Secrets Weapons

5 Capítulo 5


Pov. Rebecca

Vendo minha irmã rir daquele jeito, não me segurei e ri também, enquanto isso, os dois garotos gritavam e brigavam com o ser peludo que tentava se explicar com coisas como "Está na época de troca de pelos! Não há nada que eu possa fazer!" O que não impedia os dois caras de baterem impiedosamente nele.

Quando finalmente meu ataque de riso parou, eu levantei ainda fraca e fechei a porta do banheiro a nossa frente, imaginando — o totalmente limpo de novo, e quando voltei a abrir, ele estava impecável.

Eles olhavam para dentro do cômodo surpresos e bravos, por estarmos caçoando deles, mas era inevitável. Cheguei a conclusão que afinal, conhecer mais pessoas era realmente divertido.

Esse pensamento me pegou desprevenida, nunca achei que realmente aconteceria, mas aqui estava eu, a algumas horas conversando com pessoas que não são iguais a mim, nem em aparência, muito menos em personalidade.

Na verdade, fora a discrepância do meio animal, eles eram bem diferentes. Parei um pouco e tentei analisa-los Ethan tinha o cabelo mais claro deles. Era de altura mediana e também o mais brincalhão. Já o outro não era tão sem noção, se mostrava ser mais sério, talvez desconfiado, com o cabelo bem preto e de fato é mais alto do que todos também. Os dois porém tinham corpos bem atléticos e olhos azuis como o mar.... Assim como os meus. E foi ai que eu percebi que estava os encarando enquanto eles terminavam a discussão sobre o banheiro. Senti uma mão tocar a minha. Mel. E sabia que ela pensava a mesma coisa que eu. O que será que nos espera nesse novo e divertido mundo?

A porta se fechou e pouco tempo depois ouvimos o barulho do chuveiro.

Seguimos então para a cozinha. E por mais que a casa pudesse nos dar refeições completas sem complicação, cozinhar era um hobby que eu adorava. E que aliás estava com muito humor para fazê-lo.

Mel ia me passando os temperos e ingredientes enquanto eu misturava tudo com maestria, quando ela me pergunta:

– Acha que eles são confiáveis?

Mas antes de eu pensar sobre o assunto, o trio parada dura entra na cozinha, causando um reboliço.

– Cara, estou morrendo de fome! Espero que tenham muitas latinhas.

Latinhas? Quando viro para perguntar, vejo os três em estados completamente diferentes, sem sujeira ou marcas pela pele, a única coisa que vemos é ferimentos, já limpos aqui ou ali. Fora isso, até parecem pessoas decentes. Eu tinha que admitir, era uma sensação bem diferente olhar para eles. Passei meus olhos lentamente pelos três, observando o estranho modo de fazerem o que estavam fazendo, foi quando meu olhar encontrou o de Thomas, desviei rapidamente o olhar... O que era isso que eu estava sentindo... Pude perceber que fiquei um pouco vermelha. Que estranho.

– Quer alguma ajuda? — Sua voz estava mais perto, do meu lado, e eu não conseguia olhar para ele. Olhei para mel em esperança de uma ajuda e ela me olhou confusa. Mas logo entendeu.

–Ei, vocês três, venham, me ajudem a colocar a mesa! — Minha heroína.... Assim que ela disse, distraindo-os do que eles estavam fazendo naquela gaveta, que eu juro nunca querer saber, eles se afastaram e começaram a se movimentar em ritmo.

Sentados todos a mesa, não pude deixar de notar como havia tudo mudado. Eu ainda não confiava neles. Mas era bom ter mais alguém por perto. Dei um sorriso singelo. Que mesa cheia e..... Latinhas... Tinham latinhas sujas em cima da mesa estragando a janta... Antes de eu questionar Jupert as atacou dizendo — Vamos comer!- Levando-as ferozmente a boca como se fosse a melhor refeição.

– Você é muito estranho — Deixei escapar. — Não, não, é uma ofensa, é que... Ah, você entendeu — Eles me olhavam e eu só abaixei a cabeça em vergonha... O que estava acontecendo, desde quando sou tão envergonhada?

