Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
62 Capítulo 61 – Just a Letter
Notas iniciais

“Apenas uma carta”
– NARRAÇÃO –
Se você está lendo isso é porque provavelmente conseguiram finalmente eliminar a famosa “Comensal Lestrange”, mas antes de realmente ir eu gostaria de deixar algumas coisas bem claras, devo muitas explicações a você e acho que chegou a hora de te contar exatamente tudo sobre o seu passado.
Meu relato começa em dezembro de 1977. Como você sabe, Lillian e Tiago discutiram e terminaram o noivado definitivamente naquele mês, e na mesma noite Severo, que sempre foi apaixonado pela ruiva sangue ruim, ficou ao seu lado e, entre uma bebida e outra, passaram a noite juntos. Na manhã seguinte ela ficou desesperada e considerou a noite passada um grande erro, arrependeu-se profundamente e pediu para que ele esquecesse. A Evans realmente o ignorou por completo nos próximos dias, porém, teve uma enorme surpresa dois meses depois quando descobriu que estava grávida do ex-melhor amigo. Ela ficou desesperada e não sabia o que fazer, então procurou alguém de confiança e pediu ajuda. McGonagall a levou para uma pequena aldeia do interior da Europa e por ali ficaram até o nascimento da criança.
Em agosto de 1979 os Comensais estavam liquidando videntes e profetas para evitar que algo sobre nosso Lorde fosse descoberto. Lucio era o “chefe” da operação, porém, certa noite, recebeu um aviso do Gringotes de que algo em seu cofre deveria ser retirado. Era uma espécie de livro de anotações da época da escola, e nele dizia que viajantes do tempo haviam estado junto à nós no sétimo ano. Violet Black, Harry Potter e Draco Malfoy. Neste livro tinham todas as informações sobre você e suas conexões e falava da profecia, que Lucio ouviu quando você contou à Dumbledore. Ele foi esperto o suficiente para anotar tudo e mandar para o Banco dos Duendes com uma observação: deveria ser aberto em agosto de 1979, antes do nascimento da criança.
Lucio ficou atônito! Saber que alguém nasceria com o poder de garantir a vitória para o Milorde era extremamente gratificante para ele... Então decidiu procurar a criança e cuidar para que ela fosse treinada para ser uma de nós. Malfoy não contou sobre a profecia á ninguém, nem mesmo à Cissa, e por longos dias procurou a sangue ruim Evans.
Lucio então partiu para encontrá-la, conversou sobre uma parte da profecia e, infelizmente para você, Lillian Evans nunca foi convencida através de feitiços, ela realmente aceitou te entregar para a adoção. Malfoy então encontrou outro dilema: o que fazer com a criança? Eliminá-la era uma boa opção, mas se o Lorde soubesse que uma poderosa arma a seu favor foi destruída, jamais o perdoaria. Logo teve apenas uma escolha: cuidar da criança e ensiná-la os princípios dos comensais.
Mas quem faria isso? Apenas um excelente comensal poderia ensinar nossas técnicas. Eu era a escolha perfeita! Além de ser a melhor comensal do grupo, eu poderia facilmente me passar por mãe da criança e ensiná-la a ser um de nós. E no livro de anotações dizia claramente que você era a minha filha.
Tudo foi planejado e, assim que você nasceu, a comensal Marta nos informou que Minerva McGonagall havia lhe entregado à um orfanato trouxa. Lucio, com sua influência, conseguiu apagar seu nome do registro de bruxos. Você era recém-nascida e a história deveria ser mantida. Quando voltou ao passado deixou claro que só foi adotada aos cinco anos, então deixamos um comensal infiltrado no orfanato e, sempre que alguém tentava te adotar, ele dava um jeito de impedir.
Quando o Lord foi derrotado pelo garoto Potter inúmeros comensais foram presos e tivemos que nos resguardar, eu só escapei porque Cissa conseguiu me esconder em sua casa por um tempo. Um pouco antes de você completar cinco anos descobrimos que Minerva McGonagall queria te tirar daquele buraco trouxa e assumi-la para o mundo bruxo, então resolvemos finalmente te recrutar.
