Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
38 Capítulo 37 – Mrs. Black?
Notas iniciais
CAPÍTULO 37 – MRS. BLACK?
“Srta Black?”
– 26 DE JULHO DE 1997 —
VIOLET EILEEN: A ESCOLHIDA DAS TREVAS
Por Rita Skeeter.
Caros leitores, todos sabem das novidades que andam cercando o mundo bruxo ultimamente e dos rumores de possíveis salvações. Acho que se lembram quando, há meses atrás, uma matéria sobre “A Escolhida” foi publicada por este humilde jornal, revelando que a única pessoa capaz de determinar o destino do mundo bruxo era nada mais nada menos que Violet Eileen Snape, a Princesinha Mestiça da Sonserina.
Violet sempre nos encantou com seu jeito rebelde e impulsivo, e graças à ele venceu a Taça do Torneio Tribruxo e entrou para a história. Entretanto, todos nós nos compadecemos com as tristes notícias recentes de que o pai da sonserina era um traidor e chegamos a sentir pena de Violet Snape, que sofria com a perda.
Mas não se enganem. Violet Snape ainda guarda muitos segredos.
Recentemente me foi enviado alguns arquivos reveladores que provam que a Srta Snape não é quem diz ser, e que seu passado é mais sujo que o do pai.
Todos nós sabemos que a garota foi abandonada pela mãe biológica, Lillian Potter, assim que nasceu e que só teve contato com o pai, Severo Snape, após os 14 anos. Mas alguém sabe onde Violet Snape esteve nesse intervalo de tempo? É de conhecimento geral que a garota foi adotada aos cinco anos por uma mulher que a educou até seu ingresso em Hogwarts, mas ninguém soube a identidade dessa mulher.
Fico extasiada em lhes dizer, caros leitores, que hoje acabam as mentiras.
Violet Eileen Evans Prince Snape é, na verdade, Violet Eileen Prince Snape Black, a única herdeira de dois dos maiores Impérios do mundo bruxo, adotada por Bellatrix Black, conhecida por seus feitos como “Comensal Lestrange”, a mais cruel e fiel serva de Você-Sabe-Quem. A garota foi educada desde criança para se tornar uma arma ao lado das trevas e, provavelmente, sabe todos os feitiços que um Comensal deveria saber.
A única esperança que ainda tínhamos acaba de ruir. ‘A Escolhida’ é filha do assassino de Alvo Dumbledore e, como se não bastasse, foi criada pela cruel Comensal Lestrange. Não podemos nos esquecer, é claro, que Violet Eileen nutria forte amizade por Draco Malfoy, envolvido diretamente nos feitos das trevas e filho de Lucio Malfoy, comensal atualmente preso em Azkaban. Sem contar Sirius Black, assassino em série responsável pelo ataque à casa dos Potter, comensal foragido há meses e, provavelmente, ligado à garota sonserina.
Devemos realmente confiar a uma adolescente de apenas dezessete anos o futuro do mundo bruxo? Somos obrigados a acreditar que uma pessoa com tantos laços familiares com as trevas possa ser a nossa única salvação?
Uma coisa lhes garanto: Violet Black é uma farsa.
– Eu não acredito... – sussurrou Violet surpresa segurando o exemplar do jornal em suas mãos – Como Rita Skeeter descobriu tudo isso?!
– Essa é uma boa pergunta... – respondeu Moody seriamente.
– Eu não entendo... Pensei que só a Sra Seyfried, você, Sirius, Jullie, Lupin e Dora soubessem da história! – exclamou Violet irritada – Como essa mulher consegue tanta informação?!
– Arquivo Geral dos bruxos. – respondeu Meryl entrando na sala.
– O que?
– O arquivo onde ficam anotados os nomes de todos os bruxos é separado por famílias em ordem alfabética, mas ontem desapareceram três registros. Black, Prince, Snape e Potter. — continuou sentando-se – Riddle está recolhendo todas as informações possíveis sobre você e seu irmão, e parece que ele descobriu sua recente mudança de nome.
