Todos esperavam ansiosos por Isabelle no sótão do apartamento de Carly, também conhecido como estúdio ICarly.

— A Belinha ta atrasada – observou Rick, olhando o relógio de pulso, que mais parecia um computador de pulso, com inúmeras funções.

— Típico – comentou Cris, contrariado.

— Ela já deve estar chegando, gente. Que impaciência! – falou Alison, defendendo a amiga.

Isabelle rompeu no estúdio, com ar cansado.

— Veio de escada? – perguntou Rick.

— Vim. Os elevadores pifaram com uma queda de luz – justificou a garota, que além de ter se atrasado pelo contratempo no prédio, passara grande parte daquela manhã matutando na melhor forma de expor aquilo que trazia no seu coração.

— Finalmente está aqui! Diga logo a que veio, porque eu tenho mais o que fazer. Hoje é dia da reunião do meu clube de xadrez – expôs Cris.

— Teu clube nerd pode esperar, Cris. O que tenho a dizer é importante – falou Isabelle.

— Já começou a me ofender, nem sei por que eu vim – rebateu Cris.

— Cris, eu vim em paz. Desculpe se eu te ofendi. Também sou nerd em certo grau.

— Vocês ouviram o que eu ouvi? A senhorita orgulhosa me pediu desculpa. Está passando bem, Belinha?

— Ai, chega! A Belinha tem algo realmente importante a dizer. Dêem uma trégua – pediu Alison.

— Deixe a Isabelle falar, estou interessado nessa história de abrir o coração – pediu Richard.

— Valeu pessoal! Ouçam com atenção, porque vou tentar falar com toda a sinceridade da minha alma.

Alison, Richard e Cristopher olhavam atentamente para Isabelle, sentados nos puffs do estúdio, enquanto a garota loira se mantinha em pé. Esta continuou:

— Nós somos amigos há muitos anos, crescemos juntos, nos conhecemos melhor que qualquer um de nossos outros colegas do colégio e conhecemos segredos uns dos outros que nem nossos pais conhecem. Dividimos momentos únicos e especiais de nossas vidas. Dividimos medos, angústias, felicidades e descobertas. Unimos-nos para dar nova vida ao ICarly. Tivemos desentendimentos, confundimos sentimentos, mas, quem sabe tudo isso também não fez parte da descoberta natural do crescimento humano. É mais fácil vivenciarmos tudo isso com quem confiamos, com quem tá perto.

— Sabemos de tudo isso, Belinha – falou Alison.

— Eu sei que vocês sabem, como eu também sempre soube, mas, creio que nossa relação ficou confusa quando entramos na adolescência e outras coisas acabaram se sobrepondo àquilo que é mais importante para nós: a nossa amizade. Nada é maior do que isso, nada é mais importante do que isso e nada merece ser mais conservado que isso. Amores passam, amigos ficam. Amizade é o amor que nunca morre. Casais se separam, amigos nunca! Casais se magoam, pisam em ovos, querem mostrar ao outro o que não são. Amigos podem se zoar sem causar mágoas, amigos podem se expor como são, não precisamos tomar cuidado com nossa conduta diante de amigos.

— Aonde quer chegar, Belinha? – quis saber Richard.

— Eu quero chegar ao amor e ao perdão.

— Você não está realmente bem hoje, Belinha – observou Cris.

— Eu amo todos vocês! Muito! Do fundo do coração! Amo tanto que não quero de jeito nenhum magoar vocês ou causar a separação do nosso grupo. Todos vocês são importantes demais para que eu tenha que escolher uns em detrimento de outros. Essa é a vantagem da amizade: Sempre cabe mais um e quando mais um entra, o amor não diminui, transborda. Eu sei que vocês também sentem assim.

— Eu sinto – concordou Alison, olhando para Isabelle, Cris e Rick e abrindo um sorriso carinhoso.

— Eu também – falaram Richard e Cris, ao mesmo tempo, compreendendo aonde Isabelle queria chegar e baixando as cabeças.

— Então, eis minha proposta: Amigos para sempre? – estendendo o braço e a mão ao centro.

— Amigos para sempre! – concordou Alison, levantando-se do puff e colocando sua mão sobre a mão de Isabelle.

Os meninos levantaram-se e repetiram o gesto. Ao final, todos se abraçaram.

Isabelle acrescentou:

— Creio que agora o ICarly estará junto e unido, ainda mais que antes, no nosso cruzeiro de férias.

Todos assentiram.

O dia de embarcar no cruzeiro chegou. Sam e Freddie estavam nervosos.

Isabelle estava fechando sua mala quando Sam entrou, agitada:

— Belinha, não se esqueceu do protetor solar? O sol é forte no Caribe, você é branquinha, depois vai ficar toda vermelha e ardida, como eu.

— Mãe, sou branca como você, mas tenho o sangue moreno do papai, não fico vermelha se passar protetor, até pego um bronze.

— Não se descuide, Belinha. Não confie nisso! Até seu pai fica vermelho se esquecer o protetor.

— Eu sei, vou passar protetor, prometo.

