Secrets Of Angel
10 Adeus Ariel
Notas iniciais
Antes que eu pudesse fazer isso senti alguém me segurar me puxando pra cima. Seus braços se enrolou no meu corpo. Seu cheiro, eu reconhecia aquele cheiro. Era ele. Ele vinha me salvar outra vez. Me virei e abri os olhos.
– Você veio. — Falei quando vi Harry me abraçando.
– Você está maluca? — Ele perguntou e antes que eu pudesse responder, Jack respondeu por mim.
– Ela está. Esta apaixonada por você amigo. Isso é ótimo não?! — Ele disse rindo. Abri a boca para protestar mas Harry foi mais rápido.
– Ela não sente nada por mim Jack, qual é o seu problema? — Ele falou. Naquele momento eu devería estar me perguntando como Harry havia chegado ali. Deveria estar desesperada por estar no mesmo lugar que Jack. Deveria estar preocupada porque sabia que eles iriam brigar. Mas não sentia nada disso. Parecia que eu estava drogada, uma sensação estranha me dominava. Eu não estava bem.
– Ariel? — Harry me chamou quando me viu caindo sobre ele.
– Ariel fala comigo! — Ele disse me segurando. Tentei falar algo mas eu só conseguia rir. Fechei os olhos e não consegui abri-los novamente.
– Você usou o efeito? VOCÊ FEZ ISSO? — Harry gritava para Jack.
– Era mais fácil pra mim amigo. — Jack riu.
– Não me chame de amigo, eu jamais seria amigo de alguém como você. — Harry falava. Sua voz ficava cada vez mais baixa. E então tudo perdeu o som.
E eu apaguei mais uma vez.
Abri os olhos e minha cabeça doeu com o brilho da luz. Eu havia morrido? Quando consegui entender, eu estava no quarto de um hospital, sendo observada por Harry e Charly.
– Graças a Deus! — Charly falou em tom de alívio.
– Você está bem? — Harry me perguntou, ele estava sentado ao meu lado.
– Acho que sim...- Falei, minha voz era fraca, minha mão e minha perna doía menos do que antes. Eu me sentia zonza.
– Só estou meia sonolenta. — Falei espremendo meus olhos tentando me manter acordada.
– Deve ser os remédios. — Charly falou.
– O que aconteceu? — Perguntei. Eu só me lembrava de querer me jogar do prédio. Me senti idiota por ter quase feito aquilo, o que eu tinha na cabeça?
– Você desmaiou e eu te trouxe pra cá. — Harry respondeu. Notei que ele estava com a cabeça coberta de sangue.
– O que foi isso? — Disse apontando. Seus cabelos estavam grudados na testa.
– Eu disse que você não tinha lavado direito. — Charly disse e Harry virou os olhos.
– Tive que me livrar de Jack.
– O que houve entre vocês dois? — Perguntei. A minha memória foi se refrescando aos poucos.
– Eles lutaram, eu pude ouvir o barulho. — Charly falava e Harry parecia não gostar de ver ela se intrometendo.
– E você está bem Harry?
– Estou.
– O que você fez com ele?
– Eu lutei com ele como a Charly disse. — Ele falou.
– Eu queria ter visto! — Charly falou.
– Aonde você estava? — Perguntei a ela.
– Tentando subir lá em cima. Mas o estranho é que não tinha nenhuma porta que levava até lá.
– Então como subimos? — Perguntei olhando para o Harry.
– Eu subi...Uma escada que tinha.. Atrás do prédio, bem atrás. — Ele gaguejou. Eu sabia que estava mentindo. Mas não tinha outra maneira de subir a não ser por essa tal escada. Eu sabia que tinha que voltar pra casa, mas sentia medo de dormir sozinha. Só que não iria chamar nenhum deles pra ficar comigo. Eu já havia arriscado a vida deles várias vezes, não queria que nada acontecesse por minha causa. Olhei o relógio que estava pendurado na parede e ele marcava três horas da manhã.
– Preciso ir embora. — Falei torcendo pra que os médicos não inventassem de me fazer ficar ali, ou então eu teria que explicar tudo a minha mãe.
– E vamos, eu inventei uma história para as enfermeiras e não é nada grave, você pode sair. — Charly disse e eu me senti totalmente aliviada. Chegaria em casa com a mão e perna enfaixada, mas até lá inventaria uma desculpa.
