Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
64 Capítulo 63 – First Date
Notas iniciais

“Primeiro encontro”
– HOSPITAL ST. MUNGUS, FEVEREIRO DE 1999 —
Robert Tupper gostava de dizer que era um bom médico e, apesar de um bruxo puro sangue habilidoso, adaptava-se facilmente a costumes trouxas.
Recém-transferido para Londres, era o novo clínico do St. Mungus há quase um ano e esteve em Hogwarts na batalha final, como chamavam os jornais de toda a comunidade mágica. Seu trabalho redobrou e muitos plantões foram necessários, mas em pouco tempo boa parte dos pacientes adquiridos em maio de 98 deixaram o lugar. Nem todos vivos. Entretanto, dentre todas as pessoas de quem já cuidou no último ano, uma em especial lhe tirava o sono.
A garota de quase vinte anos, cabelos ruivos e, de acordo com fotos, olhos chocolates.
Ele não pode deixar de pensar que uma moça daquela idade não merecia um destino tão ruim quanto aquele e empenhou-se dia após dia em sua recuperação... Mas a cada nova tentativa falhava miseravelmente e, por conta disso, a mulher havia entrado em estado de coma por longos meses. Não havia qualquer esperança de recuperação e quase todos os médicos já desistiram.
E, no entanto, ali estava ele... Conversando com o cunhado da moça, que acordara uma semana antes milagrosamente e surpreendera as enfermeiras que estavam de plantão. Não existia uma explicação lógica e medicinal, Robert, entretanto, tinha suas suposições “mágicas”.
– Violet me contou que há alguns anos usou magia para salvar a Alessa, que estava num caso semelhante. – começou ele – Meses atrás ela me procurou e pediu para fazer isso de novo, mas eu não permiti porque ela mesma estava esgotada desde a batalha e não conseguiria fazer nada senão entrar em coma também. Desde então ela vem me atormentando e esse mês eu cedi. Violet ainda não está pronta para fazer algo assim, então combinamos que uma vez por semana eu a deixaria usar um pouco de magia para revitalizar o corpo da Alessa, confiando que com o tempo ele se recuperasse o bastante para fazê-la acordar. E funcionou. – sorriu – Ela veio no sábado à noite e na segunda sua cunhada começou a apresentar melhoras. A magia da Violet é incrível e, graças à ela, Alessa não ficou com nenhuma sequela do coma, apesar de que ainda precisará fazer algumas fisioterapias para recuperar os movimentos.
Aquilo foi, certamente, uma ingestão de morfina para a família que finalmente conseguiu suspirar aliviada com a melhora da ruiva. Sirius foi chamado imediatamente no hospital e teve que encarar as inúmeras perguntas da ruiva, mas o encontro não saiu como o esperado e, desde que contou sobre a morte da esposa, Alessa fechou-se em seu próprio mundo e recusou qualquer visita. Falava apenas o necessário com as enfermeiras e passava todas as tardes encarando a janela para o jardim do hospital...
– Cadê a Jullie? – perguntou temerosa – Ela... Está com a filha, certo? Ficou em casa para cuidar da Alpha... Ela virá me ver mais tarde, não é?
– Ela não... Não pode vir. – respondeu Sirius – Nunca mais.
– O que quer dizer com isso? – perguntou, lágrimas começando a se formar. – Sirius, onde está a minha irmã?!
– Ela não... – começou Sirius, porém, sua garganta fechou ao falar daquele assunto doloroso. – Ela não sobreviveu.
– Não... – sussurrou Alessa, as lágrimas finalmente escorrendo por seu rosto. – É mentira, ela não... Não morreu! Não pode...
– Eu sinto muito Alessa... – respondeu ele, não segurando as lágrimas também – Não sabe o quanto dói ter que dizer isso e, pior, ter que encarar todos os dias sem ela... É... Terrível.
– Não, não, não, não, não, não... – repetiu balando a cabeça repetidas vezes na tentativa de espantar aqueles pensamentos. – Isso é um sonho... Não, um pesadelo! Eu vou acordar daqui a pouco e tudo voltará ao normal...
