma vez.
–Eu preciso levantar...-Tentei dizer segurando o riso cochichando, se bem que aquela cambada não ia acordar tão facilmente.-...Mas você pode ficar dessa vez...-Murmurei imaginando que seria meio grosseiro da minha parte exigir que ela se levantasse comigo, porém nem me ouviu.
–Esquece isso capitão, em poucos minutos terminamos tudo... Juntos.-Estranho como na minha cabeça pareceu que ela tinha enfatizado o “juntos”, de qualquer jeito eu só podia sorrir, queria muito deitar e não recordar que minha lista de deveres estava cheia, mas não podia.
–Só que eu tenho que ligar pro meu pai e.... Arrumar meu quarto....-Principalmente meu quarto, nem quero sonhar com a cara da minha mãe se entrar lá e ver o estado que está.... Olhando para ela fiquei até sem jeito de dizer aquilo lembrando as "causas" de tudo estar como estava.
–Ótimo, eu vou para cima com você e...-Dizendo isso com aquela voz mais mansa e as mãos em volta de mim chegava a ser inacreditável, e não encontrava resposta para a pergunta de como podia existir alguém assim?
–Nem pensar e se quer ajudar levanta ai vai!-Claro que falei em um tom curtidor, se eu entrar na onda dela não saiu dali nunca, ela me tornou uma careta.
–Como você e sem graça...Outros não negariam!-Revidou com aquele sorriso provocador, ela estava testando meus nervos?
–E por que não esta pedindo para eles?-Retruquei levantando e saindo da garagem, ela apenas riu me seguindo como criança que acaba de ser contrariada.
–Só prefiro você!-Replicou quando entramos na sala, e falava isso com maior cara lavada.
–Certo, vá se arrumar!-Falei me espreguiçando.
–Hey sabe o que seria legal?!-Só agora notei que ela tinha parado e estava ali com um sorriso engraçado no rosto.-Um banho matinal a dois!-Eu ouvi direito? Ela propôs mesmo isso? Eu não sabia se era sério ou brincadeira!
–O que foi isso?! O espírito da Sharon baixou em você?-Sinceramente era ela que tinhas esses relances de loucura, só que ela convidava todo mundo.
–Você vem ou não?!-Espera.... Era sério? Tipo um banho....Assim logo de manhã, sem nada?! Até que.... NÃO! Por mais que isso parecesse magnífico, eu tinha que me conter e com o coração apertado neguei.
–Para de me provocar e vai logo! Agorinha meus pais chegam e o que vou dizer se me pegarem no banheiro com você?!-Ela sorriu largo se aproximando.
–Que eu estava te ajudando a lavar as costas!-Eu tive que rir, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
–Dispenso o convite, vai!-Não que eu não quisesse, mas melhor não abusar do tempo.
Quando ela finalmente foi para cima, parei respirando fundo criando coragem para enfrentar aquele montante de deveres que eu nem sabia por onde começar, arrumar a sala, cozinha, pegar o lençol e lixo do meu quarto, ligar para o meu pai e lembrar de trazer mais pães por que os daqui estavam poucos, fazer o café e limpar o banheiro de baixo.... Tanta coisa e tinha menos de uma hora pra terminar.
Enquanto escovava os dentes limpando meu rosto tentei organizar todas essas coisas por prioridade.
Fui para cozinha coloquei a água para ferver e voltei apressado para o quarto já procurando o numero do meu pai e ligando colocando o fone no ouvido e o celular no bolso sem parar de arrumar.
–Bom dia filho! Já estamos saindo daqui!-Falou ele do outro lado.
–Okay, pode passar na panificadora pra mim? Ontem os garotos tiveram fome e precisei preparar pra eles, sobrou pouco.-Perguntei tirando o lençol jogando no cesto de roupa suja, já pegando outro no guarda roupa e forrando a cama.
–Claro! Quer que eu leve algo diferente para você? Pra ver se te anima um pouco?!-Animar? Mais? Só se eu estivesse naquele banho matinal, dei uma breve risada.
–Meu humor está perfeito, não, está mais do que isso se tiver uma palavra que supera perfeição!
–Mesmo?! Posso saber quem te alegrou assim tão subitamente?- Eu ri de novo, a pergunta saiu mais retórica do que curtidora.
–Não enche senhor Adrian! Te conto melhor mais tarde, vou desligar para arrumar as coisas por aqui!-Ele deu um breve tchau e eu já tirei o fone, voltei para o andar de baixo jogando tudo no tanquinho pra lavar depois, não tinha risco da minha mãe chegar perto dali por que ela nunca lavava roupa desde que eu aprende a fazer isso.
Voltei para a cozinha terminando de preparar o café e começando a lavar a louça.
Conforme ia lavando notei a presença dela vindo perto pegar os copos e colocar na mesa sorrindo de um jeito tímido e logo então sentando na cadeira.
–É algo privado, não é?-Perguntou ela séria, o que era bem incomum se tratando dela.
–Como assim?-Perguntei colocando a garrafa de café no centro da mesa.
–O fato de mantermos em segredo não quer dizer que seja algo aberto, quero dizer eu penso que manter o segredo seja por que não seria legal todo mundo começar a me tratar diferente só por que temos alguma coisa, mas mesmo não sendo algo dito, não quer dizer que você pode sair com outras garotas ou vice versa...certo!?-Tratar diferente? Só se eles quiserem apanhar! Mas tentei seguir o raciocínio dela, talvez fossemos taxados, bom....Eu não queria procurar impasse para me preocupar com isso, talvez ficar em segredo por enquanto seja a melhor opção. Agora tem uma coisa que eu não entendi.... Como assim eu não poder sair com outras garotas?!
–O que te faz pensar que eu quero sair com outras garotas ou que outras garotas querem sair comigo? Eu ainda nem sei por que você está!?-Ela deu uma risada como se eu tivesse contado uma piada.
–Eu consigo escrever uma listinha de dez motivos se quiser!-Quase soltei um “Sério?!” estranhando, mas somente sorri.-Mas isso quer dizer que só sai comigo por que nenhuma outra se ofereceu?!-O que? Que ideia absurda, se não gostasse eu nem chegava perto.
–Claro que não, só estava enfatizando que sua pergunta não fazia sentido...-Fiquei de frente para ela adorando o rumo daquela conversa, eu não era o tipo de pessoa que gostava de dividir a pessoa que eu gostava.-...Mas acho que manter algo assim é melhor.
–Ótimo, assim te deixo proibido de envolvimento com outras garotas.-Tive que sorrir fazendo que sim, será que ela achava mesmo que tinha esse perigo olhando daquele jeito para mim?
–Está bem.-Não importava, eu tinha dito para mim que não ia mais me martirizar com essas perguntas e não vou! Me permiti dar um breve beijo nela como uma espécie de acordo sendo selado, não satisfeita quando fiz que ia me afastar ela aproximou sua cadeira da minha voltando a me beijar.... O silêncio da manhã, o cheiro agradável do vapor do café quente, junto ao sopro gélido de uma brisa matutina fazia parecer que estávamos sozinhos e que tínhamos aquele relacionamento a anos, com a singela liberdade de nos permitir esquecer do horário.... Contente ela entrelaçou os dedos pelos meus cabelos semi penteados puxando para perto de si, como se já não estivesse colado o suficiente, sentia seus lábios se entreabrirem de vez enquanto em sorrisos e para acomodar girei minha cadeira para sua frente e acabei sendo beneficiado com diversos bombardeios de beijos.... Mas na minha vida nada era bom demais por muito tempo. A porta dos fundos se abriu e fomos obrigados a nos afastar, para disfarçar dei uma breve mexida na garrafa enquanto ela mal conseguia segurar o riso.
–Foi por isso que disse a ela, melhor fazermos na quarta que é meio de semana, fica mais fácil para nós e melhor para ela!-Meu pai entrou comentando o que eu deduzi que seria os encontros familiares.
