NICO

Na tarde seguinte, no jantar, Nico não pôde deixar de ouvir Malfoy desafiando Harry a um duelo.

— Uau, aquele furão está irritando outra pessoa? E eu pensando que era especial! – exclama Kat.

— Vocês sabem o que isso significa? – Will pergunta.

— Que o Malfoy vai ter seu traseiro chutado? – Nico sugere.

— Bem, sim, mas ele estará fora do seu dormitório, o que significa que podemos finalmente fazer a pegadinha – diz Will.

— E os colegas dele? – Kat pergunta.

— Eles são estúpidos demais para poder reagir. Se dissermos que eles estão sonhando eles apenas vão voltar a dormir – Will encolhe os ombros.

— Você tem certeza que pode fazer o feitiço? – Nico pergunta-lhe.

— Sim, é bastante simples, quando se tem gravado – ele diz, nervosamente.

•••

Naquela noite

— Pronto para perder, irmãozinho? – Bianca provoca, inclinando sua cadeira para frente.

— Quando o Tártaro congelar! – responde, sorrindo. Nico sentia falta de passar tempo com a Bianca, desde que chegaram a Westover, ela tem sido mais temperamental do que nunca, e Nico quase nunca a vê mais.

Nico odiava os seus companheiros de quarto, eles eram malvados e chatos. Eles diziam que jogos de cartas eram para crianças e tentaram jogar seu pacote de expansão da edição limitada Africanus Extreme no lago, mas antes que eles pudessem fazer qualquer coisa, o chão engoliu os pés deles para que Nico pudesse tirar os cartões de suas mãos e correr.

— Agora, como vencedor de todos os jogos anteriores, TODOS! Eu embaralho – anuncia, entregando cinco cartas para cada um deles, antes de tirar um cartão da pilha de habilidades e colocá-lo na mesa. – Eu vou agora revelar a habilidade que vai chutar sua bunda.

— Nico, modos! – Bianca exclama.

— Desculpe! – diz, revelando uma carta com um Caduceus com "Saúde" escrito embaixo. Nico olha para suas cartas. Para o seu alívio, vê um cartão de ouro familiar com Apolo sorrindo para ele.

— Três, dois, um! – dizem juntos, revelando cartas de ouro idênticas. – Apolo 30 pontos de saúde!

Nico geme e Bianca exclama. – Sim! Essa partida é a mais próxima chance de ganhar que tive em meses!

— Não seja tão presunçosa! – o menino resmunga. – Agora é a hora do desempate! – os dois fazem suas melhores caras inexpressivas (viver tanto tempo em um casino tem suas vantagens) e revelam suas cartas.

Nico olha para baixo para ver que as cartas são idênticas. Um homem doentio e pálido com cabelos escuros e olhos sem alma sentado num trono de caveiras.

— O quê-… – Nico pergunta antes de perceber que Bianca já não estava sentada na sua frente. Procura-a freneticamente para ver a biblioteca completamente deserta.

— Bianca, onde você está? – gritou, mas ninguém respondeu. – Bianca! – gritou novamente, tentando não chorar. – BIANCA!

— Não se preocupe, eu vou protegê-la – Nico se virou para ver Percy sorrindo cruelmente para ele.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Nico se sente sendo balançado.

— Nico! Acorde! – uma voz sibila. Nico empurrou quem o acordou contra a cama, aplicando pressão no pescoço da pessoa com o cotovelo, e a encarou.

— Entendi! Entendi! Não vou mais te acordar! – Will diz rindo.

— Você é ridículo – Nico decide. – Estou tentando te matar, pare de rir.

Ele revira os olhos. – Por favor, você é um fofo sob todo esse preto – Nico sente suas bochechas aquecendo. Percebeu que ainda estava sobre ele e o soltou notando que ainda estava escuro.

— Você está bem? Você parecia estar tendo um pesadelo. Você dizia “Bianca” sem parar – Will diz. – Sobre o que era o pesadelo?

— Jogos de cartas – Nico murmura. – Devemos nos encontrar com Kat para a pegadinha? – Will acena com a cabeça. Nico tira suas vestes noturnas e abre a porta com cuidado.

— Você é realmente bom em se misturar no escuro? Você é praticamente invisível! – Will sussurra.

— E você parece uma tocha ambulante – retruca, fazendo-o fazer um beicinho.

— Já era tempo! – Kat geme quando finalmente chegam à sala comunal. Ela estava usando calças pretas e brancas listradas com uma camisa comprida com as palavras "I’m not lazy I’m energy efficient”. – Tô vendo que você trouxe sua própria tocha – ela acrescenta, sorrindo para Will.

— Cala a boca – ele resmunga.

•••

— Desligue a luz! – um dos retratos exclama, encarando Will que começa a dar tapinhas no cabelo como se estivesse tentando apagar o fogo.

— Sério cara, você tem comido palitos brilhantes? – Kat pergunta, mas antes que Will pudesse responder escutam uma voz aguda.

— QUEM ESTÁ AÍ?! – uma voz grita antes de Nico ouvir passos em sua direção. Sem pensar, agarrou os ombros de Kat e Will e os puxa para uma viagem nas sombras.

— O que diabos? – Kat sussurra.

— A parede desapareceu – Nico encolhe os ombros.

— Onde estamos agora? – Will pergunta.

— No Corredor de Transfiguração – um retrato com sono diz.

— Por este lado – Nico diz caminhando pelo escuro corredor. Caminhar por Hogwarts é estranhamente semelhante ao Labirinto, que, considerando a taxa de mortalidade no labirinto, não deve estar em nenhum panfleto escolar.