– Eu daria tudo para que isso fosse apenas um pesadelo, mas não é... – disse levantando-se da poltrona para sentar-se na cama com a ruiva, que negava freneticamente. – Ela não voltará Alessa, nós perdemos...
“Ela se foi...”. Aquelas míseras três palavras que decretaram o fim da vida de sua irmã destruíram Alessa, que não conseguia acreditar que Julianne Chambers (Black) estava morta... A advogada ruiva que abdicou de tudo para cuidar da irmã mais nova e a criou com todo o amor e carinho que os pais possuíam. Jullie era a pessoa que ela mais amava e confiava em todo o mundo, e a realidade de que ela nunca mais a veria a atingiu com brutalidade e destruiu seu coração, que por meio de lágrimas desesperadas colocava para fora a dor que sentia.
– Ela se recusa a receber visitas porque sempre que alguém vier vai olha-la com pena. É automático e, de alguma forma, isso a lembrará da dor de perder a irmã... – respondia Robert sempre que alguém insistia em vê-la. Nada resolveria, mas o médico sabia de uma pessoa que talvez conseguisse se aproximar... E seu plano foi posto em prática na manhã seguinte.
Alessa estava, novamente, concentrada na janela que dava para os jardins do hospital. A mente voava tanto em lembranças antigas que sequer percebeu quando a porta foi aberta.
– Olha só quem veio te visitar...
– Eu já disse que não quero ver ninguém. – rebateu a ruiva sem ao menos desviar a atenção da janela, mas foi vencida pela curiosidade assim que um riso infantil invadiu o quarto. No colo de seu médico havia um pequeno bebê, faces rosadas, cabelo raso avermelhado e pequenas sardas espalhadas pelo rosto.
– Isso é uma pena, realmente... – lamentou Robert, satisfeito com a reação da ruiva e ainda brincando com a menina em seu colo. – Ela não é uma graça? Olha só Alfie, essa é a sua tia rabugenta que não quer ver ninguém... É, ela é bonita, mas eu prefiro você... – sussurrou para a garota, que esbanjava alegria ao vê-lo, mas ao olhar para a ruiva na cama escondia o rosto no jaleco branco. – Ah, olha só! Alguém ficou com vergonha... – riu – Ela é pior que o Sirius às vezes, sabe? Mas ele não pode reclamar, afinal, são iguais... Ora vamos Alfie, eu sei que ela tem cara feia, mas é sua tia...
– Eu não tenho cara feia.
– E ela sabe falar! – completou arrancando risos animados da menina, que sorriu timidamente para a ruiva. – Ahhh, esse sorriso... É maravilhoso não? Quebrará muitos corações. Eu amo essa menina! Até comentei que estava disposto a esperá-la crescer e... Enfim, você sabe. Mas digamos que não deu muito certo... – comentou sentando-se na cama ao lado de Alessa, que o encarou curiosa quanto à última frase. — Eu cheguei a pedir essa mãozinha em casamento, mas o Sirius me ameaçou de morte e me perseguiu pela casa. Eu quase caí da escada aquele dia e se não fosse a Violet você não teria esse médico bonitão aqui...
E então algo maravilhoso preencheu os ouvidos do doutor, que observou os lábios da ruiva se abrirem em um sorriso brilhante e uma risada gostosa sair por entre eles. Ela estava rindo!
– Rir da desgraça alheia é muito feio sabia? – comentou sorrindo também.
– Desculpe, mas é que eu realmente consigo imaginar a cena... – respondeu. – Ele fica muito engraçado quando resolve perseguir alguém pela casa.
– Ah sim, tirando a parte em que a varinha estava apontada para o meu pescoço, sim, muito engraçado! Lembre-me de nunca mais comentar algo assim perto dele. – completou.
A ruiva brincava com as mãos da garotinha à sua frente, e já que não estava forte o suficiente para segurá-la, Robert mantinha Alpha segura em seus braços, adorando sempre que o toque macio da ruiva chegava às suas mãos acidentalmente.
– Acho que entendo o que disse... – comentou sorrindo para a sobrinha de uma forma encantadora. – Ela é apaixonante!
