Sedalian - Cidade dos bebês macabros
1 Capítulo 1 - Não pode ser uma boa pessoa
Notas iniciais
Meu Deus! Estou tão atrasada, nem tomei café da manhã ainda. Na verdade, eu nem sei se tenho dinheiro pra um... R$ 2,55... R$ 3,25... R$ 4,35... R$ 5,75. Só! O que alguém compraria com isso?
Pensei em comprar até um chá verde, mas dizem que não é bom quando se está gravida, então comprei um bagel tradicional e um café caramelado com chantilly. Estava uma delícia, acho que eu estava com muita fome, porque agora só me sobrou o café.
Fui praticamente correndo pro colégio e quando cheguei lá ainda estava fechado. É claro! Eu sempre chego mais cedo do que deveria nos lugares, mesmo não querendo. Até quando eu me atraso não estou atrasada.
Fiquei sentada no banco do Fothills Park, que fica do outro lado da rua,enquanto lia um jornal que achei na porta de uma casa, onde parecia não morar ninguém. Se morava, ainda estava dormindo...
Li o jornal inteiro, quer dizer... Inteiro pra mim significa todas as partes que me interessam. Então chegou um rapaz. Um velho. Ele estava vestido bem simples, uma calça de linho marrom claro e uma blusa branca, folgada, com manga. Também reparei que todo o lado esquerdo do seu corpo era paralisado, inclusive seu olho.
Depois de reparar nele todo que percebi: queria sair dali, o mais rápido possível, mais do que nunca! Ele cheirava a menta, eu odeio menta. Mas alguma coisa me prendia ali e eu tenho quase certeza de que era o fato de que todos os outros bancos que tinham sombra estavam ocupados por casais e famílias. O resto faziam sol.
Fiquei mais paralisada do que o lado esquerdo dele, acho que estava prendendo a respiração. Não tenho certeza! O pior de tudo não era que eu tinha acordado cedo, corrido pra tomar um café da manhã quase sem dinheiro, corrido mais ainda pra não chegar atrasada, ficar esperando o colégio abrir ou que um velho muito estranho sentasse ao meu lado. O pior de tudo, MESMO, era que ele estava me olhando. Estava me olhando tanto que daqui a segundos começaria a se comunicar.
Com certeza eu mudei de ideia sobre o que é pior. Porque ele realmente conversou comigo. E eu digo conversou porque eu respondi e fiz perguntas também. Nem acredito nisso, mas foi preciso. De qualquer forma tive que ir embora e quando cheguei na porta do colégio e olhei pra trás ele ainda estava lá. Sentado!
Quando sai do colégio, o velho ainda estava lá no banco e Savannah também. Mas não no banco. Ela estava no seu carro de luxo verde-limão estacionado exatamente em frente ao colégio. Me olhava com pressa como se dissesse: “Está fazendo o quê aí parada?”. Eu também não sabia. Então entrei no seu carro sem nem abrir a porta. Era perfeito.
Ela saiu em disparada e eu sabia pra onde estávamos indo.
– Oii!
– Oi, o que você estava olhando do outro lado da rua? Era algum estudante novo?
Eu ri, mas não respondi. Ela sabia que se fosse eu já estaria contando t-u-d-o pra ela. Ela é minha melhor amiga. Mora na mesma rua que eu, mas em uma mansão – diferente de mim. – Tem uma irmã gêmea bivitelina chamada Sylvia que não tem nada a ver com ela. Elas se dão bem, mas andam em turmas diferente. Enquanto Sylvia é popular e anda com as pessoas mais bonitas do colégio, Savannah anda comigo. A única coisa em comum é que ambas são ricas e estilosas.
No caminho Sah fez o favor para mim de passar num caixa eletrônico pra sacar dinheiro. Íamos almoçar no Barneys Milon. Adoro esse restaurante, ele é calmo e sofisticado. A comida é maravilhosa e o atendimento é rápido.
Quando íamos sentar já havia um garçom vindo em nossa direção.
– Boa tarde! Qual será o pedido?
– Smoked Salmon Platter sem alcaparras e um suco de laranja, obrigada – falei enquanto minha barriga roncava. O efeito do café da manhã já tinha passado.
– E eu vou querer Grilled Chicken Salad com queijo parmesão e um chá verde, muito obrigada. – disse ela sorrindo, parecendo muito feliz.
Ele anotou o pedido e saiu, enquanto eu e Savannah continuávamos a conversar:
– Então seu ônibus sai que horas?
– Ah, nem me lembre, sai ás 15:25. – Afirmei. – E o que você andará fazendo sem mim?
– Não sei ainda. E você vai fazer o quê lá mesmo? Você nunca me conta! – Disse Savannah arquejando a sobrancelha. Ela ainda tinha esperança que um dia eu ainda contaria o porquê de ir sempre em Sedalian, talvez um dia eu decida contar, mas esse não é o momento.
– Eu não sei por quê você sempre me pergunta isso se sabe que não vai ter resposta.
– Talvez um dia você conte!
– Talvez. – conclui.
O garçom chegou colocando cada prato no seu respectivo lugar. A comida estava cheirosa e com boa aparência. O suco estava perfeito como sempre e Savannah não abriu a boca enquanto comia, como de costume. Isso era uma das coisas que eu mais gostava nela, podíamos estar em qualquer lugar, mas na hora do almoço eu podia ter certeza que o silêncio estaria lá.
Quando terminamos ficamos lá sentadas ainda em silêncio, esperando o que sempre esperávamos depois de uma refeição. A satisfação. Ainda tinha um resto de suco no meu copo, mas o copo de Savannah estava cheio, ela pedira outra xícara de chá quando a comida chegou.
— E como vai Nick? – disse quebrando o silêncio – Você sempre comenta dele, não estão brigados, estão?
— Não, não quero Nick em minha cola direto. Ele estava começando a ficar apaixonado. – disse ela rindo baixo – Pobrezinho.
— Achei que quem estava ficando apaixonada era você. – disparei – De qualquer forma, vocês são um lindo casal. – Savannah revirou os olhos e continuei. – Vou ao banheiro. – disse soltando uma piscadela e levantei.
Não havia aparentemente ninguém no banheiro. Abri a torneira e comecei a lavar as mãos. Percebi que o recipiente que deveria estar o sabão estava vazio. Fiz uma concha com as mãos e joguei um pouco de água no meu rosto. Peguei umas três folhas de papel toalha e enxuguei o rosto.
Já estava de saída do banheiro quando senti que estava sendo observada. Puxei bem o ar para tentar descobrir que cheiro era aquele que estava se formando no ar. Fixei meu olhar na última cabine, era a única que estava entreaberta. Naquele momento eu conseguir identificar o cheiro. Era menta.
Notas finais
Beijos! :D
Fale com o autor