Secrets: Year One
5 Capítulo 4
NICO
Nico mantém sua cabeça abaixada, a chacoalhando em uma tentativa fútil de desalojar a água de sua orelha. Os outros alunos, que tiveram o terrível azar de acabar no mesmo barco que ele, parecem estar tendo maior dificuldade em se secar. Will estranhamente se assemelha a um gatinho encharcado com seu beicinho e cabelo loiro estranhamente luminescente cobrindo seus olhos, o qual ele não fez nenhum esforço para afastar.
Aparentemente, Poseidon não estava disposto a cuidar de Nico quando ele entrou em seu reino, apesar dos outros mortais no barco. Podemos dizer que a lula gigante quase teve um grande e delicioso jantar.
— Os primeiros anos, professora McGonagall – , anuncia Hagrid, conduzindo-os para uma mulher severa vestindo trajes verdes escuros e um chapéu de bruxa de abas largas, cobrindo seu coque negro apertado.
— Obrigada, Hagrid. Eu vou tomar conta deles a partir de agora – McGonagall responde, estudando-os como um falcão, erguendo uma sobrancelha em forma de interrogação ao ver o estado de Nico, Will, das gêmeas Pavarti e do Draco Malfoy, que apesar de não ter estado no mesmo barco também foi jogado no lago. Nico suspeitava que a loura sorridente ao seu lado tenha estado em seu barco.
Com um balanço rápido da varinha de McGonagall suas vestes e cabelos parecem secar imediatamente, a água deixada em suas peles evapora. Ela se vira para a grande porta, a abrindo para revelar um grande salão de entrada. Enquanto seguiam a professora, Nico ouvia o zumbido de centenas vozes derivada de uma porta. A professora McGonagall os leva até uma câmara vazia, perto do som da conversa.
— Bem-vindos a Hogwarts! – a professora McGonagall diz, voltando a examinar o grupo. – O banquete de início do ano escolar começará em breve, mas antes de tomar seus assentos no Grande Salão, vocês serão selecionados nas suas casas. A classificação é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiver em aqui, sua casa será como a sua família dentro de Hogwarts. Você terá aulas com o resto de sua casa, dormirá no dormitório da sua casa, e passará o tempo livre em sua sala comunal da sua casa. As quatro casas se chamam Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua própria história nobre e cada uma produziu bruxas e feiticeiros proeminentes.
Um pensamento cruel circula a cabeça de di Angelo. E se ele não pertencesse a nenhuma casa? Ele não pertencia a lugar nenhum no Acampamento Meio-Sangue. Era um pária, duvidava que isso fosse mudar aqui.
— Enquanto você estiver em Hogwarts, seus triunfos ganharão pontos para sua casa, enquanto qualquer quebra de regras irá perder pontos. No final do ano, a casa com mais pontos é premiada com a Taça das Casas, uma grande honra. Cada um de vocês será de grande orgulho para qualquer casa que se torne sua... A cerimônia de classificação acontecerá em alguns minutos em frente ao resto da escola, e sugiro que todos se preparem o quanto puderem enquanto esperam – seus olhos se demoraram por um momento no manto de Neville, que estava preso sob a orelha esquerda, nas vestes amarrotadas e nos cabelos que haviam caído no nariz manchado de Ron.
— Eu retornarei quando estivermos prontos para vocês – , diz a professora McGonagall – por favor, esperem calmamente. – com isso ela saiu da câmara, deixando-os para sussurrar freneticamente.
Nico suspira. Só esteve aqui por cinco segundos e já lamentava ter vindo.
— Como você acha que eles vão nos classificar? – Will sussurra para o moreno.
— Eu não sei nem me importo – Nico responde, torcendo nervosamente seu anel.
— É claro que você se importa. A classificação decide como você vai passar os próximos sete anos de sua vida, isso é importante.
Nico quase bufa com a ideia. Como poderia um grupo de professores com chapéus ridículos definir sua vida? Ele provavelmente não iria ficar aqui por um mês, imagine sete anos. Provavelmente nem sobreviveria aos próximos sete anos.
— Estou pouco me fodendo – diz claramente.
— Modos! – Will chia.
