Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
31 Capítulo 30 - It’s Hard To Say Goodbye
Notas iniciais
CAPÍTULO 30 – IT’S HARD TO SAY GOODBYE
“É difícil dizer adeus”
– NARRAÇÃO –
Havia se passado uma noite inteira desde que o incidente na Torre acontecera. O Ministério fora chamado e logo a notícia de que Alvo Dumbledore estava morto alastrou-se pelo mundo bruxo acompanhado pelo medo e a desilusão.
Violet, entretanto, ainda dormia quando Lupin entrou no quarto para chamar Moody para uma reunião da Ordem. Alastor não queria deixá-la sozinha, mas sabia que ela ficaria bem por algumas horas e decidiu descer com o lupino.
Hogwarts, por sua vez, estava cercada por aurores e membros do Ministério, bem como a própria Ministra. O funeral de Dumbledore estava planejado para um pouco antes do por do sol e logo em seguida o Expresso de Hogwarts levaria os alunos de volta para suas casas.
A escola seria fechada e não tinha previsão de volta.
Quando Violet acordou, a dor em seu peito continuava lá, o cansaço gerado pelos gritos desesperados da noite passada estava ainda mais forte e ela sentiu que sua garganta doía, bem como os olhos estavam pesados e a cabeça latejava. Quando olhou ao redor, lembrou-se que fora trazida para a sede da Ordem e que Alastor passara um bom tempo consolando-a.
– Ele ficou comigo... – sussurrou rouca.
Sua vontade era sorrir com o ato do padrinho, mas não tinha forças para expressar qualquer felicidade ainda. Quando levantou-se e foi para o banheiro, percebeu o quão pálida estava.
Encarar os olhos azuis opacos no espelho a fez pensar no estado em que chegara e ficha finalmente caiu. Severo não se importou com ela quando mentiu e matou Dumbledore, por que ela tinha que se importar? Por que tinha que sofrer enquanto ele provavelmente recebia as glorias por ter assassinado o grande diretor de Hogwarts?!
“Você é uma garota incrível e merece todo o amor do mundo, mas infelizmente têm muitas pessoas dispostas a estragar sua felicidade que vão fazer o possível e o impossível para isso... – continuou ele – Não deixe que eles consigam!”
– Não vou deixar. – respondeu ela jogando água fria no rosto – Ele vai se arrepender de um dia ter feito isso comigo...
Violet estava destroçada, mas acima de tudo, estava irritada e guardava um grande ódio dentro de si. As pessoas que mais amou em sua vida lhe deram as costas, mas agora era sua vez de reagir.
Logo após um banho frio, Violet trocou suas roupas e prendeu o cabelo num rabo de cavalo alto, dispensando qualquer tipo de maquiagem e descendo as escadas da casa normalmente. Quando chegou à cozinha, percebeu que alguém conversava.
– Você realmente mudou Moody... – disse Jullie – Eu nunca imaginei que passaria a noite toda consolando uma adolescente...
– Essa “adolescente” é a minha afilhada. – rebateu ele – Snape fez uma idiotice muito grande quando matou Dumbledore na frente dela... Ele não poderia ter traído à todos nós! À ela! Violet é a filha dele! Que tipo de homem faz aquilo?!
– O tipo comensal. – disse Sirius. – O Ranhoso sempre foi fascinado pelas artes das trevas, mas agora percebemos o quanto...
– Se ele aparecer no meu caminho, faço até o impossível para acabar com a raça daquele traidor! – rosnou Moody.
– Não é só por causa de Dumbledore ou orgulho ferido é? – perguntou Jullie.
– Dane-se o orgulho ferido. – rebateu Moody — Ninguém mais vai chegar perto de machucá-la de novo se eu puder evitar... Ela a quebrou por dentro, mas eu juro que vou fazer de tudo para juntar os pedaços.
– Sabe, você daria um bom pai... – comentou Jullie. – Um pai protetor que faria de tudo para proteger a filha.
– E não é isso que os pais fazem? Protegem os filhos?