–Eu sei que essa foi sua intenção, só que conhece minha irmã, depois fica jogando na minha cara e....-Assim que entrou e virou seu rosto para Eloise parou a frase ao meio, parecia incrédula e raivosa...O que pra mim não era surpresa, já que as duas já tinham se picado antes.-...O que ela está fazendo aqui?-Perguntou para mim o que foi um tanto rude já que ela estava do meu lado, no fundo eu quis responder “Tornando me dia mais agradável”, mas me segurei.
–Ela dormiu aqui mãe e está me ajudando!-Jurou que pisquei varias vezes pensando se eu não teria trocados as palavras e dito “Ela dormiu comigo mãe...”, mas como ninguém me olhou espantando percebi que não dei essa gafe.
–Oh...-Resmungou sem preocupação de demonstrar desgosto.
–Bom dia para a senhora também!-Revidou minha atentada ajudante em um tom bem sapeca, meu pai me lançou um olhar curioso como se já soubesse que eu estava um tanto quanto nervoso ou ansioso.-Bom dia senhor Cooper!-Dessa vez se dirigiu a ele com um tom mais ameno.
–Bom dia senhorita! Trouxe os pães!-Ele mostrou a sacola de pães para ela que se levantou e foi até lá
–Faça um especial pro seu irmão!-Já começou a minha mãe com as exigências.
–Yeah vamos desenhar um sorrisinho na manteiga pra ele!-Eu não aguentei ouvindo o ironismo dela, mas dei um leve empurrão nela, seria uma péssima hora pra começar uma briga.
–Eu não falei com você!-Retrucou minha mãe fuzilando ela, o curioso é que Eloise não estava nem ai.
–Então não tem pãozinho especial!-Ahh minha nossa, ela queria mesmo comprar uma briga? Mas foi engraçado.
–Para Eloise, vamos fazer isso logo!-Briguei sem conter o riso.
–Só por que é meu capitão...-Ela sabia como me deixar constrangido...E feliz.
Corri para o quarto depois de gritar os garotos para tomar o café, eu estava tão vermelho lembrando a cena de agora pouco.... Eu me sentia sendo descoberto de um crime e pelo o que me informaram tinha provas bem claras marcadas na minhas costas, estava tão agitado de manhã que sinceramente nem pensei nas possibilidades de a noite passada ter deixado mais do que boas lembranças. Através do espelho do guarda roupa tirei a blusa tentando ver o estado.... E minha nossa, tinha razão do Devan estar preocupado, estava toda arranhada.... Como eu nem senti nada, quer dizer eu senti ela me arranhar, mas não nesse nível....
De qualquer forma não dava para usar regatas ou camisas abertas, peguei uma de manga longa e mais cumprida, pra falar a verdade meu braços também haviam sido vitimados, mas eu não podia me queixar, ela poderia ter arrancado pedaços de mim que ainda sim eu estaria satisfeito.
Enquanto eu ria abafado lá dentro vi o sorriso macabro e curtidor do meu pai que geralmente estava sendo lançado por mim, porém agora era ele quem estava fazendo, ficou pensativo ali me olhando talvez esperando que eu começasse ou que surgisse algo na mente que ele pudesse começar e desenrolasse os motivos dos arranhos.
–Eu realmente vou ter que explicar?!-Falei ajeitando os cabelos pra trás vendo ele sorrir negando.
–Não exatamente... Entre vocês dois terem saído no tapa ou terem se acabado aos beijos, eu fico com a segunda opção pelas probabilidades e o sorriso bobo no seu rosto!-Eu sorri negando, mas ele não havia terminado.-...Meu espanto é ver a intensidade que isso aconteceu sendo uma primeira vez!-Apertei os olhos indo até a porta e fechando.
–Pai, será que não podemos pular para a parte ‘aconteceu, ponto final’?-Eu me sentia um tanto constrangido tendo que comentar sobre o ocorrido, e claro eu já devia estar vermelho por que logo ele voltou a rir.
–‘Aconteceu, ponto final’ não explica isso ai! Mas eu imaginei que estivesse um tanto quanto confuso....-Confuso!? Talvez.... Um pouco, mas espero que não seja uma daquelas conversas deploráveis sobre sexo.
–A única coisa que me deixa confuso é isso ter acontecido, eu ainda não sei por que ela simplesmente me prefere...?!
–Você ainda está com isso?! Será que não entra na sua cabeça que ela tem seus próprios motivo... A não ser que.... Aconteceu algo durante que tenha te deixado desconfiado...-Ele já cerrou o sorriso preocupado.
–Não.... Talvez isso tenha me deixado desconfiado, foi tudo tão....Do um jeito mil vezes melhor do que eu se quer podia sonhar....Só uma coisa me deixou....Incabulado...-Bom eu estava um pouco aprensivo quanto a falar sobre isso, a verdade é que não sabia muito bem como deveria abordar o assunto, e quando ele me fitou curioso procurei o que tinha na mente para formular a pergunta.-..Lembra quando eu tinha treze anos e tivemos uma mesma conversa constrangedora como essa e você me disse que garotas tratam a própria virgindade como tesouro e tudo mais?!-Ele fez que sim pensativo.
–Lembro....-Agora arregalou os olhos já sabendo aonde eu queria chegar.-...Ela era?!-Confirmei um tanto quanto sem jeito.
–Eu não sei como agir, é como ganhar um presente e não ter o que devolver a altura, entende?!
–Talvez ela não espere receber ou talvez ela tenha já recebido o que desejava....-O sorriso sarcástico dele voltou.
–.Para! Não precisa me olhar assim!
–Eu estou feliz por você! Olha quando eu e sua mãe tivem.....-Essa não!
–OPA! Parou, parou! A ultima coisa que eu quero saber é sobre ‘coisas’ entre vocês dois, prefiro imaginar que tenho uma mãe virgem!-Ele deu uma risada alta concordando.
–Ahh okay! Você e o Devan foram inseminação artificial!-Ele brincou.-...De qualquer jeito vou ter que conversar com ela, por que convenhamos que o único que não entendeu o que tinha rolado foi seu irmão! E sua mãe e ela não me parecem se gostarem...-Não parecem ou não se gostam?!
–Ahh ela vai ter que se manter! Por que eu não vou me encrencar com a Eloise por causa dela!-Ele fez que sim concordando.
–Vou conversar certinho com ela....-Ele mexeu no próprio jogando algo sobre a cama e se levantando , chagava a ser um tanto cômico.-....Eu já disse, não quero netos por enquanto!-E nisso saiu.
No fim, minha alegria acabou se tornando um certo estranhamento nos que me conheciam, conversei com a Jade contando somente a parte onde tínhamos resolvido nossa estranheza.
Bom de qualquer jeito eu tinha problemas maiores e por mais que quisesse ficar sonhando acordado toda vida, eu tinha um compromisso sério com meu time.
Burocracias a parte eu já havia concertado, agora a parte difícil era a social, seguir regras é geralmente bem mais fácil do que lidar com pessoas e quando se falava do meus garotos cada um precisava de um jeito diferente do meu modo de agir. Quando comecei o time criei uma política muito simples pra manter amizades, se você for legal comigo sem qualquer interesse eu serei legal com você sem qualquer interesse, a partir disso com certeza posso me tornar seu amigo. Claro, como capitão de um time de baseball nem sempre consigo seguir essa regra, às vezes preciso bancar o mal, às vezes o idiota e às vezes o bom samaritano, não por fingimento, mas pessoas reagem a tipos diferentes de atitudes.
Naquela noite chamei todo mundo para uma reunião, teríamos a viajem que nos faria competir pela regional e haviam regras básicas que eles deveriam seguir.
–E então, não vai me convidar para um show exclusivo dos Beatles?-Falou uma voz brincalhona quando a reunião acabou, os garotos se organizaram pra jogar e eu fiquei na sala com as autorizações que faltavam.