Lucio preparou documentos falsos e, com a ajuda de Cissa, me transformei em Bella Lestry, sua única familiar viva. Para todos os efeitos, eu era sua tia legítima, mas Lucio deixou claro que eu deveria ser sua mãe “de acordo com a história”. Esperamos até que McGonagall estivesse ocupada o suficiente e, em 3 de setembro de 1984 me apresentei no orfanato e consegui sua guarda.
Malfoy desapareceu com qualquer rastro de sua adoção e deu um fim em seus registros do orfanato. Mas para onde levá-la? Pensamos num internato escocês, mas era muito recente e sabíamos que a professorinha iria te procurar em todos os lugares. Então estabelecemos um prazo: desapareceríamos por alguns anos e logo depois te colocaríamos num internato até estar em idade para aprender magia.
Na época o patrimônio dos Black era dividido apenas entre mim, Cissa e Régulus. Sirius estava preso em Azkaban, Andrômeda fora deserdada, Cissa já tinha a fortuna dos Malfoy e Régulus estava morto, assim como os patriarcas Black, então as duas Casas dos Black (de Orion e Cygnus) eram minhas por direito. Escolhi minha antiga casa e em pouco tempo levei você junto, porém, eu não sabia nada sobre cuidar de crianças, elas me irritavam e eu odiava seu choro fino. Narcissa, por outro lado, já era mãe e tinha um instinto maternal natural, logo, ela foi morar comigo para me ajudar.
A ideia era apenas cuidar para que não lhe faltasse nada e, no prazo de um ano, levá-la para um Internato... Mas nossos planos foram por água abaixo quando Cissa se afeiçoou à criança. Ela começou a comprar roupas e vestidos de princesas e te usava como uma boneca de porcelana, te protegia de tudo e às vezes até ia contra mim em sua educação. Por ela ter um único filho homem, via em você uma filha que nunca teve, e sem perceber, eu acabei seguindo pelo mesmo caminho.
Nos primeiros meses deixei bem claro que era para nos chamar de tia Bella e tia Cissa. Eu gritava com você sempre que podia e nunca me importei com as lágrimas que soltava ou com as noites que passava em seu quarto chorando. Mas um dia fui pega em minha própria armadilha.
Eu estava conversando com a Cissa na sala e você entrou correndo com os pés sujos de terra do jardim, Monstro te seguia e quase implorava para que ficasse quieta. Lembro que gritei muito, segurei em seu bracinho pequeno e pálido e fui muito dura com as palavras. Seus olhos azuis ficaram instantaneamente úmidos e você começou a chorar, pedindo perdão e prometendo que nunca mais faria aquilo. Eu estava furiosa, sempre odiei uma casa suja, mas pela primeira vez suas lágrimas me incomodaram.
Foi então que você me perguntou: “Por que você não gosta de mim tia Bella?”. Eu não sabia o que responder... Meses antes eu não hesitaria em dizer que te odiava simplesmente por existir, mas eu não consegui. Apenas te encarei e observei subir as escadas correndo e chorando. Foi a primeira vez que me preocupei com a garotinha de olhos azuis.
A partir daquele momento comecei a prestar mais atenção em você e, pouco a pouco, acabei amolecendo. Você já havia me conquistado por completo e eu não poderia mais negar. Comecei a te tratar melhor, a sorrir com mais frequência e qualquer coisa fora do comum que você aprendia eu me sentia estranhamente orgulhosa.
Nossa relação foi melhorando e, um ano depois, éramos muito unidas. Lembro que eu costumava correr pela casa atrás de você, que ria como uma criança deveria rir. Cissa odiava a gritaria que fazíamos e então tentou te ensinar modos ao mesmo tempo em que passei a te ensinar alguns princípios importantes, como os efeitos que uma mentira pode causar.
Lucio não gostou de adiarmos sua partida para o Internato, mas Cissa me ajudou a convencê-lo argumentando que quando Violet Black voltou para 1974, deixou claro que era minha filha e que estava feliz com isso. Logo, eu deveria cria-la como uma mãe faria, e para isso você precisaria ficar comigo e gostar. No fim ele cedeu e, quando ela sugeriu que seria bom para você ter contato com um bruxo sangue-puro sonserino, permitiu que Draco a visitasse regularmente.