– Não todos.
– Eu não faria o que aquele desgraçado fez...
– Eu também acho. – pronunciou-se Violet finalmente entrando na cozinha e surpreendendo Moody.
– Não deveria estar descansando? – perguntou Alastor ignorando o comentário da garota.
– Cansei de descansar. – respondeu.
– Então senta aqui que eu acabei de arrumar a mesa para o café da manhã... – sorriu Jullie – Torradas, biscoitos, bolo, geleia, doce de amendoim...
– Uau... Vocês realmente comem tudo isso? – surpreendeu-se Violet, trancando em sua mente o episódio da noite passada à sete chaves.
– Jullie está mais faminta ultimamente... – comentou Sirius.
– Está me chamando de gorda?
– Eu?! Não claro que não... – desviou – Mas suas mudanças de humor estão me matando... Sério, você precisa fazer uma visita à Madame Ponfrey.
– Eu não preciso coisa nenhuma, não estou doente se é o que está insinuando. – rebateu a ruiva.
– Eu não disse isso...
– Mas pensou.
– Não pensei nada!
– Pensou sim, eu te conheço Sirius.
– Já pensaram em casamento? – intrometeu-se Violet – Vocês parecem um casal de velhos reclamando da vida, dos filhos, das dívidas...
– Ah, acho que não contamos à ela ainda... – murmurou Jullie sentando-se no colo do namorado/noivo – Sirius me pediu em casamento mês passado...
– Eu não acredito... Sirius Black e casamento na mesma frase? – debochou a garota surpreendendo os demais, que pensavam que ela estaria depressiva e mal humorada – Você está bem Sirius?
– Obrigado pelo crédito, fiquei lisonjeado... – ironizou – Mas sabe que ultimamente estou repensando meu pedido... Essa ruiva é tão temperamental que eu corro o risco de receber um grande não no dia do casamento. – debochou Sirius.
– Eu não dispensaria um bom partido como você... Tem casa, empregados e um bom dinheiro... – riu ela.
– Interessada no meu patrimônio! Acha que isso é bonito é? – fez-se de ofendido — Sabe Moody, não se fazem moças como antigamente.
– Graças a Merlin! – comentou Violet – Se não você teria ouvido algo como “seu pai é advogado?” e teria se encantado...
– Como você sabe disso? – perguntou Sirius.
– Já me fizeram essa pergunta...
– Mas o que tem a ver? – perguntou Jullie confusa.
– Jullie querida, seu pai era advogado? – começou Sirius com um sorriso torto.
– Sim... Por quê? – respondeu desconfiada.
– Porque ele fez direito. – piscou.
– Eu não acredito. É sério que as meninas de antigamente caíam nessa? – debochou Jullie.
– Bons tempos... Ai! – exclamou ele assim que a ruiva lhe aplicou um beliscão – Viram? Essa ruiva tem um fogo...
– Sirius! – rebateu Jullie corada.
– O quê? Ah! Bom... Finjam que não ouviram essa parte... – respondeu ele beijando a bochecha de Jullie carinhosamente.
– Certo, acho que eu não preciso presenciar uma cena dessas logo de manhã... – comentou Violet sorrindo levemente.
– Tudo bem, vamos deixar para mais tarde.
– Sirius Black, se você abrir essa boca para falar algo parecido de novo eu juro que arranco sua língua! – exclamou Julianne levantando-se e ocupando o lugar na cadeira ao lado.
– Vocês viram? Eu vivo sob pressão!
– Já deu para perceber quem colocou a coleira em quem... – debochou Alastor fazendo Violet rir abertamente, o que o deixou extremamente satisfeito.
– Hmm... Violet, eu sei que você não está muito bem, mas preciso te perguntar uma coisa... – disse Jullie, recebendo um olhar zangado de Alastor.
– Pode perguntar...
– Dumbledore será velado hoje, um pouco antes do por do sol, no jardim de Hogwarts... – começou a ruiva – Se você quiser ficar em casa...