–Deixa o coitado em paz, estava querendo agradar!-Ela deu uma risadinha sentando do meu lado do sofá.
–Você leva isso bem a sério, não é?!-Questionou me olhando curiosa.
–Todos nós levamos!-Repliquei e ela riu negando.
–Sim, mas pra você parece ser meio pessoal! Pra falar a verdade eu quase nunca vejo desperdiçando tempo!-Franzi o cenho confuso e sorrindo também.
–Eu desperdiçaria o meu tempo se isso fosse bom!-Ela negou mais uma vez.
–Não é disso que estou falando, você é muito metódico capitão! Parece ter medo de arriscar.... Deixar o dever de lado por meros minutos e fazer o que seus impulsos mandam!-Era o que?
–Que historia é essa ajudante, eu faço isso o tempo todo!
–Não faz nada, você é medroso!-Mas o que era isso?! Pelo sorriso malicioso estava me testando.
–Que isso Eloise!? Eu posso largar minhas coisas quando quiser e fazer o que quiser quando bem quiser!-Ela negou rindo mais ainda.
–Mesmo?! Teria coragem de largar tudo isso ai e ir para de trás da casa?! Daí eu te conto sobre aquele assunto!-Eu não consegui conter o sorriso e o vermelho do rosto, essas propostas dela eram sempre tão boas.
–Agora? Eu tenho que terminar isso primeiro!
–AHA! Você não tem coragem!
–Não é questão de coragem, é que isso aqui....-Ela me mirou com desdém.
–Bla-Bla-Bla! Fica com seus papeis então senhor meu capitão!-Nisso se virou saindo da sala.-Galera deixem um espaço pra mim, hoje vocês vão perder até as cuecas!!-Gritou ela pros meninos.
Havia ficado encabulado, eu era realmente tão metódico assim? Quer dizer eu tinha sim uma vida metódica, mas não era como se eu não pudesse me livrar dela, mas o que isso tem haver? DE qualquer jeito terminei de ajeitar os papeis e servi a comida pra todo mundo, porém quando deitei e todos pareciam dormir meu sono não chegava. Quis chamá-la, ver se estava acordada e tentar roubar alguns gracejos dela. Foi quando o ‘de trás da casa’ me impulsionou a levantar, desde ontem ela jogava frases sugestivas para mim, como se quisesse imensamente que eu as pescasse e fizesse o que queria, porém talvez tenha razão, eu tinha um certo medo de que nossos desejos não combinassem um com o outro. Quando enchi o copo de agua e ouvi os passos leves dela se aproximarem eu senti um arrepio na espinha quando me virei.
–Veio me contar sobre aquele assunto?-Perguntei sem realmente querer saber sobre isso, só queria iniciar um papo.
–Quer mesmo saber?!-Devolveu a pergunta e eu tive que me aproximar dela com aquele jeito de quem não queria conversar.
–Mas é claro.-Respondi somente.
–Quer tanto assim..?!-Seu tom era como o de um mercador querendo barganhar uma mercadoria, ela parecia querer vender um segredo por algo que eu estivesse em mãos.
–Quer negociar um preço..?!-Quando questionei ela dei um breve riso me olhando, por pouco compreendi que tinha algo que ela queria e isso estava diante os olhos dela.
–Sem desconto....-Ela veio até mim pegando sua parte no contrato enlaçando a mercadoria que tinha mais do que muito gosto de ter sido entregue em suas mãos.-...O que me diz..?!-Passei as mãos em volta dela sorrindo, o que eu diria? Bom, eu só tinha uma coisa a dizer....
–Tenta não me arranhar tanto dessa vez, ok?!-Disse em um sussurro, sério, se ela me arranhasse mais ainda eu não ia nem poder jogar baseball de uniforme...A beijei sendo correspondido por ela que magicamente se desmanchou nos meus braços.
Quando subimos ela já começou me provocando cravando aquelas garras enormes nas minhas costas, provavelmente só por que eu tinha pedido que não, puxou minha blusa a arrancando de uma vez, sua sutilidade passava longe nessas horas e isso me agradava, acho que as coisas não aconteceriam se ela fosse aquele tipo de garota que espera.... Sua impaciência era minha virtude.
De repente estávamos chocando nossas mãos procurando o caminho certo de por onde começar, ainda que isso não quisesse dizer nada, sua mãos macias deslizavam sobre meus braços se dirigindo para as costas sem que nossos lábios tivessem ao menos desconectados... Não tínhamos tanta paciência para fazer uma coisa de cada vez, era como tudo ou nada.
Eu poderia dizer que diferente da ultima eu já não tinha mais tanta preocupação se devia ou podia tocar nela, me permiti sentir sua pele suave com mais vontade, tomar seus lábio com sem moderação, gracejar em seus ouvidos coisas como “meu nível de coragem está bom agora?!”, saborear seu riso tortuoso movendo o maxilar impaciente quase gritando “Isso lá é hora de brincar?!”. Não era, mas me deleitava sempre que a via ansiosa por mim, inquieta quando seu ar acabava primeiro que o meu, eufórica sempre que eu a pegava nos braços e levava para a cama alegre me chamando de ‘meu capitão’... Dessa vez eu não era mais um mero espectador de uma adorável Love story.
Deitado de bruços eu pensava sobre isso, pensava sobre essa viajem e como seria, pensava sobre até onde iria com esse relacionamento que sinceramente eu estava torcendo para não acabar, pensava sobre os dez motivos que ela dissera que tinha, sobre o sorriso que sempre tinha ao me ver... E sobre o meu que não conseguia conter. Quando senti suas mãos acariciarem meus cabelos e os beijos depositados nas minhas costas levei um leve susto, não esperava por isso.
–Lembra que você me pegou abraçada com seu irmão e me perguntou o porquê?!-Sussurrou recostando seu rosto nas minhas costas.
–Uhum...-Não era o melhor assunto para o momento, mas não queria ser rude e pedir que falássemos de outra coisa.
–Ele havia me contato sobre quando você se pôs no lugar dele na infância...-Ele fez o que?!!? Tive que mirar ela, não acredito que ele contou o que estou pensando que contou!
–Contou o que?-Quando ela ouviu meu tom zangado franziu o cenho.
–Quando ele quebrou algum trabalho da sua mãe e você assumiu a culpa..-Girei o corpo de frente para ela tentando manter a calma.
–Ele te contou isso? Por quê?-Questionei, não é como se ela fosse culpada por meu irmão ter a língua solta!
–Queria desabafar com alguém, ele parecia entalado com aquilo e precisava...-Eu me sentei negando, ele era inacreditável, não acredito que tenha contado uma historia que nem é dele!
–Só que não é historia só dele! E desde quando falar resolve algo?!-Agora ela se sentou e não estando vestindo nada tive que respirar fundo de novo pra me contar.
–Ficar calado também não! Além disso ele não fez por mau, precisava tirar um pouco daquele peso das costas!-Ahhh falar historia dos outros alivia a nossa? Não sabia disso!
–Fui eu que apanhei e ele que carrega o peso? E o Devan não sabe de nada pra ficar contando isso pra você!-Ele ficou escondido o tempo todo levei uma surra, um tombo que me causou um furo no braço e a ira da minha mãe que pelo visto pago até hoje e quem está com peso nas costas é ele?! Era só que me faltava.
–Não fique zangado! Pro Devan sua mãe só age assim com você por causa do que aconteceu, e até me disse que queria se desculpar com você pelo o que houve!-Respirei fundo mais uma vez, sua expressão era de quem só queria ajudar.
–Ele exagera...-Encerrei aquele assunto chato para que pudéssemos ficar numa boa o resto da noite, mas a indignação no rosto dela mostrava que não teria tanta paz.
–Você não vai me contar sua versão?-Eu tive que sorri da pergunta.