– E a Skeeter?
– É uma parasita. – comentou Pierce – Esse artigo está claramente pondo em dúvida seu caráter... É isso que o Riddle quer, te desacreditar perante o mundo bruxo para ficar mais fácil de te capturar.
– E o plano perfeito é contar para todos que sou na verdade uma Black?
– Agora você tem laços familiares com os Comensais mais cruéis conhecidos: Bellatrix Lestrange, Sirius Black e Severo Snape. Ninguém vai ajudar alguém com essas conexões...
– Ótimo... Como se eu precisasse de mais essa! – suspirou Violet.
– Violet, eu não vim até aqui apenas para ver a Sophie e comentar essa matéria... Precisamos conversar, à sós. – avisou encarando os outros que estavam na sala.
– Daqui eu não saio. – respondeu Alastor.
– Vamos ao meu quarto então... – disse Violet levantando-se.
Os que ficaram na sala estranharam a atitude da Ministra, mas não disseram nada quando a loira seguiu Violet até o andar de cima, onde se trancaram no quarto.
– Aconteceu alguma coisa? – continuou Violet sentando-se em sua cama enquanto Meryl acomodava-se em uma cadeira ao seu lado.
– Dumbledore deixou um testamento, mas por questões burocráticas do Ministério a leitura só foi autorizada ontem à tarde... – começou abrindo a bolsa e pegando um envelope pardo. – Ele deixou a maior parte de suas coisas para Hogwarts e contribuiu com pesquisas que irão nos ajudar muito, mas também deixou quatro beneficiários e você é um deles.
– Mas... Nós nem éramos próximos ou algo assim.
– “Para Violet Black, deixo meu livro favorito na infância, na esperança de que ela encontre o que precisar em suas preciosas páginas.” – leu a mulher entregando um pequeno e grosso livro, já amarelado e gasto. – Olhe, como membro da Ordem você sabe por quem luto, mas como Ministra eu preciso te fazer algumas perguntas... Por que acha que Dumbledore te deixou esse livro?
– Eu... Não faço ideia... Talvez acreditasse que eu iria gostar?
– E você gostou?
– Claro! É uma edição completa de Feitiços Complexos! – respondeu sorrindo.
– Acha que possa ter algum recado ou instrução dele neste livro?
– Posso parecer um pouco grossa mas... Se o Ministério não encontrou nada esse tempo todo, como eu vou encontrar?
– Tudo bem, mas sabe que se encontrar alguma deve dizer à Ordem não sabe? – disse frisando a última palavra – Se tiver qualquer pista de Dumbledore, precisa nos contar Violet...
– Sim, eu sei... Se eu encontrar alguma coisa falo com o Alastor. – garantiu. – Quem foram os outros beneficiários de Dumbledore?
– Weasley, Granger e Potter. – respondeu levantando-se.
– Espera, eles receberam o quê? – perguntou Violet, recebendo um olhar curioso de Meryl, que estranhou o interesse.
– Weasley recebeu um Desiluminador, Granger um livro de contos e Potter o Pomo de Ouro que capturou em seu primeiro jogo de Quadribol em Hogwarts, além da espada de Godric Gryffindor, mas por ser propriedade privada da Escola e do Ministério, não poderá ficar com ela.
– Ao que parece ele deixou apenas objetos com valor sentimental para nós quatro... Bom, talvez não para o Rony, mas mesmo assim... – riu.
– Claro... – respondeu desconfiada – Agora preciso ir. Aproveite o livro Violet...
– Obrigada Sra Seyfried. – sorriu enquanto a Ministra saia do quarto para, meio segundo depois, as meninas entrarem.
– E então? O que minha mãe queria com você?
– Dumbledore... – começou analisando o livro em suas mãos – Ele deixou um testamento e eu sou uma das beneficiárias. Ele me deu um livro de Feitiços Complexos “de sua infância”.