– Não. – respondeu ela com um nó na garganta por ouvir o nome do diretor. – Eu quero prestar uma última homenagem à Dumbledore, ele merece...
– Tem certeza? – perguntou Moody – Todos os seus amigos estarão lá e boa parte do mundo bruxo e do Ministério... Você sabe que vão te encher de perguntas.
– Não vou para responder perguntas. – disse Violet – Como conseguiram que Dumbledore fosse enterrado em Hogwarts? Pelo que sei nenhum outro diretor conseguiu isso...
– Dumbledore fez muito pela escola, mais que qualquer outro... – respondeu Sirius — Hogwarts deve isso à ele.
– Sim, com certeza... – concordou Violet – Que horas vamos?
– Por volta das quatro... – respondeu Jullie. – O Expresso de Hogwarts estará esperando assim que o enterro acontecer para levar os alunos para casa...
– O que isso significa?
– Significa que Hogwarts fechará os portões por tempo indeterminado.
– Fechar? – repetiu Violet surpresa – Mas... Dumbledore dizia que se tivesse um aluno disposto a receber aulas, a escola deveria estar aberta para esse aluno! Não podem fechar Hogwarts, é o único lar que muitos alunos têm...
– Quando a Câmara Secreta foi aberta Dumbledore considerou fechar a escola e mandar os alunos para casa. – respondeu Moody — O diretor ser assassinado por um dos professores é uma situação grave e já chamou atenção do Ministério e da imprensa. Meryl não vai conseguir segurar por muito tempo...
– É só até conseguirmos controlar a situação e fazermos Hogwarts um lugar seguro novamente. – sorriu Jullie – Tenho certeza que não é definitivo... Talvez no próximo ano tenha aulas novamente! Minerva não deixaria os alunos sem um lugar para ir.
Violet apenas assentiu e continuou a comer os biscoitos com uma concentração absurda que chamou a atenção de Jullie, que imediatamente teve uma ideia.
– Violet, o que acha de me ajudar em algumas coisas lá em cima? – perguntou a ruiva – Sirius é o maior bagunceiro que existe!
– Claro. – sorriu Violet.
Enquanto Moody e Sirius conversavam sobre o que fazer em seguida, Jullie e Violet foram para o quarto da ruiva e passaram a arrumar as coisas. A mais velha, entretanto, percebeu a garota quieta e silenciosa ao seu lado e resolveu fazer algo a respeito.
– Você guardaria um segredo? Ninguém pode saber ainda, nem Sirius ou Alessa...
– Tudo bem. – respondeu ela curiosa.
– Em breve a família Black terá um novo integrante.
– Como... O que você quer dizer? – perguntou já imaginando a reposta.
– Estou grávida! – sussurrou sorrindo.
– Sério? Eu não acredito! – exclamou Violet já com um sorriso de orelha a orelha. – De quanto tempo?
– Dois meses. – respondeu, satisfeita por ter tirado um pouco de preocupação da cabeça da garota. – Fui falar com a Papoula semana passada e ela confirmou... Sirius será pai!
– Merlin! Isso é incrível! Parabéns Jullie, tenho certeza que ele vai adorar! – disse Violet abraçando Jullie. – Então terei outro primo?
– Ou prima. – piscou.
– Agora entendi... Por isso o Sirius falou que você está mais temperamental e faminta nos últimos dias. E quando eu fui visitar a Alessa na enfermaria você disse que comia por dois! Como eu não percebi antes?
– Digamos que sou boa em guardar segredos... – sorriu – Alessa vai me matar quando souber, até imagino o que vai dizer... “Jullie, você terá um cachorrinho!”
– Ou uma bola de pelos. – completou Violet rindo e realmente imaginando a situação – Ela vai reclamar de ser tia tão nova...
– Ela que reclame o quanto quiser! – riu – Se for um menino será igual ao pai, e isso me preocupa... Imaginou dois conquistadores dentro de casa, aprontando todas e fanáticos por quadribol?? Eu não aguentaria...
– Se for menina ele vai se tornar um pai super protetor, tenho até dó do garoto que ousar chegar perto dela...