–Eu não gosto de falar disso, já disse que não converso sobre passado! Mas foi por isso que falou daquele jeito com a minha mãe?-Por que isso explicaria a raiva que ela sente da minha mãe o que seria um problema, por que as duas me azucrinando sobre a outra não é nada saudável.
–E você acha pouco? Sinceramente tenho vontade de bater nela cada vez que lembro disso!-Ahh minha nossa, olha o que o Devan me arrumou.
–Eloise isso é coisa minha e se você se encrenca com ela, depois ela vem pra cima de mim, pode tentar não fazer isso?
–Por que você se sujeita? Você não é o que ela disse pra abaixar a cabeça!-Tive que mirar ela seriamente, como ela podia dizer aquilo? Como se eu fosse diferente ou superior, será que ela pensava que eu não tinha noção de quem eu era?
–Para, você não me conhece desse tanto pra falar isso!-Agora ela me fitou zangada e impaciente.
–Conheceria se me contasse! Ahh mas é verdade, você não fala do passado com ninguém!-Ela já ia se levantando para sair nervosa, porém eu não podia deixar as coisas acabarem assim! Ainda mais por um motivo tão bobo.
–Espera...-Falei desistente, segurando seu braço, se ela saísse dali provavelmente eu não teria coragem de pedir desculpas depois.-...São historias muito chatas de se ouvir e eu não gosto de ficar relembrando.- Ela suspirou ficando de frente para mim.
–Eu não vou exigir, mas soltar algumas coisas não faz mal, sabia?!-Quando sorri concordando ela me devolveu com um beijo agradável.
–Quer saber tanto assim...?!-Brinquei lembrando da cena que ela tinha feito antes de subirmos, ela já me voltou com um sorriso super animado.
–Uhuhuhu Não preciso de desconto!-Quando disse isso não aguentei, gargalhei de sua espontaneidade.
–Vou sentir falta desse seu senso de humor essas duas semanas...-Falei sendo sincero, cara eu ia sentir muita falta do jeito brincalhão dela... E das demais coisas também.
–Duas semanas? Que duas semanas?-Franzi o cenho olhando pros lados, será que ela não me ouviu falar na reunião?
–Ora, não ouviu eu combinando com os meninos de dividirmos o orçamento pra viajem por que ficaríamos jogando fora durante duas semanas?-Quando aqueles olhinhos verdes junto a sua expressão formaram quase uma criança prestes a chorar eu não pude acreditar.
–E eu vou junto claro!-Retrucou ela.
–Não pode ir, o comitê não deixaria, quer dizer ficar aqui sou eu, mas na viagem não dá Eloise!-Ela mexeu as mão negando quase desesperada e particularmente eu estava achando aquilo muito encantador.
–Não, não não, você não pode me largar aqui, eu faço parte do time lembra!?
–Eu sei! Mais não pode, nem você e nem a Jade, quer dizer vocês podem nas semifinais, e como só é eliminatórias eles não permitem.-Ela veio para cima de mim com aquele olhar de cachorro sem dono.
–E o que eu vou ficar fazendo aqui sem o time se eu sou ajudante do time!?-Eu senti que o time não era bem aquilo que ela ia sentir falta.
–Eu vou organizar pra vocês revezarem e olhar o clube...-Ela continuou tristonha me encarando.
–Me deixa ir com você, vai!?-Sério que aquilo estava me doendo por dentro também, com ela me pedindo daquele jeito então, mas infelizmente haviam regras a seguir.
–Eles não deixam, já conversei com o comitê...-Expliquei pra ela que pareceu se conformar.
–Mas...Duas semanas...?!-Ela deitou sobre mim com um bico enorme nos lábios.-... Você me ligar de vez em quando?-Com muito gosto.
–Ta bom...-Revidei apertando ela contra mim.
No dia seguinte ela veio até minha casa afim de cumprir essa aposta que pelo visto nunca acabava, mas dessa vez ao invés de ficar aturando as idiotices do Devan ficou fingindo que me ajudava a fazer a mala. Para ter certeza de que ia ligar colocou no meu celular todos os números possíveis que eu poderia ficar ligando para ela.
–Quem é Judy?!-Perguntou ela enquanto eu enrolava as blusas e colocava na mala.
–Irmã do Hugo!-Retruquei e apertou os olhos me fitando.
–Por que você tem o telefone dela?-Mirei ela rindo.
–Ela me pediu pra ligar se tivesse algum problema.-Ela soltou um bufo com desdém.
–Sei... E essa Grayce?-Ahh minha nossa, ela estava mesmo fazendo isso? Fui até ela tomando meu celular de volta.
–Não abusa Eloise! As garotas do meu telefone só servem de precaução pelos garotos ou informativas!-Ela franziu o cenho.
–Informativa é?! Tipo informar se elas estão livre na sexta?-Dei uma gargalhada negando.
–Você me entendeu! Já que veio aqui me ajudar, por que não faz a mala do Devan pra mim?!-Ela negou.
–Que tal eu fazer a sua e você faz a do seu irmão?!-Ela se abaixou ao lado da minha mala mexendo em tudo.-Uhh essa blusa te deixa muito sexy, não vai levar!-Ela pegou minha blusa preta e jogou em cima da cama.-...Bermuda?! Humm....Melhor não, é muito fácil de arrancar!-Tirou ela e jogou junto com a blusa, eu dei uma gargalhada não acreditando puxei ela pelos ombros.
–Tá, tá, tá! Escuta! Eu vou nessa viajem jogar baseball, não estou indo pra Las Vegas fazer besteira!-Ela apertou os olhos negando.
–Eu ia nos jogos com meus irmãos capitão! E eles me davam vinte pratas pra dar uma volta por que sempre que ganhavam apareciam aquelas espécies de tietes....E advinha em quem elas iam primeiro?! Sim nos capitães!-Eu ri negando.
–Eu já vi algo parecido, mas fique tranquila que elas sempre desistem quando colocam os olhos em mim!
–Ohh pobrezinho, é tão menosprezado! Uma pena as vadias não gostarem de você, não é?!-Seu tom era um ironismo zangado.
–Eu não quis dizer que queria algo se elas me dessem moral, só que....
–Só que não preciso me preocupar e que se você tivesse a aparecia que você achasse que fosse legal faria a festa no meio delas!-Han!?
–Como assim?!
–Não sei, é você que me olha estranho como se eu fosse doente por querer algo com você! Vai ficar duas semanas fora e não para de enfatizar que se as garotas se atraírem por você, você pegaria!-Ela sentou na cama pegando a blusa.
–Eu não disse isso! E não acho que você tem um problema....E eu não pego nada! Isso é pejorativo!-Ela estava triste mesmo com essa coisa da viajem e não poder ir, sentei ao lado dela.-...Você tem seus dez motivos não é?!-Ela me fitou sorrindo tímida.
–Já aumentou pra vinte desde ontem!-Contou mais alegrinha.-....E se tiver uma que goste de você?!-Mirei o chão sorrindo.
–Explico pra ela que tenho uma ajudante faixa preta extremamente ciumenta e que também gosta de mim e que não serve outra se não for ela...-Ela jogou o corpo contra o meu.
–Ahh eu tenho um dinheiro sobrando, talvez eu viaje por conta própria onde vocês forem...-Falou pensativa.
–Não funciona assim Eloise, vai ser tudo muito corrido e não compensaria! Espera aqui com a Jade, duas semanas vão passar voando e eu vou te ligar sempre que der!-Ela me mirou pelo canto do olho.
–Não vai ser pra essa Grayce...?!-Falou com desdém brincando, dei uma risadinha negando.
–Grayce é minha tia avó, eu acho que ela não vai querer que eu fique ligando pra ela!-Ela gargalhou concordando.
–Okay, okay! Melhor você ir arrumar a mala do Devan, eu termino aqui!-Ahh tá, bem provável.
–Eloise! Vai logo!-Ela negou.
–Não, eu quero ficar aqui!-Revidou como uma criança mimada.
