Seddie, a história continua
78 Um truque de mágica
Notas iniciais
Sam colocou um vestido preto básico, com um casaco brilhoso por cima, da mesma cor, sapatos de salto, maquiou-se e arrumou o cabelo. Pegou a bolsa e alertou ao marido:
– Não esquece de dar o leite para os gêmeos. Não deixa a Belinha ficar assistindo televisão até tarde e leva a Mabel no banheiro antes de dormir.
–Pode deixar amor. Mas, não sei se é boa ideia você ir sozinha a esse show.
– Tá ficando bipolar Benson? Você mesmo disse que era pra eu ir.
– Mas você tá bonita demais! Eu fico inseguro.
– Como você é bobo – falou Sam, aproximando-se do marido e dando um beijo nos seus lábios e o deixando manchado de batom vermelho – Não demoro.
Ela saiu, pegou o elevador, desceu e logo encontrou o bar do hotel cheio de gente. Não demorou para o show começar.
Um senhor se aproximou enquanto Sam admirava Tori e André no palco:
– A bela dama tem companhia? Aceita um drink?
– Sai fora vovô, eu sou casada – disse Sam, mostando a aliança na mão esquerda.
O homem saiu sem jeito. No intervalo, Sam foi até o camarim e encontrou Tori e André.
– Sam! Que bom te ver! Quanto tempo! — cumprimentou Tori, contente, abraçando a amiga.
– Bom ver vocês também Tori e André – cumprimentou Sam, retribuindo o abraço de Tori e apertando a mão de André – O show de vocês tá demais! Conhecendo o talento da dupla eu não poderia deixar de vir dar uma conferida.
– Somos mais que uma dupla, somos um casal, com aliança e tudo – informou André, mostrando a aliança dele e de Tori nas mãos direitas.
– Vocês estão noivos? Parabéns!
– Valeu – agradeceu o casal.
– Você veio sozinha Sam? — perguntou Tori.
– Ao show sim. Freddie ficou com as crianças no quarto.
– Seus filhos devem estar enormes – falou Tori.
– Isabelle vai fazer 6 anos e os gêmeos 2 anos. Também estou cuidando da minha sobrinha, Mabel, de 3 anos.
– Que trabalheira heim Sam? — comentou André.
– Nem me fale. Bom, já pude conferir um pouco do talento de vocês no palco, já dei os parabéns e é melhor eu voltar pro quarto antes que o Freddie surte sozinho com 4 crianças.
– Espera Sam. Será que você não gostaria de subir ao palco e cantar uma música conosco? — convidou Tori.
– Por que eu? Não sou cantora.
– Você canta muito bem Sam – elogiou André.
– É verdade, já te vimos cantando algumas vezes no karaokê com Jade e Cat – falou Tori.
– Mas isso faz tanto tempo.
– Mas ninguém desaprende a cantar. Por favor Sam, aceita – insistiu Tori.
– Está bem, mas não reclame depois – concordou Sam.
Sam subiu ao palco e a emoção tomou conta dela quando começou a tocar a música do Icarly.
–Eu acho que essa letra você sabe de cor Sam – cochichou Tori.
“I know, you see
Somehow the world will change for me
And be so wonderful
Live life, breathe air
I know somehow we're gonna get there
And feel so wonderful
I will make you change your mind
These things happen all the time
And it's all real
I'm telling you just how I feel […]”.
A loira foi ovacionada pelo público após soltar a voz e encantar a todos. Foi aplaudida de pé, com pedidos de bis, e alguns fãs de ICarly se emocionaram. Ela agradeceu a Tori e André e desceu do palco zonza, esbarrando com um rapaz.
– Não olha por onde anda? — perguntou Sam, indignada.
Ela olhou para a pessoa e se deu conta de quem era:
– Só podia ser o ex-mágico adolescente Vance Anderson.
– Eu ainda sou mágico.
– Mas não é mais adolescente.
– Nem você é, embora o tempo tenha lhe feito muito bem Sam. Tá ainda mais bonita! Gostei de ver sua atuação no palco – batendo palmas — Bem que poderia tomar um drink mais tarde comigo, boneca.
– Parece que já se esqueceu da surra que eu te dei quando resolveu vir com essas cantadas baratas pra cima de mim.
– Tapinha de amor não dói.
– Mas, como não foi de amor, doeu bastante. Lembre-se disso – falou Sam, tentando se afastar.
Vance Anderson segurou Sam pelo braço:
– Sabia que esse seu jeito arredio me excita?
Sam desvencilhou-se dele e começou a torcer o braço do rapaz, colocando sua mão com a aliança em frente ao rosto dele:
– Eu sou casada! Me deixa em paz.