– Nem me diga isso... – sorriu a ruiva.
– Eu sei que é muito cedo para isso, mas já pensou em algum nome?
– Eu tenho alguns em mente... Ivanna, Evelyn, Kristen, Alya, Athena, Pollux, Anthony, Adam, Nicholas, Gordon, Gary… São tantos! E Sirius deve ter alguma sugestão também... – riu.
– E como vai contar a ele?
– Eu tive uma ideia hoje de manhã e acho que pode dar certo... Originalmente iríamos nos casar no próximo mês, mas conversamos e resolvemos adiantar. O inacreditável é que eu nem sugeri nada, ele que veio falar comigo noite passada e disse que queria se casar comigo o quanto antes, que estava ansioso em me ver de vestido branco e me chamar de Sra Black... Ele disse tantas coisas fofas que eu quase não acreditei que era mesmo ele na minha frente...
– Fico tão feliz por você Jullie! – disse Violet abraçando-a de lado. – E quando vão se casar?
– Em uma semana.
– Uma semana?! Mas... Mas vai dar tempo de arrumar tudo?
– Ele me garantiu que vai preparar o lugar e a decoração e disse para eu me preocupar apenas com meu vestido e “essas coisas de mulher”, e a decisão de quem serão meus padrinhos de casamento também...
– E quem vai convidar?
– Eu escrevi uma carta para uma pessoa que não vejo há anos, ela até já respondeu e confirmou, chega amanhã. Só preciso encontrar alguém para acompanhá-la... – disse a ruiva – Quanto ao vestido, vou com a Alessa à Hogsmead para mandar fazerem meu vestido, tenho algumas ideias em mente...
– Então... A surpresa será no casamento?
– Estou pensando em falar logo depois do “eu os declaro Sr e Sra Black” como um presente de casamento...
– Uau... Ele vai ter infarto lá na frente! Tem certeza que quer dar esse susto nele?
– É claro! Será o troco por ele dizer que estou mais gorda nos últimos dias.
– Ele não disse isso...
– Violet, quando um homem como ele diz que você está faminta ultimamente, quer dizer que você está gorda. – explicou – Além do mais é só um sustinho...
– Eu preciso ver a cara dele quando descobrir que será papai... – riu a morena. – Só uma dúvida... Sirius é um fugitivo, quem vai oficializar o casamento se todas as autoridades do Ministério estão procurando por ele?
– Eu perguntei a mesma coisa e ele me garantiu que conhece a pessoa perfeita para isso, então eu confio nele...
Violet ainda sentia uma dor no peito, mas não por causa do pai e sim pela morte de Dumbledore. Jullie era igual à Alessa e isso trazia a sensação de conforto para a mais nova, que embrenhou-se numa conversa leve e aleatória com a ruiva até Sirius subir para avisá-las que estava na hora.
Violet então trocou suas roupas para algo mais sóbrio e soltou o cabelo, assim como a ruiva. Quando desceram, Moody estendeu as mãos e, assim que as duas mulheres apoiaram-se nele, aparatou para Hogsmead, onde pegaram uma carruagem e desceram nos portões de Hogwarts.
O caminho de pedras trouxe tantas lembranças que Violet cruzou os braços numa tentativa de conter a dor que voltava a se alastrar em seu peito.
A última vez que conversamos eu estava com raiva dele... Dumbledore foi embora se eu a menos me desculpar.
Jullie percebeu e, enquanto inúmeras pessoas acompanhavam os três até o jardim onde seria feito o velório, abraçou Violet pelos ombros e lançou-lhe um sorriso compreensivo.
Quando finalmente chegaram, Violet percebeu que havia muitos bancos virados para uma placa de mármore branco, logo debaixo de uma das árvores mais antigas da escola e ao lado do Lago Negro. Todos já sabiam que fora Severo Snape quem matou Dumbledore, e Violet conseguiu todas as atenções assim que sentou-se ao lado de Alastor junto aos membros da Ordem e Jullie.
