Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
45 Capítulo 44 – What He Did To You?
Notas iniciais
CAPÍTULO 44 – WHAT HE DID TO YOU?
“O que ele fez para você?”
– NARRAÇÃO – SETEMBRO DE 1997 —
Violet dormiu a noite toda, e dessa vez não teve um pesadelo sequer, nem mesmo sonhos ou visões. Foi uma noite calma e pacífica para todos.
– Eu estou realmente preocupado... – diz Vitor enquanto Mary prepara algo para comerem. – Ela se descontrolou totalmente ontem! Temos que fazer alguma coisa, e se ela chegar a machucar alguém de verdade? E se ela chegar a...
– Matar? – completou Mary calmamente – Sim, eu sei... Mas não consigo pensar em nada. O correto seria ela aprender a lidar com esse poder dentro dela, mas o Snape não está mais aqui para ajudá-la e eu não entendo de Magia Negra.
– Tipo aulas? – perguntou.
– Exato. Seria bom se encontrássemos alguém que conheça Magia Negra para ajudá-la a se controlar...
– E quem seria essa pessoa? – ironizou Alessa pegando uma xícara e colocando chá. – As únicas pessoas que poderiam fazer isso são comensais da morte, ou o Moody, mas então teríamos que voltar e vocês sabem o que ele faria.
– Trancaria a Violet no quarto até terminar a guerra. – completou Mary.
– Bom dia! – exclamou Violet entrando no ambiente com um sorriso de orelha a orelha e sentando-se ao lado de Vitor. – Nossa, que caras são essas? Acordaram de mau humor é?
– Violet, você está bem? – perguntou Alessa surpresa.
– Sim... Por que não estaria? – rebateu confusa.
– Por causa de tudo que aconteceu ontem, por exemplo? – arriscou Mary.
– E o que aconteceu ontem? – perguntou inocentemente.
– Você não lembra?
– Eu já disse que não, o que aconteceu? Vamos gente, falem alguma coisa! Estão me deixando preocupada...
– Você meio que...pirou. – respondeu Alessa – Totalmente.
– Eu o quê?!
E então Mary, novamente, contou tudo que aconteceu no dia anterior, o pesadelo, o ataque, o descontrole... O sangue. Tudo ficou nítido na cabeça de Violet, que lembrou-se de cada detalhe.
– Oh Merlin... Isso está saindo do nosso controle... – sussurrou ela – Não podemos ficar paradas, há semanas que não fazemos nada!
– Violet, nós não temos nenhuma pista e...
– Como teríamos alguma se ficamos trancados nesse maldito porão?! Se ninguém se mexe para procurar alguma coisa?! – exclamou nervosa – Não podemos depender dessas visões estúpidas que estou tendo e que não ajudam em nada!
– Violet, não temos nada para seguir! Já pesquisamos sobre os lugares que você viu, mas podem estar em qualquer lugar do mundo! – rebateu Alessa, também nervosa – Não podemos procurar nada lá fora porque não sabemos o que devemos procurar! Não sabemos nem o que aconteceu com Régulus Black!
– Eu não vou ficar parada...
– E o que pretende fazer? – desafiou a ruiva.
– Falar com alguém que sabe mais que nós.
– E quem seria?
– Monstro.
– O elfo? Violet, é perigoso! Ele pode até te servir, mas antes de tudo é servo da Bellatrix e da Sra Malfoy! – alertou Alessa.
– A partir do momento que fugimos de casa aceitamos os riscos dessa “aventura”. – rebateu – E ele não vai contar nada à elas porque eu não vou deixar. Elfos não podem desrespeitar as ordens de seus senhores, basta que eu ordene que ele fique quieto.
– E se a Bellatrix fizer perguntas? Ele não pode desrespeitar as ordens de seus senhores...
– Você prefere ficar aqui, parada? – ironizou Violet, o que deixou a ruiva magoada.
– Eu prefiro continuar procurando! E não vai adiantar nada você falar desse jeito comigo.
– Nós não temos opção Alessa!
– E sair pela rua sem uma direção é uma opção?! – rebateu – Eu prefiro continuar pesquisando sobre essa droga de medalhão até termos no mínimo uma pista! Você pode ser filha da Bellatrix, mas entre você e ela, ele ficará com ela!
– Por que você não quer que eu fale com ele afinal?
– É perigoso! Monstro é leal à família Black, mas antes de você tem Bellatrix e Narcissa! – exclamou — Se ele contar a alguma delas, Lord Voldemort virá te buscar!
– Alessa...
– Quer saber? Faça o que quiser... – falou saindo do salão e deixando Violet furiosa.
– Ela...
– Violet, você está nervosa e acabou de discutir com uma das suas melhores amigas, já chega não é? – pediu Vitor.