– Há há há há — Ethan bateu as mãos na mesa em sinal de deboche — Está vendo Jupert? Eu sempre te digo isso! Afinal de contas não sou só eu! — O loiro comentava despreocupado — Mas todo mundo tem que conviver com um estranho e louco qualquer hora.

–Ei! Sou eu quem está aturando loucos aqui! — Jupert fingindo-se ofendido.

– Não se preocupe — Olho em direção a voz que vinha do meu lado, como se falasse mais particular, e quando eu viro, de novo o azul me invade — Nós vamos explicar tudo, mas amanhã. Por hoje, vamos descansar.

Afastei da minha cabeça esses pensamentos estranhos. Isso! Vou me concentrar em descobrir o que está acontecendo aqui. E assim, entenderei o que acontece comigo também.

Comemos com tranquilidade. Eles elogiaram a comida e nós só pudemos agradecer, após eles comerem como loucos que não viam comida a dias, a louça ficou para minha irmã como sempre. Que teve ajuda do sr. Brincalhão. Enquanto isso o meio animal deitou folgadamente no sofá e em pouco tempo estava roncando. Eu segui com a rotina, se é que ainda tínhamos, e fui seguir o caminho para o quarto, ou melhor, a suite, mais exatamente para tomar o meu banho.

Antes de passar pela porta, meu braço foi preso, viro para ver o que o segurou e de novo a imensidão negra de seus cabelos me deixam confusa.

– Ei, an... Eu queria pedir desculpa pelos estragos que temos feito aqui na casa de vocês... Aparentemente erramos de casa e ainda estamos causando problemas — Sua voz está meio trêmula como se estivesse sem jeito com o que falava. Ele solta a minha mão e sinto um formigamento quente onde ele tocou — Só queria dizer que nós vamos embora assim que estivermos em condições.

Era verdade, eles estavam procurando uma outra casa. Quantas casas poderiam existir nessa imensidão de mar que estávamos?

Ele abaixa a cabeça como se lamentasse.

– O que estou tentando dizer é... Desculpe pelo incômodo que estamos causando — Nessa ultima parte sua voz ficou firme, e eu podia sentir a verdade do sentimento de culpa de suas palavras, mas isso não podia ficar assim. Afinal, incômodo era de modo algum o que eu estava sentindo.

– Vocês não estão atrapalhando de jeito algum! — Minha voz sai bem mais animada e firme do que eles esperava, e então ele ergue os olhos em busca de explicação — Bem, nos vivemos aqui sozinhas desde que eu tenho lembranças. Ter algo de diferente, e principalmente algo divertido como vocês por perto é maravilhoso! Claro que eu ainda não confio em vocês, mas, por favor, fiquem o tempo que precisar! — Eu termino com o meu melhor sorriso — Tenho certeza que minha irmã também acha o mesmo que eu, vocês podem não notar, mas essas últimas horas foram inesquecíveis para nós. Então, trate de não estragar, ok?

Quando eu parei de falar, ele estava meio confuso. Mas logo ajeitou sua postura e deu um pequeno sorriso de lado. — Ok! Prometo torna-las divertidas enquanto ficarmos. Como um agradecimento por tudo o que tem feito.

Ficou combinado assim então, e enquanto eu segui para o quarto e tomava banho, um sorriso, insistia em ficar na minha boca, e o calor de outra mão, mesmo que por segundos na minha, também parecia querer ficar para sempre.

Sai do banho ainda feliz. Imaginando quantas coisas poderíamos perguntar e aprender com eles, quando eu esbarro por minha irmã no corredor, que andava distraída para o próprio quarto. Quando olho para ela, esta totalmente vermelha e sem jeito, e isso me deixa meio curiosa, mas ainda sim preocupada. O que poderia ter acontecido com ela...

– Mel o que...

–Unh? Nada nada! — falando rápido demais para o normal, com movimentos mais exagerados também — Eu vou tomar um banho sim? Sim! Fique de olho neles então! Confio em você!

E saiu apressada me deixando desconfiada.

FIM DO CAPÍTULO 5