– Ótimo! — Falei me levantando, me senti tonta.
– Vai com calma, me deixa te ajudar. — Harry disse e me segurou, mas eu podia andar sozinha.
– Pode deixar, eu consigo.- Falei afastando as mãos dele, notei uma certa preocupação em seu rosto.
– Vou ter que fazer isso, então é bom treinar desde agora, mas agradeço. — Falei e ele pareceu um pouco aliviado, concordou com a cabeça.
Já estávamos a caminho de casa no carro do Harry. Eu estava muito confusa sobre o que havia acontecido com Jack, e por que ele demorou tanto pra me ajudar. Não que isso fosse obrigação dele, mas ele mesmo me prometeu que iria me proteger, e quase me deixou morrer!
– Por que demorou tanto pra ir até a mim? — Perguntei quebrando o gelo. Eu estava no banco do passageiro ao lado dele e Charly no banco traseiro.
– Eu não estava com o meu celular na hora, só vi depois, fui o mais rápido que pude. — Ele disse rápido. Parecia ter sido pego de surpresa.
– Antes de apagar eu ouvi você falando sobre algum efeito que Jack tinha feito, me explica isso? — Perguntei e ele abaixou o olhar, parecendo pensar.
– Eu... Não era nada, eu só achei que talvez ele tivesse falado algo pra você.
– Tipo o quê?
– Algo pra fazer você querer pular dali.
– Eu não sei porque eu iria pular. Parecia que estava dominada por algo.- Falei me lembrando da cena. Ficamos em silêncio pelo resto do tempo. Isso me fez pensar, onde estava Olívio quando tudo acontecia? Lembrei de quando estávamos sendo atacadas por ele na lanchonete.
– Charly, está tudo bem com o seu braço? — Perguntei me lembrando de quando ela caiu sobre ele.
– Melhor que a minha coxa. Meu machucado abriu. — Ela disse e eu me senti péssima, antes que eu pudesse falar algo ela continuou:
– Mas está tudo bem porque a enfermeira deu um jeito enquanto você dormia no hospital. — Ela disse e eu me senti um pouco aliviada. Não que a minha consciência não pesava. Eu que carreguei Charly para aquela lanchonete. Olívio e Jack sabiam que eu ia pra lá, obviamente estava observando a gente. E eu achando que iria terminar o dia bem, sem problemas, mas me enganei. Eu me sentia mal pois Harry e minha melhor amiga se machucaram por minha causa. Fui fraca e não consegui lugar contra aqueles idiotas.
– Sinto muito. — Falei e eles pareceram estranhar.
– Sente pelo quê? — Charly perguntou.
– Por ter feito vocês se machucarem, eles estão atrás de mim e não de vocês, eu deveria ter lutado. — Falei. Charly ia falar algo mas Harry a interrompeu.
– Você acha que iria conseguir? Sem querer te decepcionar, mas você não é forte o bastante para os dois. E além do mais eu prometi te proteger Ariel. Você tem que confiar em mim.
– Mas demorou. Agradeço por ter me ajudado. Mas se tivesse demorado mais um pouco eu não estaria aqui agora. — Falei e me arrependi na mesma hora. Ele assumiu uma expressão totalmente sem graça. E provavelmente se sentiu magoado.
– Mas eu fui, eu te salvei mais uma vez. Você se entregou mais uma vez a eles, por que diabos você acha que ia sair no meio da noite sozinha e nada ia acontecer? — Ele alterou a voz, senti raiva.
– Ah e você acha mesmo que eu vou me isolar? Além do mais eu estava com a Charly!
– Não importa, se você morresse, ela morreria junto.
– Cala essa boca, qual é o seu problema?
– Você. — Ele disse e assim se fez um silêncio. Ele pareceu ter se arrependido pelo que falou, mas eu apenas sentia raiva.
– Eu não pedi pra você me prometer nada.
– Mas me liga implorando por ajuda sempre que se mete em confusão!
– Ligando ou não você sempre aparece!
– Então por que está reclamando? — Ele disse e eu fiquei em silêncio. Uma enorme vontade de chorar me percorreu. Eu sentia raiva por ele dominar meus sentimentos. Por ele dizer que eu não sinto nada por ele. Eu sentia, e ele não podia impedir isso. Mas eu podia. Se eu saísse daquele carro agora mesmo talvez impediria até as confusão em que me meto.