O Ministério estava quase que em peso na primeira fileira, Meryl mantinha a expressão fechada e estava de mãos dadas com Pierce, ambos de óculos escuros. Ainda no mesmo banco estavam os professores de Hogwarts e os funcionários, todos com lenços na mão e lágrimas caindo silenciosamente. Na fileira de trás estavam os aurores e, assim como Meryl e Pierce, Catherine e George também estavam de mãos dadas, um apoiando o outro.
Da terceira fileira em diante já não existia uma ordem especifica, mas Violet viu quase todos os membros da Ordem, pessoas que pareciam ser pais de alunos e os próprios alunos, os funcionários do Expresso de Hogwarts, de Hogsmead e até mesmo o motorista e cobrador do Naltibus Andante, que a cumprimentaram com uma pequena e imperceptível reverência.
Violet viu as meninas e Harry em um dos cantos, conversando abaixo de uma velha árvore calmamente, nenhum traço de alegria ou felicidade em seus rostos. Violet pensou em ir até eles, mas sabia que fariam perguntas. Estar com Alastor Moody era sua maior proteção naquele momento e ninguém ousaria importuná-la enquanto o padrinho estivesse por perto.
O clima não poderia ser mais pesado. Enquanto o alaranjado do por do sol alastrava-se pelo campo esverdeado, passos foram ouvidos e logo Hagrid entrou com um corpo envolto em panos brancos em seus braços. O corpo de Dumbledore.
Minerva estava com os olhos levemente inchados e logo soluços fizeram-se ouvir dentre os inúmeros presentes. Violet estava cansada de chorar, logo, segurou-se com todas as forças para não desabar novamente, e Alastor percebeu. O padrinho a abraçou e a garota deitou sua cabeça no ombro do ex-auror e fechou os olhos, suspirando funda e lentamente.
Hagrid, de um modo um tanto desajeitado, colocou o embrulho branco sobre a grande pedra de mármore e afastou-se para se sentar ao lado do irmão gigante, ocupando cerca de metade do banco.
O silêncio imperava e, por um momento, Harry perguntou-se se ninguém diria algo. Talvez o momento não precisasse de palavras. Até mesmo o Salgueiro Lutador, sempre tão inóspito, estava quieto e com os galhos baixos. A grama já não estava totalmente verde e as marcas de quando Violet liberou Magia Negra permaneciam presentes no solo.
Minerva então, respirando fundo e levantando-se, tomou coragem e prostrou-se em pé ao lado da grande pedra e diante da multidão. Seus olhos ainda estavam inchados, mas os soluços de minutos antes foram controlados e logo todos a encaravam, esperando pelas sábias palavras da provável nova diretora.
– Em nome de todos os professores de Hogwarts, agradeço pela presença de vocês nesse dia tão triste... – começou ela enxugando as lágrimas com um pequeno lenço quadriculado – Dumbledore foi, e sempre será, o maior diretor que essa escola já teve... Um bom professor e, acima de tudo, um grande amigo. Ele sempre teve uma palavra de conforto e sempre ajudou quem lhe pedia. Mesmo longe, estará em nossos corações... – continuou ela, porém, nesse momento baixou os olhos e permitiu-se derramar lágrimas – Vamos sentir sua falta Alvo... – sussurrou fechando os olhos e logo sendo aplaudida pelos presentes.
Foi nesse momento que Violet percebeu que até mesmo os sereianos haviam deixado as profundezas do Lago Negro e se encontravam à superfície e os centauros prostravam-se atrás das arvores da floresta, observando atentamente. Minerva então retomou a compostura e ergueu a varinha.
Um filete de luz branca saiu da mesma e rodeou a grande pedra de mármore, erguendo firmes paredes nos quatro lados até que finalmente fecharam-se e formaram uma lápide de mármore branco, e sobre ela, uma frase.
"Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas uma aventura seguinte." — Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore, o maior diretor que Hogwarts já teve.