– Eu amo essa menina desde que a vi pela primeira vez, mas Sirius não gostou muito. – debochou piscando – Andrômeda disse que ela puxou o pai... Hogwarts ganhará uma conquistadora de corações em breve, e espero que Sirius sofra bastante com essa mocinha.
– Eu diria que os futuros namorados é que vão sofrer... – comentou, vencida pelos velhos hábitos – Ninguém merece um sogro como o Sirius e ainda ganhar o Régulus de brinde.
– Ah sim, isso é assustador! – debochou feliz por ver Alessa se soltar. Ela precisa sorrir com mais frequência, anotou mentalmente.
– Vocês são amigos? – perguntou ela subitamente.
– Até esse pedido sim, bons amigos. – respondeu animadamente, o que a fez sorrir. – Mas falando sério... Minha irmã é a namorada do Régulus, então nos encontramos bastante... Acho que conheço a família inteira.
– Espera, Régulus está namorando? – interrompeu encarando-o surpresa.
– Com a minha irmã. – completou – Olívia.
– Há quanto tempo?
– Nós dois éramos do Canadá e fomos transferidos para cá para ajudar, na noite seguinte à da guerra muitas pessoas precisaram de nós e eles se conheceram, começaram a conversar e, desde então, estão namorando. Eles têm planos para casar ano que vem... Eu acho muito cedo, mas quem sou eu não é? – debochou — Ela é a diretora do St. Mungus agora.
– Ela é a diretora e você um dos médicos? E a lei que não permite favoritismos no trabalho?
– Que calúnia! Depois disso vou até tirar a Alpha daqui, ela não merece ouvir essas coisas maldosas de você... – fingiu-se de ofendido levantando-se dramaticamente com a menina nos braços.
– Eu estou falando sério! – riu – E trate de trazer minha sobrinha de volta nesse momento!
– Viu Alfie? Ela quer mandar em mim! Trágico não é? E sabe a pior parte? Ela consegue... – rendeu-se enquanto voltava a se sentar ao lado da ruiva, que riu novamente. – Sabe, você deveria sorrir mais vezes... Fica mais bonita assim.
Logo as bochechas pálidas da ruiva coraram sutilmente, imperceptível se não fossem os olhos atentos do médico à sua frente.
– Mas eu ainda prefiro a Alpha. Ela me dá abraços quentinhos e me olha com carinho... – dramatizou erguendo-a nos braços e brincando com a pequena, que gargalhava gostosamente esfregando os olhos com as pequenas mãos.
– Você tem planos para ser pai?
– Isso é um convite? – perguntou, não resistindo à piada que deixou Alessa corada. E dessa vez mais perceptível.
– Você é sempre assim?
– Maravilhosamente irresistível?
– Piadista. – corrigiu.
– Ahh sim, isso também. – zombou – Faço meu melhor.
– E eu falei aquilo porque você parece gostar de crianças...
– Eu as adoro! – concordou vendo Alpha aconchegar-se em seu peito. – Quando eu tiver minha própria filha serei o melhor pai do mundo! Brincaríamos todos os dias e eu nunca iria reclamar... E adoraria colocá-la para dormir. Deve ser maravilhoso...
– E o que sua namorada acha disso? – perguntou acariciando levemente os fios ruivos da menininha, que segurava um dos dedos do médico manhosamente.
– Não sei... Não fomos apresentados ainda.
– Não? – surpreendeu-se. – Você não tem namorada, noiva, esposa?
– Por que o espanto?
– Foi... Não sei, desculpe.
– Você tem?
– Não. – negou observando os pequenos olhos negros da sobrinha fecharem-se finalmente.
– Então estamos na mesma. Solteiros, livres e cheios de sonhos... – comentou abaixando o tom para não acordar a criança. – Digamos que estou esperando alguém especial cruzar meu caminho... E não pretendo deixá-la ir quando a conhecer... – sussurrou encarando de volta os olhos castanhos em sua direção.
Alessa não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas seu estômago parecia subitamente cheio de borboletas... Por longos segundos permaneceram desse modo, até que a porta foi aberta e uma voz animada começou a brincar.
