Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
24 Capítulo 23 - I'll Miss You
Notas iniciais
CAPÍTULO 23 – I’LL MISS YOU
“Vou sentir sua falta”
– NARRAÇÃO – MARÇO DE 1974 –
– Você está falando sério?
– É claro! Vamos, me ataque! – repetiu Bellatrix – Quero saber como você está...
Violet suspirou fundo e, com a adaga em mãos assim como sua mãe havia lhe mostrado, avançou. Bella, entretanto, era mais rápida e sabia muito bem se defender, logo, segurou o braço que Violet mantinha a adaga e torceu-o em suas costas, passando a própria lâmina sobre o pescoço da menina.
– Antes de atacar como fez agora, precisa analisar os pontos fortes e fracos do oponente. – sussurrou Bella – Eu, por exemplo, sou mais alta que você, então para te atacar eu preciso acertar partes mais baixas, como o estômago.
– E você?
– Acha mesmo que vou te falar meu ponto fraco? – riu – Agora... Tente se soltar...
Violet tentou tudo que pode para se livrar de Bellatrix, porém, a mais velha parecia ser mais forte que ela e a segurou em todas as investidas.
– Desisto, você é mais forte que eu!
– Não é questão de força, e sim de estratégia... Mesmo sendo a pessoa mais forte do mundo, se for burro como uma porta e não planejar seus movimentos, vai perder... A questão é... Você sabe planejar? – perguntou soltando-a com força.
Bellatrix e Violet ficaram quase a tarde toda ali, e em meio a golpes e quedas, ambas passaram a gostar ainda mais da presença uma da outra. Bellatrix era uma professora paciente, sabia como explicar e mostrava cada detalhe de cada movimento. A mais nova, por sua vez, era uma aluna persistente e demonstrava pouca habilidade com facas, porém, Violet logo percebeu que poderia usar os anos em quadribol a seu favor e trouxe para a “aula” as técnicas de movimentos que usava no ar, os reflexos e até mesmo a força, surpreendendo-se com a habilidade recém-descoberta.
– Está mais rápida. Mas ainda não o suficiente... – sorriu torcendo o braço de Violet novamente, porém, antes que encostasse a lâmina de sua adaga contra o pescoço da menor, Violet girou o corpo e usou a baixa altura a seu favor, desvencilhando-se rapidamente do abraço e aplicando-lhe logo em seguida uma rasteira. Bellatrix perdeu o equilíbrio e, antes de cair totalmente, agarrou o braço da filha e levou-a junto, derrubando as duas no campo ao lado do Lago Negro.
– Agora sim... Usou sua altura em seu favor e posso apostar que é do time de quadribol, acertei?
– Batedora. – respondeu Violet recuperando o fôlego.
– Viu? É só usar os princípios do quadribol e aplicá-los aqui. Observe os pontos fracos e fortes do oponente e use suas qualidades para derrubá-lo...
– Trix! Vi! – gritou Régulus aproximando-se das meninas – Já está na hora do jantar...
– Claro priminho. – debochou Bellatrix aceitando a mão de Régulus para se levantar – Vamos garota, por hoje chega...
– Como foi a aula? – perguntou ele ajudando Violet também.
– Ela é boa, só precisa explorar seus pontos fortes... – respondeu Bellatrix guardando a adaga. – E diferente da Cissa, não tem medo de segurar uma arma ou de me derrubar...
– Então ela te derrubou é? – debochou o rapaz.
– Claro que não. – recusou — Eu a levei comigo.
– Eu estou ouvindo sabiam? – ironizou Violet.
– Isso significa que tem ouvidos que funcionam... – riu abraçando Violet pelo pescoço e puxando-a para o castelo ao lado de Régulus.
Violet não poderia estar mais feliz naquele momento. Todos os seus problemas desapareceram e sua mãe demonstrava gostar dela verdadeiramente. Enquanto as duas entravam no castelo e desciam para o dormitório, Violet não pode deixar de pensar em como seria sua vida caso Bellatrix tivesse realmente cuidado dela desde pequena e não tentasse manipulá-la.
Bellatrix, por sua vez, pensou muito na garota que viera do futuro enquanto tomava banho e trocava de roupa. Mesmo sendo uma comensal, se sentiu feliz e satisfeita com o futuro... Violet não deu muitas respostas, mas Bella estava certa de que teria uma filha e aparentemente seria uma boa mãe, teria uma família.
Era algo estranho de se pensar, mas Bellatrix sentiu como se a filha a completasse.
Quando as duas se encontraram no salão comunal para irem ao Salão Comunal, Bellatrix viu que Andrômeda estava certa. Violet poderia não ser fisicamente parecida com ela, mas tinha o espírito livre, não gostava de ser acorrentada e era muito, mas muito persistente e orgulhosa. Era uma perfeita sonserina e até mesmo uma ótima Black. Era sua filha afinal.
– E então Vi, sobreviveu às aulas da Bella? – debochou Narcissa assim que as duas sentaram-se à mesa.