–Vai ver como essas duas semanas passaram voando....-Sinceramente nem eu acreditava nisso.
–Não vão não...-Ela veio até mim e quando um beijo quase aconteceu ouvimos o bater na porta.
–Mano cheguei! Me ajuda a fazer minha mala..... Oh Olá Eloise!-Ela sorriu sem graça pra ele e já o puxou pelo braço pra arrumar as tralhas dele.
Eu jamais chamaria as meninas para acordar de madrugada quando o ônibus saísse, mas senti uma incontrolável vontade de ver uma delas e me despedir de uma forma mais calorosa, com abraços e beijos, mas era não havia nada que eu podia fazer além de desejar.
–Certo galera! Alguém faltando?-As quatro e meia da manhã estavam todos caindo de sono.
–Não Dillan! Eu conferi na entrada!-Falou Edgar ao fundo.
–Beleza, boa noite pra vocês por que EU também estou com sono!-Falei indo sentar na poltrona da frente próximo a janela e lá estava o Toni que roncava, dei um chutão nele que acordou assustado.
–Que isso?! Olha o Bulliyng!-Dei uma risada acenando.
–Vaza! Está no meu lugar!-Ele sentou na poltrona do corredor.
–Bons sonhos com mulheres nuas....-Murmurou ele virando pro outro lado.
–Pra você também..-Eu ia sonhar sim, mas só com uma, credo isso foi meio obsceno.
Era umas sete horas da manhã quando o treinador me acordou pra eu acordar os demais, tínhamos chegado na primeira cidade e logo teríamos que descer pra tomar café. Paramos em um posto de gasolina e gritei por todos para pegarem suas mochilas e descemos para a higiene matinal junto ao café.
–Galera é o seguinte...Vai se como nas outras viajem, vou ficar aqui na frente e a partir da primeira parada a gente gira, duvidas, comentários ou qualquer coisa a discutir vocês se organizam!-Era muito simples, pro jogo sair bem o estado emocional dos garotos precisava estar bem, por isso eu conversava muito com eles durante a viajem pra consertar algo que não estava certo.
–Ou seja quem quiser um encontro particular deve marcar horário, viu?!-Falou Jordan fazendo uma voz afeminada.
–Isso, e não coloquem mais de uma vez como a Jordie, que parece que MOOORRREEE se não dormir do meu lado no ônibus!-Voltei com o mesmo tom de voz fazendo os demais rirem mais dele do que de mim.
–Hey eu gosto de mulher!-Revidou sem graça.
–Não parece, fica me tarando!-Retruquei ainda fazendo voz de gay e teve uns que se engasgaram com a pasta de dentes.- Certo, certo...Brincadeiras a parte, tentem ser mais ágeis pra ganhamos tempo na cidade em que vamos competir! Assim da tempo de chegarmos, descansarmos e jogar sem estresse!-Eles concordaram e eu já sai dali, ansioso por que era uma cidade e nas cidades pegavam celulares e com celulares eu podia fazer ligação e com ligação eu podia ligar para ela.
Liguei o celular todo animado e em menos de segundos fiquei desanimado, não tinha sinal algum, nem ao menos um pique. Fiquei dando voltar procurando, subi em cima de um morro e nada! Mas que porcaria de cidade era essa?
–Mano estou com fome!?-Falou meu irmão me vendo lá em cima.
–To indo Devan!-Revidei descendo.-Cadê os coleirinhas?-Coleirinhas era o apelidos que dávamos aos garotos que tinham namoradas, sempre que o ônibus paravam eram os primeiros a saírem em busca de sinal para ligar e falar com elas, puts....Acho que me tornei um.
–Maicon estava subindo em cima do ônibus agorinha a pouco!-Fomos andando para a lanchonete e droga estavam todo lá, o que queria dizer que se eles não estavam pendurados no celular era por que não conseguiram falar com elas.
–Ora vejam só, nossos coleirinhas deram a honra de sentar conosco....-Foi conversa fiada pra saber sobre o sinal, os demais riram bagunçando o cabelos deles.
–Essa porcaria de cidade não tem torre! É uma currutela!-Falou Tairony furioso.-Agora a Susy vai brigar comigo!
–Relaxa que só viemos aqui para tomar café! Já estamos saindo, mas tarde você se submissa a ela!-Brinquei mesmo que eu também quisesse muito falar com alguém.
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Apesar dos jogos e as brincadeiras durante a viajem precisava confessar que o tempo parecia ter parado, os dias pareciam estar mais longo e mesmo eu tendo que conversar toda hora com alguém, nada me fazia tirar aquela vontade imensa de conversar com ela.
–Falta pouco pra fazer um ano....-Murmurou Julian perto de mim, tive que me entristecer com ele.
–Eu sei, eu quero que todos estejam lá! Pelo menos eu vou estar!-Comentei, Julian era um dos garotos mais antigos do time, conheci ele quando tinha quatorze anos, antes de vir pra cá estava se metendo com gente da pesada e por falha se meteu em uma encrenca tão grande que teve que mudar de cidade...Drogas, gangues e até mesmo roubo fazia parte do currículo dele, não era pra menos com um pai que abandonou ele e a mãe quando os problemas aumentaram. Mas a mãe dele aguentou firme e na primeira vez que ele foi pro reformatório quando se mudaram nos conhecemos, infelizmente já estava praticamente viciado em cocaína e me deu um trabalho lascado... Me inspirei em um filme pra tirar ele disso, porém eu na minha santa juventude não entendia o procedimentos corretos e a maior parte tive que usar força bruta, foi um dos garotos que mais me deram dor de cabeça, ele não tinha folego, força, nem disposição por causa da droga, mas eu tinha tanta pena da mãe dele que não tive coragem de desistir dele. Quando ele firmou no time pra valer ela ia levar lanches e assistia a todos os jogos, ela nos chamavam de “Os perdidos e achados”, demorei a entender o por que, fato era que todos nós adorávamos ela. Ela dava bons conselhos sobre garotas, quando perdíamos nos animava e até mesmo fez nossos uniformes quando o clube se negou a dar um pra gente. A mãe do Julian acabou se tornando para muitos que não tinham ou aquelas que não agiam como a minha, a mãe do Time, já era costume na sexta e sábado sentirmos o cheiro fresco de biscoito ou bolo nos esperando no banco de reserva.
–Ela vai torcer por nós, dizia que era seu sonho nós ganharmos a estadual!-Comentou ele sorrindo amargo, o medico diagnosticou um câncer de mama já em estado avançado a um ano atrás...Não tinha mais jeito, só dava para assistir os seus últimos dias e isso nos destruiu aos poucos e não conseguimos jogar o ultimo jogo sabendo que ela não estava na plateia.
–Eu sei! É por isso que vou te colocar na frente! Vai ser um dos primeiros e últimos a jogar, quero que ela te veja brilhar lá de cima, esse era o sonho dela!-Agora ele me voltou uma olhar mais contente e emocionado.
–Valeu Dillan! E eu vou fazer o jogo mais bonito que essa cambada já viu!?-Eu tinha que confessar de todos ali ele estava sendo um dos mais esforçados para a vitória acontecer e era por isso que eu queria ele no campo.
–Disso ninguém tem duvida, você é feio mais joga bem!-Ele gargalhou negando.
–Olha só quem fala!-Revidou ele me dando um peteleco.
A sociedade antes poderia nos considerar a ralé ou geração perdida, mas nós estávamos mostrando que isso não era verdade! Tínhamos nosso próprio brilho.
Depois do Julian veio o Jordan, que sentia falta da namorada traíra, Doug com sua problemática com os pais que pareciam querer decidir sobre a vida dele, Franklin já iniciou a teimosia de querer ser o top do time...E por ai ia, em quatro dias eu tentei conversar com a maioria, mas eu particularmente aquela que eu sonhava em conversar ainda não tinha conseguido, era o tempo que não deixava, o sinal que não pegava e o sono junto ao cansaço que fazia eu dormir sempre que passávamos por uma cidade com sinal.