— Eu gentilmente devo negar seu conselho e desejo o informar que eu estou pouco me fodendo – o moreno repete em um tom zombateiramente educado. – Melhor?
Algumas pessoas ao redor deixam escapar risos divertidos. Will só bufa, cruzando os braços e fazendo beicinho como uma criança.
De repente, Nico sente um frio no estômago, fazendo-o saltar como se seus sentidos tivessem sido repentinamente ligados. Várias formas brancas ligeiramente transparentes entram, conversando entre si. Com algumas maldições murmuradas Nico se move em direção à parede, envolvendo as sombras ao seu redor.
O que em nome de Hades os espíritos estão fazendo fora do submundo? Para seu alívio, nenhum dos fantasmas parecem o notar. Ser reconhecido como o Rei Fantasma não seria uma boa primeira impressão.
— Vão em frente agora – , uma voz na porta diz bruscamente – a cerimônia de classificação está prestes a começar. Agora, formem uma fila e sigam-me – McGonagall ordena.
Felizmente, ninguém observa o menino enquanto ele se retira das sombras, alinhando-se atrás de uma garota nervosa de cabelos vermelhos. Seguiram a professora através do corredor até ela abrir um grande conjunto de portas para revelar o Grande Salão.
Todo mundo na fila deixa escapar barulhentos suspiros quando veem o salão deslumbrante com arquitetura que teria feito Annabeth babar, velas mágicas flutuavam acima das mesas que possuíam bandejas de ouro brilhante. A visão mais espetacular tinha que ser o teto aberto, revelando o céu noturno.
— Minha tia mencionou o teto – , a menina de cabelos vermelhos sussurra – é encantado para parecer o céu noturno – estavam na frente da mesa dos professores, parando em uma fila de frente aos outros alunos.
Nico torce nervosamente seu anel, desviando aleatoriamente seu olhar para evitar qualquer contato visual estranho. Eventualmente, ele concentra sua atenção em McGonagall colocando um velho chapéu surrado em um banquinho. O que o chapéu tem a ver com a classificação?
O chapéu então se contrai, antes de rasgar-se de modo que estranhamente se assemelhava a uma boca. A boca então se abriu e uma voz alta encheu o corredor.
Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
mas não me julguem pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
suas cartolas altas de cetim brilhoso
porque eu sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver,
por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
onde seus moradores são justos e leais
pacientes, sinceros, sem medo da dor;
ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que tem a mente sempre alerta,
onde os homens de grande espírito e saber
sempre encontrarão companheiros seus iguais;
ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
homens de astúcia que usam quaisquer meios
para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não deverão temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
porque sou o único, sou um Chapéu Pensador!
Nico geme. Preferiria lutar contra uma hidra. Permitir que um chapéu surrado entre em sua mente? Não obrigado! Tinha muito a esconder.
Você estava certo. Uma voz ecoa. Você não vai pertencer a nenhuma dessas casas, você não é corajoso, você não é justo e leal, você não é tão inteligente e você não é esperto. Você provavelmente nem é um verdadeiro feiticeiro. Nico descarta este pensamento e decide se concentrar no que estava acontecendo.
A professora McGonagall dá um passo para frente segurando um longo rolo de pergaminho. – Quando eu chamar seu nome, você colocará o chapéu e sentará no banco para ser classificado – ela explica, antes de começar a chamar os nomes.
Estudante após o estudante foi sendo chamando, todos nervosamente caminhando em direção ao chapéu antes de colocá-lo na cabeça. O chapéu costumava falar uma casa com bastante rapidez, raras vezes acontecia longos períodos ocasionais de sussurros pensativos.
Hermione, a garota de cabelos compridos do trem é classificada na Grifinória, bem como Neville. O sorriso orgulhoso em seu rosto foi quase o suficiente para fazer Nico sorrir. Quase.
A garota loira que jogou um livro em sua cara no Beco Diagonal, e que suspeitava ser também quem jogou Malfoy no lago, é então chamada, encarando o chapéu com um olhar decidido em seus olhos cinzentos cerrados o que lembrou muito Annabeth.
Após quase um minuto de resmungos pensativos do chapéu e suspiros exasperados da menina, o chapéu finalmente toma sua decisão. – LUFA-LUFA!