– Ela não é fraca e delicada como você Cissa... – respondeu Bellatrix piscando singelamente para a garota – Ela é minha filha, esperava o quê?
– Sabe Bella, nunca pensei que você teria uma filha, mas agora até que combina com você? – comentou Meryl – Só não dê algo tóxico para a menina beber quando for dar mamadeira, sim?
– Como se eu fosse colocar veneno... – rebateu Bellatrix encerrando o assunto e voltando sua atenção para o prato de comida à sua frente.
Violet estava tão maravilhada com o passado que, por um momento, desejou nunca mais voltar para o seu tempo. Mas se no passado havia uma Bellatrix mãe, no futuro havia uma Alessa desacordada e machucada que precisava dela mais que nunca.
– Você vai continuar me ignorando? – perguntou Draco subitamente, que sentava-se entre a mãe e Violet.
– Não estou fazendo nada.
– Droga, olha... Eu... – sussurrou — Eu não sou bom com as palavras, mas estou realmente arrependido... – começou ele virando-se totalmente para a garota, ao seu lado – Você sabe meu passado, não é tão fácil quanto parece mudar desse jeito...
– Acha que não sei disso Draco? – suspirou Violet virando-se para ele também – Eu sei quem você era, eu conheço seu passado e também conheço seu presente... Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis, mas também sei que o que fez não está certo! Poxa Draco, eu acreditei em você, esse tempo todo eu confiei que você tinha mudado e estava disposto a ser alguém melhor...
– E eu estou. Mas não consigo apagar tudo que já fiz e simplesmente ser outra pessoa...
– Não estou pedindo para apagar seu passado, isso é parte de quem você é! – murmurou tocando em sua mão carinhosamente – Estou pedindo que passe por cima desse orgulho idiota e revise seus conceitos... Não é legal ofender as pessoas como você costumava fazer, as palavras machucam Draco, muito...
– Foi... Eu... Olha Violet, eu estou com alguns problemas, é verdade... Mas eu não sou tão forte quanto imagina. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas minha esperança está acabando lentamente... Estou começando a ficar meio desesperado, então às vezes acabo falando algo que não deveria...
– Draco, você lembra o que eu te disse há um tempo? Somos amigos e eu quero te ajudar sempre que for preciso... Não guarde só para você esse desespero, compartilhe comigo! – insistiu – Só não ofenda as pessoas como costumava fazer, especialmente nossos amigos, eu realmente odeio isso.
– Senti sua falta... – comentou sorrindo timidamente.
– Eu também... – respondeu abraçando-o carinhosamente – Agora podemos jantar?
– Mulheres... – disse ele rolando os olhos aliviado.
Durante o resto do jantar, Violet tentou guardar o máximo de lembranças que conseguisse. Conversou com todos os Black e divertiu-se como nunca imaginou que faria. Todos a acolheram carinhosamente e a fizeram se sentir em família.
Já na mesa da Grifinória Harry fazia o mesmo. Aproveitou o máximo que pode ao lado dos pais e memorizou cada particularidade, cada palavra e cada gesto de carinho.
Quando o jantar terminou e todos os alunos voltaram para os dormitórios, Violet ficou melancólica com a ideia de partir, e saber que na manhã seguinte nenhum dos Black se lembraria de sua visita a deixava ainda pior.
– Não vai dormir? – perguntou Bella ao ver a garota sentada em frente à lareira, no salão comunal. – Amanhã é a visita à Hogsmead e eu queria te apresentar aos meus pais...
– Me...apresentar? – perguntou confusa.
– Você não é minha filha? – rebateu ironicamente.
– Ah... – murmurou com um aperto no peito — Tudo bem... Mas vou ficar aqui mais um pouco, não estou com sono...
– Você quem sabe... – respondeu subindo as escadas para o dormitório.
Minutos se passaram e logo Lucius e Meryl voltaram da ronda. Meryl tentou, também, levar Violet para cima, mas a garota se recusou alegando estar sem sono.
Mais uma hora passou e, quando finalmente se sentiu segura, saiu do sofá e subiu as escadas para o dormitório. Abriu a porta lentamente e observou a mãe e as tias dormirem, cada uma em sua própria cama. Logo entrou no banheiro para pegar a caixa onde guardou algumas lembranças e a própria roupa.
– Foi bom te conhecer, mãe... – sussurrou ela com a caixa em mãos e o corpo metade para fora do quarto.
Quando uma lágrima solitária caiu de seus olhos, Violet fechou a porta do quarto e desceu as escadas, encontrando Draco em pé ao lado da saída.
– Pronta?
– Sim, vamos logo... – respondeu enquanto Draco abria a porta do Salão Comunal e saía.
Os dois caminharam em silêncio pelos corredores, porém, em determinado momento, paralisaram quando alguém pigarreou atrás de ambos.
– Onde pensa que vai?
– Sirius! – surpreendeu-se Violet – Não deveria estar no dormitório?