Houve um dia, em especial, que marcou muito nossa relação. Você tinha sete anos e Cissa havia me convencido a te levar num parque trouxa, afinal, “é uma boa oportunidade para ver como ela interage com pessoas que não conhece”, dizia ela. Pois bem, eu a levei e, devo admitir, foi horrível. Tinha crianças gritando e chorando por todos os lados, mulheres correndo atrás dos filhos que não paravam quietos e outras simplesmente desistindo de tentar controlar a situação.
E então uma trouxa imunda se aproximou e começou a dizer que eu tinha sorte por ter uma filha tão doce e esperta e que éramos parecidas... Que sua adoração por mim era óbvia, assim como meu orgulho por você.
Aquilo confundiu minha cabeça e ficou na minha mente o resto do dia. Quando voltamos você estava mais quieta e pensativa, mas a surpresa mesmo chegou à noite. Como sempre, eu e Cissa te colocamos para dormir, e foi nesse momento que você me chamou de mamãe pela primeira vez. “Todas as crianças do parque tinham uma mamãe... Elas disseram, e o Draco também, que a mamãe delas fazia tudo por elas, que colocavam para dormir, que brincavam e que gostavam delas... Você faz tudo isso, então é minha mamãe!”, foi isso que você me disse. Eu fiquei um pouco receosa, mas quando percebi você já me chamava de mãe todos os dias e eu não usava mais “Violet”, e sim “filha”.
Desde pequena Cissa te ensinou a acordar cedo, uma mania extremamente irritante que sempre odiei em minha irmã. Todos os dias, exatamente às 07h30min, ela abria as janelas da casa e, meia hora depois, vinha você atrás e pulava na minha cama para me acordar... “Se acordamos tarde o dia não rende Bella.”, explicava ela. Eu odiava, mas mesmo assim você sempre vinha no meu quarto e me acordava, e quando eu não queria sair da cama você ficava lá, deitada ao meu lado até eu levantar.
Nunca admiti, mas sempre senti falta dessas manhãs... Sempre.
Lembro que quando tinha oito anos você estava correndo pela casa de novo, tropeçou e caiu da escada. Eu fiquei desesperada e Cissa finalmente teve provas de que eu me preocupava com você, apesar de eu não admitir.
Ficamos quatro longos anos morando na Casa dos Black. Estávamos bem, felizes! Éramos uma “família”... Mas então Lucio disse que já era passado o tempo de te colocar num Internato e, sem poder discordar, finalmente te matriculei no melhor Internato da Escócia, que descobri depois ser o Instituto Tenebrarum.
A partir de então eu passei a te visitar apenas nos finais de semana com a Cissa e sempre brincávamos nos jardins. Com o auxílio da magia fiz com que a Diretora te desse certos privilégios e, quando íamos ao Internato, nenhuma outra criança podia ficar por perto. Corríamos o tempo todo, pulávamos, ríamos!
Eu permaneci em casa, mas sentia falta das noites chuvosas em que você entrava no meu quarto correndo com medo dos trovões, ou de quanto nos aventurávamos na cozinha e Cissa reclamava por estarmos com os vestidos sujos... Mas o que eu mais sentia falta certamente era de quando você me importunava todas as manhãs com um “acorda mamãe”.
Ao completar 11 anos decidimos que já era hora de te ensinar magia. Comecei a te visitar todas as manhãs, te dei livros, ingredientes para poções e tudo que se possa imaginar para que pudesse aprender. Ensinei-te tudo que sabia sobre feitiços e passei técnicas que nenhum comensal sabia e que apenas eu conseguia fazer... Cissa contribuiu bastante com Transfiguração, já que eu sempre odiei essa matéria.
E a cada aula eu ficava ainda mais orgulhosa! Você tinha uma sede de conhecimento e uma capacidade incrível! Eu sonhava com o dia em que se tornasse uma Comensal e que finalmente poderíamos viver como o que éramos: mãe e filha. Obviamente isso nunca aconteceria. Desde pequena você sentia uma aversão aos “vilões” e tentava ver o lado bom de tudo, eu sabia que nunca se juntaria á nós, e com o tempo, me conformei.