– Estou reclamando por você ter entrado na minha vida! Eu levava uma vida normal até você aparecer, isso é tudo culpa sua! — Falei e ele parou o carro. Já estávamos na frente da casa da Charly.
– Então vai embora! Você não precisa ficar aqui, sai, e eu não vou mais te procurar! Tudo bem pra você?!
– Ótimo! Nunca esteve melhor! — Falei e sai chorando. Bati a porta do carro o mais forte que pude e entrei na casa da Charly. Subi até o seu quarto e percebi que ela corria atrás de mim. Seus pais estavam dormindo então fiz o máximo de silêncio possível. Me joguei na cama. Eu me sentia uma idiota por ter conhecido ele. Por precisar dele. Eu não queria ter precisado dele desde o começo.
Ele não sabe o quanto é ruim estar na beira da morte e esperar que alguém decida se vai aparece pra te salvar ou não. O quanto é ruim se sentir indefesa, sem poder lutar por você mesma. "A partir de agora, se aqueles idiotas vim atrás de mim, eu vou lutar sozinha. E mesmo que eu morra, pelo menos morri lutando pela minha vida." Pensei.
– Ariel.. — Charly me abraçou.
– Você viu as coisas que ele falou?
– Vi. Mas por que você surtou do nada? — Ela perguntou.
– Por que estou cansada de me sentir assim.
– Assim como?
– Insegura. Amar ele mas saber que ele jamais vai me amar, e o pior de tudo, saber que ele não quer que eu o ame. Como se ele pudesse decidir meus sentimentos. Ele vive me negando para os outros. Como se eu fosse o pior tipo de pessoa por quem se apaixonar. — Falei desabando em lágrimas.
– Amiga... Eu sinto muito... Eu te amo, e vou estar aqui pra você. — Ela disse me abraçando outra vez.
– Eu também.- Falei chorando.
– É difícil pra mim também. Olhe por quem eu me apaixonei. Por um monstro. E por mais que eu tente não sentir nada, mais eu sinto. Você não sabe o quanto foi difícil ver aquela cena. Olívio me empurrando e machucando você. Ele nunca agiu assim, éramos amigos desde criança. Eu podia jurar que ele era uma boa pessoa. — Ela disse também chorando.
– Por que a vida tem de ser assim? Por que nada pode ser fácil pra gente?
– Por que não íamos dar valor. Talvez a vida é assim pra nos ensinar as coisas. Pra nos tornar mais forte. — Ela disse. Charly pode ser uma fanática por vestido chamativos e maquiagem vinte quatro horas. Mas era uma ótima pessoa pra dar concelhos.
– Dorme aqui. Amanhã te empresto uma roupa e a gente vai pra aula. — Ela disse e eu concordei. Não tinha condição nenhuma de voltar pra casa. Tomei banho e mandei uma mensagem de "Eu te amo, estou bem. Espero que você também esteja." Pra minha mãe e me deitei. Era a única hora em que eu podia me desligar de tudo. A única hora em que eu podia ter paz. A hora em que eu dormia. Ou poderia ter por enquanto.
Desci as escadas já vestida nas horas seguintes. Eu estava morta de sono. O relógio marcava 6h40. Meu rosto estava cheio de olheiras mas não me importei. Havia coisas mais importante pra me preocupar. Tipo o fato de que Harry e eu estávamos brigados. E como me doía ter que acordar e saber que não vou ve-lo como antes. Charly estava tomando café com seus pais.
– Bom dia Ariel, venha tomar café com a gente. — Ela disse ao me ver, e senti que meu estômago deu uma festa assim que ouviu essa frase. Eu estava totalmente fraca e com dor de cabeça por conta da fome.
– Vou adorar. — Falei me sentando e comendo as torradas.
– Seu rosto está acabado! Sem querer ofender.
– Obrigado Charly, pela sinceridade.
– Você quer um pouco da minha maquiagem?
– Não precisa, eu estou bem.
– Não está. Sério, seu rosto está terrível, parece que não dorme a anos.
– Já entendi Charly. Não precisa se preocupar. — Falei por fim e ela encolheu os ombros. Eu não estava nem um pouco preocupada com a minha aparência. Eu sabia que Harry não iria sentir nada por mim nem que eu me tornasse a garota mais linda do mundo. Não tinha ninguém que eu queria agradar. Nem mesmo a mim. Terminamos o café.