O sol brilhou no céu e, antes que se escondesse atrás das colinas, os Centauros dispararam suas flechas em homenagem a Dumbledore e desapareceram no verde das arvores, os sereianos entoaram uma melodia harmoniosa e mergulharam e todos os presentes romperam o silêncio.
– O Potter quer falar com você... – disse Alastor à afilhada. – Tenho que resolver algumas coisas com a Meryl, por que não aproveita e fala com seu irmão?
– Tudo bem... – concordou Violet levantando-se, logo seguida por Alastor.
– Vai ficar bem? – perguntou indicando os jornalistas que conversavam com Minerva sobre o que seria feito de Hogwarts.
– Não se preocupe, se eles se aproximarem eu grito e você vem correndo para expulsá-los e lançar maldições imperdoáveis... – sorriu.
– Se cuida pirralha... – respondeu ele beijando sua testa e logo caminhando até Meryl.
Violet então procurou Harry e quando o encontrou, ele estava sozinho debaixo de uma árvore.
– Hey... – começou ela.
– Vi! – exclamou abraçando-a – Você está melhor?
– Estou sim, obrigada... – respondeu. — E você?
– Ainda não acredito que Dumbledore está morto... – disse ele abaixando a cabeça – Eu ainda espero que a qualquer momento ele surgirá do nada elogiando o enterro e perguntando dos docinhos de limão, mas também sei que isso não vai acontecer... Ele se sacrificou à toa e não vai mais voltar.
– Sacrificou? – repetiu Violet – O que quer dizer com isso? Aliás, vocês foram procurar uma horcrux ontem não é? Como foi? Conseguiram?
– Sim... Dumbledore encontrou o lugar onde estava o Medalhão e eu fui junto. – começou Harry abaixando o tom de voz para que ninguém ouvisse – Era uma caverna muito profunda e escura, estava alagada e bem no centro dela tinha uma pequena ilha com um pedaço de gelo encantado. Para pegar o medalhão Dumbledore teve que beber tudo que estava no gelo e enlouqueceu, perdeu as forças e quase desmaiou. Quando ele finalmente tomou tudo e eu peguei o medalhão, milhares de Inferis apareceram e nos atacaram... Dumbledore então usou o resto de suas forças para nos tirar de lá e quando voltamos ele percebeu que algo estava errado no castelo. E então vimos você.
– Dumbledore não se defendeu porque estava fraco? – perguntou Violet. – E por que você disse que foi em vão?
– Porque o medalhão é falso. – respondeu amargo – Ontem à noite eu estava olhando e percebi que ele não tem nada a ver com o original, sem contar que dentro tinha um pedaço de pergaminho com um bilhete... – disse pegando o pedaço de seu bolso e entregando à Violet, que leu atentamente – Alguém chegou primeiro e pegou o medalhão, mas eu não sei quem pode ser...
– Eu sei.
– Sabe? – surpreendeu-se.
– Eu conheço essa letra... R.A.B. – leu – Régulus Arcturus Black. O irmão do Sirius.
– O quê?! Mas... Ele era um comensal!
– Sim, eu sei, mas pode ser que ele tenha se arrependido e fugido com o medalhão... Você sabe se ele está vivo?
– Ninguém sabe. Régulus Black simplesmente desapareceu um pouco depois que o Almofadinhas foi preso... – respondeu Harry. – Mas Voldemort não deixaria que um de seus servos se voltasse contra ele não é? Régulus deve estar morto...
– E por que o corpo dele nunca foi encontrado? – perguntou Violet – Se Voldemort realmente o matou, iria querer que todos soubessem o que acontece quando alguém trai sua confiança... Temos que encontrá-lo!
– Sua avó fez o mesmo e ninguém jamais soube que ela era uma comensal e que foi assassinada... – rebateu Harry – Talvez ele não queira que outros comensais saibam e se voltam contra ele, assim como Eileen e Régulus fizeram.
– Faz sentido... – concordou pensativa. – E o que vamos fazer então?
– Eu vou terminar a missão de Dumbledore. – respondeu Harry.
– Encontrar as Horcruxes? – perguntou Violet recebendo um aceno positivo – Então eu vou junto.