Cissa foi proibida de te visitar depois de seus 12 anos. De acordo com Lúcio, ela já havia me ajudado o bastante. Mas isso não a deteve. Descobri ha pouco tempo que ela tomava uma poção polissuco todas as semanas para te visitar.
Lucio me procurou dois anos depois e disse que era a hora de te levar à Hogwarts, ele havia dado um jeito e recolocou seu nome no registro dos bruxos. Dumbledore então descobriu sobre sua existência e te procurou para entregar a carta pessoalmente. Eu sabia que as coisas começariam a ficar mais complicadas e que, eventualmente, você descobriria tudo. Sabia que encontraria seu pai e que iriam descobrir seu parentesco, portanto, decidi que você deveria esquecer qualquer sentimento bom em relação à mim. E apesar de contrariar as ordens do Malfoy, se me considerasse sua mãe para depois perceber que menti sua vida toda, iria me odiar ainda mais e sofreria. Eu não queria que sofresse.
Uma semana antes de você finalmente embarcar, eu e Cissa fomos nos despedir. Ela chorou muito, disse que você encontraria seu primo em Hogwarts e prometeu que te mandaria cartas sempre que pudesse, mas eu sabia que era mentira. Depois que ela foi embora e ficamos sozinhas, levantei minha varinha em sua direção e um Obliviate foi o suficiente para fazê-la esquecer de nossos bons momentos. Apaguei as palavras carinhosas e as brincadeiras de quando era pequena. Tirei Cissa de sua memória e fiz com que se esquecesse de Draco Malfoy, seu único amigo na infância, a quem também obliviei mais tarde.
Tudo que restou em seu coração foi mágoa por mim, raiva por eu te maltratar e ressentimento por ter estado a vida toda “sozinha”. Não vou negar que no Internato e no Orfanato as outras crianças te excluíam, mas minha presença sempre pareceu compensar essa falta... O amor que Cissa e eu sentíamos sempre foi o suficiente para preencher o vazio que aquelas pestes imundas deixavam em você.
Acredite, aquele foi um dos momentos mais difíceis que passei. Quando abaixei a varinha vi que o brilho em seus olhos havia se apagado, minha “estrelinha luminosa” já não sorria. Desde então tudo que recebi de você foi rancor, ódio e raiva. Aquela tarde em que te contei sobre a Evans foi a pior coisa que já aconteceu. Nunca gostei de discutir com você, mas levantar a mão para te bater foi horrível, nunca me perdoei por aquilo e não espero que você o faça. Na época foi necessário, eu queria que me odiasse e que nunca desejasse ser parte do que eu era, não queria que fosse Comensal.
Certamente pensa que é mentira, já que eu mesma sou do círculo das trevas. Mas não é.
Eu fui responsável por inúmeras mortes, desaparecimentos e torturas. Maltratei muitas pessoas e machuquei muitas outras... Mas eu não me arrependo. Sou uma Comensal da Morte e sempre me identifiquei com os ideais de sangue-puro que o Milorde impunha. Entretanto, há uma única coisa de que me arrependo amargamente: não ter sido suficiente para preencher o vazio que o abandono da Evans te causou.
Eu me apaixonei por você Violet, e me arrependo por não ter sido capaz de te dar todo o amor e o conforto que uma mãe deveria dar aos filhos. Peço perdão por todas as palavras ruins que te lancei, por todas as vezes que ousei levantar a mão em sua direção e por todas as vezes que te magoei. Só fiz isso tudo para evitar que seguisse os mesmos passos que eu, você é muito pura para se corromper no mundo dos comensais e eu nunca me perdoaria se visse em seus olhos o brilho assassino que vejo nos meus quando encaro meu reflexo no espelho.
Por mais que não acredite, eu realmente me afeiçoei pela garotinha de olhos azuis safira, pele alva e cabelos tão escuros quanto a noite. Sempre que íamos te visitar no internato você vinha correndo e se atirava nos meus braços com um desenho na mão. Era sempre o mesmo desenho: eu, você e Cissa juntas, às vezes Draco, como uma família. Eu senti falta disso minha vida toda, senti falta de te abraçar e de te chamar de filha sem medo...