Com um encolher de ombros feliz a menina pula do banco para a mesa empolgada de amarelo e preto.
Em seguida uma das gêmeas Pavarti é enviada para a mesa de azul e branco. Sua irmã é enviada para Grifinória, e envia um olhar triste na direção de sua irmã.
Nico sente uma dor no peito, lembrando como Bianca decidiu se juntar às Caçadoras, separando-os. Ele tentou se lembrar que a situação era completamente diferente, mas a memória ainda estava presente.
A garota de cabelos vermelhos a sua frente se junta à menina loira na Lufa-lufa.
— Di Angelo, Nico. – McGonagall diz, fazendo-o congelar. Se tivesse alguma coisa no seu estômago ele provavelmente teria vomitado agora.
O menino forçou suas pernas repentinamente pesadas a caminhar em direção ao chapéu surrado, sentando no banquinho. Esperava ansiosamente os gritos inevitáveis, dizendo que não pertencia a esse lugar.
Nico respirou fundo quando o chapéu foi colocado em sua cabeça, seus olhos já varrem o salão em busca dos cantos mais escuros para escapar. Pelo canto do olho, nota um homem com uma longa barba prateada, supunha ser o diretor, com olhos fixos nele com uma expressão curiosa.
“Ah o que temos aqui? Eu não classifico um semideus faz um bom tempo."
Uma voz soa em seus ouvidos.
Eu não sou o único? Não podia deixar de pensar, tentando não pular com repentina voz em sua cabeça.
"Não, claro que não." A voz responde. "Hmm, sua mente é realmente fascinante, tanto potencial, mas tanta escuridão."
Nico cerra seus dentes. Apenas me classifique em uma casa já!
"Você é definitivamente impaciente o suficiente para ser um Sonserino, mas não tem uma alma egoísta em seu corpo, ou pelo menos não quando se trata de si mesmo. Astuto talvez, mas você não tem ambição. Não se preocupa consigo mesmo, não é?" O chapéu diz, sua voz se tornando triste.
Agilize-se logo!
"Bem, não na Sonserina então. Você é definitivamente inteligente, mas não um Corvino e sua dislexia e TDAH podem atrapalhar."
Esse tipo de comentário era necessário?
"Amoroso você, não? Mas já passou por muita coisa para alguém da sua idade." Ele comenta.
Tecnicamente eu tenho provavelmente oitenta anos, então acho que tive uma experiência de vida muito limitada.
"Verdade, verdade. Entrar no Labirinto na esperança de salvar a sua irmã foi bastante corajoso, mas você também permitiu que o medo dominasse sua vida."
Nico cerra seus dentes. Eu não tive outra escolha.
"É compreensível considerando o seu passado, mas ainda assim. Muito honorável devo dizer, desistindo de recuperar a sua irmã e perdoando Percy, vejo muito bem em você, embora às vezes você esteja cego por sua lealdade àqueles que ama."
Obrigado?
"De qualquer forma, como eu disse antes, você é incrivelmente leal, trabalha duro pelas coisas que acredita e tem um bom senso de certo e errado, mas não é particularmente amigável, não é?"
Ele estava certo, mas Nico nem precisa ser rude para as pessoas já pensarem que ele era alguém ruim, elas simplesmente assumiam isso.
"Você está certo." Ele diz em um tom suave. "E você costumava ser muito amigável com todos, honestamente você praticamente tem Lufa-Lufa escrito na sua testa." O chapéu ri. “A Lufa-lufa vai fazer um bem para você, tu precisa de pessoas mais incondicionalmente gentis em sua vida que não vão julgá-lo."
Antes que Nico pudesse discutir mais o chapéu clamou. – LUFA-LUFA!
Os lufanos começam a aplaudir. McGonagall tira o chapéu de sua cabeça, sinalizando para ele se juntar à mesa de amarelo. Quando Nico se sentou, os olhos de todos ainda estavam fixos nele.
Eu realmente me destaco tanto assim? Olhava para a mesa alta, onde Hagrid estava sorrindo para ele, assim como o professor Quirrell, o homem do Caldeirão Furado. No centro, estava um velho com cabelo longo e barba prateada usando roupas peculiares, seus olhos tão cintilantes que podiam ser vistos de seu assento.