– Um livro? Que estranho... – comentou Mary – E você sabe quem mais recebeu “herança”?
– Harry, Ron e Hermione. Tenho certeza que ele deixou algum tipo de mensagem escondida que vai nos ajudar… Dumbledore não faz nada em vão.
– Deve ser… Mas se demorou tanto para executarem o testamento, é porque o Ministério analisou minuciosamente, não é? E se o Ministério não encontrou...
– Sim, sua mãe me falou... – concordou Violet – E o mais estranho é que no testamento ele me chama de Violet Black! Será que ele sabia que alguém deixaria escapar depois de sua morte?
– Como ele sabia que você seria chamada de Srta Black depois que ele morresse? Isso é muito estranho...
O mundo bruxo estava em polvorosa com a novidade e acabou dividindo-se. Uma parte acreditou que Violet realmente estava predestinada a ser comensal e, assim como Draco Malfoy, seguiria os mesmos passos que o pai. Outros, entretanto, sentiam pena pelas conexões da garota e sua falta de sorte. Mas o sentimento que predominou foi realmente o medo. Se a Escolhida era filha de comensais, quem iria garantir que ela também não se tornasse uma e destruísse o mundo bruxo?
Violet, por sua vez, revirou o livro de todas as formas possíveis e leu todas as páginas e anotações, mas nada lhe chamou atenção, fora os excelentes feitiços que ela certamente tentaria mais tarde.
– Nada? – perguntou Alessa sentada em uma poltrona enquanto Violet deitava no sofá e Tonks conversava com Remo.
– Não... Se ele escondeu alguma pista aqui, foi muito bem feito... – suspirou Violet correndo os olhos por toda a extensão da página. – Não tem nada além de feitiços, muito bons por sinal, desenhos e... – disse, porém, nesse momento algo veio à sua mente ao observar a imagem de um anel ao lado do número da folha. – Desenhos...
– O quê? – perguntou Alessa, chamando a atenção de Tonks e Remo, que logo pararam de conversar para ouvir. Violet então passou as próximas páginas e percebeu um padrão, que parecia óbvio naquele momento.
– Esse feitiço é incrível! Temos que testar no Sirius... – respondeu sorrindo e levantando-se rapidamente – Alessa, vem comigo...
– O que vão fazer com o Sirius dessa vez? – interrompeu Lupin desconfiado.
– Apenas uma brincadeirinha... As coisas estão muito paradas depois do casamento. – justificou-se Violet com um sorriso travesso.
– Deixe as meninas Remo, será divertido... – debochou Tonks.
– Só não abusem certo?
– Pode deixar! – garantiu a morena subindo as escadas correndo e seguida por uma Alessa confusa. Logo Violet abriu a porta do quarto e, após entrar com a ruiva, trancou a porta. – Abaffiato! – sibilou chamando a atenção de Sophie, que escrevia, e Mary, que lia três livros ao mesmo tempo.
– O que aconteceu? – perguntou Mary.
– Eu já sei por que Dumbledore me deixou esse livro. – respondeu ansiosa, abrindo o livro e colocando-o em cima da mesa – Olhem os desenhos ao lado dos números das próximas sete páginas e me digam o que veem.
– Desenhos? – disse Alessa segundos depois como se fosse óbvio.
– Sim, mas não qualquer desenho... Olhem: um diário “sangrando”, um anel cortado, um medalhão, uma taça, um raio, um colar, uma cobra e um rosto... – disse apontando cada um dos desenhos.
– Horcruxes! – adivinhou Mary espantada.
– Quando Harry destruiu o diário de Tom Riddle, disse que uma espécie de gosma negra saiu das folhas... Como se estivesse sangrando. – disse apontando o primeiro desenho e logo virando a página – O anel é obviamente o dos Gaunt e Dumbledore aparentemente conseguiu destruir, o medalhão é o que o Rég roubou, a taça parece ser a mesma que Harry viu nas memórias do Riddle, a taça de Helga Hufflepuff, a cobra é Nagini e o rosto é o próprio Voldemort.