– É melhor você chamar o Monstro. – sugeriu Mary. – Nós falamos com ela...
– Tenta não gritar com ele também. – disse Vitor antes de acompanhar Mary até o quarto onde Alessa estava.
Violet ainda estava irritada e não percebeu o quão injusta tinha sido. Respirou fundo e chamou Monstro. Segundos depois, um elfo confuso apareceu à sua frente.
– Srta Black! – surpreendeu-se.
– Olá Monstro. – forçou um sorriso. – Eu preciso da sua ajuda...
– Monstro vive para servir a Mui Antiga Casa dos Black... – disse fazendo uma pequena reverência.
– Primeiro, preciso que prometa que não contará à ninguém onde estou ou que me encontrou... – começou – Nem mesmo Bellatrix ou Narcissa. Você pode fazer isso?
– Se a senhorita assim pedir, Monstro não contará à ninguém. – garantiu.
– Tudo bem... Agora... – disse sentando-se no chão ao lado do elfo – Me diz uma coisa, de todos os irmãos Black, a qual você foi mais leal?
– De quais irmãos a senhorita se refere?
– Bellatrix, Andrômeda, Narcissa, Régulus e Sirius. – respondeu. – A quem você foi mais fiel?
– Ao senhor Régulus.
– Certo, e você poderia dizer que sabe tudo sobre ele?
– Por que a pergunta Srta Black?
– Apenas responda Monstro, por favor... – pediu delicadamente.
– Sim Srta... – suspirou – Monstro pode dizer que conhecia o mestre Régulus.
– Ótimo, então agora podemos conversar... – disse sentando-se no chão em frente ao elfo, que ficou confuso com o ato. – Monstro, reconhece isso?
– Como... Como a senhorita... – gaguejou ao encarar o Medalhão nas mãos da garota.
– Esse é o Medalhão de Slytherin, uma Horcrux de Lord Voldemort que Régulus roubou. – respondeu – Mas você já sabe disso, não é? Monstro?
– S-sim... Sim Srta Black, Monstro sabe... – admitiu.
– Mas esse não é o verdadeiro medalhão, é uma cópia. Monstro, você sabe como Reg conseguiu o medalhão verdadeiro?
– Não foi ele quem conseguiu... – disse abaixando a cabeça.
– Espera... Então quem... Foi... Foi você? – surpreendeu-se. – Como?
– Mestre Régulus sempre tratou Monstro muito bem, como parte da família... Monstro fazia tudo que Mestre Régulus pedia e nunca contou a ninguém. – começou mexendo nos dedos distraidamente – Mas depois que Mestre Régulus entrou para os comensais ele começou a mudar, e pouco tempo depois já não era tão bom com Monstro. Não ficava com a família e não parecia gostar da companhia da Sra Bellatrix.
– Ele descobriu alguma coisa?
– Monstro não sabe... Monstro só sabe que Mestre Régulus ficou mais frio, até que um dia chamou Monstro. – continuou – Mestre Régulus disse que o Lord das Trevas precisava de um elfo para um serviço e Mestre Régulus tinha indicado Monstro... Monstro foi...
– Para quê ele precisava de um elfo? – perguntou temerosa ao perceber a expressão machucada do elfo. – Monstro, o que ele fez para você?
– Lord das Trevas levou Monstro em uma caverna muito longe, escura... Tinha um grande lago dentro, cheio de Inferis, uma pequena ilha no centro. – disse com a voz amarga – Quando chegamos ali, Lord das Trevas fez Monstro tomar alguma coisa que estava ali. Monstro não queria terminar de tomar, era muito ruim, Monstro sentia dor... Monstro queria morrer...
– Isso não se faz... – comentou surpresa.
– Mas Mestre Régulus tinha mandado que Monstro fizesse tudo que Lord das Trevas mandasse e voltasse, Monstro não pode desobedecer uma ordem de seu senhor... Então Monstro tomou tudo... – continuou, aparentemente tocado com a preocupação da garota – Monstro estava a ponto da loucura quando Lord das Trevas tirou um medalhão da roupa e colocou onde estava o líquido que Monstro tomou. E o que ele fez depois?
– Depois Lord das Trevas foi embora e deixou Monstro sozinho ali, no escuro...
– Ele não queria que alguém soubesse onde estava o medalhão... Ele te deixou para morrer... – sussurrou.
– Sim Srta Black, Monstro foi deixado para morrer, mas mestre Régulus havia mandado que voltasse, e Monstro não pode desobedecer uma ordem de seu senhor... Então Monstro voltou.
– Como?
– Os elfos não tem barreiras para aparatar Srta Black.
– E depois?