— Ei, você é aquele garoto rabugento da livraria que eu quase matei? – a menina loura surpreendentemente o cumprimenta, brincando com seu cabelo. – Meu nome é Kat – ela diz, estendendo a mão.
— Nico.
— Por favor, fiquem quietos – um dos lufanos sênior se dirige a eles.
— Zabini, Blaise – McGonagall diz e o garoto que estava atrás de di Angelo se dirige ao chapéu, que rapidamente grita "SONSERINA!"
Nico observa a classificação e vê uma pequena menina de pele escura cujo cabelo parece estar constantemente mudando de cor andando nervosamente em direção ao chapéu, uma menina de cabelos cor-de-rosa alguns assentos a esquerda do italiano murmura "Lufa-lufa" uma e outra vez em um silencioso pedido de esperança.
Durante os vários minutos de espera o cabelo da menina parece mudar cada vez mais. Eventualmente, o chapéu grita Corvinal, fazendo com que a menina sorria, seu cabelo parando em uma sombra de azul escuro, antes de saltar para a mesa da Corvinal. A menina de cabelo rosa parece desinflar.
— Não se preocupe, Tonks você ainda pode falar com ela – o garoto bonito sentado a sua frente diz.
— Não a encoraje, não precisamos de outra Ninfadora correndo por aí – uma garota loira salienta.
Nico ignora os protestos da menina sobre o nome, em vez disso retornando sua atenção para o chapéu mágico.
Depois de mais algumas pessoas serem classificadas Malfoy é chamado. O chapéu mal toca sua cabeça antes de gritar "SONSERINA!"
— Isso não vai ajudar com o estereótipo maligno – murmura.
— Solace, William.
WILL
Will caminha até o chapéu, suas mãos tremendo de nervoso, e quase tropeça em suas novas vestes, fazendo com que várias pessoas rissem e seu rosto aquecesse em vergonha.
“Uma boa mente.” Uma voz diz, quando tomou o assento, Will pula, quase caindo do banquinho.
“Está tudo bem, agora, onde estávamos? Ah, sim, você definitivamente tem a inteligência de um Corvino, muito gentil também, às vezes mais do que os outros merecem... Você é ambicioso, mas longe de ser esperto, então não Sonserina."
"Muito corajoso, embora às vezes isso seja mais pura teimosia do que qualquer coisa." O chapéu murmura, deixando Will indignado.
"Você ficaria bem na Lufa-lufa." O chapéu fala pensativamente.
Lufa-lufa é a casa amarela, certo? É a minha cor favorita, e seria bom estar junto a Nico…
"Incondicionalmente gentil e altruísta, com uma moral forte, você é bastante leal, especialmente com sua mãe, mesmo que ela faça pouco para merecer."
Podemos não falar sobre isto?
"Tudo bem então." O chapéu suspira "Definitivamente muita lealdade e bondade em você, também trabalha muito duro e é honesto..." O chapéu diz pensativamente.
— LUFA-LUFA! – o chapéu declara.
O salão irrompe em aplausos, especialmente da mesa de amarelo e preto, na qual Will rapidamente se dirige, tomando um assento ao lado de Nico, que estava sentado ao lado de uma garota loura que parecia estar fazendo algumas piadas ruins pela cara do di Angelo.
— Oi Nico! –, Will dirige seu melhor sorriso a ele, – Meu nome é Will e o seu? – cumprimenta a garota loura.
— Kat –, ela sorri enquanto observa como Nico desviou o olhar.
— Potter, Harry – McGonagall fala, chamando a atenção de todos.
Um rapaz de pele escura com cabelos desordenados incontroláveis faz o seu caminho para o chapéu, tentando nervosamente arrumar seu cabelo. Depois de vários minutos de sussurros da multidão e Harry nervosamente batendo o pé o chapéu grita "GRIFINÓRIA!"
Há uma alta comemoração na mesa de vermelho e dourado. Os gêmeos Weasley gritavam "NÓS GANHAMOS O POTTER! NÓS GANHAMOS O POTTER!" Mesmo depois que Harry se sentou, toda a atenção estava focada nele, até a Professora McGonagall retornar a classificação.