–Desculpa amor, desculpa!-Falou em tom alto um dos coleirinhas, tínhamos parado pra comer e nem percebi que aqui poderia ter sinal.-Eu sei! Mas querida....-Peguei meu telefone rapidamente ligando e vendo se tinha sinal, fraco, mas tinha. Enfiei o lanche todo na boca tomando o café de uma vez que acabou queimando minha língua e já corri pra fora o mais longe do garotos possível, ou eles notariam que eu estava falando com ela.
–Alô?! Capitão?!–Falou do outro lado uma voz roupa, só agora percebi que talvez estivesse cedo demais para ligar pra ela.
–Parece que eu te acordei...-Revidei em um tom baixo contente por ouvir a voz dela.
–Não importa...–Sorri sem graça, ‘não importa’ eu acordo ela e mesmo assim ela não se importa.-...Por que não me ligou antes?-Perguntou com uma voz mais fogosa
–Tivemos dois jogos e ficamos mais na estrada do que em cidade, acabou não dando...Como vão as coisas?-Se eu dissesse que tentei de todas as formas ela provavelmente riria de mim.
–Indo, mas não tem a menor graça se quer saber...-Eu imaginava.- E vocês? Ganharam?
–Claro, foi cansativo, mas ganhamos!-Retruquei mais animado, que maravilha era poder falar com ela.-Não vai ser o cansaço que vai tirar a gente das finais agora!
–E onde estão?
–No meio do nada, paramos pra tomar café e como eu percebi que tinha sinal...Pensei em te ligar....-Ela se calou um pouco e no silencio que fazia do outro lado me peguei imaginando o quanto seria bom estar em um lugar aconchegado ao lado dela naquele momento.
–Nem vai acreditar quem está dormindo do meu lado...–Eu sorri sem jeito, quer dizer eu desejei estar lá, não que alguém estivesse lá com ela.
–Quem? A Sharon?-Chutei a primeira garota que me veio a mente, pra não imaginar que estava com um garoto.
–Não, está louco, antes sozinha do que com ela...A Jade, ela dormiu aqui em casa.–Ufa, menos mal.
–Uhh sério?! Ela geralmente não consegue fazer amizades com garotas, mas por quê?-Disfarcei meu desconforto quanto a pensar que ela estaria com alguém que não deveria.
–Uns problemas, mas prefiro contar quando você estiver nos meus braços...-Quando ela falou isso baixinho eu tive que gargalhar, será que ela lia mentes? Por que eu queria muito tê-la em meus braços.
–Você não existe, mas vou fazer do seu jeito por...
–Hey capitão! O motorista já está chamando, está conversando com quem?!-Um dos garotos tinham ido me chamar e acabei levando um susto.
–...Vou ter que desligar...-Falei para ela prontamente, sem poder mais prolongar aquela conversar.
–Não, deixa eles pra lá, eu senti tanta falta de conversar com você, me conta sobre o jogo!–Ahh como eu queria isso.
–É que o ônibus já está partindo...-Ouvi ela suspirar desistente, o que me torturou por dentro.-...Vou te ligar amanhã, prometo...-Completei.
–Tudo bem, tchau.-Retrucou ela de um jeito sentido.
–Até mais!-Nisso desliguei correndo pro ônibus.
–Não acredito!-Falou um dos garotos dentro do ônibus me olhando e rindo.-...Nosso estimado capitão virou um coleirinha?
–Vá a merda! Estava falando com meu pai!-Expliquei empurrando ele.
–Com seu pai?! Durante meia hora?-Mirei eles com desdém.
–Não foi tanto tempo assim! Foi uns quinze minutos só!
–Só!?Ouviram isso?!-Eles badernaram e brincaram, mas fiquei um pouco triste, acabei falando tão pouco com ela.
Era bem de noite quando terminamos um jogo tomamos banho e já fomos pro restaurante pra depois da janta voltar pra estrada, notei um dos garotos ao celular e aproveitando que ainda tinha gente comendo então daria tempo, já que infelizmente os próximos jogos as chances de eu falar com ela seria diminuída drasticamente.
–Alô!–Falou ela toda animada.
–Oi...É o..
–Por que não me ligou ontem!?-Credo, até levei um susto quando ela gritou isso, mas dei uma risadinha, ela percebeu que fiquei um dia sem ligar pra ela.
–Ah, não consegui sinal, ficamos o dia no ônibus, você não tem idéia do que está sendo isso aqui, viajamos de uma cidade pra outra que ficam em lugares opostos e longes dai tu imagina, um sofrimento pra ir e outro pra voltar.-Expliquei para ela bocejando.
–Com certeza é muito melhor do que ficar aqui...–Ela disse isso com uma voz tão tristonha, mas não sabia o cansaço que estava sendo isso aqui.
–Não diria isso, está sendo bem cansativo, não acho que iria gostar.-Estar em uma cama aconchegante como ela estava com certeza era muito melhor do que dormir ao lado de uma maquina de roncar macho.
–Eu discordo, seria bem divertido no frio da noite você na poltrona ao lado dividindo coberta comigo enquanto eu praticamente me jogava em cima de você...–Com outra companhia eu tinha que admitir que a viajem se tornaria mil vezes melhor.....Ahhh eu queria muito que fosse ela ali onde poderíamos cobrir o rosto com a coberta e trocar beijos escondidos.
–Vendo desse jeito não parece tão ruim...-Bocejei novamente vendo as luzes da cidade ao longe.
–Está com sono não é?!–Sua voz desanimada por minha causa me doeu, bati o celular na cabeça para ver se despertava e não parecesse tão sonolento ao telefone.
–Não, eu estou bem, é que acabamos de chegar de um jogo daqueles bem complicados, desafiador eu diria...-Revidei.
–Por mais que eu queira ficar a noite inteira conversando com você, é melhor ir dormir, não quero ser culpada por que o capitão caiu em campo!-Precisei rir, era tão carinhoso ao mesmo tempo que triste, mas realmente não conseguiria conversar muito, estava cansado demais.
–Não vou, mas é que vamos entrar no ônibus agorinha e não sei se vai dar pra te ligar nesses quatro dias por que são três jogos em cidades diferentes, ou seja o tempo que vamos ter é pra descansar!-Ouvi ela soltar um leve suspiro e eu também suspirei por que queria muito poder conversar mais com ela.
–Se prometer me compensar quando voltar deixo você livre agora...-Compensar?!
–Compensar?! Como?!-Perguntei curioso.
–Um vale “Capitão só seu por um dia” está de bom tamanho.–Acabei rindo, como ela conseguia me fazer propostas tão vantajosas?
–Okay, vou ver se te arranjo um! Boa noite Eloise...-Quando chegar lhe arranjo um “Capitão só seu pro resto da vida” se continuar assim, cogitei comigo.
–Boa noite capitão.-Ela desligou e eu não conseguia conter o sorriso nem o sono.
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Os dias passaram de forma lenta e eu aguardava qualquer brexinha que nunca aparecia, o que foi me frustrando. Me forcei a focar no motivo de estar na viajem, se eu deslizasse seria um problemão, principalmente se perdesse um jogo.
Foi mais do que quatro dias sem falar com ela, eu estava parecendo os coleirinhas cabisbaixo sentindo falta de uma garota que nem sei se estava pensando em mim. Não importava, algumas noites eu acordava jurando que ela estava do meu lado me abraçando e me chamando, imagina a decepção quando levantava os olhos e via um macho roncador.
O ônibus parou de manhã em uma cidade para tomarmos o café, enquanto tomava notei uns garotos brigando pra ficar em um lugar especifico perto da lanchonete.
–Hey sem briga!-Falei indo até eles.
–Eu cheguei primeiro Dillan!-Falou Richard zangado.
–Mentira, eu que soube que aqui tinha sinal!-Opa! Agora eu fiquei estático.
