Como aceitar que Max havia salvado sua vida? Megan se perguntava isso naquela manhã de sexta-feira. O dia estava muito quente, ela saiu de casa e percorreu todo o caminho pensando no fato de não ter agradecido Max, afinal querendo ou não, foi ele quem salvou sua vida.

A escola estava com uma cara completamente triste, os alunos pareciam pensar “qualquer dia vai ser eu” Mas havia uma pequena parte em Megan que dizia bem feito pela morte de Rose, afinal ela a amaldiçoou, então não é egoísmo achar a morte dela uma coisa boa, mas sim sobrevivência.

Ao chegar no corredor podia se ver um lugar no chão com uma vela, flores e fotos de Rose, mas isso era um pouco confuso, afinal não fazia nem uma semana que ela havia chegado na escola, talvez tudo aquilo fosse apenas para “deixar o espírito dela descansar em paz” Se é que bruxas alcançam a paz no fim de suas vidas. Sem perceber, Megan ainda estava ali, parada olhando as fotos de Rose... E no momento seguinte lhe veio uma duvida, onde estaria Apolo? Talvez Megan devesse procurá-lo na floresta depois da escola. Certamente essa era uma péssima idéia, porém Megan era cheia de péssimas idéias.

–Então a bela adormecia também está de luto? –Max pergunta parando do lado de Megan.

–Não... Quer dizer, eu não sei... Mas e você? Foi você quem a matou, sente alguma culpa por isso?

–Não, nenhuma... Foi até divertido. –Megan olha para ele.

–Ela era só uma adolescente Max.

–Acredite, já matei mais por menos.

–Oi Max — Amanda diz. –Vejo que ela se curou rápido.

–Que bela observadora você é Amanda. John mandou você dizer isso, ou você pensou em uma frase inteira sozinha?-Megan responde ironicamente.

Amanda vem em sua direção, e quando para em sua frente Luna chega dizendo.

–Estava procurando você Megan... Algum problema?

–Não, nada... Vamos?-As duas continuam corredor à frente, então Megan continua falando. -Ela me irrita.

–Não só você... Ela irrita todo mundo, é uma vadia.

As duas sorriem e continuam andando, Luna vai para a aula de francês e Megan para a aula de história. Ao entrar Kevin havia reservado seu lugar, ela senta-se em sua frente, então deixa a bolsa sobre a mesa e se vira para trás. Porém não consegue nem dizer oi, pois o diretor entra na sala.

–Bom dia a todos vocês... Provavelmente já sabem do ocorrido. Nossa aluna nova foi... Assassinada, e ontem a tarde outras duas mortes aconteceram, dessa vez foi dentro da cidade... Segundo o xerife seja qual for o animal, ele está migrando para o sul por causa do clima... Então não é seguro ficar andando por ai, o xerife está colocando em andamento um toque de recolher, que vai das oito da noite até as cinco da manhã... Se todos respeitarem não teremos mais mortes. Alguma pergunta?

–Já encontraram o assassino da Rose? –Max pergunta.

–Infelizmente não... Qualquer novidade eu informo vocês.

Megan começava a se preocupar, pois sabia que não era um animal, e sim um vampiro. Talvez ele não estivesse procurando por ela, ele poderia estar apenas se “divertindo” de um jeito... Anormal. Mesmo assim ela achava melhor se preocupar e ficar em alerta, afinal, o medo nos mantém vivos e seguros. Pelo menos na maioria das vezes.

Só que Meg não se preocupava apenas com ela, mas também com sua mãe, pois não podia perder sua única família, isso a assustava muito... Pensar que um dia ficara sozinha no mundo. Se pudesse tornaria sua mãe eterna.

–Como ele pode achar engraçado tirar a vida de alguém? –Megan pergunta a Kevin.

–Ele é perturbado...

–O que esses vampiros querem na cidade?

–Não sei... Espero que não seja você.

–É, eu também.

Uma mensagem chega ao celular de Kevin, era Frank pedindo ajuda com alguma coisa extremamente importante, ele se levanta. Despede-se de Megan com um beijo e sai da sala, Betty senta em seu lugar.

–Ah, fala serio você viu como ele é cínico? –Ela diz olhando para Max. –Primeiro ele mata a menina, e depois vem tirar uma com a cara dela? Não agüento ver isso.

–Tem razão, ele não tem esse direito.

Todos vão para a aula de educação física, quando estão no corredor Luna chega. Betty conta a ela o que Max havia feito na sala de aula. Todas vão até a arquibancada, e sentam-se lá.