Quando o resto dos alunos foram classificados, a professora McGonagall remove o chapéu e o banquinho do corredor antes de sentar-se ao lado de um velho com barba longa.
Will reconhece o homem de olhos brilhantes a partir do cartão do Sapo de Chocolate como o diretor Dumbledore. Ele fica de pé, seus braços abertos, como se nada pudesse agradá-lo mais do que ver a todos.
— Sejam bem-vindos! – disse. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.
Will se juntou aos outros nos aplausos. Nenhum de seus diretores nas escolas trouxas tinha sido tão… único.
— Estou começando a entender porque seus olhos são tão brilhantes – Kat sussurra, fazendo-o rir e Nico revirar os olhos.
Quando Will volta a sua atenção a mesa, nota que ela está cheia de alimentos: carne assada, frango assado, costeletas de porco e costeletas de cordeiro, salsichas, bacon e bife, batatas cozidas, batatas assadas, ervilhas, cenouras, molho, ketchup, e um doce estranho que ele nunca tinha visto antes.
O menino loiro começa a encher o prato com uma saudável mistura de carne, carboidratos e vegetais, garantindo o recebimento de todos os nutrientes necessários, antes de virar para ver Nico empilhando batatas fritas em seu prato.
— Isso não é saudável! – Will grita.
— Não, mas é delicioso – Nico argumenta, colocando uma batata frita na boca.
— Não há vegetais!
— Tecnicamente a batata é um vegetal.
— Até eu estou sendo mais saudável do que você – Kat diz a ele, enchendo a boca com batatas assadas.
Will observa o prato da menina que é composto de batatas assadas e pirulitos estranhos – Vocês não estão comendo carne!?
— Eu sou vegetariana, então não. – Kat diz, antes de chupar mais manteiga e sal de suas batatas.
— Bem, então, pelo menos, coma algumas ervilhas e cenouras – Will suspira, enchendo seu prato com legumes, fazendo ela gemer. Nico sorri para ela, antes de empurrar mais batatas fritas em sua boca.
— Não fique tão feliz, Nico – Will diz a ele antes de encher seu prato com vegetais também. – E como duvido que seja vegetariano – e coloca algumas fatias de carne assada em seu prato. Nico geme e relutantemente começa a comer, encarando Will indignado.
— Olá, meu nome é Susana Bones – a garota ruiva ao lado de Kat se apresenta.
— Katerina Williams, chame-me de Kat – diz, balançando a mão com ansiedade.
— Justino Finch Fletchly – um menino de cabelo castanho encaracolado diz.
— Meu nome é Ernie Macmillian.
— Zacarias Smith.
— Ana Abbott.
— Will Solace – o menino saúda alegremente.
— Vocês todos cresceram no mundo mágico? – Justino pergunta.
— Não – , Will diz. – eu sou um nascido-trouxa.
— Mesmo que o louro – diz Kat, com a boca cheia de doces. Will considera argumentar que ela também é loira, mas decide que é inútil.
Justino sorri. – Meus pais quase morreram de susto quando a coruja veio.
— Eu quase morri de felicidade, uma das corujas quase arrancou os olhos da minha mãe adotiva – Kat comenta feliz. Todos olham para ela com horror, bem todos exceto Nico que ri.
— Mãe adotiva? – Will perguntou, ignorando a imagem violenta.
— Sim – , ela responde – seu nome é Srta. Hannigan, ou pelo menos é assim que eu a chamo. Honestamente, não consigo me lembrar o nome verdadeiro dela – todo mundo explode em gargalhadas, especialmente os nascidos-trouxas.
— Eu também não tenho pais – Susana fala. – Mas sempre tive minha tia para cuidar de mim.
Nico parece se tornar ainda mais desconfortável. – Minha família era toda bruxa –, diz, mudando de assunto – mas eu não sou do Reino Unido, então sou novato na maioria dessas coisas.
— Era? – Ana perguntou cautelosamente. Nico ignora a pergunta e, em vez disso, escolhe mexer desajeitadamente sua comida com o garfo.