– Mas e o raio e o colar?
– Sua mãe disse que Dumbledore deixou a espada de Godric Gryffindor para o Harry, mas como é propriedade da escola, não pode ser herdado... – começou Violet juntando as peças do quebra-cabeça – Pensem comigo... Voldemort transformou objetos dos fundadores de Hogwarts em Horcrux: o medalhão de Slytherin e a taça de Hufflepuff. A espada de Gryffindor de algum modo vai nos ajudar, já que Dumbledore deixou para o Harry... Logo...
– O colar ou o raio devem representar Helena Ravenclaw. – completou Alessa.
– Exato. – concordou sorrindo. – Só precisamos encontrar esses objetos...
– Para isso temos um começo. Estávamos fazendo umas pesquisas... – disse Sophie pegando um caderno de anotações sobre a mesa – E vocês não vão acreditar no que descobrimos... O bilhete de quem roubou o medalhão estava assinado por Régulus Black, que teoricamente está morto...
– Teoricamente? – repetiu Alessa – Mas o Sirius disse que o irmão morreu...
– Não tem muitos registros dele depois que saiu de Hogwarts, mas eu descobri que em 1978 aconteceu uma festa para reunir a “velha guarda” da escola, e só para constar, você foi concebida nessa noite Violet.
– Ah, obrigada por esse detalhe... – debochou.
– Continuando... Sirius estava um pouco bêbado ontem e aproveitamos para perguntar da família Black. Segundo ele, Régulus estava diferente nessa festa, quase não falou com os velhos amigos e cada vez que encontrava Bellatrix, recebia um olhar assassino...
– Então deduzimos que foi nessa época que ele descobriu sobre as Horcruxes e roubou o medalhão. Por isso se afastou dos outros, ele já não era um comensal e não compartilhava dos mesmos ideais. – continuou Sophie – Voldemort descobriu e deu um jeito de acabar com o “rebelde” da turma.
– Assassinato. – completou Alessa.
– Isso. De acordo com Sirius, Régulus simplesmente desapareceu em janeiro de 1979 e um mês depois foi dado como morto. Mas o corpo nunca foi encontrado e o funeral não foi feito. Alguém falou que Régulus Arcturos Black estava morto e logo a sociedade bruxa inteira acreditava nisso.
– Ou seja, se não há corpo, não há evidências, e se não há evidências...
– Régulus Black pode estar vivo, guardando o medalhão. – completou Mary.
– Mas... Ele era um comensal, se estivesse vivo Voldemort já tinha encontrado...
– E se tudo não passou de um jogo de Voldemort para proteger a horcrux que ele mais gostava? – perguntou Sophie retoricamente – Ele pode ter desconfiado que um dia Dumbledore saberia do medalhão e resolveu dar um jeito. Entregou a horcrux à Régulus, deixou uma falsa no lugar e com um bilhete dizendo que a verdadeira seria destruída. Depois forjou a morte dele e o fez desaparecer, com o medalhão em segurança.
– Ou Régulus realmente conseguiu fugir vivo e escondeu o medalhão. Mas a primeira hipótese é mais provável...
– Caramba... – surpreendeu-se Alessa – Isso chega a ser surreal!
– Eu sei, mas é nossa melhor opção. Temos que encontrar o irmão do Sirius e pegar esse medalhão. É a primeira Horcrux que vamos procurar.
– Certo... E como vamos fazer isso?
– Então... Eu consegui pegar alguns livros na biblioteca particular da minha mãe e a Sophie também. Nós levamos para a Toca e, graças à Hermione, encontramos uma poção capaz de localizar objetos carregados com energia das trevas, nesse caso, Horcruxes.
– Isso realmente existe?! – surpreendeu-se Violet – E como é?