–Espera, espera tem sinal aqui?!-Perguntei e eles me olharam fazendo que sim.
–Só aqui, por isso estão tentando me tirar!-Eu nem quis saber nada, o local era uma quina de um muro onde do lado de a queda e do outro tinha o jardim que dava pra lanchonete, chutei os 4 lá de cima que levaram um susto quando caíram do outro lado.
–Caralho Dillan você ficou doido!???-Perguntou um deles assustado.
–Vão se resolver pra lá! Não quero briga, procurem outro lugar pra ficar abanando o rabinho pras senhoritas suas namoradas, não quero nenhum de vocês fazendo cara feia um pro outro!-Sentei lá fingindo que ficaria ali pra eles não brigarem, resmungando, mas saíram dali, foi quando aproveitei pra ligar o celular mais contente que criança quando ganha chocolate.-Bom dia! Eu sei que fiquei de te ligar ontem, mas juro que não deu, essas cidades do interior são uma droga!-Falei para ela me sentindo eufórico, explicando antes que ficasse zangada de novo.
–Bom dia...Tomando o café?-Perguntou ela com a voz manhosa e leve.
-Yeah! Estamos em um hotel, os garotos estão lá dentro e eu aproveitei pra vir te ligar, como passou a noite?!–Ela soltou um leve sorriso abafado, não entendi o porquê.
–Mais ou menos, teve suas partes boas e ruins.-Respondeu de um jeito desgostoso.
–Como assim? Teve um pesadelo?-Perguntei mais pelo seu tom.
–Ao contrário, tive um sonho perfeito o ruim foi quando eu acordei!–Oh poderia dizer que algo parecido tinha acontecido comigo.
–Ah sei bem como é!
–Mesmo?! Sonhou comigo esta noite?-Ela era sempre tão espontânea que tive que rir, eu tinha sim tido relances do que tivemos, mas um sonho completo não.
–Bom...Mais ou menos....–Falei sem jeito.
–Eu sonhei com você hoje, ontem e antes de ontem, se bem que o de hoje foi o melhor por um momento eu senti que estava realmente aqui e quase tive um ataque quando vi que não estava.-Apesar da sua voz sonolenta, senti meu peito pulsar acelerado quando ouvi isso.
–Hehe você não tem jeito...-Retruquei sorrindo sem graça.
–Gosto de sonhar com você, me faz pensar que está perto de chegar...-Isso já era tortura, me fazia sentir uma vontade louca de voltar.
–Para com isso...–Pedi a ela.
–Por quê?–Eu tinha mesmo que dizer?!
–Me tira a concentração pensar em você...–Fiquei meio envergonhado de dizer isso.
–Sei como é ter alguém invadindo seu pensamento a todo momento, que roupa está vestindo?-Eu não aguentei, gargalhei imaginando aonde ela chegaria com isso.
–Pra que quer saber?!- Perguntei, mas pela o tom de voz dela eu já sabia.
–Vamos brincar! Já ouvi dizer que dá certo!–Eu ri novamente.
–Você é muito estranha!-Revidei, não que a ideia não me agradasse, mas não era o lugar mais apropriado.
–Está bem, vou me divertir com ele!-Ele?! Ele quem?! Engoli seco não gostando de ouvir aquilo, ela disse certo? Ele?
–Ele quem?-Ela ficou um pouco quieta pra depois responder.
–Ora meu amigo que está aqui comigo, sabe ele concordou em participar do meu fetiche como a Sharon fez com você!– Era quem!? Como assim fazer o mesmo que eu fiz com a Sharon, afastei celular pra conter minha raiva como ela podia estar com outro cara? Tínhamos combinado, não? O celular sinalizou receber uma msg com imagem e assim que olhei o tal ‘amigo’ dela não me contive, tive que rir até minha barriga doer, era um travisseiro vestindo meu uniforme!
–Não acredito, onde conseguiu meu uniforme?!–Questionei rindo.
–Roubei, te devolvo só vestindo ele! Até lá vai servir de adorno até voltar!–Esse tipo de adorno eu aprovava e muito, na verdade eu me senti satisfeito com aquilo, ela também sentia minha falta e isso era magnfico.
–Com certeza eu vou exigir....Queria mesmo está no lugar dele...–Revidei sendo sincero, queria muito estar ali ao lado dela.
–Não está por que não quer, eu sinto muito sua falta.-Cerrei os olhos suspirando, que droga era aquilo? Coloquei a mão sobre os olhos frustrado....Doía tanto ouvir aquilo ao mesmo tempo que era bom saber....
–Eu também...-Falei tentando me manter firme.
–Dillan, você não vai comer mais?!-Gritou meu irmão vindo aonde eu estava e quando me viu no telefone já me mirou curioso.-Com quem está falando?!
–É com a Eloise!-Revidei e ai que ele veio pra perto.
–Ohhh deixa eu falar com ela vai!?!-Eu estava me sentindo meio estranho então resolvi deixar enquanto eu me revigorava.
–Meu irmão quer falar oi pra você!-Passei pra ele querendo ouvir o que falavam..
–Oi Eloise! Ganhamos! Estamos já pra entrar na final!–Contou animado.-Mesmo e qual é?-Perguntou curioso e tentei me aproximar pra ouvir mais não consegui.-Pode deixar!–Ahhh eu já não aguentava mais aquilo, tomei logo da mão dele.
–Tchau Devan! Vai pra lá!Onde paramos?
–Você me dizendo que mandaria uma foto pra mim...?!-Han?! Eu o que?!
–Tá louca?! Eu não tive tempo de fazer a barba nem corta o cabelo estou parecendo um selvagem!-Não estávamos tendo tempo nem pra um banho completo.
–Sério?! Que magnífico, own, por favor, deixa assim! E me mande uma foto agora! Nunca vi você de barba...-Ela era inacreditável, até parecia que eu tinha mudado pra melhor.
–Não perdeu muita coisa, se já sou esquisito sem, com sou mais ainda só isso...-Ela solto um som estranho, quase negando.
–Eu diria sexy, vamos mande pra mim! Ou melhor, mantenha pra quando a gente se encontrar e eu tocar!–Rir era o que dava para fazer, ela dizia tudo de forma tão sincera que quase acreditava que realmente era o que ela dizia.
–Depois eu te mando, vou ter que desligar...-Falei quando avistei os garotos já voltando para o ônibus.
–Tudo bem, mas promete que vai deixar?!-Fiquei meio receoso quanto aquilo, mas não protestei.
–Certo, vai brincando com o travesseiro ai!- Brinquei fazendo ela rir.
–Ele não tem tanta graça, não fica vermelho quando eu arranho ele...-Minha nossa, até onde ela brincava com esse travesseiro, eu procurei nem imaginar ou a situação pioraria para mim.
–As minhas já sumiram...-Comentei somente rindo.
–Vou renovar quando a gente se encontrar...–Isso seria muito bom, vi os garotos acenarem eu tinha que desligar infelizmente.
–Está bem então, tchau!- Desliguei indo até eles sorrindo largo.-Eai cambada, prontos?!
–Estava falando com quem?-Antes que eu inventasse uma mentira meu detestável irmão já tomou a frente.
–Com a Eloise!-Quase gritei um ‘valeu Devan’ quando os demais começaram a curtir comigo.
–Com a Eloise? E tu não disse que não era pra haver paquera entre ela por que ela nossa ajudante e tal?!-Perguntou um deles entrando no ônibus.
–Eu não estava paquerando a Eloise!-Ela que me paquerou praticamente o que era magnífico.-Eu só liguei para saber como estava indo lá no nosso clube, bando de mente sujas!?-Eles não engoliram muito.
–Uhum, ficou esse tempo todo a essa hora falando sobre o clube? Não rolou nenhum “você me faz falta?”?-Neguei sorrindo, claro que rolou, mas por enquanto não podia contar a ninguém.
–Não encham! Foi uma ligação praticamente profissional!