— Bem, eu tinha certeza de que era uma brincadeira de mau gosto quando a coruja veio – Will diz, tentando atrair a atenção de Nico.
— Eu disse à Srta. Hannigan que eu, aparentemente, estou frequentando um internato para órfãos conturbados – Kat ri.
No momento em que todos tinham terminado de comer, os restos de comida desaparecem dos pratos, deixando-os mais uma vez brilhantes. Um momento depois, as sobremesas aparecem. Bolas de sorvete de mais sabores que você possa imaginar, tortas de maçã, tortas de melado, cascatas de chocolate e donuts de geléia, morangos e pudim de arroz.
Will saboreia um éclair e um pouquinho de pudim de arroz. Kat, por outro lado, pensou que era necessário comer grandes quantidades de tudo.
— Isso parece delicioso – um fantasma prateado usando roupões de monge diz, olhando sonhadoramente para o prato de Kat.
— E é – ela responde, empurrando outra colherada em sua boca. Will nota que Nico estava calado, afundando-se na cadeira.
— Não acredito que não me apresentei antes, chamo-me Frei Gorducho! – ele cumprimenta alegremente, obviamente não incomodado pelo nome. – Sou o fantasma da Lufa-lufa.
— Fantasma da casa? – Nico pergunta, finalmente abrindo a boca. – Você não deveria estar no submundo? – ele pergunta, sua voz ganhando um tom assustador.
O Frei fica ainda mais branco do que Will pensava ser possível. – N-n-não sua majestade, te-tenho permissão para estar aqui. Eu juro! – ele gagueja.
— Eu terei certeza de verificar isso – ele diz ao fantasma, antes de notar os olhares que o resto do grupo está dando a ele. – Não vejo por que você está tão assustado, sou apenas outro estudante do primeiro ano – ele mente, sem convicção. Kat apenas ergue a sobrancelha, dando-lhe um olhar cético. – De qualquer forma, você realmente vai comer tudo isso? – Nico pergunta em uma tentativa óbvia de mudar de tópico.
Will nota que Frei Gorducho tinha fugido no momento em que a atenção de Nico o deixou.
Quando todos terminaram a sobremesa (até Kat, que parece que estar prestes a vomitar) Dumbledore se levanta, ganhando a atenção de todos.
— Apenas mais algumas palavras agora que estamos todos alimentados satisfeitos. Tenho alguns avisos de início de ano para dar-lhes. Os primeiros anos devem compreender que a floresta é proibida a todos os alunos. E para alguns dos nossos alunos mais velhos seria bom relembrar disso também – os olhos cintilantes de Dumbledore brilharam na direção dos gêmeos Weasley. – Também fui solicitado pelo Sr. Filch, o zelador, para lembrar a todos que nenhuma magia deveria ser usada entre as aulas nos corredores. Os testes para o Quadribol serão realizados na segunda semana escolar. Qualquer pessoa interessada em jogar para suas respectivas equipes de casa deve entrar em contato com Madame Hooch. E, finalmente, devo dizer-lhes que este ano, o corredor do terceiro andar do lado direito está fora dos limites para todos aqueles que não desejam morrer uma morte muito dolorosa.
Algumas pessoas riram, mas a maioria do salão estava em silêncio.
— Isso é estranho – uma garota do sétimo ano com cabelo cor-de-rosa brilhante murmura. – Ele normalmente nos diz por que não estamos autorizados a entrar em algum lugar... Eu vou ter que investigar – ela acrescenta com um sorriso malicioso.
— E agora, antes de irmos para a cama, vamos cantar a canção da escola! – fala Dumbledore. Will percebe que os sorrisos dos outros professores tornaram-se bastante presentes. Dumbledore dá um pequeno movimento a varinha, como se estivesse tentando tirar uma mosca da mesma. Uma longa fita dourada voou e subiu acima das mesas e formou palavras – Todo mundo escolhe sua música favorita.
"Hogwarts, Hogwarts, oh querida Hogwarts
Vem nos ensinar
Quer sejamos velhos calvos
Quer moços de pernas raladas
Temos as cabeças precisadas
De ideias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar
Moscas mortas e fios de poeira
Nos ensine o que vale a pena
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto
Estudaremos até o cérebro se desmanchar”
Will canta alegremente (provavelmente Nico ficou surdo ao seu lado).