Eu sempre te amei e meu único erro foi fazê-la se esquecer disso.
Se meus planos deram certo, você deve estar na casa onde foi criada agora, ao lado de seu pai. Sei que não há como recompensá-la por todo o mal que causei, mas mesmo assim gostaria que aceitasse um último presente. Se você abrir uma caixa de veludo verde que está sob o assoalho da escada, encontrará um envelope. Nele estão os documentos falsos que usei, todas as contas que tenho no Gringotes, meu testamento e duas escrituras.
Se você olhar a árvore genealógica da minha família, verá que os últimos herdeiros do império Black somos eu e Cissa, já que Andrômeda e Sirius foram deserdados e Régulus morreu. Cissa já tem o patrimônio Malfoy e renunciou sua herança anos atrás, logo, sou a única beneficiária dos Black. Paralelamente, a fortuna da família Lestrange também pertence a mim, a esposa do irmão mais velho.
Sou a herdeira dos Black e dos Lestrange, mas comigo morta não há para quem se destine essa fortuna imensa, provavelmente será arrecadada pelo Ministério, mas não quero que a linhagem de minha família se perca desse modo! Por esse motivo resolvi deixar um favorecido. Nunca tive filhos biológicos, mas tive você. Você, Violet, é minha única filha e, portanto, minha herdeira. Em meu testamento deixei explícita minha vontade de passar todos os bens que se encontravam em meu nome para o seu.
Sei que não posso concertar meus erros dando-lhe a fortuna de duas das mais antigas famílias e sei também que não mereço perdão, mas gostaria que todo o patrimônio que guardei por tantos anos fosse repassado para alguém que eu amasse... Sim, eu posso amar!
Lillian Evans nunca foi sua mãe. De uma forma torta, eu te criei, te ensinei tudo que sabia e te amei mais que tudo nessa vida. Eu sou sua mãe e finalmente posso admitir que sinto orgulho disso!
Nessa mesma caixa encontrará fotos, documentos, cartas, desenhos e alguns vidros com partes de minhas melhores memórias. É tarde para pedir, eu sei, mas gostaria que você pudesse sentir ao menos um pouco do amor que tenho por você... Com o tempo vai se lembrar de toda a sua infância, mas até lá, guarde essas fotos.
Diga à Cissa que sempre a amei também, ela foi minha única amiga e a única que me entendeu... Com ela eu nunca precisei fingir, éramos apenas Bellatrix e Narcissa.
Agora que finalmente pude dizer tudo que guardei nesses anos todos, estou em paz. Muitas pessoas dirão o contrário para você, muitos a farão duvidar, mas, por favor, lhe suplico! que nunca esqueça essas palavras:
Eu amo você minha filha! Amo minha estrelinha!
Bellatrix Black.
Sua mãe.
Violet não sabia o que pensar quando terminou de ler a carta, o papel já estava manchado por suas lágrimas e levemente amassado nas bordas. Bellatrix a amava! Verdadeiramente a amava como mãe...
Por mais que soubesse que não era sua culpa, não deixou de senti-la por nunca ter dito à ela o quanto a amava também... Bellatrix lhe dissera na guerra e morreu na sua frente, mas Violet não foi capaz um segundo sequer de derrubar o orgulho e retribuir. Tivera uma chance com seu pai, mas nunca a mesma sorte com a mãe. Bellatrix havia ido embora e, mesmo que quisesse, não iria voltar...
– Violet? – perguntou Narcissa preocupada ao perceber que a garota amassava o papel furiosamente. – É tão ruim assim?
– Não... – respondeu entregando-lhe a carta para que lesse e descendo as escadas, procurando pelo tal degrau falso.
Analisou cada um deles e, quando ouviu um deles ralhar ao pisar, abriu-o rapidamente. Assim como dizia na carta, uma caixa preta com detalhes em prata estava bem guardada e, ao abrir, deparou-se com inúmeros papeis desenhados, fotos, pequenos brinquedos e ursos de pelúcia, frascos com labaredas brilhantes, uma caixa menor e um envelope.