– Pai, me empresta a mica? — Charly perguntou enquanto arrumava o cabelo. Mica era o nome do carro da família deles. Sim, eles davam nomes aos carros. Não que pra mim parecesse estranho, pois eu mesma já pensei em chamar o carro da minha mãe de Michael. É uma pena ela não ter concordado, o nome combinava muito com ele.
– Sim, mas sem nenhum arranhão hein. — O senhor Carlos disse entregando as chaves para ela. Me despedi deles e entramos na mica.
– Preciso de café, muito café. E você também.- Charly disse ligando o carro.
– Achei que você tivesse tomado. E eu não gosto de café, Charly. — Falei colocando o cinto de seguranças. Nunca gostei de café, mas naquele momento eu admitia que precisava muito.
– Minha mãe faz um café péssimo. Ela pode ser boa em tudo, mas não leva jeito para o café. — Ela disse e eu peguei o celular pra ligar para a minha mãe.
– Tudo bem, a gente pode pedir um na cafeteria perto da escola. — Falei e ela concordou. Minha mãe atendeu no quarto toque.
– Alô? — Sua voz era de cansaço.
– Mãe, sou eu, como você está?
– Cansada. Quase não consegui dormir ontem a noite, e você?
– Também. Por que não dormiu? — Perguntei adivinhando a resposta.
– Bebi energético. Foi difícil conseguir pegar no sono. — Ela disse. Eu sabia que estava mentindo, minha mãe não bebe enérgico.
– Ah sei. Mas então, estou indo pra escola. Você chega do trabalho que horas hoje? — Perguntei. Ela havia tirado férias mas agora já estava de volta. E como de costume ela saia as 6h00 e voltava as 19h00 da noite.
– No mesmo horário. Tenho que desligar filha, até mais tarde, boa aula.
– Tchau, eu te amo.- Falei por último e desliguei.
– Quando ela vai te contar a verdade em relação ao novo namorado? — Charly perguntou.
– Não sei, mas espero que não demore, já não posso mais fingir que não sei. — Falei e ela soltou um risinho.
– A sua mãe é uma figura.- Disse. O dia estava nublado e úmido como sempre. Essa foi uma das primaveras mais chuvosas em Los Angeles. Sem contar o tempo frio. Charly estacionou em frente a cafeteria.
– Vou estragar meu cabelo com esse tempo.- Ela disse. Na madrugada de hoje havia chovido muito. Parecia que o mundo estava caindo. Sorte que tinha parado de chover quando acordamos.
– Vamos. — Falei descendo do carro. Charly vinha atrás de mim.
Entrei na cafeteria. Não estava muito cheia. Iríamos pegar o café e ir embora.
– Ainda bem que minha jaqueta esquenta. Está aquecida? — Charly perguntou. Eu estava usando a calça jeans rasgada no joelho dela. O uniforme reserva que ela havia guardado, meu próprio tênis e uma jaqueta de couro preta. Sorte que consegui achar uma roupa menos chamativa dentro daquele guarda-roupa. Se for ver bem, eu estava elegante.
– Estou ótima. Só as minhas mãos que estão congelando. — Falei.
– As minhas também. Vamos, vou pedir o café. — Charly disse e nos dirigimos até o balcão. A mulher gordinha de olhos castanhos e cabelos vermelhos chamada Nancy nos atendeu. Eu a conhecia desde que nasci.
– O que vão pedir meninas? — Ela disse se aproximando com um sorriso.
– Dois cafés pra viagem por favor. — Falei e ela foi buscar. Me sentei em um dos banquinhos esperando. Fiquei pensando como seria hoje na escola. Iria ter que olhar para o Harry que provavelmente estaria na biblioteca e ignora-lo. Eu não sentia raiva dele como antes. Apenas me sentia magoada por ele ter dito que eu era o problema. E por querer decidir meus sentimentos. Pensei em me desculpar. Mas lembrei o tipo de garoto que ele é quando está irritado. Obviamente bateria a porta na minha cara e agiria muito mal.
– Ariel, acorda! — Charly disse beliscando meu braço.
– Ai!
– Seu café.- Ela disse me entregando. Tomei para me manter acordada.
– Valeu Nancy. — Falei e paguei ela. Saímos da cafeteria e entramos no carro. De repente vi um vulto. Eu havia olhado rápido e alguém tinha passado por mim. Mas quando olhei de novo não vi mais nada.