— Não esqueceu do repelente, né? Nesses lugares quentes têm muitos mosquitos e você é alérgica! Quando era pequena foi mordida por um mosquito em cima do olho direito. Ficou inchado e roxo, quem olhava pensava que eu tinha te batido, foi horrível! Tive que te levar ao pediatra para que ele receitasse uma pomada que podia ir na vista. Mas, se isso acontecer e eu não estiver lá para te levar ao médico, por favor, não espere o pior, vá ao médico assim que começar a inchar, não se brinca com sua alergia. Além disso, cuidado com a comida, você sabe que se enche de urticária quando come tomate cru... — Sam não parava de falar.

— Mãe, respira! – pediu, Isabelle – Sei que é a primeira viagem que faço sozinha e que a senhora está preocupada, mas eu vou ficar bem! Já sou uma moça, vai ser importante eu bater asas do ninho por um tempinho.

Freddie entrou igualmente aflito:

— Belinha, vai nos ligar todos os dias, não é mesmo?

— Ela estará ocupada demais sendo uma moça que precisa se distanciar do ninho – falou Sam.

— Não foi isso que eu quis dizer, mãe. É só uma viagem. É bom bater asas do ninho quando se sabe que se tem para onde voltar. Em duas semanas estarei de volta cheia de saudade.

Duas cabecinhas surgiram na porta do quarto de Isabelle:

— Cheia de saudade e cheia de presentes! – falou Nick.

— Sim, queremos muitos presentes! – completou Eddie.

— Vou ver o que posso fazer por vocês, pestinhas – falou Isabelle, sorrindo para os irmãos.

Freddie abraçou a filha com lágrimas nos olhos:

— Parece que foi ontem que te peguei no colo pela primeira vez e hoje já está indo viajar sozinha. Se ficar com medo, é só ligar para o papai. Eu dou um jeito de ir te buscar em qualquer lugar do planeta.

— Tá bom, pai – disse Isabelle, desvencilhando-se do abraço – Mas, não será necessário. Prometo que vou ligar todos os dias e prometo que vou ficar bem. Não vou me esquecer do protetor, do repelente, do tomate, dos presentes e etc.

Isabelle embarcou no cruzeiro com Alison, Rchard e Cris. Os adolescentes acenavam em despedida aos pais preocupados que ficaram em terra.

— Ufa! Vai ser ótimo ficar 2 semanas longe do excesso de zelo dos meus pais – comentou Isabelle.

— Nem me fale! Minha mãe queria que eu trouxesse a máscara de ronco dela. Falou que tinha medo que eu sufocasse dormindo longe dela – contou Cris, rindo.

Todos riram também.

Enquanto isso, em terra, Carly falava:

— Meu coração tá apertado. É a primeira vez que o Cris viaja sozinho e fica tanto tempo longe de mim.

— Nem me fale, Carls – concordou Sam, levando a mão ao peito que também sentia apertar.

— Eles vão ficar bem, estão crescendo, faz parte – falou Gibby, passando o braço em volta dos ombros da aflita esposa.

— Isso é verdade, Gibby – concordou Freddie, envolvendo Sam pela cintura – Mas, como eles crescem rápido! – disse o moreno em tom de lamentação.

Os pais de Alison convidaram todos para um almoço na residência deles e os demais pais aceitaram, encaminhando-se para lá.

No banco de trás do carro de Sam e Freddie, Jade disse:

— Vocês são muito dramáticos! Os garotos sabem se virar. Nós nos virávamos bem na idade deles. Até experimentei vodka com essa idade.

— Vodka? Eles servem bebida num cruzeiro estudantil para adolescentes? – preocupou-se Freddie.

— Claro que não! Jade só tá zoando – expôs Beck.

Enquanto isso, no navio, os adolescentes comemoravam a recém-liberdade experimentada.

Alison e Isabelle foram deixar as coisas no quarto que iriam dividir. Eram duas camas, um armário, uma televisão e um banheiro com chuveiro. Tal cômodo era similar ao de Richard e Cris, no qual os garotos também depositaram a bagagem. A turma logo se encontrou no salão principal do navio, onde os instrutores dariam as primeiras instruções.

Foram informados de que além da diversão teriam palestras sobre temas pertinentes ao oceano, ao continente e à cultura dos povos pela manhã, todos os dias, exceto sábado e domingo. Além disso, teriam que fazer relatório diário sobre suas observações daquele dia. A boa notícia era que depois do almoço poderia aproveitar a piscina e os jogos, embora esses estivessem voltados ao aprendizado também.

Os adolescentes acordavam bem-dispostos, até mesmo Isabelle, que sempre detestou acordar cedo, para as divertidas atividades diárias, pois até mesmo as palestras matinais tinham uma dose de humor.

Numa certa manhã, os jovens estavam ainda mais ansiosos, pois o navio estava prestes a chegar a seu destino: as ilhas do Caribe. A primeira ilha já era vista. O grupo ICarly estava afoito para começar mais uma transmissão. Haviam feito algumas no navio, mas já haviam prometido ao público que iriam transmitir ao vivo do Caribe.

O navio já atracava. Isabelle, Alison, Cris e Rick olhavam admirados toda a beleza do mar azul, do céu muito ensolarado, da natureza e da beleza sem igual das praias. Imaginavam o quanto iriam curtir esse novo lugar que estavam ansiosos por desbravar.