Todo mundo termina a música em momentos diferentes. Finalmente, somente os gêmeos Weasley são deixados cantando junto a uma marcha funeral muito lenta. Dumbledore conduz as últimas falas com sua varinha e quando os alunos terminam ele é quem aplaude mais alto.
— Ah, música – , ele suspira alegremente, enxugando os olhos – uma mágica que transcende todas que fazemos aqui! E agora, hora de dormir. Andando!
Will segue Nico e os outros Lufanos pelo corredor. Ao longo do caminho vários retratos sorriem para os alunos, desejando boas-vindas. Depois de apenas alguns minutos, param em frente a uma grande pilha de barris.
— Eu começo! – uma garota de cabelo cor-de-rosa do sétimo ano anuncia, quase tropeçando sobre os outros estudantes.
— Você é a monitora? – Will pergunta.
Ela ri. – Nah, aparentemente eu sou muito problemática. Aliás, meu nome é Tonks – ela começa a tocar segundo barril de baixo pra cima, no meio da segunda linha. –Vocês só precisam tocar no ritmo da música de Helga Hufflepuff e VOALÁ! – ela explica, enquanto os barris desaparecem revelando uma passagem para uma sala acolhedora, grande e redonda com teto baixo. Tudo no quarto é caracterizado por cores quentes, plantas espalhadas por toda parte.
— Por que os monitores não nos ajudam? – Susana pergunta.
Tonks sorri. – Porque eles estão dando uns amassos – quando todos pareciam confusos, ela acrescentou, piscando. – Lufanos podem ser muito amigáveis.
— NINFADORA! – um dos alunos mais velhos repreendeu.
— Meninos para a direita, meninas para esquerda, e como a nossa professora de casa Sprout diria... – Tonks começa antes de se transformar em uma bruxinha pequena, com cabelos grisalhos curtos e ondulados. – Eu gostaria de dar as boas-vindas a todos os lufanos! E o clube de jardinagem está sempre procurando novos membros!
Os primeiros anos estavam todos em silêncio, maravilhados com ela, se perguntando como ela fez isso, e se eles podiam fazer também. Os outros anos gemeram.
— Exibida – um menino bonito com cabelo escuro e olhos cinzentos brilhantes ri.
— Algo que você tem um profundo conhecimento sobre, não é Diggory? – Tonks responde, já de volta ao normal.
— Qual a senha do Wi-Fi? – Kat pergunta.
— O que é Wi-Fi? – Tonks pergunta inocentemente, fazendo com que todos os nascidos-trouxas pareçam petrificados.
— Vocês não sabem o que é Wi-Fi? – Will guincha.
Tonks balança a cabeça, sorrindo. Os nascidos-trouxas começam a hiperventilar.
— E internet? –Kat pergunta, parecendo aterrorizada.
— Estou brincando! – Tonks ri, fazendo Will suspirar de alívio. – Eu sei o que é, mas não temos internet – o menino se sente pálido. Sem internet? Os outros primeiros anos nascidos trouxas parecem prestes a desmaiar.
— De qualquer maneira, para suas tocas, texugos! – ela diz, antes de se dirigir para a porta das meninas.
— Se vocês não conseguirem me encontrar amanhã, eu subi o telhado de uma das torres para encontrar algum sinal e cai para o meu trágico fim – Kat fala com uma expressão séria, antes de seguir Tonks e as outras meninas.
Junto a Justino Finch Fletchly, Ernie Macmillan e Zacharias Smith, Will e Nico caminham por um túnel arborizado até um quarto com cinco macias camas espalhadas ao redor de um sala circular com diferentes cores quentes para as colchas, pequenas janelas circulares no topo das paredes e uma lareira. Todas as malas estavam nas extremidades das camas, juntamente com as gravatas e o resto dos uniformes da Lufa-lufa.
Will salta para a cama mais próxima, quase sendo engolido por ela. O menino vira para ver Nico encontrando uma cama no canto mais escuro da sala e entrando em colapso, sem sequer se preocupar em trocar de roupa.
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