Ela o soltou e saiu andando a passos firmes. Ele correu atrás:
– Me desculpa Sam, eu não sabia que era comprometida.
– Agora que já sabe me deixa em paz.
– Espera Sam. Prometo que não vou mais te cantar, mas preciso de um favor seu.
– Não posso, tenho que voltar pro quarto. Tenho um marido e 4 crianças me esperando.
– Quatro crianças?! Uau! Olhando pra você ninguém diz que teve tantos filhos, com esse corpinho escultural.
– Vai começar? — perguntou Sam, afastando-se.
– Tá, desculpa, foi mais forte que eu. Sam, a minha assistente de palco faltou, ligou dizendo que tava com virose na última hora. Eu vou me apresentar depois do show da Tori e do André e não encontrei ninguém pra ficar no lugar dela.
– E eu com isso?
– Você poderia quebrar esse galho pra mim.
– Tenho cara de macaco pra quebrar galho?
– Claro que não, sua cara é muito mais bonita que de um macaco.
– Sem chance.
– Por favor, eu pago bem.
– Não estou interessada.
– Além do ótimo cachê, depois do show será servido um jantar com tudo do bom e do melhor, pelo hotel, aos artistas.
– E o que eu tenho que fazer pra te ajudar?
– Nada, só ficar parada, sorrir, e entrar onde eu mandar na hora do show.
– Não vai me cortar ao meio não é?
– Não de verdade. Sam, é tudo truque, pensei que fosse esperta o bastante pra saber disso.
– É claro que eu sei. Faz o seguinte. Eu vou pro meu quarto agora ver se tá tudo bem com o meu marido e com meus filhos, mas volto na hora do show.
– Combinado.
Sam entrou no quarto de hotel e o único som que ouviu foi da televisão ligada. Na cama da suíte principal, Isabelle dormia de bruços sobre o peito de Freddie, também adormecido. Ao lado dele, estavam os gêmeos e Mabel, igualmente adormecidos. A loira desligou a televisão e cobriu a família. Ficou com pena de acordá-los, então pegou um bloco ao lado da cama e começou a escrever, informando onde estava e fazendo o quê, caso Freddie acordasse e sentisse sua falta. Voltou para o bar do hotel, onde acompanhou mais um pouco o show de Tori e André, depois foi ao camarim de Vancer Anderson se preparar para a apresentação de mágica.
A loira olhava-se no espelho trajando uma meia calça preta e um maiô vermelho que deixava suas curvas em evidência.
– Eu não estou confortável com isso. Tem pelo menos uma saia no figurino? — perguntou ela ao mágico.
– Deixa de ser boba Sam, você está linda! É esse o figurino da assistente do mágico. Assistentes têm que ser sensuais, assim como você.
– Você prometeu que não ficaria me cantando.
– Não estou te cantando, só te elogiando. Agora vamos logo, o show já vai começar.
Sam acompanhou Vance ao palco, insegura. A música começou a tocar e o show começou. Ele pediu para ela segurar uma cartola e tirou um coelho de dentro, depois a loira o auxiliou no truque das argolas emaranhadas, que, de repente, conseguiam se soltar umas das outras. Veio o temido momento em que ela se deitava dentro de um caixa para ser serrada ao meio. Ela começou a repetir mentalmente que aquilo era apenas um truque e que o mágico era experiente. O truque terminou e Sam respirou aliviada, mas não por muito tempo. Vance Anderson pediu para a loira entrar numa caixa mágica já conhecida por ela.
– Não vou entrar aí! Sem chance! A Cat quase não saiu mais depois que entrou. Não vou suportar ficar presa aí dentro.
– Deixa de ser dramátia Sam! Estamos no meio do show. Você tá ganhando pra isso, lembra? Se não entrar não terá jantar depois.
– Eu não ligo.
Sam fez menção de sair, mas foi contida pelo mágico:
– Eu sou um mágico experiente e essa caixa já foi usada muitas vezes em outros shows. Minha assistente nunca ficou presa aí dentro. Eu não sou um amador como o Dice.
A loira refletiu sobre as palavras dele e resolveu entrar de uma vez na caixa, avisando:
– Se algo der errado, eu te arrebento.
– Pode ficar sossegada.
O público olhava ansioso para o truque e o mágico anunciou:
– Senhoras e senhores, preparem-se que a minha bela assistente vai desaparecer. Shazam!
Vance Anderson tentou abrir a porta, em vão. Nervoso, tentou acionar o botão atrás da caixa, mas nada.
– O que está acontecendo? — perguntou Sam, preocupada, de dentro da caixa.
– Um probleminha técnico.
– Não me diga que essa merda não quer abrir!
– Então eu não digo.
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