– Ownn Rob! Vocês ficam lindos juntos, parecem até uma família... – comentou ao ver Robert e Alessa próximos demais e um bebê entre eles.
– Obrigado Liv... Mas não acho que a Srta. Chambers iria aceitar minha mão logo no primeiro encontro... — ironizou segurando-se para não rir – O que faz aqui Sra. Diretora?
– Black está me atormentando há mais de uma hora na minha sala. – falou seriamente – Ele disse que você sequestrou a filha dele!
– Eu não chamaria de sequestro, mas de empréstimo.
– Ah claro... Você vai até a casa dele, fala para o Reg que Sirius deixou a menina com você, desaparece com ela e não avisa a ninguém! – repreendeu-o. – Agora ele está na minha sala, tentado a cometer um suicídio, e EU tenho que aguentar um Black furioso! Algo a dizer em sua defesa?
– Você vai acordá-la Liv... – disse indicando o bebê em seus braços.
– E você vai devolvê-la. – mandou estendendo os braços. – Agora.
– Alessa, eu já te apresentei minha adorava e delicada irmã? Olivia Tupper. – disse apontando para a mulher séria em pé ao seu lado. – Liv, essa é Alessa Chambers, minha mais nova amiga... Não negue Alessa, por favor. – completou fazendo-a sorrir.
– É um prazer finalmente conhecê-la Alessa, e sinto muito por isso... Meu irmão não tem muito juízo.
– Eu sou o mais novo Liv, a obrigação de ter juízo é sua.
– Robert Leonard Tupper!
– Ok, ok, desculpe... – disse colocando a menina nos braços da irmã delicadamente.
– Desculpe Alessa, mas agora eu preciso ir, talvez outra hora possamos conversar, certo?
– Claro. – afirmou, o que surpreendeu seu médico pela facilidade com que Alessa aceitou receber visitas de sua irmã.
– Quem sabe você não consiga colocar um pouco de juízo na cabeça oca do meu irmão? – debochou.
– Eu diria que ela poderia me fazer piorar... Que tipo de irmã é você que me entrega desse jeito a más influencias?
– A melhor possível Rob. – sorriu antes de sair do quarto e fechar a porta logo em seguida.
– Quem disse que sou má influência?
– Sirius me contou das suas travessuras com a Violet nas férias...
Depois de o primeiro passo ter sido dado, Robert e Alessa começaram a conversar todos os dias e logo tornaram-se grandes amigos. A ruiva finalmente permitiu visitas e a primeira pessoa que viu foi Violet, que a abraçou fortemente e contou tudo que havia acontecido no último ano... O que deixou a morena com um enorme alívio quando voltou para casa naquela manhã. Sua melhor amiga voltara e agora as voltariam a ser o que eram antes. Seu primeiro pensamento ao se jogar na cama foi o de que Lizzie passaria alguns dias na casa de Sophie, logo, a tarde toda seria apenas sua...
Mas seus planos foram frustrados quando alguém bateu à porta.
– Draco? – surpreendeu-se ao encontrar o velho amigo na soleira de sua porta, encarando-a com o olhar baixo, os cabelos bagunçados e grandes olheiras sob os olhos claros perdidos.
Em questão de segundos Draco puxou-a para um abraço de urso e apertou-a contra si o mais forte que pode, como se aquele simples gesto pudesse trazê-lo a paz que há muito havia perdido. E realmente trouxe... Estar com a melhor amiga ali lhe trazia uma sensação de calma, lembranças boas e um coração aquecido.
– Você não fugiu de Azkaban certo? – debochou ela ao puxá-lo para o sofá e sentar-se ao seu lado.
– “Bom comportamento”. – recusou com um sorriso fraco – Ao que parece fui o único que não faz um escândalo depois das visitas dos Dementadores... Lizzie?
– Oh, ela é uma criança maravilhosa. Extremamente educada e não costuma bagunçar nada! Como vocês fizeram isso? – riu tentando aliviar o clima – Ela é um doce, mas sabe ser um pouco autoritária também...
– Ela está aqui? – perguntou preocupado, não queria que a irmã o visse daquele jeito.