–Vamos admitir... Ele é um idiota. –Luna diz.

–Com certeza. –Betty e Megan dizem ao mesmo tempo.

Com as horas se passando Megan se perguntava por onde Kevin andava, e qual era o assunto que estava tratando com Frank, uma grande preocupação tomava seu coração e a fazia pensar no pior. Porém pensar negativo sempre foi um costume que ela teve.

A negatividade, ao seu modo de ver sempre fez parte da sua vida... Mas esse era o jeito como ela via as coisas, já sua mãe sempre tentava pensar que tudo iria melhorar. Talvez as pessoas que pensem como Marcela, não cheguem mais longe do que as outras, mas onde chegarem cheguem felizes.

Quando iam entrar na sala de aula, todos ouvem um grito vindo do fundo do corredor, ao olharem vêem uma menina andando escorada nos armários, ela estava sangrando. Ninguém parecia ser voluntario para ajudá-la, quando ela chega mais perto Megan nota uma mordida em seu pescoço, antes que pudesse passar pelos alunos a menina cai no chão. Ao ver que a menina estava em péssimo estado e sangrando muito, todos se apavoram e correm em direção à saída da escola. Megan fica estática olhando para a menina caída no chão.

–Luna tire ela daqui. –Mike diz indo com Betty procurar quem fez aquilo.

As duas tentam abrir caminho em meio a todos àqueles estudantes, o pânico exalava naquele extenso corredor, parecia que nunca chegariam à saída. A sensação de insegurança tomava conta de Megan e tudo que ela pensava era em chegar a um lugar seguro.

A “multidão” de alunos afastou Megan, porém assim que percebeu Luna a segurou pelo braço, e juntas chegaram à saída da escola, Megan já estava um pouco ofegante, do lado de fora da escola os alunos esperavam junto ao diretor.

–Venha vamos dar a volta. –Luna diz começando a correr.

As duas correm até a parte de trás da escola onde o carro de Luna estava estacionado. Quando tenta abrir o carro, um homem alto, de cabelo grisalho aparece, ele joga Luna do outro lado da rua, então olha para Megan e diz.

–Finalmente encontrei você.

Megan tenta correr e entrar no carro porém o homem segura seu braço e a faz ficar parada, quando ele iria puxá-la é atingido por um tiro. Rapidamente Megan consegue se soltar, ela corre e ajuda Luna se levantar, Sarah havia dado o tiro, ela estava dentro de seu carro.

–ENTREM! –Sarah diz.

Megan coloca Luna no carro e logo em seguida se senta no banco de trás. Sarah não parecia tão confiante, porém não aparentava estar com medo. Ela dirigia na maior velocidade que seu carro conseguia chegar, Luna olha para trás rapidamente. E diz

–Estão chegando perto. -Havia um carro bem próximo a elas.

–O que vamos fazer? –Megan pergunta olhando para Sarah.

–Eu não sei... Temos que sair da cidade, vai ser fácil já estamos na estrada principal, agora só temos que... –Um homem estava parado logo a frente, Sarah tenta desviar, mas não tem tempo.

O carro capota duas vezes e para virado para baixo no acostamento. Megan se sentia tonta, sua cabeça estava do lado da janela. Antes de desmaiar vê o homem que estava na estrada, ele vem até o carro junto com mais dois homens. Então ele para um pouco longe e enquanto isso os outros dois tiram Luna do carro.

Ele se aproxima da janela onde Megan estava olhando,abre a porta e a leva para uma van encostada do outro lado, Sarah e Luna já estava lá dentro. Haviam amarrado Luna em um tipo de corrente, ela parecia fraca, Sarah estava no chão da van, desmaiada. Assim que o homem a solta no chão da van, Megan também desmaia.

Pelo período que ficou desacordada, Megan teve um sonho um tanto diferente, para falar a verdade não foi um sonho, foi uma lembrança; uma lembrança de sua infância, ela viu Clarice lendo seu livro preferido pouco antes de dormir, viu quando ela se levantou da cama deu um beijo de boa noite e saiu, fechando a porta do quarto.

Logo que acordou toda aquela lembrança acabou se transformando em um antigo porão empoeirado, Megan e Sarah estavam amarradas em cadeiras, e Luna estava presa em um ferro quase pendurada. Fora as três não havia mais ninguém no porão.

–Onde estamos? –Megan pergunta.

–Não faço idéia. –Responde Sarah.

–Não se preocupe, vou tirar a gente daqui. –Diz Luna. Porém ela é interrompida pelo homem da estrada.

–Não tenha tanta certeza.