– É melhor deixar para quando sairmos, é perigoso falar tudo aqui... – respondeu Mary – E... Violet, descobrimos também uma coisa sobre o Internato onde você cresceu... – disse olhando Sophie com a expressão repentinamente séria e um tanto preocupada.
– O quê?
– Lembra que você comentou que o Castelo onde foi construído o Internato era uma antiga escola de magia e estava rodeada de feitiços de proteção que impediam qualquer pessoa de ser localizada nas redondezas e que poderíamos ir para lá?
– Sim...
– Você estava certa. – respondeu Sophie calmamente – Mas tem muito mais coisa nessa história, coisas que nós nunca imaginamos que existissem...
– Certo, agora estão me preocupando... O que descobriram?
– O castelo realmente foi uma escola de magia, mas não qualquer escola... – continuou Mary após suspirar – Era um Instituto celta de Magia das Trevas que ficou conhecido por quase todos os aurores. Instituto Tenebrarum.
– Isso... É sério? O castelo já foi uma escola das trevas?!
– Eu encontrei em um dos livros da biblioteca da minha mãe e perguntei qual era a história, ela me disse coisas assustadoras... – começou Mary – Para começar, esse Instituto foi fundado por Gorony Pendragon.
– Espera, Pendragon? Isso significa que Morgana... – surpreendeu-se Violet.
– Não, ela não tem nada a ver com essa história. – respondeu Sophie – Enfim... Acho que deve saber que Gellert Grindelwald foi um dos mais terríveis bruxos das trevas que já apareceram e que causou um verdadeiro terror por boa parte da Europa, mas nunca na Grã-Bretanha. Acontece que, em uma de suas viagens para formar seu exército, conheceu Gorony Pendragon, que demonstrava uma incrível sede pelos mesmos ideais que Gellert. Juntos, tiveram a ideia de criar uma escola onde pudessem treinar os filhos desses bruxos das trevas e prepará-los para que, quando crescessem, se juntassem a eles.
– Por que isso me parece familiar? – ironizou Violet, já imaginando aonde chegaria aquela história.
– Foi então que Pendragon construiu um Castelo aos moldes de Hogwarts, mas ninguém poderia saber o que pretendiam, então, cercaram esse castelo de todos os feitiços de proteção que se possa imaginar. – continuou Mary – Com a ajuda da magia, em poucos dias já tinham o lugar perfeito, cheio de corredores e salas, passagens secretas para que controlassem os alunos e um grande salão subterrâneo para os treinos. As paredes eram reforçadas e as janelas inquebráveis.
– Resumindo: um lugar indestrutível. – completou Sophie – Grindelwald então passou a recrutar os filhos de seus “seguidores” e os mandou para uma escola que prometia preparar essas crianças para um futuro brilhante. Quando tinham um número razoável de alunos, selaram um acordo e fizeram o Feitiço do Fiel, ou seja, nenhum trouxa ou bruxo poderia encontrar o castelo.
– Enquanto Grindelwald conquistava os países europeus, Pendragon passou a ensinar magia das trevas para as crianças todas as tardes, e para evitar que algo desse errado, assim que o treino acabasse eram todas obliviadas e mandadas para a cama. De manhã, brincavam normalmente e, logo depois do almoço, descobriam que eram bruxas e aprendiam magia.
– Assim essas crianças cresciam sabendo todos os feitiços que possam existir e, dias antes de deixarem o Instituto, eram novamente obliviadas e esqueciam que um dia foram àquela escola. Quando eram recrutados por Grindelwald, simplesmente sabiam o que fazer.
– Funcionava como uma espécie de lavagem cerebral infantil. – completou Mary.
– Isso é horrível! – surpreendeu-se Alessa.
– Depois que Dumbledore derrotou Grindelwald, Pendragon não tinha mais um exército para abastecer, mas sim uma sede de poder incrivelmente grande e resolveu continuar com o seu “trabalho”. Ele se casou, é claro, teve filhos... Mas nada o impediu.