— Como ele pode ver nesse escuro? – Nico escuta Kat murmurar.

•••

Quando encontram as masmorras e a parede certa, Nico sussurra "Puro-Sangue".

— Honestamente, eles poderiam ser mais racistas? – Kat resmunga.

— Eu duvido que todos eles sejam – Nico ressalta.

— Então por que não conheci nenhum gentil?

— Porque eles acabam isolados pelas outras casas por causa do estereótipo maligno e têm medo de que aqueles que são preconceituosos fossem rejeitá-los se defendessem os nascidos-trouxas e, caso isso acontecesse, quem iria sobrar para eles? – explica Will.

— Uau, estou de repente tão feliz por ser mais leal do que astuta – comenta Kat.

A parede de tijolos desaparece, revelando uma sala de aparência bonita e verdejante com mobiliário preto, verde e madeira escura. Estava completamente silencioso, além de um fraco som de estudantes roncando e o balançar da água. Alguma coisa sobre este lugar parecia, de alguma forma, familiar para Nico.

— Uau – exclama Kat. – A sala comunal deles é debaixo d’água? Isso é tão legal!

— Silêncio! – Nico sibila, antes caminhar até o corredor esquerdo, o que resultou em estátuas de Ártemis aparecendo e tentando atirar nele.

— Apenas meninas! Entendi! – silva, fugindo. Gira para olhar para Kat que começara a rir. – Me dê aquela coisa de metal – diz a ela.

Ela resmunga. – Como se eu confiasse isso a alguém que nem sabe como escolher a música.

— Pode haver uma segurança semelhante nos dormitórios dos meninos – suspira.

— Tudo bem – ela diz antes de entregar a Will. Nico suspirou e, juntos, entraram silenciosamente na primeira porta.

— Devem ser eles – sussurra. – Você sabe fazer isso certo?

Will acena com a cabeça antes de segurar sua varinha de ouro com uma mão e a coisa de metal estranha na outra. – Ludere cogitatus opacare! – exclama, com os olhos fechados em concentração.

Nico inspeciona a sala, tentando enviar sonhos profundos para todos. O menino nota uma cabeça loira em uma das camas.

— Devemos ir antes que alguém acorde. Draco ainda está aqui – diz sinalizando para Will o seguir para fora do quarto.

— Vocês conseguiram? – Kat perguntou quando voltaram à sala comunal.

— Eu acho que sim, mas não posso ter certeza, provavelmente é um feitiço muito avançado para mim – Will explica, olhando ao redor nervosamente.

— Tudo bem se não funcionou, pelo menos nós conseguimos ver a cova da cobra – Kat diz com um pequeno sorriso.

•••

Depois de meia hora de passear pelo castelo, Nico decidiu que estavam oficialmente perdidos.

— Eles estão aqui em algum lugar – ouviu uma voz murmurar.

— Merda – Kat murmura.

— ESTUDANTES FORA DA CAMA! ESTUDANTES FORA DA CAMA!

— Ele está falando da gente? – Will sussurra.

— Não, mas duvido que Filch se importe – Nico diz, correndo até a porta mais próxima e tentando abri-la, apenas para ver que ela está trancada. O menino escuta o som de alguém correndo em sua direção. Nico entrou em pânico e agarrou os dois amigos pelos ombros e puxou-os pelas sombras da porta.

Depois de alguns momentos de silêncio, uma língua gigante ataca seu corpo. Nico gira para ver três cabeças gigantes olhando para ele com expectativa.

— Puta que pariu! – Kat murmura. Felizmente, o cérbero não lhe deu atenção, ao invés disso, decidiu continuar a acariciar suas cabeças gigantes contra Nico, pedindo carinho.

Nico acaricia uma de suas cabeças e faz cócegas no ouvido com outra.

— Aww, que amor – Will fala nervosamente, tentando acariciar apenas para ganhar um rosnado.

Antes que qualquer um deles pudesse fazer alguma coisa, a porta se abre e todos são empurrados para perto de cérbero. As quatro novas pessoas não parecem prestar atenção neles, estando muito preocupadas em tentar respirar.

— Acolhedor, não acha? – Kat comenta, chamando a atenção deles.

— Katerina? – Hermione silva. – O que vocês estão fazendo aqui?

— É Kat e eu poderia te perguntar o mesmo, Srta. “Sempre Segue as Regras” – ela responde.

O cérbero está congelado, aparentemente decidindo se preferiria um lanchinho de carne humana ou mais carinho.

— Ele acha que a porta está trancada – Harry sussurra, ignorando as brigas. – Eu acho que vamos ficar bem... Para de empurrar, Neville!

Nico nota Neville olhando para o cérbero com horror. Todo mundo escolhe este momento para notar a presença dele e sair da sala com tremenda velocidade.

Kat e Will seguem pouco depois disso, aparentemente também não eram fãs do cérbero. Quando Nico tenta segui-los cérbero começa a choramingar.

— Eu voltarei – Nico promete acariciando-o atrás de suas orelhas.

•••

Depois de um par de quase encontros com o zelador e seu gato demoníaco, o grupo volta para a sala comunal da Lufa-lufa, quase sem ferimentos.

— Bem, isso foi terrível – Will anuncia.

— Sem dúvida – Kat concorda. – Bem por enquanto, adeus, auf weidersehen, boa noite, hasta la vista – Kat canta em uma voz surpreendentemente boa antes de se retirar.

— Aquela garota será a minha morte – Will diz, não conseguindo parar o sorriso em seu rosto.

— Somente se o cérbero não pegar você antes – Nico encolhe os ombros antes de voltar para a sala.