– Te faço a mesma pergunta. – disse cruzando os braços e abrindo um sorriso malicioso. – Por Merlin, me diga que vocês dois não vão...
– O quê?
– Não vão... Ah, você sabe, ficar...
– Não! – rebateu Draco fazendo careta. – É melhor voltar para o seu dormitório Black.
– Minha conversa não é com você Malfoy.
– Parem vocês dois! – interveio Violet colocando-se entre ambos – Draco, vai na frente que eu já te alcanço...
– Não demore... – respondeu ele afastando-se.
– E então? Aonde vai? – perguntou Sirius novamente – E por que está chorando?
– Não estou chorando.
– Mas estava. – rebateu – Ele fez alguma coisa?
– Não, ele não fez nada... Eu só... Só estou com saudades de casa... – respondeu a primeira coisa que pensou – É só isso, não se preocupe.
– Mentirosa... – disse ele analisando atentamente os olhos da garota e finalmente percebendo o que estava acontecendo. – Vocês vão embora! É isso não é?
– Sirius... – tentou, porém, não conseguiu mentir novamente – É... Nós estamos indo embora.
– Mas... Mas vocês podem ficar! – insistiu.
– Não, não podemos! Viagens no tempo são perigosas e podem mudar o futuro... Por favor Sirius, entenda... Eu, nós, precisamos voltar para casa...
– Por que não se despediram? – perguntou ressentido.
– Por que não gosto de despedidas... – respondeu deixando uma lágrima cair.
– Como se ninguém fosse descobrir amanhã! – rebateu.
– Eu sei, desculpa Sirius, não queria me despedir exatamente por causa do que está acontecendo agora...
– Não vai não... Por favor... – pediu.
– Meus amigos e minha família do futuro estão me esperando.
– Mas... Mas eu tinha alguns planos... – começou ele, porém, parou assim que Violet segurou seu rosto entre as mãos.
– Nós vamos nos encontrar no futuro, você e o Harry também! – sorriu – Você vai conhecer uma mulher muito incrível e vai se apaixonar, ela finalmente vai conseguir colocar uma coleira em você! – riu – Eu vou sentir muita falta de vocês... Minha mãe, minhas tias, meus dois primos conquistadores... Mas eu preciso ir... Por favor, não conte a ninguém ainda, espere até amanhã...
– Eles vão ficar magoados com vocês... Lilly se apegou ao Harry e a Bella vai te matar assim que tiver a chance!
– É, eu sei... – concordou sorrindo – Faz um favor para mim?
– Quantos você quiser...
– Diga á ela que eu a amo e que eu sinto muito...
– Tudo bem...
– Até o futuro Sirius... – disse beijando a bochecha do rapaz.
– Até o futuro Violet... – respondeu beijando-a também.
Violet sorriu e afastou-se lentamente, finalmente virando-se e seguindo seu caminho com o coração apertado. Ela sabia que veria Sirius, Andrômeda e Lupin novamente, mas o que mais a deixava triste era saber que não teria mais uma família grande como a dos Black... Ela não teria uma mãe superprotetora, uma tia doce e gentil e outra elétrica. Não teria os dois primos conquistadores e não teria os amigos que conquistou no passado.
Com esse pensamento em mente e limpando as lágrimas, encontrou Draco esperando ao lado da Gárgula já aberta. Ele a recebeu com um pequeno sorriso e subiu as escadas do escritório do diretor primeiro, Violet foi logo em seguida e a entrada se fechou.
– Boa noite Sr Malfoy, Srta Black... – cumprimentou Dumbledore, já acompanhado por Harry – Ninguém percebeu que saíram?
– Não senhor. – respondeu a garota agarrando ainda mais a caixinha.
– Ótimo. – respondeu com o tom pesaroso, afinal, percebeu o quanto aquela viajem afetou os três jovens. – Duas voltas internas e cinco externas são o suficiente para voltarem para suas casas... Saibam que foi um imenso prazer conhecê-los.
– Obrigada professor, especialmente pelo conselho... – agradeceu Violet rodeando os pescoços dos três com o vira-tempo.
– Até o futuro meus jovens... – sorriu o diretor enquanto a imagem dos três adolescentes desaparecia gradativamente até estar apenas ele em sua sala.
– Dumbledore, mandou me chamar? – disse Eileen entrando na sala minutos depois.
– Oh, sim, sim, por favor, sente-se...
– Aconteceu alguma coisa com meu filho? Juro que se Potter fez algo de novo, eu mesma o estuporo!
– Não se preocupe, ele está bem. – sorriu – Eu a chamei aqui pois os jovens do futuro acabaram de voltar para suas casas...
– E...?
– E como sabe, conhecer o futuro é muito perigoso e até mesmo fatal... Se interferirmos em alguma coisa, podemos mudar tudo.
– Aonde quer chegar com isso Alvo?
– Vou obliviar a escola.
– E a nós dois também... – completou.
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