– Mestre Régulus cuidou do Monstro e, dias depois, voltou a se isolar. Mestre Régulus procurou Monstro à noite e disse que Lord das Trevas era uma farsa e que havia descoberto muita coisa sobre ele... Mestre Régulus então pediu que Monstro o levasse até a caverna para pegar o medalhão.
– Ele fez a mesma coisa! – exclamou nervosa – Filho da mãe! Ele também queria que você bebesse o líquido?!
– Não Srta Black, ele quem bebeu... – defendeu – Mestre Régulus mandou que Monstro trocasse os medalhões depois que ele tomasse e escondesse o verdadeiro. Mas depois que peguei ele mandou que eu o tirasse de lá.
– E você não podia desobedecer... – completou.
– Monstro tirou Mestre Régulus da caverna e o levou para o topo de um penhasco que tinha por perto, ele não aguentaria aparatar para mais longe. Mas então o Lord das Trevas apareceu com a Sra Bellatrix e outros comensais e... e...
– O que aconteceu? – perguntou assim que o elfo parou. – Monstro, por favor, me ajude...
– O Lorde das Trevas queria matá-lo por roubar sua Horcrux e mandou que a Sra Bellatrix fizesse o trabalho.
– E ela fez? – perguntou com a voz falhando.
– Ela falou alguma coisa no ouvido do Mestre Régulus e depois o empurrou do penhasco. Lord das Trevas mandou que o Sr Snape procurasse por ele no mar, mas não encontrou... Os peixes grandes o comeram, foi o que disseram...
– Meu...pai... – repetiu magoada. Novamente se decepcionava com seus pais. – E o medalhão?
– O medalhão estava nas roupas do Mestre Régulus.
– Então isso significa que...
– Foi perdido para sempre.
– Não, não pode ser... – rebateu – Monstro, eu tenho razões para acreditar que Reg está vivo! Ele sobreviveu, de alguma forma maluca, e está escondendo o verdadeiro medalhão!
– Mas... Como a Srta tem certeza? Monstro viu o Mestre Régulus caindo do penhasco... Monstro viu...
– Você o viu cair, mas por acaso viu um corpo?
– Não...
– Então! Eu tenho certeza que ele está vivo, mas preciso encontrá-lo... – respondeu animada – Monstro, Régulus foi uma boa pessoa para você, eu o conheci e para mim ele também foi! Por favor, me ajude a encontrá-lo! Eu preciso do medalhão que está com ele para destruir o Lord e fazê-lo pagar pelo que fez comigo, com o Reg!
– Monstro não sabe...
– Monstro, só preciso que me diga algum lugar que Régulus gostava ou odiava... Algum detalhe, qualquer coisa...
– Mestre Régulus sempre gostou de lugares frios... – comentou. – Dizia que combinavam com um líquido roxo dos trouxas imundos
– Líquido roxo?
– Monstro não lembra o nome certo Srta Black, desculpe...
– Tudo bem, você já ajudou bastante, obrigada Monstro. – agradeceu sorrindo. – Quer esse medalhão?
– Monstro pode?
– É claro... É um presente, fique com ele... – sorriu entregando ao pequeno elfo o medalhão falso. – Lembre-se do que me prometeu, essa conversa fica apenas entre nós dois, ninguém, nem mesmo Narcissa ou Bellatrix, podem saber disso...
– Sim Srta Black, Monstro não contará a ninguém.
– Ótimo, você pode ir agora... E obrigada Monstro.
– Monstro é que agradece Srta Black... Monstro vive para servir a Mui Antiga Casa dos Black. – disse fazendo uma pequena reverência e logo em seguida aparatando, deixando Violet sozinha com seus pensamentos.
– Nada... – sussurrou fechando os olhos.
Alessa estava certa afinal. Não adiantara nada Violet insistir em falar com o elfo, tudo que conseguira foram detalhes de sua suposta morte, mais decepções com os pais e que Régulus gostava de inverno.
– Tão diferentes... – comentou – Sirius prefere o verão, mas Reg...
E então algo aconteceu. À sua frente imagens desconexas apareceram e logo tomaram forma. Viu a mesma mulher das “visões” sentada em um sofá de couro, com a cabeça loira de um rapaz em seu colo. Os dois pareciam conversar e, sobre a mesa logo ao lado, duas taças com líquidos avermelhados e alguns petiscos.
– Ele está mais exigente... Insuportável! – reclamou ela.
– Não se preocupe, ele não fará nada...
– Minha preocupação não é ele, mas eu. Juro que se ele falar algo parecido de novo eu o jogo no Dordogne!
– Eu adoraria ver essa cena... – riu ele.
Os dois continuaram conversando, mas Violet não ouviu mais nada. A imagem tornou-se desfocada e, assim como chegou, foi embora, deixando-a confusa.
– Dordogne?
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