–Quem é você? –Pergunta Megan.

–Meu nome é Martin... –Ela o interrompe.

–O que você quer?

–Acho que você sabe Megan. -Ele se aproxima –Vou matar você.

–Por quê? –Megan diz com a voz trêmula.

–Você é a cura para o vampirismo, se eu matar você... Ótimo, continuo sendo vampiro.

–Se você fizer isso. –Luna diz –Todos os vampiros irão atrás de você.

Ele se aproxima de Luna, fica parado e pensa um pouco. Por fim diz.

–Acho que vou arriscar... –Ele olha para fora do porão — Ronald, Kohl.

Logo os outros dois homens aparecem na porta, eles eram quase da mesma altura, um tinha uma barba um tanto grande, o outro tinha cabelos loiros e cacheados.

–Quero levem as duas para fora –Ele diz olhando Sarah e Megan- E façam o que tem que fazer.

–E quanto a outra senhor? –O da barba pergunta.

–Pensamos nisso depois.

Martin sai do porão e sobe as escadas, enquanto isso Ronald vai até Sarah, e Kohl até Megan. Assim que desamarram as duas, Sarah empurra Kohl. Ele cai em cima de uma das cadeiras fazendo com que ela se quebrasse, Megan segura um pedaço da cadeira na mão, e enquanto Sarah segura Kohl, Megan o acerta no coração, fazendo com que ele caísse no chão, assim como quando Sarah acertou um dos vampiros no armazém. Ronald derruba Megan no chão, Sarah o chuta e com outra parte da cadeira quebrada o golpeia no coração.

–Me ajude a tirá-la daqui. –Megan diz indo em direção a Luna.

–Precisamos da chave. –Diz Sarah.

Megan olha no bolso da jaqueta dos dois, então encontra a chave e solta Luna. Havia uma saída dentro do porão, era só subir dois degraus e empurrar duas grandes portas, e foi o que fizeram, Luna empurrou as portas, e logo depois as três passaram para o lado de fora.

Não havia nada, nenhum carro, nem ninguém, era apenas uma cabana afastada de tudo. Nem era possível saber se ficava ou não dentro da cidade. Tudo estava muito quieto, o que fazia Megan se sentir assustada.

Ao andarem um pouco mais um grande cachorro corre na direção das três latindo, por pouco não as mordeu, ele estava preso em uma corrente. Mas apenas seu latido serviu para alertar Martin, ele veio correndo em direção de Megan, parecia querer matá-la. Luna pula em sua frente e consegue derrubá-lo.

–FUJAM! –Ela diz.

Megan e Sarah tentam entrar na floresta, porém são impedidas pelo cachorro. Do lado esquerdo vêem outros dois vampiros, um deles era o de cabelo grisalho. As duas correm e entram na casa.

–Me ajude! –Sarah diz empurrando uma mesa do lado da porta.

–Eles vão entrar... O que faremos?

–Seu celular... Onde está? –Megan olha na jaqueta. E então o encontra.

–Aqui...

–Suba as escadas, se esconda e peça ajuda.

–Mas e você?

–Eu me viro... Vá rápido.

Megan sobe as escadas, no segundo andar havia um grande corredor. Ela corre até o final dele, então entra no banheiro, e puxa uma das gavetas do armário para que não fosse possível abrir a porta.

Não havia muito sinal naquela parte da cabana, porém mesmo assim Megan se sentou no chão do banheiro e discou o numero de Kevin. O sinal caiu bruscamente desligando a ligação. Depois de suspirar e começar a tremer, Megan discou novamente.

–Meg? –Kevin disse do outro lado.

–Kevin... Eu preciso de ajuda — Megan disse gaguejando-... Estou presa em uma cabana com Luna e Sarah.

–Onde fica essa cabana?

–Eu não sei... Não sei onde fica... Só vejo árvores.

–Onde você está?

–No banheiro... Eu me escondi aqui, ninguém me viu entrar.

–Me escute. Ligue o GPS do seu celular, eu e Frank vamos rastrear sua ligação.

–Pronto... Eu já liguei. -Megan diz apavorada.

–Se acalme. Eu amo você.

–Também amo você.

–Você tem que desligar... A bateria do seu celular não pode descarregar, ok?

–Ok... Venha rápido. –Megan diz desligando a ligação.

Ela se levanta e procura um lugar para esconder o celular, olhou para todos os lados, até que teve a idéia de colocá-lo atrás do armário. Foi isso mesmo que ela fez, o deixou lá atrás e voltou a se sentar no chão do banheiro.