– Violet...
– Não começa Harry. A profecia envolve diretamente o meu nome, eu sou a única capaz de derrotá-lo definitivamente, e você é o garoto-que-sobreviveu! Estamos juntos nessa Harry... Vamos encontrar as Horcruxes e destruí-las... – falou com certeza.
– Ron e Mione me disseram a mesma coisa... – sorriu – Eles vão comigo, ou melhor, com a gente. Querem ajudar.
– A Hermione é ótima em planos e vai nos ajudar bastante. – concordou Violet – E quando vocês pretendem ir?
– Com tudo que aconteceu nós não vamos conseguir uma oportunidade de fugir tão cedo, então a Mione disse que nossa única chance é o casamento da Fleur e do Gui. – respondeu – Estamos pensando em ir antes de terminar a festa, assim dá tempo de nos despedirmos e ninguém vai perceber até que estejamos longe... O que acha?
– Acho ótimo. – concordou Violet cruzando os braços.
– Vou falar com a Mione para ver se ela sabe alguma coisa do irmão do Almofadinhas.
– Certo.
– Vi... Como se sente sobre ontem? – perguntou receoso, com medo de que a irmã começasse a chorar de novo.
– Com raiva, ódio, mágoa... Mas não vou sofrer por causa dele, chega disso Harry, cansei e já enterrei essa memória na minha mente. – disse calmamente – Harry, ontem à noite Snape me disse uma coisa sobre você que me deixou intrigada... Um pouco antes de ele ir embora eu tentei duelar com ele e até cheguei a lançar um feitiço que aprendi com a Bellatrix, mas ele ficou furioso e perguntou com quem eu aprendi e se foi você que me deu o livro do príncipe mestiço... – disse recordando das palavras do ex-professor, porém, percebeu a expressão de Harry passar de compaixão para culpa – Harry, por favor, minha cota de mentiras acabou... Me fala a verdade.
– Tudo bem... – suspirou cruzando os braços – Lembra que eu e o Rony não estávamos na aula de poções porque o Snape nos reprovou? Então... Quando McGonagall disse que poderíamos participar, já que era outro professor, nós tivemos que usar livros de ex-alunos que ficam no armário da sala. Rony pegou um novo e eu acabei com um velho. Na capa dizia: “Este livro pertence ao Príncipe Mestiço”.
– Príncipe Mestiço? – repetiu, reconhecendo o apelido.
– Esse livro tinha muitas anotações e correções das poções, inclusive feitiços que esse tal príncipe criava.
– Por isso você melhorou em poções? O Bezoar... Você trapaceou!
– Não, eu usei os recursos que eu tinha. – defendeu-se – A Mione tentou me convencer a devolver o livro e dizia que ele tinha muita Magia Negra e podia ser perigoso... Mas eu estava meio que viciado em ser o primeiro da classe e aprender mais com aquelas anotações que eu não dei atenção.
– Continue.
– Mione tinha uma teoria sobre quem poderia ser o dono do livro...
– Snape. – respondeu Violet. – Ele era mestiço e o príncipe veio de Prince.
– Isso. Eu demorei um pouco para acreditar, mas acabei concordando... Ele era muito bom em poções e até você já tinha sido chamada de Princesinha Mestiça, era idiotice não acreditar.
– E por que não me contou?
– Porque eu pensei que você fosse pegar o livro e entregar para o seu pai... – admitiu – Desculpe Violet, deveria ter contado.
– Certo... Mais alguma coisa que eu deveria saber?
– Acho que não.
– Ótimo, então vou te pedir um favor.
– Claro. – respondeu aliviado pensando que Violet não estava zangada.
– Nunca mais minta para mim Harry. – pediu firmemente – Eu odeio mentiras e todos esses segredos acabam comigo, não sabe que esconder as coisas é como uma bola de neve? Fica cada vez maior até que você não consegue mais sustentá-la e então machuca as pessoas ao redor...
– Tudo bem, eu sinto muito Violet, de verdade...