– Então ele morreu “misteriosamente” após Voldemort começar sua onda de terror e a escola, com novos diretores, passou a alimentar os comensais. Os anos de magia negra praticada ao redor do castelo formaram uma espécie de barreira tão forte que confunde qualquer meio de localizar pessoas, tornando-as incomunicáveis. Magia nenhuma é capaz de derrubar essa proteção.
– Minha mãe disse que a escola só foi realmente desativada... – começou Sophie com cautela — ...três anos atrás, quando o Ministro descobriu que ele ainda existia e mandou que dois membros do Ministério fossem verificar. Comprovado, o diretor foi mandado à Azkaban e recebeu o beijo do dementador dias depois.
– Isso quer dizer que...
– Você foi uma das muitas crianças educadas no Instituto Tenebrarum. – respondeu Mary – Por isso que todas as matérias ensinadas em Hogwarts eram fáceis para você. Bastava ler uma vez que já gravava tudo na memória e dominava o assunto.
– Assim como todas as crianças do Instituto, você aprendeu magia desde que entrou no “Internato”, e à noite era obliviada. Quando Bellatrix começou a te ensinar magia, ela apenas passou os feitiços mais pesados enquanto os outros aprendiam no salão subterrâneo.
– Um pouco antes de deixar o Internato, alguém te obliviou e você simplesmente esqueceu que existia um Instituto Tenebrarum e seguiu acreditando que fora exclusivamente Bellatrix quem te ensinou tudo. – continuou Mary. – Quando vê alguma matéria que já aprendeu no Instituto, sua memória já sabe o que fazer e como fazer, mas também têm grandes buracos nas suas infâncias...
– Eu... Eu fui obliviada todos os dias por anos?! – exclamou nervosa – Então aquele...lugar...era protegido de tudo?
– Nem mesmo o Ministério poderia descobrir caso alguém usasse as maldições da Morte ali, por exemplo... E Voldemort não poderia sentir magia nessa área, justamente pela interferência da Magia Negra impregnada no Castelo.
– Violet... – começou Mary claramente preocupada – Você nos disse uma vez que sabia quais eram e como usar as Maldições Imperdoáveis... E você podia ver testrálios muito antes de o Cedrico morrer na sua frente...
– Mary... – pediu Violet nervosa.
– Por que você vê testrálios?
Violet então encarou as três garotas à sua frente e, percebendo que não poderia esconder esse segredo por muito tempo, respirou fundo e disse a verdade.
– Digamos que... O aluno não pode se limitar a observar seu professor. – respondeu simplesmente.
– Você...
– Eu tinha treze anos e Bellatrix me falou que já estava na hora de eu ir à Hogwarts, mas antes precisava provar que era boa e passar por um último teste... – começou a explicar com pequenas lágrimas em seu rosto pelas lembranças. – Ela fez exatamente a mesma coisa que Rodolphus quando se passou pelo Alastor, e depois era a minha vez.
– Aranhas? – perguntou Sophie aliviada.
– Coelhos. – respondeu Violet – Comecei com a Imperius... Eu consegui que ele andasse em duas patas, que subisse em árvores e até mesmo se fingisse de morto... Depois lancei a Cruciatus. – disse chorando – Ele se contorcia tanto! Fazia uns sons estranhos, como se estivesse gritando...pedindo... Eu não conseguia terminar o teste, mas então Bellatrix disse que eu precisava ser forte como ela. E eu fui.
– Merlin! Violet, você já... Já...
– Vocês nunca se perguntaram como eu consegui resistir às maldições de Voldemort no cemitério? – perguntou limpando suas lágrimas – Bellatrix me ensinou tudo que eu deveria saber sobre cada uma das três e exigia que eu conseguisse resistir a todas. Eu senti a Imperius e a Cruciatus por meses até resistir completamente.
– Ela testava as Maldições em você? Uma criança? – perguntou Alessa incrédula.