– Não, ela está na casa da Sophie e vai dormir lá essa semana. – respondeu observando atentamente a reação do loiro – Elas se aproximaram bastante e Lizzie meio que... A idolatra. – riu – Você vai ficar onde?
– Qualquer lugar que não seja a mansão. Mas me fala, o que aconteceu nesse tempo? Seus amigos... Como estão?
– Desde quando você se importa com os meus amigos? Sabe que boa parte deles é da grifinória...
– Só quero ouvir algo que não esteja relacionado à Azkaban, e você é boa nisso... – sorriu desculpando-se. – Comece pelos mais próximos então.
– Bem... Sophie está fazendo um curso de medicina bruxa e está ajudando a Madame Ponfrey em Hogwarts, quando ela se aposentar Sophie assumirá seu lugar.
– Sophie medibruxa? – repetiu surpreso, afinal, ele mesmo já desejara muitas vezes o mesmo cargo, mas em um bom hospital e com um ótimo salário.
– Foi estranho no começo, mas se pensar bem... Até que combina com ela. – acrescentou – Harry e Rony estão se aprimorando em alguns cursos e vão prestar o exame para aurores no fim do ano, eu particularmente acho que têm chances.
– O Potter nasceu para isso, mas o Weasley? Não era muito corajoso e um péssimo goleiro. Parece que algumas coisas mudaram não é?
– Sim, mas Hermione é uma que eu acho que nunca vai mudar. – riu – Ela é assistente no Ministério e muito em breve vai trabalhar com os advogados. Ela tem muito jeito para isso.
– Ah sim, a sabe-tudo irritante será um terror por lá, tenho pena de quem ficar em seu caminho. – brincou surpreendendo Violet pelo humor leve e divertido, se não fosse pela aparência ela não poderia dizer que Draco tinha acabado de sair de Azkaban.
– Theo e Gemma estão namorando agora... – comentou – Eles decidiram continuar no quadribol e a Gemma é a batedora das Harpias de Holyhead com a Gina, que é apanhadora. As duas são muito boas. Blás foi pelo mesmo caminho e é batedor das Pegas de Montrose. Amanda está viajando pelo mundo e Jeremy vai tentar carreira no Ministério. E tem a Luna... Que está viajando também em busca de criaturas estranhas, mas vai voltar no próximo mês e está noiva do Harry.
– Desculpe mas aquela garota é lunática. – comentou — Você falou de todos os seus amigos, mas e a Mary?
– Mary era uma traidora, fingiu que era nossa amiga para passar informações a Voldemort. – respondeu tristemente – Ele a matou na guerra, na frente dos pais. Não era oficialmente comensal, mas era adepta.
– Eu... Sinto muito...
– É, eu também... – suspirou encostando-se em seu ombro – Os pais dela se sentiram muito culpados depois, disseram que se tivessem dado mais atenção a ela nada daquilo aconteceria... Parece que não querem cometer o mesmo erro com o Henry, eu diria até que aquele menino vai crescer com o maior amor do mundo.
– Eles tiveram outro filho então?
– Sim, foi um pouco antes da guerra... E não foram os únicos. – riu – Semana passada a Sophie ganhou uma irmãzinha, Lana.
– Por que todo mundo quer casar ou ter filhos depois de uma guerra? – perguntou ironicamente. – Só falta dizer que aquela sua amiga metamorfomaga também resolveu ter filhos...
– Ela teve um antes da guerra, Teddy, meu afilhado por sinal. Mas acho que nunca mais terá outro... Lupin morreu. – completou sombriamente – Ela ficou devastada por meses, mas quem não ficaria? Sirius só não entrou em depressão porque tinha a filha, mas foi difícil para ele também perder a mulher... Jullie morreu nas mãos para salvar a Alessa.
– Muita gente morreu não é?
– Sim... Umbridge matou o Sr. Weasley e quase fez o mesmo com os gêmeos, mas eles conseguiram escapar. – disse seriamente – Muitos membros da Ordem morreram, sem contar os alunos e os familiares que nos ajudaram.
– E você? – perguntou subitamente. – Como... O que aconteceu?