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Os jogos não eram difíceis , difícil era aquela viajem cansativa que tínhamos que fazer de lá pra cá sem parar, os garotos já estava cansados de comer comida de restaurante e loucos para irem embora, mas ainda faltava alguns jogos. Para piorar a situação alguns dos meninos estavam dando uma de desobedientes, Franklin resolveu agir por contra própria mesmo e isso nos custou mais trabalho. Fizemos o que sempre fazíamos passávamos um trote pra ele aprender que um time não faz o bem para sim e sim o bem comum para o time.
–Oi....-Falei ligando para ela, por sorte acabei tendo um tempo, mas só telefone estava sendo pouco.
–Oi capitão! Você demorou me ligar....-Resmungou ela como uma criança manhosa.
–Eu sei, não dei! Hey fizemos algo que acho que você iria adorar!-Comentei imaginando que ela ia gostar e muito de curtir com os garotos.
–Sério?! O que fizeram de bom suficiente pra você se lembrar de mim?!-Como se precisasse de algo para eu me lembrar dela.
–Bom, no ultimo jogo o Franklin foi recomendado de deixar o adversário rebater, tinha bolado uma estratégia e isso era preciso, daí o idiota fez o favor de tentar um Strike que acabou resultando em uma bola fora! Por pouco não nos encrencamos por causa disso...Dai tu sabe que temos uma política rígida de quem não coopera de com o time tem que pagar!-Claro que sabia, ela foi vitima já.
–Vocês suaram com ele?–Ela perguntou já com a voz animada.
–Uhum, aproveitamos a noite e passamos pasta de dentes no rosto dele, mas você precisava ter visto..-Comentei rindo e lembrando.-...Quando o Franklin acordou estava todo sujo de pasta de dente e o pior é que ninguém avisou, ficou pra lá e pra cá parecendo um palhaço!-Ela deu uma risada gostando do que ouvia.
–Isso tudo por que ele errou o arremesso?! Como vocês são maus!-Ahh se fosse só por isso.
–Não, a gente fez isso por que ele errou o arremesso por teimosia, dai curtimos com ele!-Expliquei.
–Por que você não deixa eu fazer isso quando estamos aqui hein!? Eu sempre perco a parte divertida!-Eu ri do jeito que ela disse, como se ela me desse tempo pra isso!
–Não seja dramática, não é como se eu fizesse e propósito...Além do mais toda vez que dorme lá em casa você....-Fiquei sem graça de dizer o resto.
–Eu?! Espera, é, acho que só eu mesmo, por que se dependesse de alguém covarde que eu conheço estaria realizando fetiches com garotas qualquer ao invés de tentar algo!–Pigarreie rindo, se bem que ela não estava toda errada.
–Que blasfêmia! Eu não sou covarde! E esquece isso da Sharon pelo amor de Deus, eu tive pesadelo se quer saber aquela noite, dai no dia seguinte você ficou me torturando com perguntas!-Ela ficou quieta suspirando e eu quase pude sentir o que ela queria dizer com aquele silencio, estava sendo cansativo também ficar só no telefone.
–Quando vocês voltam...?-Ela falou bem baixinho e eu suspirei pesadamente.
–Estamos tentando chegar um pouco antes, mas não está dando jeito, é provável que em quatro dias mesmo.-Quatro longos dias.
–Da próxima vez vou escondida...-Eu ri dele.
–De acordo...Oh droga...-Faço questão, meu celular pra azar estava dando sinal de bateria fraca.
–O que foi?
–Minha bateria vai acabar a qualquer momento, já está dando sinal de fraca.-Retruquei contrariado.
–Quando você tem tempo pra falar comigo isso acontece, ou é um complô ou você está mentindo pra mim!-Dei uma risada, até parece que eu faria isso.
–Eu não minto senhorita! E nem sei por que ia fazer algo assim!-Comentei sorrindo.
–Me torturar, seu interior sádico falando mais alto!–Da onde ela tira isso?
–Haha eu não sabia que tinha isso, mas deixe de drama quando eu chegar vou te mostrar que a ultima coisa que eu quero é....-Só agora tinha notado que ele havia apagado, mas que droga! A vida tinha um jeito estranho de me agradar e ao mesmo tempo me contrariar.
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E os dias foi como eu esperava, torturantes, nessas viajem corridas não dava tempo de carregar o celular. Para piora a viajem meu irmão estava agindo estranho, sujou minhas roupas tentando lavar, quebrou os copos do hotel que as vezes tomávamos café querendo devolver, me segurei muito para não bater nele, mas não liguei muito por que o que mais me doía ......Era a falta dela, do jeito cômico de conversar, das piadinhas maliciosas, dos toques apaixonados dela e principalmente daquele modo estranho que me olhava como se eu não tivesse defeito algum. Não sei bem o que tínhamos, mas era grande suficiente pra me dar vontade de chorar como uma criança mimada sem o urso que dando ama.
Depois de três dias soubemos que um dos times acabaram não podendo ir ao jogo o que já nos classificava, todos ficaram contentes com a noticia por que isso queria dizer ir embora de volta para casa e para mim principalmente....De volta para ela.
Nem me importei de ficar horas e horas sabendo que quando o ônibus parasse eu já poderia tornar minha vontade de estar em casa ligando e dizendo a ela com todas as palavras que a esperava ansioso no dia seguinte.
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A primeira coisa que fiz foi tomar um banho demorado por que os mirrados que tomei na viajem não deu nem pro gasto já deixando meu celular carregando, Devan mal chegou em casa e já desmaiou na cama.
–Já estava ficando preocupada...-Disse ela quando me atendeu, coloquei a toalha de banho na cabeça.
–Pois é ficamos esses dias na estrada e não deu muito bem pra te ligar.-Retruquei contente.
–Ah, e estão aonde agora?–Eu tive que rir, estava tão perto dela que fiquei imaginando o espanto dela.-O que?
–Acabei de chegar em casa, um dos times perderam por W.O, dai fomos liberados pra voltar mais cedo.-Esperei alguma reação, mas pareceu normal, achei que fosse ficar feliz...
–Está em casa!?-Perguntou.
–Uhum, cheguei tem quase meia hora, queria saber se...Sei lá, se quiser, vir aqui de manhã tomar o café aqui em casa.-Eu pude ouvir ela respirar fundo, o que ela estava fazendo?
–Vou ai agora mesmo!-Eu ri imaginando que seria brincadeira.
–Agora está tarde, já são...Onze e meia!-Respondi olhando no relógio.
–Não estou nem ai, a não ser que esteja cansado demais pra me receber...–Era mesmo sério? Ela viria aqui agora? Nesse exato momento?
–Meus pais estão aqui...-Sinceramente nem sei por que disse isso, eu não ligava muito, estava estático imaginando ela aqui, desejando ela aqui, mesmo cansado.
–Eu subo pela sua janela!–Eu não acreditava que ela estava disposta a isso.
–É perigoso sair dai e pra te levar de volta então...-Ela soltou um bufo que me fez parar
–Quem disse que eu pretendo voltar hoje? A não ser que esteja cansado ou não tenha sentido minha falta...-Quando ela disse isso meu corpo ferveu e eu só conseguia sorrir de lado não conseguindo conter aquela alegria.
–Eu vou colocar a escada na minha janela, tenta não fazer barulho.-Falei desligando o celular e já indo aprontar pra ela chegar.
Ela viria, viria para mim, eu que tinha desistido de correr atrás do amor e ele não se importava de correr pra me vir subindo as escadas, antes de sair olhei aquela foto desagradável no meu mural.... Não Eloise não era como ela, era mil, um milhão, trilhões anos luz melhor do que ela.... E que coisa mágica era essa que fazia alguém tão incrível gostar de mim?! Bom ela tinha os vinte motivos dela e eu não ia mais contestar.
Notas finais
Bom gente proxima semana tem inner!
Até o proximo! *-*
Bjuss!
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