– Posso dizer que, apesar de tudo, foi graças a ela que consegui resistir às que Voldemort lançou... Por um segundo perdi o controle de mim mesma e cheguei a sentir a dor quadruplicada que ele me proporcionava. As Maldições de Bellatrix não chegavam aos pés das de Voldemort.
– Eu... Eu ainda não consigo acreditar... – sussurrou Sophie.
– Vocês disseram que o Castelo foi abandonado e que podemos ir para lá, mas têm certeza que é seguro? – perguntou Violet mudando rapidamente de assunto – Se a Bellatrix me colocou nesse Instituto, Voldemort também sabe onde fica!
– Pode ser... – respondeu Mary, aliviada pela mudança no assunto – Mas ninguém sabe que esse Instituto realmente existiu e muito menos onde fica. Voldemort não iria gastar comensais que poderiam estar nos vigiando para guardar um castelo velho que só pode ser visto por alguém que já esteve lá.
– Eu morei lá.
– Sim, mas ele nunca vai desconfiar que você já sabe o que realmente foi o Instituto, para ele, você acredita que foi apenas um Internato onde passou as piores lembranças de sua infância... – explicou Mary – E exatamente por você ter morado lá, sabe onde fica e pode nos levar.
– Sem contar que quando você anotou o endereço do Internato e me deu, todos que leram podem ver o castelo... Exatamente como acontece com essa casa.
– Certo... E como vamos para lá? Porque eu acho difícil não notarem oito pessoas saírem da festa de casamento. – ironizou a ruiva.
– Eu falei com a senhora Weasley e ela disse que Harry vai disfarçado de Barny Weasley, primo distante deles. – começou Sophie – Você também vai tomar a Poção Polissuco Violet, e provavelmente será da família da Fleur. Ou seja, loira, branca como papel, olhos verdes, metida, egocêntrica...
– Tá, eu já entendi. – interrompeu – E...?
– E, Alessa vai fingir que se interessou pelo novo ruivo Weasley e vai grudar nele a noite toda. – continuou Mary sorrindo enquanto Alessa fazia careta – É ruiva com ruivo, ninguém vai notar!
– Ah, claro que não... – ironizou.
– Enfim, você vai ficar com o Harry, Rony e Hermione, enquanto eu e a Mary ficaremos com o Vitor.
– E eu?
– Você vai ficar inicialmente com os Delacour, mas depois a Fleur vai te apresentar à Saoirse que vai te levar para sentar com a gente. – explicou Mary. – Vamos embora depois do bolo. Primeiro vamos nós três com o Vitor e depois de alguns minutos Alessa vai com o Harry e os outros.
– O plano é o Vitor aparatar com a gente até uma estação de trem trouxa, vamos entrar nesse trem e descer algumas estações depois, onde um carro nos espera. Aí é só dirigir até o Instituto. – explicou Sophie – Vamos ficar no salão subterrâneo.
– E desde quando o Vitor sabe dirigir carros trouxas?
– Ele começou a aprender quando disse que ia com a gente. Mas enfim, Rony também sabe dirigir, então o plano para o outro grupo é o mesmo. – continuou Sophie – Caso algo dê errado, o grupo que chegar primeiro só vai esperar dois dias, se o outro não chegar, vai começar a missão.
– Mas e a poção localizadora? Vamos precisar dos dois grupos não é? – perguntou Violet.
– Não, só precisamos de você. – respondeu Sophie – Por isso a poção ficou comigo e com a Mary. Mas não pergunte, só vamos falar tudo quando chegarmos ao Instituto e...
– Meninas! O almoço está pronto! – gritou Jullie do outro lado da porta.
– Já vamos! – respondeu Alessa. – Viu porque não podemos falar disso aqui?
– Certo... Só tem uma coisa... Eu tenho mesmo que ser uma Delacour? – reclamou Violet descendo as escadas com as meninas.
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