– Dessa vez não vou brigar nem discutir, é a última coisa que me interessa nesse momento. – respondeu – Mas não faça isso de novo.
– Você fica assustadora quando fala desse jeito... – riu Harry descontraindo o clima.
– É um dom útil. – concordou sorrindo.
– Você já viu o Lupin e a Tonks?
– Não, por quê?
– Bem... Eles estão melhores do que nunca.
– Eles estão juntos?! – surpreendeu-se ela – Quando isso aconteceu?
– Pelo que o Lupin me disse, um pouco depois que nós viajamos... Eles estão namorando firme agora, ele disse até que está pensando em pedi-la em casamento! Só está esperando “o momento certo”, como ele mesmo disse. – riu.
– Uau... Casamento? Mais um? – surpreendeu-se – Primeiro o Sirius, agora o Lupin...
– Sirius?
– Descobri hoje de manhã... Ele e Jullie vão se casar.
– Sirius? Casamento?!
– Eu disse a mesma coisa. – riu — O que mais eu perdi nos últimos dois meses?
– Muita coisa! – exclamou Tonks subitamente atrás de Violet, assustando-a e logo puxando-a para um forte abraço. – Senti sua falta...
– Hmm... Vou falar com a Luna, até depois Vi... – comentou Harry dando mais privacidade às meninas, que apesar do clima triste, sorriam felizes com o reencontro.
– Fico tão feliz que esteja de volta... – disse Tonks logo se afastando.
– Senti falta dessa sua loucura... – riu Violet.
– Como você está? Eu te procurei ontem mas acho que o Alastor chegou primeiro...
– Estou bem. – respondeu a menor – Mas não vamos falar disso, me conta... O que eu perdi nos últimos dois meses?
– Jullie e Sirius vão se casar...
– Sim, eles me contaram hoje... Chega a ser surreal, eu não consigo imaginar Sirius Black casado...
– Jullie o pegou de jeito. – piscou Tonks, parecendo ainda mais jovem com o sorriso que se alastrou por seu rosto.
– Seu cabelo está rosa de novo! – sorriu Violet – Lupin teria algo com isso?
– Algo não... Tudo! – concordou sorrindo – Ah Vi, se não fosse a situação eu estaria pulando de alegria por aí. Remo me procurou um pouco depois que você sumiu, e eu quero saber o motivo depois, e conversou comigo... Ele se declarou e falou coisas tão fofas que eu não pude resistir...
– Então vocês estão juntos?
– Com certeza. Ele até vai me pedir em casamento!
– Como?!
– Eu ouvi uma conversa dele com o Harry... – confessou marota – Remo disse que está esperando o momento certo, mas essa parte eu ainda não sei.
– Eu não acredito que ouviu a conversa dele e estragou a surpresa!
– Mas será uma surpresa! – defendeu-se – Eu não sei quando vai ser, então...
– Dá na mesma... – rebateu Violet – E sua mãe? Ela aprova?
– Ela ficou um pouco receosa quando começamos a namorar, mas depois acabou se acostumando e agora trata o Remo como se fosse um filho... – comentou mexendo nas pontas do cabelo rosa – Ela exagera demais às vezes...
– Imagino... – concordou Violet ao lembrar do temperamento de Andrômeda Black na época da escola, rindo internamente ao constatar que mãe e filha eram idênticas. – Parece que todos os casais estão se ajeitando...
– Apesar de tudo é um bom momento. Inclusive, acho melhor eu ir...
– Já?
– Agora é a sua vez de ter um bom momento. – piscou marota para logo depois correr até Remo, que a recebeu nos braços rapidamente.
A menina ficou feliz ao presenciar a felicidade da amiga, ela finalmente havia conseguido o que mais queria e em breve iria se casar... Mas Violet provavelmente não estaria por perto para celebrar o casamento da auror, e isso a deixava triste.
– Violet Eileen, você é louca ou algo do tipo?! – exclamou uma voz masculina no ouvido da garota, que virou-se assustada.
Fale com o autor