Sede de Vingança
4 O primeiro passo para vingança.
Notas iniciais
A cada 5 minutos eu olhava para a tela do meu celular na intenção de ver a hora e a cada 5 minutos havia uma mensagem do Nolan nela. Tanto de voz quanto de texto. Todas elas diziam que ele estava preocupado por não saber o que eu poderia enfrentar naquele lugar até então desconhecido. Ele realmente se preocupava comigo e eu deveria seguir o conselho do meu pai e começar a confiar nele. Afinal, foi ele quem me ajudou a dar o meu primeiro passo. É graças a ele que eu estou a caminho do Japão.
Tentei dormir mas estava tão ansiosa que não consegui fechar os olhos por mais de meia hora. A viagem era longa e eu já estava com dor nas costas e na cabeça. Apesar do jatinho do Nolan ser bem confortável, quando você passa mais de 15 horas no mesmo lugar e na mesma posição tudo começa a doer. Encostei a cabeça na poltrona buscando um jeito de relaxar e ouvi passos que ficavam cada vez mais próximos. Era um homem que estava sentado junto ao piloto. Eles conversavam o tempo todo e ás vezes eu ouvia uns toques de celular. Devia ser Nolan ligando pra saber se nós já havíamos chegado ao nosso destino. Aliás, aquele homem deveria ser um de seus seguranças.
– Chegamos! — Ele me disse com um ar de animação perto do meu notável cansaço.
Olhei para ele em sinal de afirmação e levantei da poltrona pegando a pequena mochila que eu havia trazido. Finalmente eu estava onde queria. Eu não sei qual era o meu sentimento naquele momento mas eu tinha certeza que eu estava fazendo a coisa certa. Apesar de não querer, o meu pai merecia aquela vingança e eu estava disposta a ir aonde fosse preciso para derrubar os Grayson.
Antes de começar a descer as escadas do jatinho, perguntei ao homem que havia me avisado que tínhamos chegado:
– Para aonde eu vou agora?
Ele fez um sinal com a cabeça em direção a uma montanha.
Como chegarei até lá?
– Quem tem certeza do que quer sabe como alcançar seus objetivos.
Deixei aquilo ecoar pela minha mente. Ele estava certo. Eu estava lá por um razão e não ia desistir dela. Desci degrau por degrau com cuidado e acenei para o suposto segurança de Nolan. Ele me devolveu o aceno e me desejou boa sorte. Eu com certeza precisaria. Mas sorte não era uma palavra muito conhecida na minha vida. Fiquei por alguns minutos olhando para a montanha. Era muito alta. Não sabia como chegar lá e ao menos poderia perguntar porque ninguém ali falava o meu idioma. Senti uma mão tocando o meu ombro. Era um homem. Ele era alto e me deu um sorriso simpático.
– Você está perdida?
– Está tão na cara assim?
– Está sim. — Disse ele ente sorrisos.
– Pensei que não encontraria ninguém que falasse o meu idioma por aqui.
– Bom, para a sua sorte eu moro aqui a alguns meses e não esqueci o meu idioma de origem.
Senti um alívio por ter encontrado alguém que me entendesse de uma forma que não fossem por gestos.
– Aonde quer chegar? Talvez eu possa te ajudar.
Apontei para a montanha e ele não pareceu surpreso.
– Você é a filha de David Clarke?
Um sentimento de raiva me dominou. Eu não tinha gostado da forma como ele se dirigiu a mim.
– Como você sabe disso?
– O Takeda te mencionou. Ele me pediu para buscá-la. Sou Aiden Mathis.
Ele estendeu a mão e eu o cumprimentei. Fiquei desconfiada mas depois de um tempo percebi que ele poderia me ajudar. Ele estava me levando em direção a montanha.
– Você tem equipamento de escalada? Ele me perguntou.
– Nunca tive um. — Respondi.
– Deveria ter porque vamos precisar. Mas diferente de você, eu vim preparado. — Ele me entregou um.
Peguei o equipamento e então começamos a escalada. O meu objetivo estava no topo daquela montanha. Faria o que fosse preciso para conquistá-lo. Nos primeiros metros eu ainda não estava confortável. Não sabia aonde segurar para poder mudar aquele desconforto. Nunca tinha feito aquilo durante a minha infância ou adolescência. Conforme fomos subindo eu ia achando lugares melhores para me apoiar.
...
Aiden chegou alguns minutos antes de mim. Quando alcancei o topo da montanha percebi que havia dado um passo importante para o que eu pretendia fazer. Olhei ao redor e não haviam muitas pessoas. Tinha imaginado aquele lugar como uma academia de luta. Me aproximei da porta e uma mulher me encarou dos pés a cabeça.
– Então você é a famosa Amanda? Você não vai durar uma semana aqui.
Resolvi ignorar porque tinha problemas e preocupações maiores naquele momento. Enquanto subia a montanha machuquei o meu joelho. Me inclinei e coloquei a mão sobre o ferimento. Uma voz ecoou de dentro da sala cuja porta eu estava em frente.
– Vamos cuidar disso.
Levantei a cabeça e olhei para dentro da sala. Era Takeda. Fui em direção á ele e estendi a mão para cumprimentá-lo.
– Esperei muito por você, Amanda.
– Como sabia que eu iria ligar?
– Eu não sabia que você iria ligar mas tinha certeza que você era forte o suficiente para ir atrás dos seus objetivos quando se tratava de seu pai.
Ele logo me levou para um lugar onde fizeram um curativo naquele ferimento no meu joelho.
– Você começará o seu treinamento em breve.
– Não posso começá-lo amanhã?
– Você não está em condições nesse momento. Este é um treinamento onde você aprenderá lições importantes para derrotar seus inimigos. Uma delas é a paciência. Você precisa mantê-la para que nada faça com que você se desvie de seu caminho. Você precisar ter foco naquilo que quer. Tem que estar disposta a passar por cima do que for preciso para conseguir resultado naquilo que deseja. Precisa ter certeza do que está fazendo porque uma vez que se começa uma vingança, você não pode mais desistir dela.
– Eu tenho certeza de que quero destruir todos aqueles que fizeram com que a maior parte da minha vida fosse longe do meu pai. Eles pagarão por cada erro que cometeram e eu não medirei esforços para isso.
Ele assentiu e seguiu por um corredor me mostrando aonde eu passaria os próximos meses da minha vida. Era uma sala onde haviam dois colchões. Pensei qual a razão de haverem dois colchões mas esse dúvida logo foi tirada quando vi Aiden entrando por aquela porta. Eu teria que passar os próximos meses dormindo no mesmo lugar que um homem que eu não conhecia mas que já não tinha gostado á primeira vista. Eu sabia que iria ter que aprender a conviver com ele para aprender as lições que Takeda havia me falado. Eu teria que adquirir paciência. Acho que essa era a primeira lição e Takeda mencionou ela inicialmente porque já sabia que eu ficaria no mesmo ''quarto'' que Aiden.
– Nos encontramos novamente. — Ele me disse com um pequeno toque de ironia.
– Se estamos aqui é porque precisamos aprender algo e se para cumprir o meu objetivo eu terei que conviver com você, eu conviverei.
– Você ainda tem muito o que aprender.
Senti que aquelas palavras foram mais uma vez irônicas mas não vi necessidade em respondê-las. Deitei em meu colchão e á partir daquele momento foquei meus pensamentos em meu pai. Eu tinha a consciência que não seria fácil vingá-lo mas eu faria o que fosse preciso. Eu estava sujeita a tudo para defender aquele que deu a vida por mim.
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