Alguém estava nos observando.
– Você viu isso? — Sussurrei para a Charly.
– Não vi, mas escutei. Vamos embora. — Ela disse ligando o carro. Meus arrepios só teve fim quando chegamos na escola. Na presença de pessoas. Ninguém iria me atacar na frente de todos. Eu espero.
– Será que não podemos ter paz nunca? — Charly disse batendo a porta do carro.
– Algo me diz que esse é só o começo. — Falei sentindo um calafrio.
– Que chegue logo o fim. — Ela disse e enrolou seu braço nos meus. Fomos assim até os armários.
– Acha que Harry está por aqui? — Perguntei. Ela olhou em volta enquanto escolhia os livros que iríamos usar na aula de biologia.
– Não sei. Mas por que isso te preocupa?
– Eu ficaria mais tranquila na presença dele. — Falei e ela me lançou um olhar que queria dizer "Você não esquece ele nem por um segundo." Infelizmente era verdade. Fomos para a aula.
Ficamos a aula inteira fazendo um trabalho ridículo com plantas que eu sabia que jamais iria usa-lo na minha vida.
Quando bateu o sinal para o intervalo, fui até o banheiro procurar a Charly. Por sorte, achei.
– Aonde você estava? Você saiu da sala na terceira aula, ficou com falta na quarta. — Falei e ela deu de ombros.
– Não ligo mesmo. E eu estava passando maquiagem.- Falou. Notei que suas olheiras haviam sumido como um toque de mágica. Senti uma certa inveja. Charly era linda. Com ou sem maquiagem. Os traços de seu rosto eram lindos. Seus cabelos loiros encaracolados estavam sempre em perfeita ordem, independente do tempo. Mas ela não sabia disso. Ela enchia seu rosto de pó, blush, rímel, corretivo e etc. Mas ficava tão natural e linda sem eles.
– Quer passar? — Ela perguntou sorrindo.
– Não, estou bem.
– Ah, qual é Ariel? Seu rosto está péssimo amiga. Você realmente precisa. Pelo menos hoje. Afinal você quase não dormiu. Me deixa passar vai, por favor. — Ela insistiu fazendo bico. Eu sabia que não adiantava teimar.
– Ok. Mas por favor não exagere. Quero bem natural.
– Ótimo! Vou te deixar linda! — Ela disse dando leves pulinhos. "Que maluca" Pensei. Eu amava essa maluca.
– Vamos logo. A gente vai perder o intervalo, e eu estou com fome. — Apressei Charly que estava me maquiando a exatamente dez minutos.
– Ok, só vou espalhar o batom...E... Pronto! — Ela disse e eu suspirei. Me virei pra olhar no espelho e a única coisa que consegui dizer foi.
– Uau..- Falei. Eu estava bonita. Pela primeira vez eu me achei realmente bonita. Não estava exagerado. Estava natural.
– O que você fez comigo? — Perguntei sorrindo sem parar.
– Passei um corretivo, um pouco de pó, bem pouco. Rímel, Lápis de olho, e um pouquinho de batom.
– Obrigada. Acho que fiquei bonita.
– Você acha? Querida, você está deslumbrante! — Ela disse pegando meu braço me fazendo dar uma voltinha.
– Podemos ir agora? Estou com fome.
– Tudo bem, eu também. — Falou e saímos. Eu não estava exatamente com fome. Estava ansiosa, com medo. Havia alguém me observando. Eu podia sentir. E eu precisava de Harry. Por mais que eu negasse e odiasse isso, eu precisava dele. Eu queria procura-lo, e pedir desculpas talvez. Mas queria ter certeza que ele estaria ali.
– Ok, vamos pra fila. — Charly disse me puxando.
– Charly eu preciso saber se Harry está na biblioteca. Você sabe... Depois do que aconteceu. Alguém está perseguindo a gente, e eu preciso ter certeza que Harry está aqui.
– Tudo bem, pode ir, eu guardo seu lugar. — Ela disse tranquilamente. Me lembrei de quando a deixei sozinha e ela quase perdeu a perna. Mas se eu não encontrasse Harry e tivesse certeza que ele estaria ali, aconteceria algo pior. Além do mais eu não iria demorar nada.
– Volto já. — Falei e subi até a biblioteca.