– Eu? – riu sem humor – Eu terminei em pedaços. A guerra acabou comigo e fiquei dois meses no hospital... Os médicos disseram que eu quase entrei em depressão e que eu não aceitava visitas. Foi muito difícil Draco... As pessoas que eu mais amava morreram na minha frente... Meu pai, ele... Ele se foi logo depois de dizer que me amava... – continuou choramingando, as lembranças ainda frescas em sua mente – E minha mãe também, a diferença é que ele estava em uma cama e ela na guerra...
– Quando fui preso... Você disse que tinha perdoado muitas pessoas... E agora não parece ter rancor deles...
– Não tenho. – concordou – Eles cometeram muitos erros sim, me quebraram muitas vezes, mas não consigo deixar de amá-los um segundo sequer. Para mim foram incríveis e fizeram tudo que podiam para me proteger... Guardar rancor não me leva a lugar algum, acho que percebi isso nos meses em que fiquei no St. Mungus.
– Isso inclui Lillian Potter?
– É...complicado. Tive raiva dela por muito tempo, aliás, do Tiago também. Mas o que eu ganharia com isso? Os dois já estão mortos e nunca saberei exatamente o que aconteceu na noite em que nasci... Lillian pode ter sido uma péssima pessoa comigo, e Tiago com o meu pai, mas eles foram os melhores pais do mundo para o Harry e ajudaram muita gente, cresceram. E de certa forma foi bom que isso tenha acontecido... Eu não trocaria por nada a criação que tive e as pessoas que conheci graças a ela.
– Eu sabia que você iria perdoá-los um dia... – comentou distraidamente, o tom de voz quase que orgulhoso. – Acho que imagino o que passou nesses meses...
– Foi terrível, eu tinha pesadelos quase que todas as noites e durante o dia tinha alucinações... Robert diz que às vezes eu até gritava e chamava meus pais... – engoliu em seco – Felizmente eu não tenho muitas lembranças desse período e espero nunca tê-las. Eileen me ajudou bastante a superar... Perder um filho é muito pior que perder o pai, ao que parece... A diferença é que ela é mais forte que eu.
– Então sua avó está viva mesmo? Eu ouvi algo parecido antes do julgamento...
– Surreal não é? Ela não gosta que eu a chame de avó, diz que tem idade para ser minha mãe e rosto de ser minha irmã mais velha... É claro que forçou um pouco na segunda parte. – riu – Mas é bom ter alguém da família por perto... E ela é tão parecida com o meu pai! Eles têm as mesmas manias. É como se ele não tivesse partido totalmente...
– E seu namorado?
– Noivo. – corrigiu. – Vamos nos casar ano que vem.
– Estou orgulhoso. Pensei que te encontraria casada já...
– Nós até pensamos em nos casar mês passado, mas estamos namorando há três anos e quase não tivemos tempo para realmente namorar! Agora que tudo se acalmou estamos saindo com mais frequência, fazemos tudo que o termo “namoro” significa e, tenho que admitir, é maravilhoso! Agora sim posso dizer que tenho um namorado. – sorriu.
– Aposto que seu padrinho ficou satisfeito com isso não é?
– Palhaço! – rebateu – Parece que as pessoas resolveram recompensar o tempo perdido, e até mês passado ele não desgrudava de mim, tem sido um segundo pai, realmente... Ele e Minerva estão tão próximos que eu estou investigando se eles têm ou tiveram alguma coisa...
– Sem vergonha, já está querendo juntar casais?
– Não poxa, mas que o bom relacionamento deles dá margem a interpretações, isso dá. – riu maliciosamente. – Está com fome? Podemos continuar essa conversa na cozinha.
– Um pouco, mas eu já estou indo... – disse levantando-se, entretanto, Violet o puxou de volta.
– Nem pensar, você vai ficar aqui comigo até melhorar e encontrar um lugar melhor, ouviu? Sem discussões. – completou assim que ele abriu a boca – Agora vai tomar um banho enquanto eu preparo alguma coisa para comermos... Lembra o que eu disse? Você não está sozinho Draco... – sorriu ternamente para logo receber um forte abraço.
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