Com lágrimas na face, Violet pegou o primeiro desenho e acompanhou cada traço infantil em tinta colorida. Nele havia três bonecos: uma mulher com fios amarelos, outra com negros e uma garotinha de cabelos escuros entre as duas. No fundo, uma casa mal desenhada e um bicho estranho, que Violet deduziu ser um elfo doméstico.
No próximo havia um desenho muito parecido, porém, as cores eram diferentes e havia um garotinho junto. Draco... A cada desenho seu coração se partia, aquela era a sua infância e seria contada por meio de pedaços de papel. Quando pegou um pequeno ursinho marrom nas mãos, um flash veio-lhe à mente e lembrou-se que aquele brinquedo fora um presente da tia e, segundo ela, Draco tinha um idêntico e escolhera ambos.
– Bella dizia que você acabaria casando com o Draco... – comentou Narcissa sentando-se ao lado da garota nos degraus da escada, a carta nas mãos e os olhos vidrados na pelúcia.
– É verdade? O que diz na carta...
– Quando Lucio pediu minha ajuda para cuidar de você e evitar que a Bella te matasse antes do fim da semana ele me contou tudo... A carta realmente existe, está no Gringotes, caso queria ver...
– Eu quero. – garantiu abaixando o rosto para os demais brinquedos pequenos.
– Quanto à Lillian, eu não estava lá então não poderei confirmar nada, mas Lucio me disse que apesar de demorar a ceder, ela concordou em lhe entregar... Eu sinto muito. Você é tão jovem e não deveria estar passando por tudo isso, é muito para um dia só. – sussurrou — Eu sabia o que minha irmã sentia, mas não fazia ideia do quão profundo era... O amor de mãe é tão puro Violet, tão...mágico...
Violet apenas assentiu para logo pegar as fotos que estavam guardadas. A primeira era dela mesma abraçada a um brinquedo, depois inúmeras outras ao lado de Draco Malfoy, algumas com Narcissa e poucas com Bellatrix. Mas foram essas poucas que a abalaram. Elas pareciam se dar tão bem!
– Eu perdi tanto... – respondeu derrubando o pacote de fotos na caixa. – Por culpa dele. Voldemort me tirou muitas coisas e continua me fazendo sofrer depois de morto! – exclamou, aceitando quando Narcissa a puxou para um abraço – Meu pai se foi, minha mãe biológica me abandonou e minha mãe de coração está morta... Eu gostaria ter tido a oportunidade de dizer que a amava também...
– Você teve Violet, e falou muitas vezes! – interrompeu sorrindo – Quando te colocávamos para dormir ou quando pedia desculpas por alguma travessura... E mesmo que não tenha mostrado esse sentimento nos últimos anos, Bella sempre soube. – garantiu encarando-a profundamente.
– Ela realmente pensava que eu iria me casar com o Draco? – perguntou após assentir levemente com um fraco sorriso.
– Sim... – concordou a loira rindo e limpando suas lágrimas rapidamente. – Vocês dois estavam sempre juntos e brincavam de tudo que se possa imaginar. – sorriu com a lembrança. – Deve ter alguma foto sobre... Aqui! Veja... – disse após revirar a caixa e entregar uma pequena fotografia à garota, que riu. – Nesse dia vocês desceram as escadas e ele disse para a Bella que queria casar com você.
– Ele disse isso? – perguntou tentando imaginar a cena apenas a partir da foto, onde ela estava com um vestido branco rendado e uma flor nas mãos, ao lado de um Draco pomposo e orgulhoso.
– Você não aceitou muito bem... – respondeu rindo – Já era muito inteligente e disse que eram jovens e pequenos, mas que se ele quisesse, poderiam casar depois dos vinte. Bella disse trinta e ele ficou magoado, mas depois vocês voltaram a brincar como se nada tivesse acontecido.
– Quase não dá para acreditar nisso tudo... – sussurrou. – Meu pai está morto lá em cima e minha mãe na mesma situação em algum lugar de Hogwarts. E os dois sempre me amaram.
– O que vai fazer agora?
– Não sei...
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