A cada passo que eu dava mais eu rezava pra encontra-lo ali. Finalmente cheguei e uma maré de alívio me percorreu. Ele estava.
– Oi. — Falei entrando. A biblioteca estava vazia. Notei que ele estava com uma caixa nas mãos. — O que é isso? — Perguntei.
– Me demiti. — Ele disse e meu queixo caiu.
– O quê? Por quê?
– Você não precisa de mim. E eu não preciso ficar aqui.- Ele respondeu frio, fiquei sem graça.
– Você estava aqui só por mim?
– Não pense que o mundo gira em torno de você Ariel. Eu estava aqui porque precisava do dinheiro. — Ele disse grosso.
– Então por que vai embora?
– Por que não quero ver você. Eu disse que iria sumir da sua vida. E vou fazer isso. — Ele disse e eu me senti absolutamente péssima. Senti uma dor no peito. Não queria ve-lo indo embora. Não queria que ele me deixasse. Eu o amava, e tinha certeza disso.
– Sobre ontem eu.. Não queria ter dito aquelas coisas...- Gaguejei.
– Não? — Ele perguntou.
– Não.. Eu só estava com raiva... Mas você não necessariamente tem que ir. — Falei e ele fechou a caixa.
– Agora é tarde, já me demiti. — Ele disse a colocando entre os braços. Fiquei na porta. Impedindo sua saída.
– Harry eu...
– Pode me dar licença?
– Eu não quero que você vai.
– Nem tudo é como a gente quer.
– Harry por favor...
– Ariel saia.
– Não vou sair. — Falei e ele ficou em silêncio. Parece que estava ficando irritado. Ele estava usando uma jaqueta preta, igual a que eu estava usando. Uma calça preta e suas botas de fivela. Colocou a caixa sobre a mesa e se aproximou.
– Eu não quero ter que fazer isso.
– Você não vai me machucar.
– Como pode ter tanta certeza?
– Eu confio em você.
– Não era o que parecia a algumas horas atrás.
– Eu estava cansada de mais.
– Eu também. Mas nem por isso quis começar uma briga. Agora me da licença que eu preciso sair.
– Eu não vou sair. — Falei e ele segurou meus braços. Apertando mas não machucando. Ele ia me tirar dali mas antes o abracei. O peguei de surpresa. abracei forte, o prendendo em mim.
– Não vá...- Pedi. Eu sabia que ele iria ficar. Mesmo não sentindo nada por mim, eu sabia que ele me tinha como amiga. Ele iria ficar e se desculpar comigo. Eu sabia disso.
– Adeus Ariel. — Falou e me tirou dos seus braços. Me deixou sozinha e nem olhou pra trás. Foi embora.
Fiquei perplexa. Como pude ser tão idiota? Eu me humilhei. Ele não ligou para o meu abraço. Não ligou para as minhas palavras. Não ligou para mim. Eu me enganei. Ele não me tinha nem como a sua amiga. Como pode me deixar aqui? Achei que se importasse comigo. Senti vergonha. Vergonha por ser tão estúpida. Não deveria ter vindo aqui. Sentei no chão e me encostei na parede. Abaxei a cabeça me apoiando nos joelhos. E chorei. Mais uma vez, chorei. Por causa de um cara grosso e frio que não estava nem ai pra mim. Chorei por ser tão ingênua. Uma adolescente apaixonada. Boba e terrivelmente apaixonada por um cara sem coração.
Que não seria capaz de me amar. Que não queria me amar. Talvez tudo isso tenha sido apenas uma desculpa pra ele ir de vez. Talvez ele nunca quisesse me proteger. Eu não sei o que ele queria comigo. Não sei porque parou o carro pra me dar uma carona na noite chuvosa. Se estivesse passado reto não teria me conhecido. Me pouparia de perigos. Me pouparia da vergonha por ser uma tonta apaixonada. Mas ele parou. Me deu a carona e me trouxe tudo isso. E não havia como evitar. Agora era tarde. O estrago estava feito.
E eu estava em perigo.
Ele me abandonou nas mãos de dois psicopatas. Sozinha e perdida nessa biblioteca vazia. O que eu faria agora? Jack e Olívio estariam atrás de mim. E iriam me matar. Eu não iria conseguir me defender. Senti ódio de mim. Estava tudo bem. A gente tinha passado um dia lindo. Até Olívio e Jack aparecer e com a minha ajuda, estragar tudo entre mim e Harry.
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